quinta-feira, 15 de junho de 2017

Bens e Serviços - Março 2017 - Balança Comercial


Balança Comercial de Bens e Serviços
Componentes dos Serviços
(2014-2016 e Janeiro-Março 2014-2017)

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1 - Nota introdutória


O peso dos Serviços no total das exportações e das importações de Bens e Serviços aumentou entre 2014 e 2016, em termos anuais e no 1º trimestre de cada um dos anos, para decrescer ligeiramente no 1º trimestre de 2017 em ambas as vertentes comerciais. 


Se agregarmos a balança comercial de Bens, tradicionalmente deficitária, com a balança de Serviços, superavitária, verifica-se que o saldo (fob-fob) da balança global anual de Bens e Serviços, que se tornou positivo a partir de 2011, cresceu significativamente de 2014 para 2016, passando de 1891 milhões de Euros para 4065 milhões em 2016.


Numa análise trimestral, o saldo foi negativo no 1º trimestre de 2014, (-415 milhões de Euros), tornando-se positivo no 1º trimestre do ano seguinte (+254 milhões), para decrescer sucessivamente até 2017 (72 milhões, de acordo com os dados ainda preliminares disponíveis).

Existe algum desfasamento entre os valores do comércio internacional de Bens (mercadorias) quando considerados pelo INE ou pelo Banco de Portugal, explicado por diferenças metodológicas pontuais na sua classificação.

No presente trabalho utilizam-se os dados de base de Bens e Serviços disponibilizados pelo Banco de Portugal no seu portal, que se encontravam disponíveis em 06-06-2017.
Na figura seguinte encontra-se a balança comercial de Bens, de Serviços e do conjunto dos Bens e Serviços, segundo séries não ajustadas e também ajustadas de sazonalidade, para os anos de 2014 a 2016 e período acumulado de Janeiro a Março de 2014 a 2017.

Entre 2007 e 2016, o ritmo de crescimento do crédito de Serviços (exportação) foi mais vivo do que o do débito (importação). 
Após uma quebra verificada em 2009, na sequência da crise que abalou o mundo, assistiu-se a uma recuperação nas duas vertentes. Mas enquanto que o crédito subiu sustentadamente até 2016, o débito registou uma nova descida em 2012, para recuperar a partir de então.

No 1º trimestre de 2017 as componentes dominantes no Crédito de Serviços (exportação) incidiram em “Viagens e Turismo” (38,8%), seguidas de “Transportes” (26,1%), de “Outros serviços fornecidos por empresas” (18,7%) e serviços de “Telecomunicações, informáticos e de informação” (5,7%).

Entre os diversos tipos de “Transportes” predominam os “Transportes aéreos” (66,1% do total dos transportes, seguidos dos “Outros transportes”, que não marítimos, como o rodoviário (20,2%) e dos “Transportes marítimos” (11,2%).

Nos “Outros serviços fornecidos por empresas” sobressaem os “Serviços técnicos relacionados com o comércio e outros” (77,4% do total), seguidos dos serviços de “Consultadoria em gestão e outras áreas” (20,1%).

Por sua vez, nos serviços de “Telecomunicações, informáticos e informação” o destaque vai para os serviços “Informáticos” (60,7%), seguidos dos de “Telecomunicações” (37,5%).

No Débito de Serviços (importação) são as mesmas as principais componentes: “Viagens e Turismo” (27,6%), “Transportes” (24,1%), “Outros serviços fornecidos por empresas” (23,7%) e “Serviços de telecomunicações, informáticos e de informação” (8,1%).
Entre os “Transportes” sobressaem igualmente os “Transportes aéreos” (51,7%), mas assumem aqui alguma relevância os “Transportes marítimos” (33,8%), seguidos dos “Outros transportes” (10,2%), onde se inclui o rodoviário. No âmbito dos serviços de “Telecomunicações, informáticos e de informação”, os serviços “Informáticos” e os de “Telecomunicações” registaram pesos semelhantes, 48.9% e 48,2% respectivamente.

Seguem-se quadros e gráficos relativos à evolução do Crédito e do Débito dos Serviços por componentes entre 2014 e 2016 e primeiros trimestres de 2014 a 2017, em valor, estrutura, taxas de variação homóloga e contributos para o crescimento, bem como a balança comercial das componentes dos Serviços nos mesmos períodos. 

