segunda-feira, 16 de julho de 2018

Contributos para as exportações - Jan-Mai 2018


Contributos dos grupos de produtos 
e principais mercados de destino 
para o 'crescimento' das exportações de mercadorias
- Janeiro a Maio de 2018 -

(disponível para download > aqui)


1 - Nota introdutória
Pretende-se neste trabalho identificar, de uma forma expedita, através de um conjunto de quadros e gráficos, os contributos dos grupos de produtos e principais mercados de destino para a evolução global das exportações portuguesas de mercadorias, bem como os contributos dos mercados dominantes ao nível de cada grupo de produtos (ver conteúdo dos grupos em Anexo).

Os dados de base constam do portal do Instituto Nacional de Estatística (INE) e reportam-se ao período acumulado de Janeiro a Maio de 2018 e período homólogo do ano anterior, em versões preliminares, com última actualização em 10 de Julho de 2018.
2 – Contributos dos grupos de produtos


Os grupos de produtos que registaram maior peso no total das exportações foram “Máquinas, aparelhos e partes” (14,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (14,2%) “Químicos” (11,9%), “Agro-alimentares” (11,7%), “Minérios e metais” (9,9%), “Produtos acabados diversos” (9,5%) e “Têxteis e vestuário” (9,3%). Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (7,4%), “Energéticos” (também 7,4%) e, a maior distância, “Calçado, peles e couros” (3,7%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7%).

O maior contributo positivo para a taxa de ‘crescimento’ das exportações (+6,2%) coube, em pontos percentuais, ao grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+4,1 p.p.), a que se seguiram os grupos , “Minérios e metais” (+0,8 p.p.), “Produtos acabados diversos”  (+0,7 p.p.), “Agro-alimentares” (+0,4 p.p.), “Energéticos” (+0,3 p.p.), “Madeira, cortiça e papel” (+0,2 p.p.), “Têxteis e vestuário” (também +0,2 p.p.) e “Aeronaves, embarcações e partes” (+0,1 p.p.). 
Com contributos negativos alinharam-se os grupos “Químicos” (-0,4 p.p.), “Máquinas, aparelhos e partes” (-0,2 p.p.) e “Calçado, peles e couros” (-0,03 p.p.).

3 – Contributos dos principais mercados de destino 
a nível global


Vinte mercados, sendo 13 do espaço comunitário e 7 do extracomunitário (incluindo as Provisões de Bordo Intra e Extra-comunitárias), foram o destino de 85,3% das exportações portuguesas no período de Janeiro a Maio de 2018.

Os maiores ritmos de crescimento incidiram nos fornecimentos à Áustria (+97,5%), seguidos do Brasil (+21,7%), Suécia (+20,6%), Polónia (+20,5%), Provisões de Bordo para países terceiros (+19,6%), Itália (+18,4%), Roménia (+18,0%), Provisões de Bordo para países comunitários (+15,4%), Dinamarca (+13,2%), Alemanha (+10,8%), Bélgica (+10,1%) e França (+9,9%).


As maiores desacelerações incidiram em Angola (-16,9%) e Marrocos (-10,8%).


Entre os vinte principais mercados de destino das exportações no período em análise, os contributos positivos, para a taxa de crescimento das exportações nos primeiros cinco meses do ano, face ao mesmo período do ano anterior (+6,2%), em percentagem, couberam a Espanha (22,5%), seguida da França (20,1%), da Alemanha (19,8%), da  Itália (10,8 %), da Áustria (8,4%), do Brasil (4,4%), da Bélgica (4,0%), da Polónia (3,9%), da Suécia (2,9%), das Provisões de Bordo para países terceiros (2,8%), da Roménia (1,9%), das Provisões de Bordo para países comunitários (1,8%), do Reino Unido (1,7%), dos Países Baixos (também 1,7%) e da Dinamarca (1,3%).

Os contributos negativos incidiram em Angola (-8,7%), Marrocos (-2,7%), EUA (‑0,7%), Suíça (-0,6%) e Turquia (-0,1%).



4 – Contributos dos principais mercados de destino 
por grupos de produtos

Seguem-se quadros e gráficos com os contributos (em pontos percentuais e em percentagem) dos vinte principais mercados de destino em cada grupo de produtos.

Estes quadros incluem também, para cada um dos mercados, os valores dos fornecimentos, a taxa de variação homóloga e o seu peso no grupo em cada um dos períodos.

