sábado, 20 de junho de 2026

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com Marrocos - 2023-2025 e Janeiro-Abril 2025-2026

 

Comércio Internacional de mercadorias

de Portugal com Marrocos

(2023-2025 e Janeiro-Abril 2025-2026)

                                          (disponível para download >> aqui )


1 – Introdução

Após uma breve abordagem ao comércio externo de mercadorias de Marrocos face ao Mundo nos três últimos anos, com base em cálculos do “International Trade Centre” (ITC) a partir de dados de base do “Office des Changes” de Marrocos, vai-se neste trabalho analisar a evolução do comércio internacional de Portugal com este país entre 2023 e 2025 e no período de Janeiro a Abril de 2025-2026, a partir de dados disponíveis na base de dados do “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), definitivos para 2023 e  2024  e preliminares para 2025 e 2026, com última actualização em 9 de Outubro de 2026.

As trocas comerciais de mercadorias de Portugal com Marrocos aumentaram substancialmente a partir de 2010. As importações, que nesse ano se situavam em 110 milhões de Euros, atingiram 534 milhões em 2025. Por sua vez as exportações aumentaram, no mesmo período, de 302 para 1058 milhões de Euros.

Marrocos ocupou uma posição importante entre os principais destinos das exportações portuguesas para os países extracomunitários ao longo dos últimos cinco anos e período de Janeiro a Abril de 2026, tendo-se situado na 4ª posição no ano de 2025 (5,4% do Total Extra-UE), precedido dos EUA, do Reino Unido/Irl NT e da Turquia, e na 5ª posição nos primeiros quatro meses de 2026 (4,8%), depois dos EUA, do Reino Unido/Irl NT, de Angola e do Brasil.

2 – Alguns dados sobre o ‘Comércio Externo’ de Marrocos

2.1 - Balança Comercial

A Balança Comercial de Marrocos face ao Mundo foi deficitária nos últimos três anos, com um saldo negativo a crescer de -26,1 mil milhões de Euros em 2023 para -33,4 mil milhões em 2025 e um grau de cobertura das importações pelas exportações de 57,2%, neste ano.


2.2 – Mercados de origem e de destino

De acordo com as estatísticas disponíveis, os principais mercados de origem das importações em 2025 foram a China (13,9% do Total), a Espanha (13,6%), os EUA (9,3%) e a França (9,0%), seguidos, entre os principais, pela Turquia (5,5%), Alemanha (5,3%), Itália (4,4%), Arábia Saudita (3,2%) e Portugal (2,3%).

No mesmo ano as principais exportações dirigiram-se para Espanha (21,5%) e França (19,0%).

Seguiram-se a Alemanha (5,3%), a Índia (5,1%), o Reino Unido (4,2%), a Itália (4,1%), os EUA (3,2%), o Brasil (2,6%), a Turquia (2,6%), os Países Baixos (2,1%), o Bangladesh (1,6%) e Portugal (1,5%), a par do Paquistão. 

2.3 – Importações por Grupos de Produtos e quotas de Portugal

No quadro seguinte consta a evolução das importações em Marrocos nos últimos três anos e as respectivas quotas de Portugal, por grupos de produtos definidos a dois dígitos da Nomenclatura (ver definição do conteúdo em Anexo).

Em 2023 as principais importações de Marrocos couberam ao grupo, “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total), seguido dos grupos “Agro-alimentares” (13,5%), “Energéticos” (13,1%), “Químicos(12,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (11,3%) e “Minérios e metais” (11,1%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (6,6%), “Têxteis e vestuário” (6,1%),  “Aeronaves, embarcações e partes” (2,9%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%) e “Calçado, peles e couros” (0,7%).

De acordo com as estatísticas marroquinas, em 2025 terão cabido a Portugal 2,3% das importações. As maiores quotas de Portugal nesse ano terão incidido nos grupos “Têxteis e vestuário” (6,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (4,9%), “Madeira, cortiça e papel” (4,3%) e “Calçado, peles e couros” (3,9%).

2.4 – Exportações por Grupos de Produtos e quotas de Portugal

Em 2025 as principais exportações de Marrocos incidiram nos grupos “Químicos” (21,5% do Total), “Máquinas, aparelhos e partes” (19,2%), “Agro-alimentares” (18,6%) e “Material de transporte terrestre e partes” (16,6%).

Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (8,7%), “Minérios e metais” (6,4%), “Aeronaves, embarcações e partes” (3,9%), “Produtos acabados diversos” (2,6%), “Energéticos” (1,1%), “Calçado, peles e couros” (0,9%) e “Madeira, cortiça e papel” (0,5%).