2 – Crédito e Débito dos Serviços por componentes

2.1 - Crédito




2.2 - Débito




3 – Balança Comercial das componentes dos Serviços



domingo, 11 de junho de 2017

Série mensal - Abr 2017 - Comércio Internacional


Comércio internacional de mercadorias
- Série mensal -
Período acumulado de Janeiro a Abril de 2017

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1 - Balança comercial

De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Junho de 2017, no período de Janeiro a Abril de 2017 as exportações de mercadorias cresceram em valor +12,8% face ao mesmo período do ano anterior (+2062 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +14,2% (+2741 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +8,5% (+1058 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros cresceram +27,8% (+1004 milhões de Euros). Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +9,9% (+1508 milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +30,0% (+1234 milhões de Euros).
Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +21,4%, ao situar-se em -3848 milhões de Euros (um acréscimo de 679 milhões, cabendo 450 milhões ao comércio intracomunitário e 229 milhões ao extracomunitário).
Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações nos quatro primeiros meses do ano desceu de 83,6%, em 2016, para 82,5%, em 2017.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se também, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos, e logo na balança comercial. O valor médio unitário de importação do petróleo, que nos quatro primeiros meses de 2016 se situou em 233 Euros/Ton, subiu para 365 Euros/Ton em 2017.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,8% e 7,7% no período de Janeiro-Abril de 2017), o grau de cobertura (Fob-Cif) das importações pelas exportações dos restantes produtos sobe nesse período de 82,5% para 86,4%.

2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações

No período acumulado de Janeiro a Abril de 2017, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 74,6% do total (77,5% em 2016), cresceram em valor +8,5%, contribuindo com +6,6 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +12,8%.
As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 25,4% do total em 2017 (22,5% em 2016), registaram um crescimento em valor de +27,8%, contribuindo com +6,2 p.p. para a taxa de crescimento global.

Os principais mercados de destino das nossas mercadorias em 2017 foram a Espanha (25,9%), a França (12,6%), a Alemanha (11,2%), o Reino Unido (6,6%), os EUA (5,4%), os Países Baixos (3,9%), a Itália (3,7%), Angola (3,2%), a Bélgica (2,5%), Marrocos (1,5%) e a China (1,5%), conjunto de países que absorveu 78,0% das nossas exportações.
Angola, o segundo mercado de destino das exportações para os países terceiros depois dos EUA, que vinha apresentando no passado recente sucessivos decréscimos, em termos homólogos, nas exportações da quase totalidade dos onze grupos de produtos considerados, registou nos primeiros quatro meses do ano apenas uma taxa de variação homóloga negativa, designadamente na área das aeronaves e embarcações.


Entre os trinta principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações (+12,8%), couberam a Espanha (+2,7 p.p.), EUA (+1,7 p.p.), Angola (+1,1 p.p.), França (0,8 p.p.), Alemanha e China (0,7 p.p. cada), Itália (0,6 p.p.), Países Baixos (0,5 p.p.), Marrocos e Brasil (+0,4 p.p. cada).

O maior acréscimo do valor das exportações para o espaço comunitário (expedições), em termos homólogos, verificou-se em Espanha, seguido a grande distância pela França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Provisões de Bordo, e, com menor expressão, pela Bélgica, Luxemburgo, Roménia, Polónia, Reino Unido, eslováqia,  Finlândia, Dinamarca e Irlanda. Os maiores decréscimos, pouco expressivos, couberam à Áustria e à Suécia.

Entre os Países Terceiros, os maiores acréscimos ocorreram nas exportações para os EUA, Angola, China, Brasil, Gibraltar, Provisões de Bordo, Gabão, Marrocos, México e Suíça.
Entre os maiores decréscimos figuram a Argélia, Moçambique o Egipto e  Ghana.

3.2 - Importações
No período de Janeiro a Abril de 2017, as importações com origem na UE (chegadas), que representaram 75,7% do total (78,7% em 2016), contribuíram com +7,8 p.p., para uma taxa de crescimento global de +14,2%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +30,0%, representando 24,3% do total (21,3% no período homólogo de 2016), com um contributo para o crescimento de +6,4 p.p..
Os onze principais mercados de origem das importações nos quatro primeiros meses do ano foram a Espanha (31,3%), a Alemanha (13,8%) e a França (7,6%). Seguiram-se a Itália (5,4%), os Países Baixos (5,2%), a China e o Reino Unido (2,8% cada), a Bélgica (2,7%), a Federação Russa (2,6%), o Brasil (1,7%) e os EUA (1,6%), conjunto de países que representou 77,6% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações (+14,2%) destacam-se a Espanha (+3,0 p.p.), Federação Russa (+2,4 p.p.) e a Alemanha (+2,1 p.p.). Seguiram-se os Países Baixos (+0,8 p.p.), a Itália, França, Arábia Saudita e Turquia (+0,5 p.p. cada), os EUA (+0,4 p.p.) e o Azerbaijão (+0,3 p.p.).


Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam a Angola (-1,0 p.p.), à Argélia (‑0,5 p.p.), à Irlanda e República Checa (-0,1 p.p. cada).
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores decréscimos e acréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.




4 – Saldos da Balança Comercial

No período em análise, o maior saldo positivo da balança comercial (Fob-Cif) coube a França (+626 milhões de Euros), seguido dos EUA (+616 milhões), do Reino Unido (+581 milhões), de Angola (+515 milhões) e de Marrocos (+226 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-2188 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑1006 milhões), da Rússia (‑526 milhões), da Itália (‑519 milhões) e dos Países Baixos (-424 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2/SH-2) em uso na União Europeia foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver Anexo).
Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias, representando 70,6% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (15,5% do total, com uma taxa de variação homóloga de +14,7%), “Químicos” (13,1% e TVH +11,6%), “Agro-alimentares” (12,2% e TVH +15,1%) “Material de transporte terrestre e partes” (10,6% e TVH +4,9%), “Têxteis e vestuário” (9,8% e TVH +3,4%), “Minérios e metais” (9,6% e TVH +16,5%) e “Produtos acabados diversos” (9,3% e TVH +8,4%).
Registaram-se acréscimos em termos homólogos em todos os grupos de produtos. Os maiores acréscimos, em Euros, ocorreram nos grupos “Energéticos” (+571 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+360 milhões), “Agro-alimentares” (+291 milhões) “Minérios e metais” (+249 milhões) e “Químicos” (+247 milhões de Euros).



5.2 – Importações

No mesmo período, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 72,7% do total, foram “Químicos” (16,6% do total, com taxa de variação homóloga em valor de +6,2%), “Máquinas, aparelhos e partes” (16,4%, TVH +17,1%), “Agro-alimentares” (14,9% e TVH +9,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (13,0% e TVH +10,6%) e “Energéticos” (11,8% e +58,4%).
Os maiores acréscimos, em Euros, couberam aos grupos “Energéticos” (+959 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+525 milhões), “Minérios e metais” (+323 milhões), “Agro-alimentares” (+297 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (+274 milhões), “Químicos” (+213 milhões de Euros). O único grupo em que se registou uma quebra, de pouca monta aliás, foi “Calçado, peles e couros” (-22 milhões de Euros).



6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino das exportações de mercadorias, a Espanha ocupou em 2017 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,9% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (3ª posição), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4ª posição).

Seguiram-se no “ranking” a França (12,6%), a Alemanha (11,2%), o Reino Unido (6,6%), os EUA (5,4%), os Países Baixos (3,9%) a Itália (3,7%), Angola (3,2%), a Bélgica (2,5%) e Marrocos (1,5%). Estes dez países cobriram 76,0% das exportações totais.
6.2 – Importações

Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou o primeiro lugar também em oito dos onze grupos de produtos, com 31,3% do total, sendo as excepções os grupos “Energéticos”, em 2º lugar, depois da Rússia, “Material de transporte terrestre e partes”, 2ª posição, depois da Alemanha, e “Aeronaves, embarcações e partes”, em que ocupou o 5º lugar, antecedida de Singapura, Canadá, Brasil e EUA.
Seguiram-se a Alemanha (13,8%), a França (7,6%), a Itália (5,4%), os Países Baixos (5,2%), a China e o Reino Unido (2,8% cada), a Bélgica (2,7%), a Rússia (2,6%) e o Brasil (1,7%). Estes dez países cobriram 76,0% das importações totais.




sábado, 3 de junho de 2017

Pesca - Import/Export (2012-2016)


Comércio internacional da pesca, conservas 
e outros produtos do mar
(2012-2016)

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1 – Nota introdutória

Portugal é detentor de uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) do mundo, abrangendo actualmente mais de 1,7 milhões de Km2. Contudo, a balança comercial da pesca, conservas e outros produtos do mar é deficitária.
Portugal apresentou às Nações Unidas, em Maio de 2009, uma proposta de extensão da sua plataforma continental das 200 para as 350 milhas, aguardando-se que a pretensão seja analisada naquela Organização, o que, a ser aceite, alargará a ZEE para mais de 3 milhões de Km2.