4.1 – Agro-alimentares



4.2 – Energéticos



4.3 – Químicos



4.4 – Madeira, cortiça e papel



4.5 – Têxteis e vestuário



4.6 – Calçado, peles e couros



4.7 – Minérios e metais



4.8 – Máquinas, aparelhos e partes



4.9 – Material de transporte terrestre e partes



4.10 – Aeronaves, embarcações e partes



4.11 – Produtos acabados diversos



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              Alcochete, 15 de Julho de 2018.



quinta-feira, 12 de julho de 2018

Série mensal - Jan-Mai 2018 - Comércio Internacional


Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Janeiro a Maio de 2018 

( disponível para download  >> aqui )



1 - Balança comercial
De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 10 de Julho de 2018, nos cinco primeiros meses de 2018 as exportações de mercadorias cresceram em valor +6,2% face ao mesmo período do ano anterior (+1420 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +6,3% (+1798 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +9,4% (+1601 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros decresceram -3,1% (-181 milhões de Euros). Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +8,1% (+1726 milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +1,0% (+72 milhões de Euros).
Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +7,0%, ao situar-se em -5802 milhões de Euros (um acréscimo do défice de 378 milhões de Euros, cabendo 125 milhões ao comércio intracomunitário e 253 milhões ao extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu uma décima, de 80,9%, em 2017, para 80,8%, em 2018.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se também, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos. O valor médio unitário de importação do petróleo, que no conjunto dos cinco primeiros meses de 2017 se situou em 362 Euros/Ton, subiu para 418 Euros/Ton em igual período de 2018.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,1% e 7,4% do total no período de Janeiro-Maio de 2018), o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações em 2018 sobe de um total de 80,8% para 84,2%.

2 – Evolução mensal



3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações
No período de Janeiro-Maio de 2018, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 76,6% do total (74,4% em 2017), cresceram em valor +9,4%, contribuindo com +7,0 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +6,2%. As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 23,4% do total em 2018 (25,6% em 2017), registaram um decréscimo em valor -3,1%, contribuindo com -0,8 p.p. para a taxa de crescimento global.



Os principais mercados em 2018 foram a Espanha (25,2%), a França (13,1%), a Alemanha (11,8%), o Reino Unido (6,4%), os EUA (5,0%), a Itália (4,0%), os Países Baixos (3,8%), Bélgica e Angola (2,5% cada), o Brasil (1,4%), Polónia e Marrocos (1,3% cada), que representaram 78,3% das nossas exportações.
Angola, o segundo mercado entre os países terceiros depois dos EUA, registou uma quebra em valor de -16,9% (-122,9 milhões de Euros), envolvendo oito dos onze grupos de produtos, tendo as maiores descidas incidido nos grupos “Agro-alimentares” (-38,9 milhões de Euros), “Máquinas, aparelhos e partes” (‑28,1 milhões),  “Químicos” (-27,6 milhões), “Minérios e metais” (‑13,3 milhões) e “Produtos acabados diversos” (-9,6 milhões de Euros). Os acréscimos couberam aos grupos “Energéticos” (+1,2 milhões de Euros), principalmente refinados do petróleo, “Aeronaves, embarcações e partes” (+1,2 milhões), essencialmente embarcações e estruturas flutuantes e “Material de transporte terrestre e partes” (+865 mil Euros), principalmente veículos automóveis e tractores.

Entre os trinta principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações no período em análise (+6,2%), couberam a Espanha (+1,4 p.p.), França e Alemanha (+1,2 p.p. cada), Itália (+0,7 p.p.) e Áustria (+0,5 p.p.). Os maiores contributos negativos pertenceram a Angola (‑0,5 p.p.), China (-0,4 p.p.) e Marrocos (‑0,2 p.p.).

O maior acréscimo, em Euros, nas exportações (expedições) para o espaço comunitário, em termos homólogos, verificou-se em Espanha, seguida da França, da Alemanha, da Itália e da Áustria. Com menor expressão alinharam-se depois a Bélgica, a Polónia, a Eslováquia, a Suécia, a Hungria, a Roménia, a Eslovénia, as Provisões de bordo, o Reino Unido e os Países Baixos.
Os maiores decréscimos couberam ao Luxemburgo e à Irlanda.

