sábado, 25 de abril de 2026

Evolução das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados (2021-2025)

 

Evolução das exportações e importações
de Produtos Industriais Transformados
por níveis de intensidade tecnológica
(2021-2025)

                                        (disponível para download  >> aqui )                                         

1 - Introdução

A evolução do nível de intensidade tecnológica das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados (PIT), com maior valor acrescentado do que os restantes, tem um reflexo directo na balança comercial de mercadorias, sendo na exportação um importante indicador de desenvolvimento industrial.

Pretende-se neste trabalho analisar a evolução do comércio internacional português destes produtos a partir de dados de base de fonte “Instituto Nacional de Estatística” (INE) para os anos de 2021 a 2024 em versões definitivas e de 2025 em versão preliminar, com última actualização em 9 de Abril de 2026.

Os níveis de intensidade tecnológica considerados são os propostos pela OCDE, definidos com base na Revisão-3 da International Standard Industrial Classification(ISIC Rev.3: Alta tecnologia - 2423, 30, 32 33, 353; Média-alta tecnologia - 24 excl.2423, 29, 31, 34, 352, 359; Média-baixa tecnologia - 23, 25 a 28, 351 e Baixa tecnologia - 15 a 22, 36 e 37).

A partir da tabela correspondente ao ano de 2007, com recurso à “Classificação Tipo do Comércio Internacional” da ONU (CTCI/SITC Rev.3) e à “Nomenclatura Combinada” a oito dígitos em uso na União Europeia (NC8), tomando-se em consideração as sucessivas alterações pautais anuais, foi construída uma tabela em NC8 abrangendo o período de 2007 a 2025.

2 – Balança comercial dos Produtos Industriais Transformados             por níveis de intensidade tecnológica (2021-2025)

Ao longo do período de 2021 a 2025, o saldo (Fob-Cif) da balança comercial anual portuguesa de “Produtos Industriais Transformados” foi negativo, tendo-se verificado um acréscimo sustentado do défice de -11,7 mil milhões de Euros em 2021, para -28,7 mil milhões em 2025.


No período em análise foram negativos os saldos da Balança Comercial dos produtos de Alta e de Média-alta tecnologia, não suficientemente compensados pelos saldos positivos, a níveis muito inferiores, verificados entre 2021 e 2024 nos produtos de Média-baixa tecnologia, com saldo também negativo em 2025, e de Baixa tecnologia, com saldos negativos em 2024 e 2025.

3 – Exportação de Produtos Industriais Transformados                                por níveis de intensidade tecnológica (2021-2025)

O peso dos Produtos Industriais Transformados na exportação global ao longo do período em análise manteve-se numa faixa compreendida entre 93,3%, em 2021, e 95,9%, em 2024.

Em 2025 o maior peso entre os níveis de intensidade tecnológica incidiu na Baixa tecnologia (33,2%, com 34,7% em 2024), seguida da Média-alta tecnologia (29,4% e 29,3% respectivamente), da Média-baixa tecnologia (21,8% e 23,5%) e da Alta tecnologia (15,6% e 13,5% em 2024).

O peso dos produtos de Alta tecnologia no total das exportações de Produtos Industriais Transformados, que decaíra de 11,5%, em 2020, para 9,9 em 2021, recuperou sustentadamente nos anos seguintes, atingindo 15,6% em 2025.

Aqui se enquadram, por ordem decrescente do seu peso em 2025, os “Produtos farmacêuticos” (43,2% do total deste nível), o “Equipamento de rádio, TV e comunicações” (26,1%), os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão” (22,5%), a “Aeronáutica e aeroespacial” (4,8%) e o “Equipamento de escritório e computação” (3,4%).

O peso dos produtos de Média-alta tecnologia, que em 2021 havia atingido 31,9% do total dos Produtos Industriais Transformados, decresceu tendencialmente a partir de então, situando-se em 29,4% em 2025.

Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu valor em 2025, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques” (42,8% do total deste nível), as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos” (21,9%), os “Produtos químicos excepto farmacêuticos” (16,0%), as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” (15,6%) e o “Equipamento ferroviário e de transporte n.e.” (3,7%).

