domingo, 13 de maio de 2018

Série mensal - Jan-Mar 2018-Comércio Internacional


Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Janeiro a Março de 2018 

( disponível para download  >> aqui )


1 - Balança comercial
De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 10 de Maio de 2018, nos três primeiros meses de 2018 as exportações de mercadorias cresceram em valor +2,7% face ao mesmo período do ano anterior (+381 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +6,3% (+1058 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +6,2% (+647 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros decresceram -7,5% (-266 milhões de Euros). Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +6,9% (+873 milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +4,7% (+185 milhões de Euros).
Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +24,8%, ao situar-se em -3403 milhões de Euros (um acréscimo de 677 milhões, cabendo 227 milhões ao comércio intracomunitário e 450 milhões ao extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 83,6%, em 2017, para 80,8%, em 2018.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se também, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos. O valor médio unitário de importação do petróleo, que no conjunto dos dois primeiros meses de 2017 se situou em 371 Euros/Ton, subiu para 413 Euros/Ton em igual período de 2018.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,9% e 6,7% do total no período Janeiro-Março de 2018), o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações em 2018 sobe de um total de 80,8% para 85,6%, com o aumento do défice, em termos homólogos, a descer de +21,2% para +17,1%.

2 – Evolução mensal



3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações
No período de Janeiro-Março de 2018, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 77,1% do total (74,6% em 2017), cresceram em valor +6,2%, contribuindo com +4,6 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +2,7%. As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 22,9% do total em 2018 (25,4% em 2017), registaram um decréscimo em valor -7,5%, contribuindo com -1,9 p.p. para a taxa de crescimento global. 


Os principais mercados de destino em 2018 foram a Espanha (25,2%), a França (13,4%), a Alemanha (11,8%), o Reino Unido (6,5%), os EUA (4,8%), os Países Baixos e a Itália (4,0% cada), a Bélgica (2,6%), Angola (2,4%), o Brasil (1,7%) e a Polónia (1,3%), países que no seu conjunto absorveram 77,7% das nossas exportações.
Angola, o segundo mercado de destino entre os países terceiros depois dos EUA, registou no primeiro trimestre de 2018, face ao homólogo de 2017, uma quebra em valor de -22,4% (-100,4 milhões de Euros), envolvendo dez dos onze grupos de produtos, tendo as descidas mais significativas incidido nos grupos “Agro-alimentares” (-26,8 milhões de Euros), “Máquinas, aparelhos e partes” (‑25,1 milhões), “Químicos” (-16,8 milhões de Euros), e “Minérios e metais” (-15,3 milhões). O único acréscimo coube ao grupo “Aeronaves, embarcações e partes” (+1,2 milhões de Euros), o grupo menos representativo (0,4% do total), essencialmente constituído por embarcações e estruturas flutuantes.

Entre os trinta principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações no período em análise (+2,7%), couberam a França (+1,1 p.p.), Alemanha (+0,8 p.p.), Áustria e Brasil (+0,5 p.p. cada), Itália (+0,4 p.p.), Bélgica, Espanha, Eslováquia, Suécia e Provisões de bordo (+0,2 p.p. cada). Os maiores contributos negativos pertenceram a Angola (-0,7 p.p.), e EUA, China e Marrocos (-0,4 p.p. cada).

O maior acréscimo em Euros nas exportações para o espaço comunitário (expedições), em termos homólogos, verificou-se em França, seguida da Alemanha, da Áustria e da Itália. Com menor expressão alinharam-se depois a Bélgica, a Polónia, a Eslováquia, a Suécia, a Hungria, as Provisões de Bordo, os Países Baixos e a Espanha.
Os maiores decréscimos couberam à Irlanda e à Finlândia.


Entre os Países Terceiros, os maiores acréscimos ocorreram nas exportações para o Brasil, seguido da Tunísia. Seguiram-se com menor peso as Provisões de Bordo, o Canadá, a Croácia, a Colômbia e Taiwan. Os maiores decréscimos couberam a Angola, EUA, China, Marrocos, Gibraltar, Argentina e Costa do Marfim.