Entre os Países Terceiros, os maiores acréscimos ocorreram nas exportações para a Tunísia, seguida do Brasil. Com menor peso seguiram-se as Provisões de Bordo, o Canadá e a Rússia. Os maiores decréscimos couberam a Angola, China, Gibraltar, Marrocos, Arábia Saudita, Costa do Marfim, Irão e Índia.

3.2 - Importações
Em 2018, no período em análise, as importações (chegadas) com origem na UE, que representaram 76,8% do total (75,6% no mesmo período de 2017), registaram um acréscimo de +8,1% e contribuíram com +6,1 p.p. para uma taxa de crescimento global de +6,3%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +1,0%, representando 23,2% do total em 2018 (24,4% em 2017), com um contributo para o crescimento de +0,3 p.p..
Os principais mercados de origem das importações em 2018 foram a Espanha (31,7%), a Alemanha (13,9%) e a França (8,0%). Seguiram-se a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,2%), a China (2,9%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,6%), a Federação Russa e os EUA (1,6% cada), e o Brasil (1,5%), países que representaram no seu conjunto 77,4% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações (+6,3%) destacam-se a Espanha (+2,5 p.p.), a Alemanha e a França (+1,0 p.p. cada), os Países Baixos, a Itália e a Argélia (+0,4 p.p. cada), a China, a Bélgica e o Cazaquistão (+0,3 p.p. cada).

Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam à Federação Russa (-0,8 p.p.), seguida de Singapura (-0,6 p.p.) e da Colômbia e da Arábia Saudita (-0,2 p.p. cada).
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial
No período em análise, o maior saldo positivo da balança comercial (Fob-Cif) coube ao Reino Unido (+783 milhões de Euros), seguido dos saldos da França (+761 milhões), dos EUA (+737 milhões), de Marrocos (+252 milhões) e de Angola (+243 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-3383 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑1307 milhões), da Itália (-664 milhões), dos Países Baixos (-643 milhões) e da China (‑627 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2/SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver Anexo). Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias, representando 80,9% do total do período em análise em 2018, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (14,4% do total e TVH -1,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (14,2% e TVH +37,7%), “Químicos” (11,9% e TVH -3,0%), “Agro-alimentares” (11,7% e TVH +3,2%) “Minérios e metais” (9,9% e TVH +8,2%), “Produtos acabados diversos” (9,5% e TVH +7,2%) e “Têxteis e vestuário” (9,3% e TVH + 2,3%).
Os maiores acréscimos, em Euros, ocorreram nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (+948 milhões), “Minérios e metais” (+181 milhões), “Produtos acabados diversos” (+155 milhões) e “Agro-alimentares” (+87 milhões de Euros).
Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Químicos” (-90 milhões) e “Máquinas, aparelhos e partes” (-44 milhões de Euros).

5.2 – Importações
No mesmo período, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 72,8% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (17,3%, com uma taxa de variação homóloga em valor de +12,1%) “Químicos” (16,6% do total e TVH de +7,4%), “Agro-alimentares” (14,3% e TVH de +1,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (13,5% e TVH de +12,1%) e “Energéticos” (11,1% e TVH de +1,7%).
À excepção do grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, que registou em 2018 uma quebra de -151 milhões de Euros face ao período homólogo do ano anterior, em todos os restantes se verificaram acréscimos nas importações, tendo ocorrido os mais significativos nos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+564 milhões de Euros), “Material de transporte terrestre e partes” (+441 milhões), “Químicos” (+347 milhões), “Minérios e metais” (+251 milhões) e “Produtos acabados diversos” (-102 milhões de Euros). 


6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os mercados de destino das exportações de mercadorias, a Espanha ocupou de Janeiro a Maio de 2018 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,4% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (3ª posição, depois da França e da Alemanha), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4ª posição, antecedida dos EUA, Brasil e França).


Seguiram-se no “ranking” a França (13,1%), a Alemanha (11,8%), o Reino Unido (6,4%), os EUA (5,0%), a Itália (4,0%), os Países Baixos (3,8%), a Bélgica (2,5%), Angola (2,5%), e Brasil (1,4%). Estes dez países cobriram 75,9% das exportações totais.
6.2 – Importações


Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 31,7% do total, sendo as excepções os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, antecedida da França, EUA e Países Baixos).
Seguiram-se a Alemanha (13,9%), a França (8,0%), a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,2%), a China (2,9%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,6%), a Rússia e os EUA (1,6% cada).
 Estes dez países cobriram 75,8% das importações totais. 



