quarta-feira, 2 de abril de 2025

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com a Federação Russa (2020 a 2024)

 

Comércio Internacional de mercadorias
de Portugal com a Federação Russa
(2020 a 2024)

                                                    ( disponível para download  >> aqui)

1 – Nota introdutória

A Federação Russa ocupou em 2024 a 22ª posição entre os mercados de origem das importações portuguesas de mercadorias com origem nos Países Terceiros, com 0,8% do Total (18ª posição em 2023, com 1,2%), e a 32ª posição entre os mercados de destino das exportações, com 0,4% do Total (31ª em 2023, com 0,3%).

Apresentam-se neste trabalho alguns dados estatísticos sobre o comércio externo da Federação Russa face ao mundo no período de 2019 a 2023, de fonte International Trade Centre (ITC), baseados em estatísticas das alfândegas da Federação Russa para os anos de 2019 a 2021, e em “mirror data” para 2022 e 2023, a partir de declarações dos países com quem foram efectuadas as transacções.

Analisa-se em seguida a evolução do comércio internacional de mercadorias de Portugal com este país no período de 2020 a 2024, com base em dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), definitivos até 2023 e preliminares para 2024, com última actualização em 12 de Março de 2025.

2 – Alguns dados sobre o comércio externo da Federação Russa

2.1 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis até 2023, medidos em Euros, a Balança Comercial do país é-lhe favorável, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações, tendo o seu saldo atingido 362,8 mil milhões de Euros em 2022, caindo para 195,0 mil milhões em 2023.


2.2 – Mercados de origem e destino do Comércio Externo em 2021

Só se encontram disponíveis dados do comércio externo por países para o ano de 2021. Neste ano o principal parceiro comercial da Federação Russa, em ambas as vertentes comerciais, foi a China, com 24,8% nas importações e 14,0% nas exportações.

Entre as principais origens das importações, seguiram-se a Alemanha (9,3%), os EUA (5,9%), a Bielorrússia (5,3%), a Coreia do Sul (4,4%), a França (4,2%), a Itália (4,1%), o Japão (3,1%), o Cazaquistão (2,4%), a Turquia (2,2%), a Polónia (2,0%), o Vietname (1,7%), o Reino Unido. Índia e Países Baixos (1,5% cada) e a Ucrânia (1,4%).


Do lado das exportações, a seguir à China alinharam-se os Países Baixos (8,6%), a Alemanha (6,0%), a Turquia (5,4%), a Bielorrússia (4,7%), o Reino Unido (4,5%), a Itália (3,9%), o Cazaquistão (3,8%), os EUA (3,6%), a Coreia do Sul e Polónia (3,4%), o Japão (2,2%), a França e Finlândia (2,0% cada), a Índia (1,9%) e a Bélgica (1,8%).

No mesmo ano Portugal terá representado 0,22% nas importações russas e 0,12% nas exportações.

2.3 – Importações por grupos de produtos

No quadro seguinte constam as importações da Federação Russa ao longo do período de 2019 a 2023 (últimos dados disponíveis), por grupos de produtos (ver em Anexo a definição do conteúdo dos Grupos de Produtos, por Capítulos da Nomenclatura - NC2/SH2).


Em 2023 os grupos de produtos com maior peso nas importações do país foram “Máquinas, aparelhos e partes” (18,9% do Total) e “Químicos” (18,8%).

Seguiram-se os grupos “Aeronaves,embarcações e partes” (13,3%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,0%), “Agro-alimentares” (10,2%), “Têxteis e vestuário” (7,9%),  “Produtos acabados diversos” (7,5%), “Minérios e metais” (6,9%), “Calçado, peles e couros” (2,7%), “Madeira, cortiça e papel” (1,2%) e “Energéticos” (0,5%).

2.4 – Exportações por grupos de produtos

As principais exportações da Federação Russa incidem no grupo de produtos “Energéticos”, que em 2023 representou 62,1% do total, contra 66,7% no ano anterior.

Seguiram-se, entre os mais importantes, os grupos “Minérios e metais” (16,3%), “Agro-alimentares” (9,2%) e “Químicos” (7,0%).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (2,3%), “Máquinas, aparelhos e partes” (1,4%), “Produtos acabados diversos” (0,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,4%), “Aeronaves, embarcações e partes” e “Têxteis e vestuário” (0,2% cada), tendo sido praticamente nulas as exportações de “Calçado, peles e couros”.

3 – Comércio de Portugal com a Federação Russa

3.1 – Ritmo de evolução anual do valor das                                                                             importações e exportações globais (2020-2024)

Em 2001, as importações portuguesas com origem na Federação Russa, após duplicarem face ao valor que detinham no ano anterior (208,2%, com 2020=100), decresceram até se situarem em 40,1% em 2024. 

Por sua vez o ritmo das exportações, após se ter mantido em 2021 face a 2020, decresceu nos três anos seguintes para um patamar entre 41% e 51% do valor que detinham em 2020.


3.2 – Balança Comercial

A Balança Comercial de Portugal com a Federação Russa é desfavorável, tendo o défice decrescido sustentadamente de 2021 para 2024, de -890 milhões de Euros para -116 milhões.

Nesse período, o grau de cobertura das importações pelas exportações subiu de 16,7%, para 43,7%.



3.3 – Importações por grupos de produtos 


Ao longo dos últimos cinco anos, as principais importações incidiram no grupo de produtos “Energéticos”, constituídas por 'crude', produtos petrolíferos e gás.

Estas importações, que em 2021 haviam atingido 729 milhões de Euros, decaíram sucessivamente até 2024, situando-se em 103 milhões de Euros.

Na figura seguinte constam os principais produtos transaccionados no âmbito de cada grupo de produtos em 2024 e correspondentes montantes em 2023, desagregados a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).


3.4 – Exportações por grupos de produtos

Em 2024 as exportações, mais diversificadas do que as importações, incidiram em sua grande parte no grupo de produtos “Ago-alimentares” (65,1% do Total e 61,3% em 2023), principalmente constituídas por vinhos, seguidos do café, dos ovos, das tripas, bexigas e buchos, das preparações para alimentação animal e dos produtos à base de cereais.


Alinharam-se depois os grupos “Calçado, peles e couros” (13,1% e 11,1% em 2023), essencialmente calçado, “Máquinas, aparelhos e partes” (6,7% e 8,6%, respectivamente), com destaque para as caixas de fundição e moldes, “Têxteis e vestuário” (4,8% e 3,5%),  com predomínio das redes, incluindo as de pesca, cordas, cordéis e cabos revestidos de borracha ou plástico, “Madeira, cortiça e papel” (3,0% e 5,8%), constituído principalmente por folhas de madeira para folheados e contraplacados, “Produtos acabados diversos” (2,9% e 3,5%), com destaque para as fibras e cabos ópticos, lentes, prismas e espelhos, para a pedra de cantaria e calcetamento, ladrilhos cerâmicos, jogos de salão, mobiliário, candeeiros e outros aparelhos de iluminação, entre muitos outros, e “Químicos” (2,7% e 3,4%), principalmente folhas, chapas, lâminas e outros artigos de plástico, preparações para barbear e para banho, desodorizantes e outros produtos de higiene,

Na figura seguinte constam os principais produtos transaccionados no âmbito de cada grupo de produtos em 2024 e os correspondentes montantes em 2023, desagregados a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).  



Alcochete, 1 de Abril de 2025

ANEXO