3.2 - Importações
No período em análise de 2018, as importações com origem na UE, que representaram 76,8% do total (76,4% no mesmo período de 2017), registaram um acréscimo de +6,9% e contribuíram com +5,2 p.p. para uma taxa de crescimento global de +6,3%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +4,7%, representando 23,2% do total em 2018 (23,6% em 2017), com um contributo para o crescimento de +1,1 p.p..
Os principais mercados de origem das importações em 2018 foram a Espanha (32,0%), a Alemanha (13,9%) e a França (8,0%). Seguiram-se a Itália (5,3%), os Países Baixos (5,2%), a China e a Bélgica (2,9%), o Reino Unido (2,6%), os EUA (1,8%), o Brasil (1,6%), a Federação Russa (1,3%), a Polónia (1,2%) e o Azerbaijão e a Turquia (1,1% cada), países que representaram no seu conjunto 80,9% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações (+6,3%) destacam-se a Espanha (+2,5 p.p.), a Alemanha (+0,9 p.p.), a Argélia e a França (+0,7 p.p. cada), o Cazaquistão (+0,6 p.p.), o Azerbaijão (+0,4 p.p.), a Bélgica, a China e a Itália (+0,3 p.p. cada).

Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam à Federação Russa (-1,7 p.p.), seguida do Reino Unido (-0,2 p.p.) e da Colômbia (-0,1 p.p.).
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial
No período em análise, o maior saldo positivo da balança comercial (Fob-Cif) coube a França (+502 milhões de Euros), seguido dos saldos do Reino Unido (+482 milhões), dos EUA (+361 milhões), de Angola (+224 milhões) e de Marrocos (+112 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-2059 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑776 milhões), da Itália (-369 milhões), da China (‑365 milhões) e dos Países Baixos (‑350 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2/SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver Anexo). Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias, representando 81,2% do total em 2018, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (14,5% do total e TVH -3,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (14,1% e TVH +36,5%), “Químicos” (12,2% e TVH -5,3%), “Agro-alimentares” (11,7% e TVH +2,2%) “Minérios e metais” (9,7% e TVH +3,5%), “Têxteis e vestuário” (9,6% e TVH -0,2%), e “Produtos acabados diversos” (9,4% e TVH +4,5%).
Os maiores acréscimos, em Euros, ocorreram nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (+538 milhões), “Produtos acabados diversos” (+59 milhões), “Minérios e metais” (+47 milhões) e “Agro-alimentares” (+36 milhões).
Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Energéticos” (-109 milhões de Euros),  “Químicos” (-98 milhões) e “Máquinas, aparelhos e partes” (-82 milhões).

5.2 – Importações
No mesmo período, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 73,2% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (17,3%, com uma taxa de variação homóloga em valor de +10,8%) “Químicos” (16,6% do total e TVH de +5,1%), “Agro-alimentares” (14,0% e TVH de +1,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (13,4% e TVH de +8,0%) e “Energéticos” (11,9% e TVH de +8,2%).
À excepçãp do grupo “Têxteis e vestuário”, que registou em 2018 uma quebra de 4 milhões de Euros face ao período homólogo do ano anterior, em todos os restantes se verificaram acréscimos nas importações, tendo ocorrido os mais significativos nos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+300 milhões de Euros), “Material de transporte terrestre e partes” (+176 milhões), “Energéticos” (+160 milhões), “Químicos” (+141 milhões) e “Minérios e metais” (+111 milhões). 

6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os mercados de destino das exportações de mercadorias, a Espanha ocupou em Jan-Mar 2018 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,2% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (3ª posição), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4ª posição).