Alcochete, 12 de Julho de 2018.

sábado, 7 de julho de 2018

Comércio Internacional Portugal-Moçambique (2013-2017)


Comércio Internacional de Mercadorias 
de Portugal com Moçambique
2013-2017

(disponível para download > aqui )


1 – Nota introdutória

Entre outras organizações, Moçambique é um dos quinze membros da SADC (Southern Africa Development Community – Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), organização criada em 1992 que tem entre os seus principais objectivos aprofundar a cooperação económica entre os seus membros, com base no equilíbrio, igualdade e benefícios mútuos, proporcionando um livre movimento dos factores de produção através das fronteiras nacionais e estimular o comércio de produtos e serviços entre os países membros.

De acordo com cálculos efectuados pelo “International Trade Centre” (ITC), baseados em estatísticas do Instituto Nacional de Estatística se Moçambique, em 2017 a SADC foi o destino de 21,3% das exportações totais de mercadorias moçambicanas, cabendo 86,1% destes fornecimentos à África do Sul. Por sua vez, 31,3% das importações realizadas por Moçambique no mesmo ano tiveram origem no espaço da SADC, cabendo 91,4% deste montante à África do Sul.

Moçambique foi também, em 1996, um dos fundadores da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que tem entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços entre os seus actuais nove membros.
De acordo com a mesma fonte, em 2017 as exportações moçambicanas de mercadorias para o conjunto dos seus parceiros na CPLP representaram apenas 0,5% do total, cabendo 81,3% destes fornecimentos a Portugal. Na vertente das importações, a CPLP foi a origem de 4,8% das mercadorias importadas por Moçambique, cabendo 87,3% desse montante a Portugal e 12,0% ao Brasil.
Neste trabalho encontra-se reunido um breve conjunto de dados sobre o comércio externo de Moçambique, para o que, não se encontrando disponíveis dados do Anuário Estatístico do INE de Moçambique para 2017, se utilizaram dados publicados pelo International Trade Centre (ITC).
Analisa-se também aqui, com algum detalhe, a evolução das importações e das exportações de mercadorias entre Portugal e Moçambique ao longo dos últimos cinco anos (2013 a 2017), com base em dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE).
2 – Alguns dados sobre o comércio externo de Moçambique
O ritmo de evolução em valor das importações de mercadorias em Moçambique foi tendencialmente decrescente entre 2013 e 2017, sendo tendencialmente crescente o ritmo das exportações no mesmo período.


De acordo com os dados disponíveis, a Balança Comercial de mercadorias (fob-cif) do país foi deficitária, tendo-se assistido, a partir de 2015, a uma descida das importações e a um aumento das exportações, com consequente redução do défice, de -4,2 mil milhões de Euros, em 2015, para 951 milhões, em 2017, e o grau de cobertura das importações pelas exportações a subir de 40,4% para 81,4%.

Em 2017, de acordo com os dados disponíveis, Portugal terá ocupado a 7ª posição entre os principais fornecedores de mercadorias a Moçambique (4,2% do total, com 5,8% em 2016), cabendo o primeiro lugar à África do Sul (28,6%), seguida dos Emiratos Árabes Unidos (9,4%), da China (8,6%), dos Países Baixos (8,5%) e da Índia (8,2%).
No mesmo ano, os principais destinos das exportações moçambicanas foram a Índia (34,6%), a África do Sul (18,3%), os Países Baixos (10,1%), a Itália (5,8%) e a China (5,4%).
Portugal terá ocupado aqui a 20ª posição, com 0,4% do total e 1,0% no ano anterior.

Na análise da evolução do comércio externo de Moçambique por Grupos de Produtos (ver tabela anexa com o conteúdo dos grupos com base nos capítulos do Sistema Harmonizado - Anexo), encontra-se calculado, para 2017, o contributo de Portugal em cada um dos grupos, de acordo com os dados constantes, para Moçambique, na base de dados ITC.
De sublinhar que há um desfasamento grosseiro entre os valores atribuídos às trocas de Moçambique com Portugal na base de dados ITC e os correspondentes dados de fonte INE.
De acordo com os dados disponíveis, nas Importações destacou-se, em 2017, o grupo “Energéticos” (22,4% do total), tendo Portugal contribuído com uma quota de 0,2% para o fornecimento destes produtos. 

