quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Comércio Internacional da Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar (1º Semestre 2025-2026)

 

Comércio Internacional da Pesca,
preparações, conservas e outros
produtos do mar
(1º Semestre 2025-2026)

(Disponível para download >>> aqui )


 1 - Introdução

Portugal, detentor de uma das maiores “Zonas Económicas Exclusivas” (ZEE) a nível europeu, mantém no âmbito da “Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar” uma balança comercial deficitária, com as importações (Fob) a representarem cerca do dobro do valor das exportações (Fob).

O peso destes produtos, no contexto do comércio global, foi tendencialmente crescente ao longo dos últimos cinco anos do lado das importações (de 2,5%, em 2021, para 2,7%, em 2025), e também tendencialmente crescente no âmbito das exportações (de 1,7% para 1,9%).

Neste trabalho vai-se analisar a evolução das importações e das exportações destes produtos no 1º Semestre de 2026 (versão preliminar), face a 2025 (versão definitiva), a partir de dados de base divulgados no Portal do ‘Instituto Nacional de Estatística’ (INE), com última actualização em 7 de Agosto de 2026.

2 – Balança Comercial

No 1º semestre de 2026, face ao semestre homólogo do ano anterior, a Balança Comercial destes produtos do mar foi deficitária, com défices (Fob-Cif) respectivamente de -778 milhões e -801 milhões de Euros (-1,6%).

Em 2026 as importações cresceram em valor +0,4% e as exportações +2,6%, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a subir de 46,4% para 47,5%.

Entre os agregados de produtos aqui considerados destacam-se o “Peixe”, os “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos”, que representaram 97,7% do total das importações e 98,6% do total das exportações em 2026.

Na figura seguinte pode observar-se a Balança Comercial das sete componentes em que foram agregados os produtos em análise.

Como se pode observar, “Preparações e conservas de peixe, crustáceos e moluscos” foi a única componente em que o saldo da Balança Comercial foi positivo em cada um dos períodos em análise, +12,2 milhões de Euros em 2025 e +54,2 milhões em 2026. Os maiores défices incidiram nas componentes “Peixe” (-650,9 milhões de Euros em 2025 e -663,2 milhões em 2026) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (respectivamente -145,4 milhões e -155,7 milhões de Euros).

Apresentam-se em Anexo quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.

3 – Importação

No 1º Semestre de 2026 as importações deste conjunto de produtos cresceram +0,4% face ao semestre homólogo ano anterior (+5,8 milhões de Euros).  O maior acréscimo, em Euros, coube à componente “Peixe” (+13,7 milhões de Euros), seguida de “Sal, águas-mãe de salinas e algas ” (+7,0 milhões de Euros), “Farinhas, pós, ‘pellets’ e produtos ‘solúveis’ (+862 mil Euros) e “Gorduras e óleos de peixe e mamíferos aquáticos” (+88 mil Euros).

Nas importações de “Peixe” assumem relevância as de bacalhau, nos seus diversos estados, que serão mais adiante abordadas com algum pormenor.


3.1 – Mercados de Origem

Em 2026 o principal mercado de origem das importações destes produtos foi a Espanha (37,8% do Total), seguida dos Países Baixos (18,1%), da Suécia (6,0%) e da China (5,1%).

Alinharam-se depois, entre os principais, a China (5,1%), a Dinamarca (3,2%), o Equador (2,6%), a Índia (2,5%), a Alemanha (1,8%), a Grécia (1,7%), a Itália e Vietname (1,4% cada), a França (1,3%), a África do Sul (1,1%), a Coreia do Sul, Mauritânia e Noruega (1,0% cada), os EUA (0,9%), Marrocos, Namíbia, Senegal, Bélgica e Argentina (0,6% cada), o Chile e El Salvador (0,5% cada) e a Tanzânia (0,4%).

Este conjunto de países representou 92,6% do Total das importações portuguesas dos produtos do mar em 2026, contra 90,4% no ano anterior.

4 – Exportação

Em 2026 as exportações cresceram em valor +2,6% face ao ano anterior (+18,4 milhões de Euros), tendo ocorrido acréscimos em todas as componentes à excepção de “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (-19,8 milhões).