Seguiram-se no “ranking” a França (13,4%), a Alemanha (11,8%), o Reino Unido (6,5%), os EUA (4,8%), a Itália e os Países Baixos (4,0%), a Bélgica (2,6%), Angola (2,4%), e Brasil (1,7%). Estes dez países cobriram 76,4% das exportações totais.
6.2 – Importações

Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,0% do total, sendo as excepções os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha e “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, antecedida dos EUA, França e Países Baixos).
Seguiram-se a Alemanha (13,9%), a França (8,0%), a Itália (5,3%), os Países Baixos (5,2%), a China e a Bélgica (2,9% cada), o Reino Unido (2,6%), os EUA (1,8%) e o Brasil (1,6%).
 Estes dez países cobriram 76,2% das importações totais. 


12 de Maio de 2018.



sábado, 5 de maio de 2018

Comércio Internacional Português do Calçado (2012-2017)


Comércio Internacional Português 
do Calçado
(2012 a 2017)

(disponível para download > aqui )


1 - Nota introdutória
O sector português do calçado, essencialmente exportador, conheceu um processo de expansão a partir dos anos 70 do século passado, no contexto da primeira fase da integração europeia, e com grande força a partir de meados da década de 80.
À medida que os salários em Portugal se foram aproximando dos padrões europeus, houve que se procurar novos factores de competitividade e de versatilidade, a par de uma maior produtividade e cumprimento dos prazos de entrega, por forma a dar resposta pronta às exigências dos mercados.
A facilidade da sua implantação, devido à utilização de uma tecnologia relativamente acessível e à forte componente de mão-de-obra, que justificaram a entrada em Portugal de empresas multinacionais do sector, são as mesmas razões que explicam mais tarde a deslocalização de empresas europeias, incluindo a partir de Portugal, com consequente quebra na produção, para países menos desenvolvidos, em particular asiáticos, onde os custos salariais são mais baixos, gerando uma forte competitividade, situação que se tornou mais crítica por altura da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001. 
Ainda na década de 90, em vésperas da entrada da China na OMC, houve já empresas que iniciaram então um processo de modernização, assente num up-grade da tecnologia aplicada, na utilização de recursos humanos mais qualificados e no apuramento do “design”, visando um maior valor acrescentado dos produtos face a uma quebra quantitativa da produção, processo algo moroso, como se pode observar no andamento do gráfico principalmente entre os anos 2001 e 2005.



A partir de 2009, assistiu-se a uma recuperação sustentada das exportações, sendo um dos objectivos deste trabalho analisar a evolução do sector entre 2012 e 2017.
No ponto 2 deste trabalho faz-se uma abordagem ao sector mundial do calçado e à posição relativa de Portugal, para no ponto 3 se analisar a evolução do comércio internacional português do sector nos últimos anos.

2 - Abordagem ao sector mundial do calçado
Os principais exportadores mundiais de calçado no biénio 2015-2016 foram dois países asiáticos, a China e o Vietname, que representaram em conjunto mais de metade da exportação mundial, com o último destes países a ultrapassar a Itália, que mantinha a segunda posição no “ranking”. Seguiram-se a Alemanha, a Bélgica, a Indonésia, a França, os Países Baixos, a Espanha, a Índia e, na 11ª posição, Portugal, com 1,6% do total. Abaixo de Portugal, mas a curta distância, seguiu-se o Reino Unido, e depois a Roménia, os EUA, a Polónia e o Brasil. Este conjunto de 16 países representou, neste período, cerca de 88% das exportações mundiais de calçado.

Como se pode observar no quadro, o peso da exportação portuguesa de calçado para o mundo desceu sustentadamente de 3,1% do total no biénio 2001-2002 (3,2% de acordo com as estatísticas portuguesas), para 1,6% em 2015-2016, com o peso da China a subir de 34,4% para 40,1% e o do Vietname de 3,7% para 11,5%.
Por tipos de calçado, prevalece o calçado com a parte superior em couro, que viu contudo o seu peso no total descer sucessivamente de 55,4%, no biénio 2001-2002, para 38,5% em 2015-2016, seguido do calçado de borracha ou plástico e do calçado com a parte superior em têxteis, cujo peso subiu respectivamente de 18,9% para 27,5% e de 10,5% para 24,0% no mesmo período.
As partes de calçado ocupam presentemente a quarta posição, tendo o seu peso no total descido sucessivamente de 10,7% em 2001-2002 para 5,9% em 2015-2016.
Com peso residual situam-se depois o calçado não especificado e o calçado impermeável de borracha ou plástico. 