Seguiram-se, por ordem decrescente do seu peso no total, os grupos:
“Minérios e metais” (15,9% e quota de 4,0%), principalmente alumínio em formas brutas, cimentos hidráulicos, construções em ferro ou aço, elementos para via férrea, barras, laminados, perfis, parafusos, porcas e rebites, de ferro ou aço, e minérios de ferro;
“Agro-alimentares (14,8% e quota de 3,3%), com destaque para o arroz, trigo e mistura com centeio, milho, peixe congelado, óleos de palma, de soja, de girassol, de cártamo ou de algodão, cerveja, sumos, malte, leite e seus produtos derivados, preparações alimentícias, cebolas, batatas, tabaco, miudezas de aves, bagaço de soja, farinhas, álccol e vinhos, entre outros;
“Máquinas, aparelhos e partes (14,7% e quota de 8,0%), muito diversificadas, com destaque para os aparelhos telefónicos e de telecomunicações, máquinas de obras públicas, como bulldozers, niveladoras, escavadoras e cilindros, fios e cabos eléctricos, máquinas para preparar alimentos ou bebidas, bombas para líquidos, máquinas para trabalhar pedra ou minérios, máquinas automáticas para processamento de dados, centrifugadores e aparelhos para filtrar líquidos ou gases, transformadores, motores, interruptores e seccionadores eléctricos, receptores de TV, torneiras e válvulas, aparelhos de ar-condicionado, refrigeradores e congeladores, acumuladores e quadros eléctricos, entre muitos outros produtos;
“Químicos” (12,2% e quota de 5,7%), principalmente medicamentos, pneus, reagentes de diagnóstico e laboratório, misturas de substâncias odoríferas, sangue, embalagens, rolhas e cápsulas de plástico, adubos, produtos de limpeza, insecticidas, fluoretos e polímeros de etileno em formas primárias, tubos, juntas, uniões e cotovelos de plástico, poliésteres, aglutinantes para moldes, sabões, correias transportadoras de borracha vulcanizada, etc.;
“Material de transporte terrestre e partes” (6,2% e quota de 1,5%), designadamente veículos automóveis de mercadorias, de passageiros, tractores, suas partes e acessórios, reboques, e partes de veículos e material para via férrea;
“Aeronaves, embarcações e partes” (4,0% e quota nula de Portugal), principalmente embarcações e partes de veículos aéreos;
“Produtos acabados diversos” (4,0% e quota de 13,4%), principalmente mobiliário, garrafas e embalagens de vidro, instrumentos médicos, construções pré-fabricadas, contadores de gases, de líquidos e de electricidade, ladrilhos, aparelhos para medição de caudais e pressão de fluidos, candeeiros e outros aparelhos de iluminação, aparelhos para análises físicas e químicas, tijolos de cerâmica, pensos e tampões higiénicos, lavatórios, banheiras e outra louça sanitária em cerâmica, jogos de salão, obras de cimento e cantaria, aparelhos de medida e controlo, objectos de vidro, vidro em chapa incluindo de segurança, louça, equipamento de desporto, osciloscóspios e aparelhos de medida e radiação, entre muitos outros;
“Têxteis e vestuário” (3,2% e quota de 2,8%), com destaque para os artefactos têxteis usados, tecidos, fios e fibras para fiação, sacos para embalagem, cordéis, cordas e cabos, T-shirts, encerados, moldes e vestuário diverso;
“Madeira, cortiça e papel” (2,1% e quota de 20,3%), como livros e impressos, caixas, sacos e embalagens de papel e cartão, papel higiénico, papel e cartão em rolos ou folhas, obras de carpintaria para construções, madeira serrada e em bruto, etiquetas, papel e cartão kraft, caixotes, caixas, grades e paletes em madeira;
“Calçado, peles e couros” (0,5% do total com uma quota de 3,9% para Portugal), com predomínio do calçado com a parte superior em couro ou em borracha ou plástico, com valores da mesma ordem de grandeza, malas, pastas, estojos e carteiras, calçado com a parte superior em matérias têxteis e outro;
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Na vertente das Exportações destacou-se, em 2017, o grupo Energéticos” (51,8% do total e quota nula para Portugal), principalmente coque de hulha, linhite e turfa, seguidos do gás de petróleo, energia eléctrica e hulhas;
Seguiram-se, por ordem decrescente do seu peso na estrutura, os grupos:
 “Minérios e metais” (33,0% do total e quota nula para Portugal), com predomínio do alumínio em formas brutas, barras, perfis ou fios, minérios de titânio e seus concentrados, pedras preciosas e semi-preciosas, excluindo diamantes;
“Agro-alimentares” (10,2% e uma quota de 3,4% para Portugal), principalmente tabaco não manufacturado, cocos, cajú e outros frutos de casca rija, bananas, crustáceos, açúcar de cana, legumes de vagem frescos, refrigerados ou em grão, óleos de girassol, cártamo, algodão e outras oleaginosas;
●  ”Madeira, cortiça e papel” (2,5% e quota nula para Portugal), como selos com curso no país de destino, madeira serrada e outra;
”Aeronaves, embarcações e partes” (2,9% do total e quota nula para Portugal), essencialmente veículos aéreos e suas partes;
“Máquinas, aparelhos e partes” (0,6% do total e quota de 1,2% para Portugal), muito diversificadas, com predomínio das máquinas de obras públicas, como bulldozers, niveladoras e escavadoras, partes de macacos, guindastes, empilhadores e semelhantes, máquinas para trabalhar terras, pedra ou minérios, e veios de transmissão, entre outras;
“Têxteis e vestuário” (0,5% do total e quota de 3,6% para Portugal), principalmente algodão cardado/penteado ou não, fios de algodão, perucas, camiseiros e blusas para senhora, entre outros;
Os restantes grupos de produtos registaram pesos em relação ao total das exportações inferiores 0,5%;
 “Material de transporte terrestre e partes” (0,3% e quota de 1,3%);
 “Químicos” (0,2% e quota de 0,4%);
  “Produtos acabados diversos” (0,1% e quota de 9,3%);
 “Calçado, peles e couros” (peso praticamente nulo com uma quota de 2,0% para Portugal).