No presente trabalho pretende-se analisar a evolução das trocas comerciais portuguesas com o exterior, a partir de dados de base divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística para os anos de 2012 a 2016, designadamente dos agregados “Peixe, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos”, “Conservas de peixe, crustáceos e moluscos”, “Gorduras e óleos de peixe e de mamíferos marinhos”, “Produtos da pesca impróprios para a alimentação humana”, “Sal, águas-mãe de salinas e algas”, e “Extractos e sucos de carnes de peixe, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos”. 

2- Peso do sector no comércio internacional global 

As exportações portuguesas da pesca, conservas e outros produtos do mar, atingiram em 2016 o maior peso no contexto das exportações globais ao longo dos últimos cinco anos (2,2%). Por sua vez as importações, com um valor 1,7 vezes superior, representaram também neste último ano a quota mais elevada no mesmo período (3,2%). 


3 – Balança Comercial 

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão definitiva para os anos de 2012 a 2015 e preliminar para 2016, com última actualização em 10-05-2017, a balança comercial do conjunto da pesca, conservas e outros produtos do mar, foi deficitária ao longo dos últimos cinco anos, com um grau de cobertura das importações pelas exportações inferior a 60%.


Entre os agregados de produtos considerados, destacam-se nas duas vertentes comerciais, o “Peixe”, os “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Conservas de peixe, crustáceos e moluscos”. 


Os agregados em que a Balança foi favorável a Portugal foram “Conservas de peixe, crustáceos e moluscos”, ao longo dos cinco anos, “Gorduras e óleos de peixe e de mamíferos marinhos”, de 2012 a 2014, e ”Produtos da pesca impróprios para a alimentação humana”, apenas em 2012.


4 – Importações

Nas importações de “Peixe” assumem particular relevância as de “Peixe seco, salgado, em salmoura ou fumado”, ou seja, de bacalhau, que em 2016 ultrapassaram os 350 milhões de Euros, ou seja, um pouco menos de metade das importações de todo o peixe fresco, refrigerado e congelado, excluindo filetes.

Após uma ligeira quebra em 2013, as importações do conjunto da pesca, conservas e outros produtos do mar atingiram 131,4% em 2016 face a 2012 (2012=100). 


De acordo com os dados disponíveis, o principal fornecedor de bacalhau em 2016, em todos os estados, com predominância do bacalhau seco ou salgado, foi a Suécia (193,5 milhões de Euros e 35,6 mil toneladas), 40,7% do total. As importações provenientes da Noruega ter-se-ão resumido a 753 toneladas, correspondentes apenas a bacalhau congelado, num valor de 2,1 milhões de Euros.

Sabe-se que a maior parte do bacalhau consumido em Portugal, tem a sua origem na Noruega, país extracomunitário limítrofe da Suécia. Tudo indica que a prevalência da Suécia entre os principais fornecedores de Portugal contabilizados pelo INE reside no facto de ser este um país de “introdução em livre prática” na União Europeia do bacalhau destinado a Portugal, após serem pagos os direitos aduaneiros a que houver lugar e cumpridas as condições de importação. 

Aliás, consultada a base de dados do Eurostat, verifica-se que em 2016 a Suécia terá importado da Noruega 40 mil toneladas de bacalhau seco e salgado, tendo exportado para Portugal mais de 33 mil toneladas. 

O próprio “Conselho Norueguês da Pesca” (Norwegian Seafood Council-NSC) aponta para cerca de 44 mil toneladas a quantidade de bacalhau salgado seco e verde exportado para Portugal em 2016. 

Em termos globais, os principais fornecedores de pescado e outros produtos do mar a Portugal são a Espanha, a Suécia, os Países Baixos e a China. 


5 – Exportações

As maiores exportações incidem no “Peixe”, seguidas das de “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos”, excluindo as conservas, e das “Conservas de peixe, crustáceos e moluscos”. 


O principal mercado de destino destas exportações é a Espanha, com 56,9% do total em 2016, seguida da Itália (11,4%), França (8,7%), Brasil (5,1%), Reino Unido (3,7%), Angola (2,7%) e EUA (2,3%).


6 – Balança Comercial excluindo o bacalhau

Excluindo o bacalhau, a balança comercial portuguesa de pescado e outros produtos do mar é ainda deficitária, não ultrapassando o grau de cobertura das importações pelas exportações os 70%.