De acordo com as estatísticas marroquinas, em 2025 terão cabido a Portugal 1,5% das exportações globais. As maiores quotas nesse ano terão incidido nos grupos “Produtos acabados diversos” (3,8%), “Madeira, cortiça e papel” (3,7% do Total), “Calçado, peles e couros” (2,9%) e “Material de transporte terresrtre e partes” (2,8%), “Iêxteis e vestuário” e “Máquinas, aparelhos e partes” (1,7% cada) e “Agro-alimentares” (1,5%).

3 – Comércio de Portugal com Marrocos                                                        2023-2025 e Janeiro-Abril 2025-2026

3.1 - Balança Comercial

A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Marrocos foi favorável ao longo do período em análise, com saldos de +524 milhões de Euros em 2025 e +187,5 milhões nos primeiros quatro meses de 2026.



3.2 – Importações por Grupos de Produtos


Nos primeiros quatro meses de 2026 as principais importações incidiram nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (40,4% do Total e 44,1% no período homólogo de 2025) e “Máquinas, aparelhos e partes” (23,8% e 18,7% respectivamente). Seguiram-se os grupos “Químicos” (11,0% e 11,7%), “Produtos acabados diversos” (8,0% e 2,5%), “Têxteis e vestuário” (6,3% e 9,4%), “Agro-alimentares” (4,3% e 7,6%), “Minérios e metais” (3,5% e 2,8%), “Calçado, peles e couros” (1,3% e 1,9%) e “Madeira, cortiça e papel” (1,2% nos dois anos), sendo nulas ou praticamente nulas as importações dos grupos “Aeronaves, embarcações e partes” e “Energéticos”.

No quadro seguinte encontram-se relacionados, por Grupos de Produtos, os principais produtos importados no período de Janeiro a Abril de 2026, e correspondente valor no período homólogo do ano anterior, definidos a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).


3.3 – Exportações por Grupos de Produtos

No período de Janeiro a Abril de 2026 o grupo de produtos com maior peso nas exportações portuguesas para Marrocos foi “Máquinas, aparelhos e partes” (29,6% do Total e 31,9% no mesmo período do ano anterior).

Seguiram-se os grupos “Energéticos” (14,9% e 4,8%), “Agro-alimentares” (10,8% e 6,7%), Químicos” (10,8% e 11,9%), “Têxteis e vestuário” (7,9% e 9,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (7,4% e 11,7%), “Minérios e metais” (5,7% e 8,0%), “Produtos acabados diversos” (5,6% e 6,5%), “Madeira, cortiça e papel” (5,2% e 7,1%), “Calçado, peles e couros” (1,4% e 1,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e 0,1%).

No quadro seguinte encontram-se relacionados, por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados no período de Janeiro a Abril de 2026 e correspondente valor no período homólogo do ano anterior, definidos a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).



Alcochete, 18 de Junho de 2026.


ANEXO

segunda-feira, 15 de junho de 2026

 

Comércio Internacional
de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Março 2026/2025)

                                                
                                           (disponível para download  >> aqui )


1 - Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias por grupos e subgrupos de produtos, à excepção do grupo em que se inserem “Aeronaves, embarcações e partes”, calculados para o período acumulado de Janeiro a Março de 2026, a preços do período homólogo de 2025.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versões preliminares, com última actualização em 8 de Maio de 2026.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.

No caso presente foram desagregados por países e analisados os respectivos índices 122 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e 67 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se, por grupos de produtos, a representatividade das amostras globais em cada uma das vertentes comerciais, que serviram de base ao cálculo dos índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada na base de dados do INE. 


3 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis, o défice da balança comercial de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 aumentou +33,7% face ao trimestre homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 77,0% para 70,1%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as ‘importações‘ originárias dos países terceiros), com um aumento em valor de +2,7%, terão registado um acréscimo em volume de +7,0% e um decréscimo em preço de -4,0%.

A quebra em valor de -6,5% verificada nas exportações terá resultado de descidas em volume de -4,2% e de -2,4% em preço.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2026 situa-se em -7,1 mil milhões de Euros, contra -8,4 mil milhões em termos globais.

Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações sobe de 70,1%, em termos globais, para 72,6%.

Numa análise por Grupos de Produtos, em 2026 o saldo da Balança Comercial de mercadorias, no período em análise, foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, designadamente “Madeira, cortiça e papel” (+549 milhões de Euros), “Têxteis e vestuário” (+183 milhões), “Calçado, peles e couros” (+92 milhões) e “Produtos acabados diversos” (+74 milhões). O grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, que em 2025 apresentara um saldo positivo (+75 milhões), registou em 2026 um défice (-34 milhões de Euros).

4 - Importações

Em 2026 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (21,0% do Total), “Químicos” (16,6%), “Agro-alimentares” (15,3%) e “Material de transporte terrestre e partes” (14,0%).

Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6%), “Energéticos” (8,4%), “Produtos acabados diversos” (6,3%), “Têxteis e vestuário” (4,6%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%), “Calçado, peles e couros” (1,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7%).