3 – Comércio de mercadorias Portugal-Moçambique
      (2013-2017)

As importações anuais de Portugal com origem em Moçambique, após uma descida acentuada em 2014, mantiveram-se num patamar praticamente constante de 2014 a 2016, tendo registado em 2017 algum crescimento, mas atingindo um nível muito inferior ainda ao que detinham em 2013.

Por sua vez as exportações, que em 2015 haviam registado um aumento face aos dois anos anteriores, decaíram significativamente em 2016 e 2017.
3.1 – Balança Comercial
A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Moçambique é amplamente favorável a Portugal.
Ao longo dos últimos cinco anos o maior saldo ocorreu em 2015, com +317,3 milhões de Euros, seguido de uma acentuada quebra no ano seguinte (-43,6%), que prosseguiu em 2017 (-22,2%), situando-se então em +139,1 milhões de Euros.
Este resultado ficou a dever-se principalmente ao comportamento das exportações que, tendo acusado uma quebra de -39,5% em 2016, registaram uma nova descida de ‑15,9% em 2017.
Dado o significativo desfasamento entre o valor das importações e das exportações de mercadorias, o grau de cobertura das primeiras pelas segundas é muito elevado.

3.2 – Importações por grupos de produtos
Ao longo dos últimos cinco anos, as importações portuguesas de mercadorias com origem em Moçambique incidiram em sua grande parte no grupo de produtos “Agro-alimentares”, que representou 95,7% do total em 2017 (90,5% no ano anterior,) com destaque para o peixe, crustáceos e moluscos, açúcar, frutos e tabaco.
Em 2017 verificou-se um acréscimo nas importações de +15,4% (+5,5 milhões de Euros), que ficou a dever-se a um substancial aumento verificado no grupo “Agro-alimentares” (+7,2 milhões de Euros), que incidiu principalmente em crustáceos (+9,3 milhões de Euros) e castanha de cajú (+670 mil Euros), sendo de referir aqui uma quebra significativa nas importações de açúcar de cana (-1,9 milhões de Euros).
Entre os restantes principais grupos de produtos verificaram-se decréscimos nos grupos “Têxteis e vestuário” (-1,3 milhões de Euros), “Máquinas, aparelhos e partes” (‑591 mil Euros) e “Material de transporte terrestre e partes” (-128 mil Euros) e acréscimos nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (+73 mil Euros), “Químicos” (+134 mil Euros), “Minérios e metais” (+23 mil Euros) e “Produtos acabados diversos” (+9 mil Euros).