3 – Comércio internacional português do calçado                            (2012 a 2017)
3.1 – Balança Comercial
A Balança Comercial do calçado é amplamente favorável a Portugal, tanto no espaço Intra-comunitário com em relação aos Países Terceiros, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações.
Tanto as importações como as exportações cresceram sustentadamente ao longo do período de 2012 a 2017.

3.2 – Principais mercados de origem das importações de                   calçado
No período em análise, o principal mercado de origem das importações portuguesas de calçado foi a Espanha, com 33,9% do total em 2017.
Seguiram-se neste ano a Itália (9,2%), a Alemanha (9,0%), a França (8,0%), a Bélgica (7,6%), a China (7,0%), os Países Baixos (6,7%), a Indonésia (5,9%), a Índia (4,8%) e o Reino Unido (1,8%), países que, no seu conjunto, representaram 93,9% do total das importações de calçado neste ano.
Em 2017, cerca de 80% das importações tiveram origem no espaço da União Europeia.
Face ao ano anterior, as importações de calçado cresceram 37 milhões de Euros, cabendo um aumento de 17 milhões à Indonésia, de 7 milhões ao Reino Unido, de 5 milhões à Alemanha e de 3 milhões à Bélgica.

3.3 – Importações por tipos de calçado
Entre 2012 e 2017 a importação portuguesa de calçado representou cerca de 1% da importação global.
Por tipos de produtos, definidos ao nível de quatro dígitos da Nomenclatura Combinada em uso na União Europeia, coincidente até seis dígitos com o Sistema Harmonizado utilizado pela generalidade dos países, destaca-se a importação de calçado com a parte superior em couro (27,6% em 2017), seguida do calçado com a parte superior em têxteis (25,0%), das partes de calçado (22,9%) e de outro calçado de borracha ou plástico, não impermeável (21,1%).
Com peso residual alinham-se depois outro calçado não especificado (2,3%) e o calçado impermeável, de borracha ou plástico (1,0% do total em 2017).
Em 2017, face a 2012, os maiores aumentos em Euros verificaram-se nas importações de calçado com a parte superior de têxteis (+108,2 milhões de Euros), de calçado de borracha ou plástico, não impermeável (+65,4 milhões), de partes de calçado (+61,8 milhões) e de calçado com a parte superior de couro (41,7 milhões de Euros).

Do quadro seguinte constam os principais mercados de origem das importações portuguesas por tipos de calçado, em 2017.

3.4 – Principais mercados de destino das exportações de                   calçado
O Peso das exportações de calçado para o espaço Extra-comunitário no total aumentou de 9,4%, em 2012, para 14,0%, em 2017, com as exportações para os parceiros comunitários a crescerem também, mas a um ritmo inferior.  


Entre 2012 e 2015 os principais mercados de destino das exportações portuguesas de calçado foram a França (20,8% do total em 2017), a Alemanha (19,1%), os Países Baixos (14,0%) e a Espanha (9,1%).
Com quotas inferiores alinharam-se depois, ainda em 2017, o Reino Unido (6,2%), a Dinamarca (5,3%), os EUA (3,6%), a Itália (2,8%), a Bélgica (2,4%), e a Suécia (2,0%).


De 2012 a 2017, entre os dez países, aqueles em que o calçado deteve anualmente o maior peso no total das exportações com esse destino foram a Dinamarca (29,8% em 2017) e os Países Baixos (12,7%). Em 2017 seguiram-se a Suécia (7,9%), a Alemanha e da França (6,1% cada).

3.5 – Exportações por tipos de calçado
De 2012 e 2017 a exportação portuguesa de calçado representou entre 3,6% e 4,0% da importação global. Por tipos de produtos, definidos ao nível de quatro dígitos da Nomenclatura Combinada, destaca-se a exportação de calçado com a parte superior em couro (85,0% do total em 2017), seguida do calçado de borracha ou plástico, não impermeável (5,0%), do calçado com a parte superior de têxteis (3,3%), das partes de calçado (2,6%), de outro calçado não especificado (2,2%) e do calçado impermeável de borracha ou plástico (1,9%).