O Maior aumento coube à componente “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+35,5 milhões de Euros), seguida de “Peixe” (+1,5 milhões), ”Sal, águas-mãe de salinas e algas” (+935 mil Euros), “Farinhas e outros produtos da pesca” (+177 mil Euros), “Gorduras e óleos de peixe de mamíferos aquáticos” (+152 mil Euros) e “Extractos e sucos de carnes” (+1 milhar de Euros).


4.1 – Mercados de Destino

No 1º Semestre de 2026 tiveram por destino a União Europeia 82,5% das exportações destes produtos, com destaque para a Espanha (53,3% do Total), França (12,3%) e Itália (8,9%). Seguiram-se, entre os principais países, o Brasil (4,4%), os EUA (2,6%), o Reino Unido/ Irl NT (2,4%), a Suíça (1,5%), a Alemanha e China (1,4% cada), a Bélgica e Países Baixos (1,3% cada).


5 – Importação e exportação de sardinha



Face à acentuada redução da espécie ao longo dos últimos anos em zonas em que operam habitualmente os pescadores portugueses e espanhois, têm existido limitações anuais impostas à pesca da sardinha, importante para o sector português da exportação de conservas, tendo mesmo havido um parecer científico do “Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES)” que aconselhava a sua proibição.

No 1º Semestre de 2026, em relação ao semestre homólogo de 2025, aumentou, com pouca expressão, a importação de “Sardinha fresca, refrigerada ou congelada” (+1,9%, +254 mil Euros)) bem como  a sua exportação (+9,7%, +898 mil Euros. Os principais fornecedores foram a Espanha (81,5%), a França (8,5%) e a Croácia (3,7%), tendo sido os principais mercados de destino a Espanha (54,0%), o Canadá (13,2%) e a França (9,3%).

Em 2026, no período em análise, aumentou significativamente a importação de “Conservas de sardinha” (+39,4%), cifrando-se em 7,8 milhões de Euros, com o valor médio por quilo a descer de 6,8 para 3,5 Euros. A exportação, num valor de 65,6 milhões de Euros, aumentou +38,3% face a 2025, com o valor médio por quilo a subir de 7,0 para 7,8 Euros.

Os principais mercados de origem foram a Espanha (38,5%), Marrocos (35,4%), os Países Baixos (20,8%) e a França (3,6%), que no seu conjunto representaram 96,4% do Total das importações (92,3% no ano anterior).

Os principais destinos foram a França (32,5%), a Espanha (18,0%), o Reino Unido/Irl.NT (11,2%), os EUA (6,3%), a Áustria (5,0%), a Bélgica (4,9%) e os Países Baixos (4,0%). Seguiram-se, com mais de 1% do Total, a Alemanha (1,8%), a Austrália (1,7%), Hong-Kong (1,5%), a Suíça (1,4%), a Roménia (1,3%) e a China (1,2%).


6 – Importação e exportação de bacalhau

No 1º Semestre de 2026 o bacalhau pesou 27,6% no total das importações dos produtos do mar (28,0% em 2025) e 12,9% no total das exportações (11,4% em 2025).

O bacalhau ocupa uma posição importante na alimentação dos portugueses, tendo no período em análise de 2025 e 2026 o peso das importações mais de quatro vezes superior ao das exportações.

No 1º Semestre de 2026, face ao homólogo de 2025, a importação de bacalhau registou um decréscimo em valor de -1,1%, tendo a exportação aumentado +16,3%. O valor médio por quilo subiu de 9,3 para 11,3 Euros na importação e de 8,5 para 9,8 Euros na exportação.

Em 2026, no período em análise, destacam-se nas importações, entre os vários tipos de bacalhau, o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado”, 74,9% (73,0% em 2025) e o “Congelado excluindo filetes”, 14,0% (17,9% em 2025).

Nas exportações predominaram o bacalhau “Congelado excluindo filetes” (45,7% e 42,9%, respectivamente), os “Filetes em qualquer estado” (21,0% e 22,4%) e o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado” (19,1% e 21,0%).

Em 2026 os principais mercados de origem das importações de bacalhau foram os Países Baixos (57,1% do Total), a Suécia (16,0%), a China (7,6%), a Espanha (5,4%), a Dinamarca (5,1%) e a Noruega (3,0%).

Os principais países de destino foram a Espanha (34,3%), o Brasil (27,8%), a França (13,0%), a China (3,8%), a Itália (3,7%) e a Suíça (3,0%).