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Níveis de intensidade tecnológica - Export / Import 2012 a 2016


Exportações e Importações anuais
de produtos industriais transformados
por níveis de intensidade tecnológica
- 2012 a 2016 -

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1 - Nota introdutória

A evolução do nível de intensidade tecnológica dos produtos transaccionados nas duas vertentes comerciais, a que corresponde um maior ou menor valor acrescentado, tem um reflexo directo na balança comercial do país sendo, no caso da exportação, um importante indicador de desenvolvimento industrial.

Pretende-se aqui analisar, a partir de dados de base divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão definitiva para os anos de 2012 a 2015 e versão preliminar para 2016, com última actualização em 10 de Maio de 2017, a evolução anual das exportações e importações portuguesas de produtos industriais transformados na óptica do seu nível de intensidade tecnológica.

2 – Metodologia

Os níveis de intensidade tecnológica considerados neste trabalho são os propostos pela OCDE, definidos com base na Revisão 3 da “International Standard Industrial Classification” (ISIC Rev.3-Alta, 2423, 30, 32 33, 353; Média-alta, 24 excl.2423, 29, 31, 34, 352, 359; Média-baixa, 23, 25 a 28, 351; Baixa, 15 a 22, 36 e 37).

A partir da tabela de correspondência entre as posições de produtos da ISIC Rev.3 e as da “Classificação Tipo do Comércio Internacional” (CTCI / SITC Rev.3), da ONU, disponível no portal do Eurostat, foi por sua vez feita a correspondência entre esta e a "Nomenclatura Combinada" a oito dígitos em uso na União Europeia (NC-8), para o ano de 2007.

Tomando-se depois em consideração as sucessivas alterações pautais anualmente introduzidas à "Nomenclatura Combinada", foi finalmente construída uma tabela que abrange o período de 2007 a 2016, utilizada na elaboração do presente trabalho.


3 – Balança comercial de produtos industriais transformados, 
por níveis de intensidade tecnológica

No período de 2012 a 2016, o saldo (Fob-Cif) da balança comercial portuguesa de produtos industriais transformados apenas foi positivo em 2013, num montante de 802 milhões de Euros).

Ao longo deste período, foi sempre negativo o saldo da balança de Alta tecnologia e de Média-alta tecnologia. Por sua vez, foi nos cinco anos favorável a Portugal o saldo da balança de Média-baixa tecnologia e de Baixa tecnologia.
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4 – Exportação de produtos industriais transformados 
por níveis de intensidade tecnológica

O peso dos produtos industriais transformados na exportação global portuguesa oscilou, no período de 2012 a 2016, entre 94,5% e 94,6%.


Numa análise por níveis de intensidade tecnológica, verifica-se que predominou nestas exportações o conjunto dos produtos de Baixa tecnologia, que em 2016 representou 38,2% das exportações de produtos industriais transformados, seguido dos de Média-alta tecnologia, com 29,3%, de Média-baixa tecnologia, com 23,7% e de Alta tecnologia, com 8,9%. 

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Na Alta tecnologia, onde incidiu o 2º maior acréscimo entre 2012 e 2016, encontram-se incluídos, por ordem decrescente do seu peso em 2016, o “Equipamento de rádio, TV e comunicações”, os “Produtos farmacêuticos”, os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão”, os produtos da “Aeronáutica e aeroespacial” e o “Equipamento de escritório e computação”.

A Média-alta tecnologia engloba os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques”, as “Máquinas e equipamentos, principalmente não eléctricos”, os “Produtos químicos, excepto farmacêuticos”, as “Máquinas e aparelhos eléctricos” e o “Equipamento ferroviário e outro equipamento de transporte”.

Na Média-baixa tecnologia perfilam-se, por ordem decrescente de valor em 2016, os “Produtos da borracha e do plástico”, os “Refinados de petróleo, petroquímica e combustível nuclear”, a “Fabricação de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos”, os “Produtos minerais não metálicos”, a “Metalurgia de base” e, com pouca expressão, a “Construção e reparação naval”.
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Por fim, na Baixa tecnologia alinham-se os “Têxteis, vestuário, couros e calçado”, os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, a “Pasta, papel, cartão e publicações”, as “Manufacturas não especificadas e reciclagem” e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça”

Constata-se que no período em análise o maior ritmo de crescimento das exportações de produtos industriais transformados coube aos produtos de Alta tecnologia (136,1% em 2016, com 2012=100), com alguma desaceleração em 2013 e um forte acréscimo em 2016 sobre 2015 (+25,4%), seguida da Baixa Tecnologia (122,9%). 