Por sua vez, o peso do conjunto dos produtos de Média-baixa tecnologia, após uma subida de 23,7%, em 2021, para 25,8%, em 2022, reduziu-se sucessivamente nos anos seguintes, situando-se em 21,8% do Total em 2025. Incluem-se aqui, por ordem decrescente do seu peso em 2025, os “Produtos da borracha e do plástico” (26,7% deste nível), os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustíveis nucleares” (21,4%), o “Fabrico de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos” (20,3%), a “Metalurgia de base” (16,2%), os “Produtos minerais não metálicos” (14,6%) e a “Construção e reparação naval” (0,7%).

Nos produtos de Baixa tecnologia assistiu-se a uma descida do seu peso entre 2021 e 2023 de  34,4% para 33,0%, seguida de uma subida para 34,7% em 2024, tendo no ano seguinte regressado próximo do nível de 2023, com 33,2%. Incluem-se aqui os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco” (35,5%), os “Têxteis, vestuário, couros e calçado” (34,4%), a “Pasta, papel, cartão e publicações” (12,7%), as “Manufacturas n.e. e reciclagem” (9,9%) e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça” (7,5%).

Ao longo do período de 2021 a 2025 o ritmo de crescimento nominal das exportações de Produtos Industriais Transformados cresceu tendencialmente, com destaque para os produtos de Alta tecnologia.


3.1 –Partição das exportações entre espaço Intra e Extra UE-27                  em 2024 e 2025

As exportações de Produtos Industriais Transformados têm a União Europeia por principal destino (71,6% em 2026 e 70,2% em 2025).

No período em análise, o maior peso do espaço Intra-UE nas exportações de Produtos Industriais Transformados coube ao nível da Média-alta tecnologia (75,2% em 2025 e 75,4% em 2024).

Seguiu-se a Baixa tecnologia (72,2% e 71,3%, respectivamente), a Alta tecnologia (70,2% e 68,5%) e a Média-baixa tecnologia (66,9% e 63.1%).


4 – Importação de Produtos Industriais Transformados,                              por níveis de intensidade tecnológica (2021-2025)

O peso dos Produtos Industriais Transformados na importação global portuguesa, que em 2021 atingira 85,5%, decaiu para 81,3% em 2022, para crescer fortemente nos anos seguintes, atingindo 93,1% em 2025.

Em 2025, o maior peso entre os níveis de intensidade tecnológica da importação incidiu na Média-alta tecnologia (36,8% em 2025 e 2024), seguida da Baixa tecnologia (29,6% e 29,1%, respectivamente%), da Alta tecnologia (17,5% e 17,3%) e da Média-baixa tecnologia (16,2% e 16,8%). 



O peso dos produtos de Alta tecnologia no total das importações de Produtos Industriais Transformados, que em 2021 representava 17,7%, desceu para 17,1% no ano seguinte, para depois crescer sustentadamente até 2025, quando atingiu 17,5%. Aqui se enquadram em 2025, por ordem decrescente do seu peso, os “Produtos farmacêuticos” (40,1% do total deste nível), o “Equipamento de rádio, TV e comunicações” (25,7%), os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão” (18,2%), o “Equipamento de escritório e computação” (10,5%) e os produtos da área “Aeronáutica e aeroespacial” (5,5%).

O peso dos produtos de Média-alta tecnologia, que no período em análise teve o seu valor mais alto em 2022, com 20,6% do total dos Produtos Industriais Transformados, desceu para 36,8% nos dois anos seguintes. Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu valor em 2025, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques” (37,7% do total deste nível), os “Produtos químicos excepto farmacêuticos” (28,4%), as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos” (21,1%), as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” (10,7%) e o “Equipamento ferroviário e de transporte n.e.” (2,0%).

O peso dos produtos de Média-baixa tecnologia, que aumentara de 19,6%, em 2021, para 20,6%, em 2022, decaiu sucessivamente a partir de então, até 16,2% em 2025. Inclui-se aqui a “Metalurgia de base” (32,5% do total deste nível), os “Produtos da borracha e do plástico” (20,7%), os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustíveis nucleares” (18,8%), o “Fabrico de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos” (18,4%), os “Produtos minerais não metálicos” (9,0%) e a “Construção e reparação naval” (0,6%).