Em 2017, face ao valor que detinham em 2012, os maiores aumentos em Euros verificaram-se nas exportações de calçado com a parte superior de couro (+293,9 milhões de Euros) e de calçado de borracha ou plástico, não impermeável (+62,7 milhões). Aumentaram também as exportações de calçado com a parte superior de têxteis (+26,1 milhões), de calçado impermeável de borracha ou plástico (+12,1 milhões) e de partes de calçado (+7,2 milhões), tendo diminuído as de outro calçado, não especificado (‑34,8 milhões de Euros).
Do quadro seguinte constam os principais mercados de destino das exportações portuguesas por tipos de calçado, em 2017.

3.6 – Índices de variação homóloga das exportações                         de calçado em valor, volume e preço
Foram calculados os índices de evolução em preço, do tipo Paasche, para as exportações de cada tipo de calçado, e daí para o total, a partir dos respectivos dados elementares a oito dígitos da Nomenclatura Combinada divulgados pelo INE para o ano de 2017, em versão ainda preliminar, com base no ano anterior.
Estes índices de preço foram depois utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume.
De acordo com os dados disponíveis, verifica-se que as exportações de calçado em 2017, terão crescido +2,7% em valor, +2,6% em volume e +0,1% em preço, face ao ano anterior.
O maior aumento em volume coube ao calçado com a parte superior de têxteis (+59,9%), seguido do calçado impermeável de borracha ou plástico (+7,3%), do calçado de borracha ou plástico não impermeável (+2,1%) e do calçado com a parte superior em couro (+1,2%). Registaram-se quebras em volume nas exportações do calçado não especificado (-4,0%) e das partes de calçado (-3,7%).
Verificaram-se aumentos em preço na exportação de partes de calçado (+12,4%), no calçado de borracha ou plástico, não impermeável (+3,6%), no calçado não especificado (+2,2%) e no calçado com a parte superior de couro (+0,2%), e decréscimos no calçado com a parte superior de têxteis (-11,9%) e no calçado impermeável de borracha ou plástico (‑3,0%).


  Alcochete, 4 de Maio de 2018.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Níveis de intensidade tecnológica - Export/Import - 2012-2017



Exportações e importações de 
Produtos Industriais Transformados
por níveis de intensidade tecnológica

- 2012 a 2017 -

(disponível para download > aqui )


1 - Nota introdutória
A evolução do nível de intensidade tecnológica das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados, a que corresponde um maior ou menor valor acrescentado, tem um reflexo directo na balança comercial de mercadorias, sendo na exportação um importante indicador de desenvolvimento industrial. Pretende-se neste trabalho analisar, a partir de dados de base divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período 2012-2017, com última actualização em 9/4/2018, a evolução do comércio internacional português destes produtos, na óptica do seu nível de intensidade tecnológica.
2 – Metodologia
Os níveis de intensidade tecnológica considerados neste trabalho são os propostos pela OCDE, definidos com base na Revisão-3 da International Standard Industrial Classification(ISIC Rev.3: Alta tecnologia - 2423, 30, 32 33, 353); Média-alta tecnologia - 24 excl.2423, 29, 31, 34, 352, 359); Média-baixa tecnologia - 23, 25 a 28, 351) e Baixa tecnologia - 15 a 22, 36 e 37).
A partir da tabela ISIC correspondente ao ano de 2007, com recurso à “Classificação Tipo do Comércio Internacional” da ONU (CTCI/SITC Rev.3) e à “Nomenclatura Combinada” a oito dígitos em uso na União Europeia (NC-8), tomando-se em consideração as sucessivas alterações pautais anuais, foi construída uma tabela em NC-8 abrangendo o período de 2007 a 2017, com algumas pequenas rectificações face à utilizada em trabalhos anteriores.
3 – Exportação de Produtos Industriais Transformados
      por níveis de intensidade tecnológica
O peso dos Produtos Industriais Transformados na exportação global portuguesa oscilou, no período de 2012 a 2017, entre 94,8% e 94,3%.