3.3 – Exportações por grupos de produtos
As exportações portuguesas para Moçambique registaram em 2016 uma descida de -39,5% (-140,3 milhões de Euros) face ao ano anterior, a que se seguiu uma nova quebra em 2017 de -15,9% (-34,2 milhões).
Em 2017 verificaram-se quebras em sete dos onze grupos de produtos considerados, Tendo as mais significativas incidido nos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (-21,0 milhões de Euros), “Minérios e metais” (-7,3 milhões), e “Produtos acabados diversos” (-6,5 milhões). Seguiram-se a de “Material de transporte terrestre e partes” (‑447 mil Euros) e “Agro-alimentares” (-430 mil Euros).
Por sua vez, verificaram-se crescimentos nas exportações de “Químicos” (+3,9 milhões de Euros), “Têxteis e vestuário” (+442 mil Euros), “Madeira, cortiça e papel” (+70 mil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (+20 mil Euros).

Em 2017, no grupo com maior peso no total, “Máquinas, aparelhos e partes”, que representou 29,5% das exportações com este destino (34,6% em 2016), predominaram as exportações de transformadores e conversores eléctricos, fios e cabos, telefones e aparelhos de telecomunicações, quadros para distribuição de energia, interruptores e seccionadores, refrigeradores e congeladores, aparelhos de ar condicionado, máquinas automáticas para processamento de dados, torneiras e válvulas, motores e geradores, bombas para líquidos e ar, receptores de TV, máquinas agrícolas, máquinas e aparelhos de elevação e aparelhos de sinalização.
Seguiu-se o grupo “Químicos” (16,9% e 12,4% em 2016)), com destaque para os reagentes de diagnóstico e laboratório, medicamentos, preparações e artigos de utilização farmacêutica, produtos de lavagem e limpeza e uma gama diversificada de produtos de plástico, como embalagens, rolhas, cápsulas, tubos, juntas, uniões e cotovelos, entre outros produtos das indústrias químicas.
As exportações do grupo “Agro-alimentares” (14,3% e 12,2% em 2016) incidiram em sua grande parte nas conservas de peixe, azeite, vinhos, cerveja, peixe congelado, farinhas, enchidos, margarina, café, sumos de frutas e de produtos hortícolas, preparações alimentícias diversas, frutas, queijo, produtos hortícolas, produtos de padaria e pastelaria, massas alimentícias, preparações de carnes que não enchidos, chocolate e preparações com cacau, produtos à base de cereais e carne de suíno, entre outros.
No grupo “Produtos acabados diversos” (11,8% e 13,0% em 2016), muito diversificados, salientou-se o mobiliário, incluindo o mobiliário médico, os ladrilhos cerâmicos, os candeeiros, assentos mesmo transformáveis em cama, aparelhos para análises físicas ou químicas, instrumentos de medicina, cirurgia e veterinária, pedra de cantaria e de construção, lavatórios, banheiras e outra louça sanitária em cerâmica, vidros isolantes e de segurança, vassouras, escovas e pincéis e obras de gesso, cimento ou pedra artificial.
Nas exportações do grupo “Minérios e metais” (10,8% e 12,5% em 2016) destacaram-se as construções em ferro ou aço, barras, perfis e outras obras de alumínio, construções em alumínio e todo um conjunto diversificado de produtos de ferro ou aço, como ferragens e guarnições, recipientes para gases comprimidos ou liquefeitos, cadeados e fechaduras, tubos e perfis, palha de aço e esfregões, reservatórios excepto para gases, parafusos, porcas, rebites e outros, acessórios para tubos, ferramentas manuais, artefactos para higiene ou toucador, telas, redes e chapas, cordas e cabos.
No grupo “Madeira, cortiça e papel (10,2% e 8,6% em 2016) evidenciaram-se as exportações de livros e outros produtos das indústrias gráficas, de caixas, sacos e embalagens de papel ou cartão, de jornais e publicações periódicas, de obras de carpintaria para construções e de papel higiénico, lenços, fraldas e pensos.
Os restantes cinco grupos de produtos representaram, no seu conjunto, apenas cerca de 6,5% do total (6,8% em 2016): “Têxteis e vestuário (2,9% e 2,2% em 2016), “Material de transporte terrestre e suas partes” (1,5% e 2,1% em 2016), “Energéticos” (1,2% e 1,5% em 2016), “Calçado, peles e couros” (0,9% e 1,0% em 2016) e “Aeronaves, embarcações e partes” (com peso praticamente nulo nos dois anos).



          7 de Julho de 2018.