Os produtos de Baixa tecnologia viram o seu peso aumentar sustentadamente de 24,9%, em 2021, até 29,6%, em 2025.  Incluem-se aqui os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco” (41,1%), os “Têxteis, vestuário, couros e calçado” (40,5%), as “Manufacturas n.e. e reciclagem” (8,5%), a “Pasta, papel, cartão e publicações” (6,6%) e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça” (3,3%).

Em 2025, face a 2021, cresceu significativamente o ritmo das importações nominais de Produtos Industriais Transformados.


4.1–Partição das importações entre espaço Intra e Extra UE-27                   em 2023 e 2024

As importações de Produtos Industriais Transformados têm a União Europeia por principal origem (81,0% em 2025 e 80,8% em 2024). Em 2025, o maior peso nas importações de Produtos Industriais Transformados por níveis de intensidade tecnológica, no âmbito do espaço Intra-UE, coube aos produtos de Baixa tecnologia (82,7% e 82,2% em 2024) e de Média-alta tecnologia (82,2% e 83,6%). Seguiu-se a Alta tecnologia (79,8% e 76,8%) e a  Média-baixa tecnologia (77,1% e 76,7%). 




Alcochete, 25 de Abril de 2026.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Comércio Internacional da Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar (2024-2025)

 

Comércio Internacional da Pesca,
preparações, conservas e outros
produtos do mar
(2024-2025)

(Disponível para download >>> aqui )


 1 - Introdução

Portugal, detentor de uma das maiores “Zonas Económicas Exclusivas” (ZEE) a nível europeu, mantém no âmbito da “Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar” uma balança comercial deficitária, com as importações (Fob) a representarem pouco menos do dobro do valor das exportações (Fob).

O peso destes produtos, no contexto do comércio global, foi tendencialmente crescente ao longo dos últimos cinco anos do lado das importações (de 2,5%, em 2021, para 2,7%, em 2025), e também tendencialmente crescente no âmbito das exportações (de 1,7% para 1,9%).

Neste trabalho vai-se analisar a evolução das importações e das exportações anuais destes produtos em 2025 (versão preliminar), face a 2024 (versão definitiva), a partir de dados de base divulgados no Portal do ‘Instituto Nacional de Estatística’ (INE), com última actualização em 12 de Março de 2026.

2 – Balança Comercial

Em 2024 e 2025 a Balança Comercial destes produtos do mar foi deficitária, com défices (Fob-Cif) respectivamente de -1296 milhões e -1476 milhões de Euros.

Em 2025 as importações cresceram em valor +10,0% e as exportações +6,4%, tendo a défice aumentado +13,9%. O grau de cobertura das importações pelas exportações desceu de 52,3%, em 2024, para 50,6%, em 2025.


Entre os agregados de produtos aqui considerados destacam-se o “Peixe”, os “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos”, que representaram 97,9% do total das importações e 98,8% do total das exportações em 2024.

Na figura seguinte pode observar-se a Balança Comercial das sete componentes em que foram agregados os produtos em análise.

Como se pode observar, “Preparações e conservas de peixe, crustáceos e moluscos” foi a única componente em que o saldo da Balança Comercial foi positivo em cada um dos anos em análise, +53,7 milhões de Euros em 2024 e +54,8 milhões em 2025.

Os maiores défices incidiram nas componentes “Peixe” (-1166,3 milhões de Euros em 2025 e -1021,3 milhões no ano anterior) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (respectivamente -322,6 milhões e -286,6 milhões de Euros).

Apresentam-se em Anexo quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.

3 – Importação

Em 2025 as importações deste conjunto de produtos cresceram +10,0% face ao ano anterior (+271,8 milhões de Euros) tendo o maior acréscimo cabido à componente “Peixe” (+11,1%, +186,8 milhões), seguida de “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+13,8%, +44,3 milhões de Euros) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (+6,0%, +39,1 milhões). 

Nas importações de “Peixe” assumem relevância as de bacalhau, nos seus diversos estados, que serão mais adiante abordadas com algum pormenor.

3.1 – Mercados de Origem

Em 2025 o principal mercado de origem das importações destes produtos foi a Espanha (41,0% do Total), seguida dos Países Baixos (12,9%) e da Suécia (7,8%).