Por níveis de intensidade tecnológica o maior peso nas exportações do conjunto dos Produtos Industriais Transformados em 2017 incidiu na Baixa tecnologia (36,1%), seguido da Média-alta tecnologia (29,8%), da Média-baixa tecnologia (24,9%) e da Alta tecnologia (9,2%).


Na Alta tecnologia encontram-se incluídos, por ordem decrescente do seu peso em 2017, o “Equipamento de rádio, TV e comunicações”, os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão”, os “Produtos farmacêuticos”, os produtos da “Aeronáutica e aeroespacial” e o “Equipamento de escritório e computação”.
A Média-alta tecnologia engloba, ainda por ordem decrescente de valor em 2017, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques”, as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos”, os “Produtos químicos, excepto farmacêuticos”, as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” e o “Equipamento ferroviário e outro equipamento de transporte”

Na Média-baixa tecnologia perfilam-se, por ordem decrescente de valor em 2017, os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustível nuclear”, os “Produtos da borracha e do plástico”, a “Fabricação de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos”, os “Produtos minerais não metálicos”, a “Metalurgia de base” e a “Construção e reparação naval”.
Por fim, na Baixa tecnologia alinham-se os “Têxteis, vestuário, couros e calçado”, os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, a “Pasta, papel, cartão e publicações”, as “Manufacturas não especificadas e reciclagem” e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça”.
As exportações anuais do conjunto dos Produtos Industriais Transformados cresceram sustentadamente ao longo dos últimos seis anos, tendo o maior ritmo de crescimento incidido nos produtos de Alta tecnologia, seguido dos de Baixa tecnologia.
Verificaram-se desacelerações nas exportações dos produtos de Alta tecnologia, em 2013, e de Média-baixa tecnologia entre 2013 e 2016.

4 – Mercados de destino das exportações em 2017
As exportações de Produtos Industriais Transformados têm por principal destino o espaço comunitário.
Em 2017 o maior peso relativo da União Europeia, face ao conjunto dos países terceiros, incidiu na exportação de produtos de Média-alta tecnologia (78,9%).
Seguiram-se os de Baixa tecnologia (75,5%), de Alta tecnologia (67,6%) e de Média-baixa tecnologia (66,5%).

Os onze mercados de destino constantes do quadro seguinte representaram 77,2% das exportações globais portuguesas em 2017 e 77,1% das exportações de Produtos Industriais Transformados, estas com um peso nas exportações globais compreendido ente 84,5% para a China e 99,2% para os EUA.

Entre estes países destaca-se, no âmbito dos Produtos Industriais Transformados, a Espanha (23,8% do total), seguida da França (12,9%) e da Alemanha (11,8%). Com pesos menores alinham-se o Reino Unido (6,8%), os EUA (5,4%), os Países Baixos (4,0%), a Itália (3,6%), Angola (3,4%), a Bélgica (2,3%). O Brasil (1,7%) e a China (1,4%).
Em 2017 a Espanha ocupou a primeira posição na Média-alta, na Média-baixa e na Baixa tecnologias, cabendo à Alemanha o primeiro lugar ao nível da Alta-tecnologia, seguida do Reino Unido.

A Baixa tecnologia prevaleceu nas exportações para Espanha, França, Países Baixos, Itália, Angola e Brasil, a Média-baixa tecnologia nos fornecimentos aos EUA e a Média-alta tecnologia nas exportações para a Alemanha, Reino Unido, Bélgica e China.

5 – Importação de Produtos Industriais Transformados
      por níveis de intensidade tecnológica
O peso dos Produtos Industriais Transformados na importação global portuguesa aumentou, sustentadamente, no período de 2012 a 2016, de 76,2% para 85,0%, tendo descido para 84,0% em 2017.