A maior taxa de variação em Valor coube ao grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+20,0%), seguido de “Material de transporte terrestre e partes” (+7,6%), “Produtos acabados diversos” (+3,9%), “Agro-alimentares” (+3,1%) e “Minérios e metais” (+2,3%). Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Energéticos” (-10,8%) e “Químicos” (-9,3%), seguidos de “Madeira, cortiça e papel” (-4,3%), “Têxteis e vestuário” (-3,6%) e “Calçado, peles e couros” (-1,1%).

Em Volume, foram positivas as taxas de variação em todos os grupos de produtos à excepção de “Químicos” (-4,3%) e “Madeira, cortiça e papel” (-0,3%), tendo-se destacado o grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+22,7%), seguido de “Energéticos” (+9,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (+9,0%), “Calçado, peles e couros” (+8,2%), “Produtos acabados diversos” (+7,2%), “Têxteis e vestuário” (+4,9%), “Minérios e metais” (+2,8%), e “Agro-alimentares” (+1,8%),

Em Preço, foram negativas as taxas de variação em todos os grupos de produtos â excepção do grupo “Agro-alimentares” (+1,3%), com detaque para o grupo “Energéticos” (-18,4%), seguido de “Calçado, peles e couros” (-8,6%), “Têxteis e Vestuário” (-8,2%), Químicos” (-5,2%), “Madeira, cortiça e papel” (-4,0%), “Produtos acabados diversos” (-3,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-2,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,3%) e “Minérios e metais” (-0,5%).

5 – Exportações

Em 2026, no período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (16,8%), “Agro-alimentares” (14,0%), “Químicos” (13,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5%) e “Minérios e metais” (11,2%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,4%), “Têxteis e vestuário” (7,5%), “Madeira, cortiça e papel” (6,5%), “Energéticos” (5,1%), “Calçado, peles e couros” (3,0%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

Os principais decréscimos em Valor, face ao período homólogo do ano anterior, verificaram-se nos Grupos de Produtos “Químicos” (-37,1%) e “Energéticos” (-17,2%). Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (-3,5%), “Agro-alimentares” (-1,2%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Calçado, peles e couros” (-0,1%).

O maior acréscimo verificou-se no grupo “Minérios e metais” (+10,9%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (+6,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (+2,2%) e Têxteis e vestuário” (+0,5%).

Em Volume o principal decréscimo ocorreu no grupo “Químicos” (-34,5%), seguido a grande distância pelos grupos “Energéticos” (-5,5%), “Agro-alimentares” (-1,0%), “Madeira, cortiça e papel” (-0,5%) e “Produtos acabados diversos” (taxa praticamente nula).

O maior acréscimo coube ao grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+12,0%), a que se seguiram “Minérios e metais” (+6,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (+4,9%), Calçado. peles e couros” (+3,8%), e “Têxteis e vestuário” (+1,2%).

No âmbito do Preço verificaram-se decréscimos em todos os grupos de produtos à excepção de “Minérios e metais” (+3,9%), cabendo o maior decréscimo ao grupo “Energéticos” (-12,4%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (-4,8%), “Químicos” (-3,9%), “Calçado, peles e couros” (-3,7%), “Madeira, cortiça e papel” (-3,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (-2,6%), “Têxteis e vestuário” (-0,7%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Agro-alimentares” (-0,2%).


Alcochete, 13 de Junho de 2026.


ANEXO


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro-Abril 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Abril de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Abril de 2026 e 2025, em versões preliminares, com última actualização em 9 de Junho de 2026, as exportações de mercadorias decresceram, em termos homólogos, -1,4% (-392 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +4,7% (+1712 milhões). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um decréscimo de -2,1% (-423 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +0,4% (+31 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +4,6% (+1295 milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +4,7% (+418 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +22,6% face a 2025, situou-se em -11431 milhões de Euros (superior em 2104 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1717 milhões no comércio intracomunitário e de 387 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 74,7% em 2025, para 70,3% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Abril o valor médio de importação do petróleo bruto desceu de 549 Euros/Ton, em 2025, para 533 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 808 Euros/Ton).

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Maio).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 9,0% no total das importações em 2026 e 5,7% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 70,3% no comércio global, para 72,9%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Abril de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 72,1% do Total, decresceram -2,1%, contribuindo com -1,5 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de -1,4%. As exportações para o espaço extracomunitário, 27,9% do Total, cresceram +0,4%, contribuindo com   +0,1 p.p. para a taxa de evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (25,9%), a França (12,4%), a Alemanha (12,0%), os EUA (5,1%), a Itália (4,8%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,6%), a Turquia (1,7%), a Polónia (1,6%) e Marrocos (1,6%), países que representaram 71,2% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de +9,0% nas nossas exportações (+30,0 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (+14,8 milhões de Euros), “Produtos acabados diversos” (+7,9 milhões), “Químicos” (+7,1 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+6,7 milhões), “Agro-alimentares” (+2,3 milhões), “Têxteis e vestuário” (+494 mil Euros) e “Calçado, peles e couros” (+289 mil Euros). Os decréscimos incidiram nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (-3,9 milhões), “Minérios e metais” (-3,8 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,5 milhões) e “Energéticos” (-284 mil Euros). 


Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (-1,4%) pertenceram à Turquia (+0,6 p.p.), seguida da França e da China (+0,4 p.p. cada), da Itália e Marrocos (+0,3 p.p. cada) e da Suíça, Suécia, Cabo Verde e Brasil (+0,2 p.p. cada). 

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-3,4 p.p.), seguida dos EUA (-1,3 p.p.) e de Gibraltar, Canadá e Israel (-0,1 p.p. cada).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram na França (+122 milhões de Euros), Finlândia (+93 milhões), Itália (+89 milhões), Suécia (+55 milhões), Países Baixos (+37 milhões), Provisões de bordo (+26 milhões), Letónia (+21 milhões) e Rep- Checa (+19 milhões). O principai decréscimo coube à Alemanha (-938 milhões de Euros), seguida da Eslováquia (-7 milhões).



No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se a Turquia (+160 milhões), a China (+113 milhões), Marrocos (+88 milhões), Suíça (+55 milhões), Cabo Verde (+54 milhões), Ilhas Virgens EUA (+53 milhões), Togo (+52 milhões), Brasil (+51 milhões) e Angola (+30 milhões).

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-362 milhões de Euros), seguidos da Ucrânia (-48 milhões), Panamá (-46 milhões), Reino Unido (-38 milhões), Arábia Saudita e Gibraltar (-37 milhões cada), e Austrália (-34 milhões).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 76,0% do total, registaram um acréscimo de +4,6%, com um contributo para o resultado global de +3,5 p.p.. As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +4,7%, representando 24,0% do total, com um contributo de +1,1 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,1% do Total), seguida da Alemanha (12,3%), dos Países Baixos (8,1%), da França (7,6%), da China (5,2%), da Itália (4,8%), do Brasil (3,3%), da Bélgica (3,2%), dos EUA (2,3%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 80,6% do total das importações.


Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações em Janeiro-Abril de 2026 (+4,7%) destacaram-se os Países Baixos (+2,8 p.p.), a Espanha (+1,7 p.p.), a Alemanha (+1,0 p.p.), o Brasil (+0,7 p.p.), a China (+0,6 p.p.), a França (+0,4 p.p.), os EUA e Taiwan (+0,2 p.p. cada), Marrocos e a Eslováquia (+0,1 p.p. cada). Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,6 p.p.), na Turquia, Itália, Argélia e Hungria (-0,2 p.p.), e na Suíça e Vietname (-0,1 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre Janeiro-Abril de 2026 e de 2025.



4 – Saldos da Balança Comercial       

No período Janeiro-Abril de 2026 os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irlanda NT (+792 milhões de Euros), aos EUA (+517 milhões), à França (+447 milhões), a Angola (+347 milhões) e a Gibraltar (+191 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-5348 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-2152 milhões), da China (-1684 milhões), da Alemanha (-1500 milhões) e do Brasil (-918 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +354 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e +73 milhões), “Químicos” (13,3% e -1391 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,6% e +156 milhões), “Minérios e metais” (11,2% e +415 milhões) e “Produtos acabados diversos” (9,2% e +34 milhões). Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (7,4% e +72 milhões de Euros), “Madeira cortiça e papel” (6,4% e -51 milhões), “Energéticos” (5,7% e -74 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,8% e +19 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e   +1 milhão de Euros).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Abril de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (20,3% do Total e +1325 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (16,7% e -740 milhões, “Agro-alimentares” (15,4% e +284 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (13,9% e +488 milhões). Seguiram-se os grupos “Energéticos” (9,0% e +12 milhões), “Minérios e metais” (8,6% e +70 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +145 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,5% e -71 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -30 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +3 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,0% e +226 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Abril de 2026 a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 25,9% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois do Brasil), “Calçado, peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França). 

Seguiram-se no “ranking” a França (12,4%), a Alemanha (12,4%), os EUA (5,1%), a Itália (4,8%), o Reino Unido (4,3%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,6%), a Turquia (1,7%) e a Polónia (1,6%).

Estes dez destinos representaram 74,0% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,1% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3º lugar, depois da França e do Brasil).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,3%), os Países Baixos (8,1%), a França (7,6%), a China (5,2%), a Itália (4,8%), o Brasil (3,3%), a Bélgica (3,2%), os EUA (2,3%) e a Polónia (1,7%),

Estes dez países cobriram 80,6% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026 face                a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 11 de Junho de 2026.

ANEXO