Alinharam-se depois a China (4,6%), o Equador (3,9%), a Dinamarca (3,0%), a Noruega (2,0%), a Índia e a Alemanha (1,8% cada), a França (1,6%), o Vietname (1,5%), a Fed. Russa (1,3%), a África do Sul (1,2%), a Mauritânia e Marrocos (1,0% cada), a Grécia e a Turquia (0,8% cada), Angola (0.7%), a Itália (0,8%), o Chile (0,7%) e a Namíbia (0,6%), a Itália, Chile e Namíbia (0,6% cada).  

Este conjunto de países representou 90,4% do Total das importações portuguesas dos produtos do mar em 2025 e 91,0% no ano anterior.

4 – Exportação

Em 2025 as exportações cresceram em valor +6,4% face ao ano anterior (+91,5 milhões de Euros), tendo ocorrido acréscimos em todas as componentes à excepção de ”Sal, águas-mãe de salinas e algas” (-584 mil Euros): “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+45,3 milhões de Euros), “Peixe” (+41,9 milhões),  “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (+3,1 milhões), “Farinhas e outros produtos da pesca” (+1,6 milhões), “Gorduras e óleos de peixe de mamíferos aquáticos” (+100 mil Euros) e “Extractos e sucos de carnes” (+69 mil Euros).

4.1 – Mercados de Destino

Cerca de 84% das exportações destes produtos em 2025 tiveram por destino a União Europeia, com destaque para a Espanha (55,8% do Total), França (10,7%) e Itália (9,5%).

Seguiram-se, entre os principais países de destino, o Brasil (4,6%), os EUA (2,4%), o Reino Unido/Irl NT (2,0%), os Países Baixos e a Alemanha (1,5% cada), a Suíça (1,3%), a Bélgica (1,1%), a China e o Canadá (0,9% cada), Angola (0,8%), a Áustria (0,7%) e o Luxemburgo (0,6%).

5 – Importação e exportação de sardinha

Face à acentuada redução da espécie ao longo dos últimos anos em zonas em que operam habitualmente os pescadores portugueses e espanhois, têm existido limitações anuais impostas à pesca da sardinha, importante para o sector português da exportação de conservas, tendo mesmo havido um parecer científico do “Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES)” que aconselhava a sua proibição.

Em 2025 aumentou a importação de “Sardinha fresca, refrigerada ou congelada” (+47,2% em valor e +35,1% em quantidade) e aumentou a sua exportação (+24,4% e               -5,6%, respectivamente). O valor médio por quilo subiu de 1,7 para 1,8 Euros na importação e de 1,4 para 1,8 Euros na exportação.

Os principais fornecedores foram a Espanha (76,7%), Marrocos (11,2%) e a França (7,4%). Os principais mercados de destino foram a Espanha (54,6%), a França (19,0%), a Alemanha (5,9%), o Canadá (5,4%) e os EUA (4,3%).

Em 2025 aumentou significativamente a importação de “Conservas de sardinha” (+109,5%), cifrando-se em 12,9 milhões de Euros, com o valor médio por quilo a subir de 6,8 para 6,9 Euros.

A exportação, num valor de 104,0 milhões de Euros, aumentou +25,0% face a 2024, com o valor médio por quilo a subir de 7,0 para 7,2 Euros.

Em 2025 os principais mercados de origem foram a Espanha (46,9%), Marrocos (22,3%). os Países Baixos (14,9%) e a França (12,3%), que no seu conjunto representaram 96,4% do Tot<l das importações.

Os principais destinos foram a França (37,7%), a Espanha (18,2%), o Reino Unido/Irl.NT (8,9%), os EUA (8,9%) e a Áustria (5,3%).

Seguiram-se, com mais de 1% do Total, o EUA (6,0%), a Bélgica (5,3%), a Austria (4,0%), os Países Baixos (3,2%), a Suíça (1,8%), a Austrália (1,7%), Hong-Kong (1,5%), a China e a Irlanda (1,1% cada).

6 – Importação e exportação de bacalhau

Em 2025 o bacalhau pesou 25,8% no total das importações dos produtos do mar (25,9% em 2024) e 12,1% no total das exportações (12,6% no ano anterior).