Em 2016, face a 2012, as exportações de Alta tecnologia aumentaram 1120 milhões de Euros, cabendo 399 milhões à componente “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão”, 391 milhões a “Produtos farmacêuticos”, 241 milhões a “Aeronáutica e aeroespacial”, e 97 milhões a “Equipamento de rádio, TV e comunicações”, tendo-se verificado uma quebra de 7 milhões de Euros na componente “Equipamento de escritório e computação”.


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O segundo maior ritmo, sustentado ao longo dos últimos cinco anos, ocorreu no âmbito da Baixa tecnologia (122,9% em 2016, com 2012=100).

5 – Principais mercados de destino em 2015 e 2016 
por níveis de intensidade tecnológica

Como já foi referido, o peso dos produtos industriais transformados na exportação global portuguesa oscilou, ao longo dos últimos cinco anos, entre 94,5% e 94,6%.

Em 2016, face ao ano anterior, aumentaram os pesos das exportações de produtos de Alta tecnologia em relação ao conjunto dos produtos industriais transformados, de 7,2% para 8,9%, e de Baixa tecnologia, de 37,3% para 38,3%, tendo-se reduzido o peso dos de Média-alta tecnologia, de 29,6% para 28,9%, e de Média-baixa tecnologia, de 25,8% para 23,9%.



O principal destino dos produtos industriais transformados é o espaço intracomunitário, tendo o seu peso aumentado em todos os níveis de intensidade tecnológica de 2015 para 2016.

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Os mercados dominantes em 2016 foram a Espanha (25,1% do total dos produtos industriais transformados), seguida da França (13,0%), Alemanha (12,1%), Reino Unido (7,2%) e EUA (5,2%).

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Por níveis de intensidade tecnológica nos fornecimentos de produtos de Alta tecnologia predominou a Alemanha (22,3% do total), seguida do Reino Unido (10,8%), Espanha (10,0%) e EUA (9,9%).

Nos restantes três níveis a primeira posição coube folgadamente a Espanha.

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6 – Importação de produtos industriais transformados, 
por níveis de intensidade tecnológica

O peso dos produtos industriais transformados na importação global portuguesa cresceu sustentadamente entre 2012 e 2016, passando de 76,1% para 84,8%.



Por níveis de intensidade tecnológica, verifica-se que predominou nestas exportações o conjunto dos produtos de Média-alta tecnologia, que em 2016 representou 39,4% das exportações totais de produtos industriais transformados, seguido dos de Baixa tecnologia, com 29,2%, de Alta tecnologia, com 16,0% e de Média-baixa tecnologia, com 15,5%.

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Na Alta tecnologia encontram-se incluídos, por ordem decrescente do seu peso em 2016, os “Produtos farmacêuticos”, o “Equipamento de rádio, TV e comunicações”, os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão”, o “Equipamento de escritório e computação” e os produtos da “Aeronáutica e aeroespacial”.
Na Média-alta tecnologia alinham-se os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques”, os “Produtos químicos, excepto farmacêuticos”, as “Máquinas e equipamentos, principalmente não eléctricos”, as “Máquinas e aparelhos eléctricos” e o “Equipamento ferroviário e outro equipamento de transporte”.
Na Média-baixa tecnologia perfilam-se, por ordem decrescente de valor em 2016, a “Metalurgia de base”, os “Produtos da borracha e do plástico”, a “Fabricação de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos”, os “Refinados de petróleo, petroquímica e combustível nuclear”, os “Produtos minerais não metálicos” e, com pouca expressão, a “Construção e reparação naval”.
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Na Baixa tecnologia alinham-se os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, os “Têxteis, vestuário, couros e calçado”, as “Manufacturas não especificadas e reciclagem”, a “Pasta, papel, cartão e publicações” e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça”.

No período em análise os maiores ritmos de crescimento das importações de produtos industriais transformados couberam aos produtos de Média-alta tecnologia (131,4% em 2016, com 2012=100), Alta tecnologia (125,1%) e Baixa tecnologia (120,2%). À excepção da Alta tecnologia em 2013, em que se verificou alguma desaceleração, estes acréscimos foram sustentados ao longo dos últimos cinco anos.