sexta-feira, 15 de maio de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro a Março de 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Março de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Março de 2025 e 2026, em versões preliminares, com última actualização em 8 de Maio de 2026, as exportações de mercadorias em 2026 decresceram -6,5% em termos homólogos (-1,4 mil milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +2,7% (+750 milhões).

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um decréscimo de -6,7% (-1030 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um decréscimo de -6,0% (-341 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +3,9% (+805 milhões) e as originárias dos Países Terceiros decaíram -0.8% (-55 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +33,7% face a 2025, situou-se em -8417 milhões de Euros (superior em 2122 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1835 milhões no comércio intracomunitário e de 286 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 77,0% em 2025, para 70,1% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. Em Março de 2026 o preço de importação do petróleo bruto desceu de 560 Euros/Ton, em 2025, para 437 Euros/Ton. 

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Abril).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 8,4% no total das importações em 2026 e 5,1% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 70,1% no comércio global, para 72,6%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Março de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 72,8% do Total, decresceram -6,7%, contribuindo com -4,9 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de -6,5%. As exportações para o espaço extracomunitário, 27,2% do Total, decresceram -6,0%, contribuindo com -1,6 p.p. para a evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,1%), a França (12,6%), a Alemanha (12,2%), os EUA (5,1%), a Itália (4,9%), o Reino Unido incl. Irlanda NT (4,2%), os Países Baixos (3,5%), a Bélgica (2,5%), a Polónia e Marrocos (1,6% cada), países que representaram 74,3% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de +1,9% nas nossas exportações (+4,9 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Aeronaves, embarcações e partes” (+6,7 milhões de Euros), “Produtos acabados diversos” (+4,5 mil Euros), “Químicos” (+4,1 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+1,9 milhões), “Energéticos” (+474 mil Euros) e “Calçado, peles e couros” (+351 mil Euros).  Os decréscimos incidiram nos grupos “Minérios e metais” (-5,5 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-3,1 milhões), “Agro-alimentares” (-2,6 milhões), “Madeira, cortiça e papel” (-1,5 milhões) e “Têxteis e vestuário” (-482 milhões).

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período, -6,5%, pertenceram à Turquia e Marrocos (+0,4 p.p. cada), à Itália (+0,3 p.p.) e à China, Cabo Verde, Suíça e Suécia (+0,2 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-4,8 p.p.), seguida dos EUA (-1,5 p.p.), da Espanha (-0,9 p.p.), do Reino Unido/Irlanda NT (-0,4 p.p.), das Prov.Bordo p/Terceiros e Israel (-0,2 p.p. cada), e dos Países Baixos, Canadá, Gibraltar e Bélgica (-0,1 p.p. cada).


Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram nos Países Baixos (+927 milhões de Euros), na Espanha (+277 milhões), na Alemanha (+204 milhões), na Eslováquia (+38 milhões) e na Dinamarca (+37 milhões). Os principais decréscimos couberam à Irlanda (-525 milhões de Euros), seguida da Itália (-104 milhões), da Hungria (-48 milhões) e da Bélgica (-41 milhões).



No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se o Brasil (+285 milhões), em Países Extra-UE n.d. (93 milhões), na China (66 milhões), Taiwan (+49 milhões) e Coreia do Sul (+25 milhões).

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se a Argélia(-145 milhões de Euros), o Ghana (-76 milhões), Angola (-72 milhões), Singapura (-68  milhões), Azerbaijão    (-61 milhões), Gabão (-47 milhões), Suíça (-31 milhões), Líbia (-30 milhões), Vietame (-24 milhões) e Egipto (-221 milhões)

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 76,8% do total, registaram um acréscimo de +3,9%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um decréscimo de -0,8%, representando 23,2% do total, com um contributo para o resultado global de -0,2 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,4% do Total), seguida da Alemanha (12,5%), dos Países Baixos (8,7%), da França (7,4%), da China (5,1%), da Itália (4,9%), do Brasil (3,5%), da Bélgica (3,2%), dos EUA (2,1%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 81,4% do total das importações.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações em Janeiro-Março de 2026 (+2,7%) destacaram-se os Países Baixos (+3,4 p.p.), o Brasil e a Espanha (+1,0 p.p. cada), a Alemanha (+0,7 p.p.), a China e Taiwan (+0,2 p.p. cada) e a Eslováquia, Dinamarca e Coreia do Sul (+0,1 p.p. cada).

Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-1,9 p.p.), na Argélia (-0,5 p.p.), na Itália (-0,4 p.p.), no Reino Unido/Irl NT (-0,3 p.p.), no Azerbaijão, Hungria e Bélgica (-0,2 p.p.) e na Suíça (-0,1 p.p.).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre Janeiro-Março de 2026 e de 2025.



4 – Saldos da Balança Comercial       

No período Janeiro-Março de 2026 os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irlanda NT (+560 milhões de Euros), aos EUA (+417 milhões), à França (+398 milhões), a Angola (+252 milhões) e a Marrocos (+168 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-3983 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-1767 milhões), da China (-1224 milhões), da Alemanha (-1099 milhões) e do Brasil (-709 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,8% e +206 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e -32 milhões), “Químicos” (13,2% e -1533 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5% e +53 milhões), “Minérios e metais” (11,2% e +216 milhões) e “Produtos acabados diversos” (9,4% e -12 milhões). Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (7,5% e +8 milhões de Euros), “Madeira cortiça e papel” (6,5% e -47 milhões), “Energéticos” (5,1% e -207 milhões), “Calçado, peles e couros” (3,0%, com diferença nula) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e -23 milhões de Euros).

5.2 – Importações

Em Janeiro-Março de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (21,0% do Total e +985 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (16,6% do Total e -477 milhões, “Agro-alimentares” (15,3% e +130 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (14,0% e +278 milhões. Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6% e +55 milhões), “Energéticos” (8,4% e ‑287 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +67 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,6% e -48 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -33 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,8% e -5 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0, 7% e +86 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Março de 2026 a primeira posição em 9 dos 11 grupos de produtos com 32,4% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França). 

Seguiram-se no “ranking” a Alemanha (12,5%), os Países Baixos (8,7%), a França (7,4%), a China (5,1%), a Itália (4,9%), o Brasil (3,5%), a Bélgica (3,2%), os EUA (2,1%) e a Polónia (1,7%).

Estes dez destinos representaram 81,4% da exportação total.

6.2 – Importações


Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em sete dos onze grupos de produtos, com 26,1% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (4º lugar depois de Prov. Bordo de Terc., Gibraltar e EUA), “Calçado, peles e Cororos” (3º lugar depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2º lugal depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3º lugar, depois do Brasil e da França).

Seguiram-se, no “ranking”, a França (12,6 %), a Alemanha (12,2%), os EUA (5,1%), a Itália (4,9%), o Reino Unido/Irl NT (4,2%), os Países Baixos (3,5%), a Bélgica (2,5%), a Polónia e Marrocos (1,6% cada).

Estes dez países cobriram 74,3% da importação total.

7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026               face a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 14 de Maio de 2026.


ANEXO







quarta-feira, 6 de maio de 2026

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com os países do Mercosul e Estados Associados 2021-2025

 

Comércio Internacional

de mercadorias de Portugal

com os países do Mercosul

e Estados Associados

(2021-2025)

           ( disponível para download  aqui )


1 – Nota introdutória

São doze os países da América do Sul. A Guiana Francesa, junto do Suriname, é um território ultramarino da França.

Seis destes países estão integrados no “Mercado Comum do Sul - Mercosul”, um espaço de integração regional criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, de que foram signatários a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai. A Venezuela aderiu em 2006 mas está suspensa desde 2016 por incumprimento do protocolo de adesão, tendo a Bolívia aderido em 2015. Os restantes países constituem  “Estados Associados”, com os quais o Mercosul tem acordos de livre comércio.

O Mercosul tem entre os seus objectivos a livre circulação interna de bens, serviços e factores produtivos, o estabelecimento de uma tarifa externa comum no comércio com países terceiros e a adopção de uma política comercial comum. Estabeleceu até hoje diversos acordos com países e grupos de países, encontrando-se já em fase de assinatura um amplo tratado de livre comércio com a União Europeia.