O bacalhau ocupa uma posição importante na alimentação dos portugueses, tendo nos últimos dois anos o peso das importações sido cerca de quatro vezes superior ao das exportações.

Em 2025, face ao ano anterior, a importação de bacalhau aumentou +10,0% em valor e a exportação +1,9%. O valor médio por quilo subiu, na importação, de 8,0 para 9,5 Euros e o da exportação de 9,5 para 10,0 Euros.

Entre os vários tipos de bacalhau destacam-se, nas importações, o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado” (72,1% do Total em 2025) e o “Congelado excluindo filetes” (19,0%).

Nas exportações predominaram, em 2025, o bacalhau “Congelado excluindo filetes” (45,7%), os “Filetes em qualquer estado” (21,0%) e o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado” (19,1%).

Em 2025 os principais mercados de origem das importações de bacalhau foram os Países Baixos (41,8% do Total), a Suécia (24,9%), a Noruega (7,4%) e a China (6,7%). Seguiram-se, entre os principais, a Espanha (5,2%), a Fed. Russa (4,9%) e a Dinamarca (4,4%),

Os principais países de destino foram a Espanha (31,3%), o Brasil (30,2%) e a França (11,7%). Seguiram-se a Itália (4,9%), a Suíça (3,1%), Angola (2,3%), os EUA (2,6%),a Alemanha (2,3%), a Bélgica (2,2%) e o Luxemburgo (1,9%). Estes países representaram 98,5% do Total.


Segue-se nas páginas seguintes, nos Anexos 1 a 13, em quadros e gráficos, a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.


ANEXOS




























Alcochete, 15 de Abril de 2026.

 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro a Fevereiro de 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Fevereiro de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Fevereiro de 2026 e 2025, em versões preliminares, com última actualização em 12 de Março de 2026, as exportações de mercadorias em 2026 decresceram -14,5% em termos homólogos (-2,1mil milhões de Euros). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um decréscimo de -14,5%  (-1,5 mil milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um decréscimo também de -14,5% (-539 milhões).

Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) decresceram -2,8% (-379 milhões) e as originárias dos Países Terceiros decairam -9,2% (-408 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +33,8% face a 2025, situou-se em -5071 milhões de Euros (superior em 1282 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1151 milhões no comércio intracomunitário e de 131 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 80,3% em 2025, para 70,7% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. Em Fevereiro de 2026 o preço de importação do petróleo bruto desceu de 591 Euros/Ton em 2025, para 428 Euros/Ton. 

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média do mês de Fevereiro).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 8,2% no total das importações em 2026 e 4,7% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 70,7% no comércio global, para 73,4%.


2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Fevereiro de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 74,1% do Total, decresceram -14,5%, contribuindo com -10,7 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de -14,5%.

As exportações para o espaço extracomunitário, 25,9% do Total, decresceram-14,5%, contribuindo com -3,8 p.p. para a evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,4%), a França (13,0%), a Alemanha (12,4%), a Itália (4,8%), os EUA (4,6%), o Reino Unido incl. Irlanda NT (4,0%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,7%), a Polónia (1,7%) e Marrocos (1,5%), países que representaram 74,7% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um decréscimo de -6,6% nas nossas exportações (-11,3 milhões de Euros).

Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Aeronaves, embarcações e partes” (+6,6 milhões de Euros), “Energéticos” (+802 mil Euros), “Produtos acabados diversos” (+401 mil Euros)  e  “Calçado, peles e couros” (+219 mil Euros). 

Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Minérios e metais” (-6,5 milhões),  “Agro-alimentares” (-4,6 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (-3,9 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (-2,7 milhões). 

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (-14,5%) pertenceram a Marrocos, Cabo Verde e China (+0,2 p.p. cada), e à China, Brasil e Hungria (+0,1 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-8,1 p.p.), seguida da Espanha (-2,0 p.p.), dos EUA (-1,3 p.p.), do Reino Unido/Irlanda NT (-1,0 p.p.), de Gibraltar (-0,5 p.p.)., da Bélgica, Prov.Bordo p/Terceiros e Israel (-0,3 p.p. cada), e da Fraança e Países Baixos (-0,2 p.p. cada).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram na Finlândia (+70 milhões de Euros) e na Hungria (+10 milhões).