Por níveis de intensidade tecnológica, em 2017 o maior peso no conjunto das importações dos Produtos Industriais Transformados incidiu na Média-alta tecnologia (39,8%), seguida da Baixa tecnologia (28,1%), da Média-baixa tecnologia (16,6%) e da Alta tecnologia (15,5%).

Na Alta tecnologia encontram-se incluídos, por ordem decrescente do seu peso em 2017, o “Equipamento de rádio, TV e comunicações”, os “Produtos farmacêuticos”, os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão”, o “Equipamento de escritório e computação” e os produtos da “Aeronáutica e aeroespacial”.
No mesmo ano, a Média-alta tecnologia engloba, ainda por ordem decrescente de valor, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques”, os “Produtos químicos, excepto farmacêuticos”, as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos”, as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” e o “Equipamento ferroviário e outro equipamento de transporte”

Na Média-baixa tecnologia perfilam-se, por ordem decrescente de valor, a “Metalurgia de base”, os “Produtos da borracha e do plástico”, a “Fabricação de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos”, os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustível nuclear”, os “Produtos minerais não metálicos, e residualmente a “Construção e reparação naval”.
Por fim, na Baixa tecnologia alinham-se os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, os “Têxteis, vestuário, couros e calçado”, as “Manufacturas não especificadas e reciclagem”, a “Pasta, papel, cartão e publicações” e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça”.
As importações anuais do conjunto dos Produtos Industriais Transformados cresceram sustentadamente ao longo dos últimos seis anos e também em todos os níveis de intensidade tecnológica, à excepção dos produtos de Alta tecnologia em 2013 e de Média-baixa tecnologia em 2015 e 2016, anos em que se registaram descidas.

6 – Mercados de origem das importações em 2017
As importações de Produtos Industriais Transformados têm por principal origem o espaço comunitário.
Em 2017 o maior peso da União Europeia, face ao conjunto dos países terceiros, incidiu na importação de produtos de Média-alta tecnologia (87,6%), seguida da Baixa tecnologia (83,5%), da Média-baixa tecnologia (82,0%) e da Alta tecnologia (78,8%).

Os países constantes do quadro seguinte representaram 77,9% das importações globais portuguesas em 2017 e 83,0% das importações de Produtos Industriais Transformados, que, à excepção da Rússia e do Brasil, pesaram mais de 80% no total em cada um dos países.

No caso da Rússia, entre os produtos não incluídos nos industriais transformados, sobressai o petróleo bruto, seguido da hulha e dos desperdícios de ferro e aço. No caso do Brasil há uma forte componente também de petróleo bruto, mas também soja, milho, frutas, café e algodão.
Entre os onze países acima identificados destaca-se, no âmbito dos Produtos Industriais Transformados, a Espanha (34,0% do total), seguida da Alemanha (16,0%) e da França (8,2%). Com pesos inferiores alinham-se depois a Itália (6,4%), os Países Baixos (6,0%), o Reino Unido (3,5%), a China (3,2%), a Bélgica (2,9%), os EUA (1,4%), o Brasil (0,8%) e a Rússia (0,6%).
A Espanha ocupou a primeira posição na Média-alta, na Média-baixa e na Baixa tecnologias, cabendo à Alemanha o primeiro lugar ao nível da Alta-tecnologia.

A Espanha foi o único destes onze países em que, entre os quatro níveis, predominou o de Baixa tecnologia. Por sua vez, os EUA foram o único em que prevaleceu a Alta-tecnologia.


7 – Balança comercial de Produtos Industriais Transformados
       por níveis de intensidade tecnológica
Entre 2012 e 2017, o saldo (Fob-Cif) da balança comercial portuguesa de Produtos Industriais Transformados apenas foi positivo em 2013, num montante de +842 milhões de Euros.
O saldo da balança comercial dos produtos de Média-baixa tecnologia e de Baixa tecnologia foi sempre positivo, por contraposição ao saldo da balança dos produtos de Alta tecnologia e de Média-alta tecnologia, que foi sempre negativo.




Alcochete, 17 de Abril de 2018.