Em 2025 as importações portuguesas com origem nos doze países da América do Sul  representaram 13,0% do nosso comércio Extra-comunitário e as exportações 6,2%.

No mesmo ano as importações provenientes dos países do Mercosul representaram 89,7% do conjunto de todos os países do espaço Sul-americano e as exportações 82,8%, cabendo ao Brasil respectivamente 79,1% e 78,0%.

Em Anexo, para se ter uma visão comparativa do comportamento dos doze países, pode observar-se a evolução do valor das importações, das exportações e do saldo comercial de cada um dos países ao longo do período de 2021 a 2025 (Anexo 1).

2 – Comércio Internacional de Portugal                                                        com os países do Mercosul (2021-2025)

2.1 – Balança Comercial

Ao longo do último quinquénio a Balança comercial de Portugal com o MERCOSUL foi deficitária, tendo-se o maior défice, -3,8 mil milhões de Euros em 2022, reduzido sucessivamente nos anos seguintes para se situar em -2,2 mil milhões em 2025. 

2.2 – Importações por Grupos de Produtos com origem no Mercosul

Nas importações e nas exportações as posições pautais da Nomenclatura de mercadorias foram agregadas em 11 Grupos de Produtos (definição do conteúdo no Anexo-2).

Em 2025 as principais importações incidiram no grupo de produtos “Energéticos” (63,1% do total em 2025 e 55,4% no ano anterior), seguido do grupo ”Agro-alimentares” (26,5% e 21,2%, respectivamente).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (6,3% e 5,6%), “Aeronaves, embarcações e partes” (4,0% e 3,1%), “Químicos” (2,5% e 1,7%), “Minérios e metais” (1,3% e 2,5%), “Máquinas, aparelhos e partes” (1,2% e 1,0%), “Têxteis e vestuário” (1,0% e 0,7%) e, com pesos inferiores a 1,0% nos dois anos, os grupos “Produtos acabados diversos”, “Calçado, peles e couros” e “Material de transporte terrestre e partes”.

Na figura acima podem observar-se, por Grupos de Produtos, os acréscimos e decréscimos verificados no valor das importações em 2025 face ao ano anterior.

2.3 – Exportações por Grupos de Produtos com destino ao Mercosul

Nas exportações predominou o grupo “Máquinas aparelhos e partes” (28,5% em 2025 e 25,9% no ano anterior).

Seguiram-se os grupos “Químicos” (16,8% e 16,2%), “Agro-alimentares” (12,5% e 14,1%), “Minérios e metais” (12,0% e 11,0%), “Madeira, cortiça e papel” (9,8% e 9,6%), “Têxteis e vestuário” (8,8% e 7,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (4,5% e 8,3%), “Produtos acabados diversos” (3,5% e 4,5%), “Calçado, peles e couros” (2,9% e 2,3%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,8% e 0,2), tendo sido praticamente nulas as exportações de “Energéticos”.

2.4 – Importações e Exportações dos Estados-membros                                do Mercosul

Nas páginas seguintes seguem-se quadros com a Balança Comercial de cada um dos cinco países que integram presentemente o Mercosul e sua evolução por Grupos de Produtos em 2024-2025. Junta-se também a Venezuela, que está suspensa desde 2016 por incumprimento do protocolo de adesão.

2.4.1 – Argentina


2.4.2 – Bolívia


2.4.3 – Brasil


2.4.4 – Paraguai



2.4.5 – Uruguai


2.4.6 – Venezuela




3 – Comércio Internacional de Portugal com os Estados                               Associados do Mercosul

Em 2025 os seis Estados Associados, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname, representaram 10,0% das importações portuguesas com origem na América do Sul e 16,4% das exportações com este destino.


3.1 – Importações e Exportações dos Estados Associados

Nas páginas seguintes seguem-se quadros com a Balança Comercial de cada um dos seis Estados Associados, de 2021 a 2025, e evolução das importações e exportações por Grupos de Produtos nos dois últimos anos.

3.1.1 – Chile


3.1.2 – Colômbia


3.1.3 – Equador


3.1.4 – Guiana


3.1.5 – Peru



3.1.6 – Suriname



Alcochete, 6 de Maio de 2026


ANEXO 1



ANEXO 2