Os principais decréscimos couberam Alemanha (-1165 milhões de Euros), seguida da Espanha (-287 milhões), da Bélgica (-48 milhões), da França (-33 milhõrs), dos Países Baixos (-29 milhões) e da Irlanda (-26 milhões).



No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se Marrocos (+29 milhões de Euros), Cabo Verde (+25 milhões), a China (+23 milhões), as Ilhas Virgens e a Suíça (+17 milhões cada), Ceuta (+12 milhões) e Brasil (+11 milhões).

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-188 milhões de Euros), o Reino Unido/Irlanda NT (-144 milhões), Gibraltar (-67 milhões), as Provisões de Bordo (-43 milhões), o Panamá e Israel (-37 milhões).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 76,7% do total, registaram um decréscimo de -2,8%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um decréscimo de -9,2%, representando 23,3% do total, com um contributo para o resultado global de -2,3 p.p..

O principal mercados de origem das importações em 2026 foi a Espanha (33,2% do Total), seguida da Alemanha (12,7%), da França (7,7%), dos Países Baixos (7,0%), da China (5,2%), da Itália (5,0%), do Brasil (3,8%), da Bélgica (3,2%), dos EUA (1,8%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 81,3% do total das importações.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações em Janeiro-Fevereiro de 2026 (-4,4%), destacaram-se o Brasil (+1,3 p.p.), os Países Baixos (+1,1 p.p.), a Alemanha (+0,5 p.p.), a Dinamarca (+0,2 p.p.), e o conjunto da Eslováquia, Azerbaijão, Áustria, Coreia SL e Marrocos  (+0,1 p.p. cada). Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-3,0 p.p.), Argélia (-0,6 p.p.), EUA (-0,5 p.p.), Itália e Nigéria (-0,4 p.p. cada), R.Unido/Irl NT (-0,3 p.p.), Nigéria (-0,4 p.p.), China e Turquia (-0,2 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre Janeiro-Fevereiro de 2026 e de 2025.



4 – Saldos da Balança Comercial       

Em Janeiro-Fevereiro de 2026, os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irlanda NT (+322 milhões), à França (+258 milhões), aos EUA (+257 milhões de Euros), a Angola (+152 milhões) e a Marrocos (+100 milhões)

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-2513 milhões de Euros), seguida da China (-774 milhões), dos Países Baixos (-771 milhões), da Alemanha (-690 milhões) e do Brasil (-475 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (17,0% e +47 milhões de Euros face ao ano antterior), “Agro-alimentares” (14,2% e -109 milhões), “Químicos” (13,4% e -1447 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (11,8% e -140 milhões), “Minérios e metais” (11,1% e +50 milhões) e “Produtos acabados diversos” (9,6% e -52 milhões). Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (7,7% e -42 milhões de Euros), “Madeira cortiça e papel” (6,4% e -81 milhões), “Energéticos” (4,7% e -283 milhões), “Calçado, peles e couros” (3,2% e -14 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e diferença nula face ao ano anterior).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Fevereiro de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total e +144 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (17,4% do Total e -540 milhões, “Agro-alimentares” (15,8% e +57 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (13,5% e +15 milhões. Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,9% e -35 milhões), “Energéticos” (8,2% e ‑355 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,5% e +11 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,8% e -84 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,7% e -59 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,8% e -18 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,0% e +77 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Fevereiro de 2026 a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 26,4% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (3ª posição depois das Provisões de Bordo e Países Baixos), “Calçado, peles e couros” (3ª posição, depois da França e da Alemanha), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França).

Seguiram-se no “ranking” a França (13,0%), a Alemanha (12,4%), a Itália (4,8%) os EUA (4,6%), o R.Unido/Irl NT (4,0%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,7%), a Polónia (1,7%) e Marrocos (1,5%).

Estes dez destinos representaram 74,7% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 33,2% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3º lugar, depois do Brasil e da França).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,7%), a França (7,7%), os Países Baixos (7,0%), a China (5,2%), a Itália (5,0%), o Brasil (3,8%), a Bélgica (3,2%), os EUA (1,8%) e a Polónia (1,7%).

Estes dez países cobriram 81,3% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026                       face a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 13 de Abril de 2026.

 

ANEXO