Nas páginas seguintes (Anexos 1 a 13), encontram-se quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.


ANEXOS




terça-feira, 1 de setembro de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Índices de Valor, Volume e Preço por Grupos e Subgrupos de Produtos (Janeiro-Junho 2026/2025)

 

Comércio Internacional
de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Junho 2026/2025)

                                                
                                           (disponível para download  >> aqui )

1 - Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias, calculados por grupos e subgrupos de produtos, à excepção do grupo em que se inserem “Aeronaves, embarcações e partes”, calculados para o período acumulado de Janeiro a Junho de 2026, a preços do período homólogo de 2025.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versões preliminares, com última actualização em 9 de Junho de 2026.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.

No caso presente foram desagregados por países e analisados os respectivos índices 91 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e 31 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se por grupos de produtos, em cada uma das vertentes comerciais, a representatividade das amostras que serviram de base para o cálculo dos índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada na base de dados do INE. 


3 – Balança Comercial


De acordo com os dados disponíveis, o défice da balança comercial de mercadorias no primeiro semestre de 2026 aumentou +18,4% face ao semestre homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 72,5% para 69,4%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as ‘importações‘ originárias dos países terceiros), com um aumento em valor de +6,3%, terão registado um acréscimo em volume de +6,6% e um decréscimo em preço de -0,2%.

O aumento em valor de +1,7% verificado nas exportações terá resultado de um acréscimo em volume de +2,9%, com o preço a decrescer -1,1%,.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2026 situa-se em -14,9 mil milhões de Euros, contra -18,3 mil milhões em termos globais.

Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações sobe, em 2026,  de 69,4%, em termos globais, para 72,2%.

Numa análise por Grupos de Produtos, em 2026 o saldo da Balança Comercial de mercadorias, no período em análise, foi positivo em três dos onze grupos de produtos considerados, designadamente “Madeira, cortiça e papel” (+1096 milhões de Euros), “Têxteis e vestuário” (+255 milhões) e “Calçado, peles e couros” (+110 milhões). Os grupos “Produtos acabados diversos” e “Aeronaves, embarcações e partes”, que em 2025 apresentaram saldos positivos (+182 e +54 milhões), registaram défices em 2026 (-45 e -179 milhões de Euros). 


4 - Importações

Em 2026 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total), “Químicos” (17,0%), “Agro-alimentares” (15,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (13,7%) e “Energéticos” (10,1%).


Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6%), “Produtos acabados diversos” (6,3%), “Têxteis e vestuário” (4,5%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%), “Calçado, peles e couros” (1,7%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

A maior taxa de variação em Valor coube ao grupo “Energéticos” (+19,6%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (+15,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (+10,1%), “Produtos acabados diversos” (+6,9%), “Minérios e metais” (+6,2%). “Calçado, peles e couros” (+3,5%), “Agro-alimentares” (+2,9%) e “Têxteis e vestuário” (+0,9%). Incidiram decréscimos nos grupos “Químicos” (-7,1%) e “Madeira, cortiça e papel” (-3,3%). 

Em Volume, foram positivas as taxas de variação em todos os grupos de produtos à excepção de “Químicos” (-6,7%) e “Madeira, cortiça e papel” (-1,2%), tendo-se destacado nos acréscimos o grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+16,5%), seguido de “Material de transporte terrestre e partes” (+14,2%), “Produtos acabados diversos” (+9,4%), “Calçado, peles e couros” (+8,9%), “Energéticos” (+8,3%), “Têxteis e vestuário” (+6,3%), “Minérios e metais” (+4,5%) e “Agro-alimentares” (+3,2%).

 Em Preço, foram negativas as taxas de variação em todos os grupos de produtos â excepção de “Energéticos” (+10,5%) e “Minérios e metais” (+1,7%). Os decréscimos couberam, por ordem decrescente, aos grupos “Têxteis e Vestuário” (-5,0%), “Calçado, peles e couros” (-4,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (-3,6%), “Produtos acabados diversos”    (-2,3%), “Madeira, cortiça e papel” (-2,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-0,9%) Químicos” (-0,5%) e “Agro-açlimentares” (-0,3%). 


5 – Exportações

Em 2026, no período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (16,5%), “Agro-alimentares” (14,0%), “Químicos” (13,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5%) e “Minérios e metais” (11,2%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (8,9%), “Têxteis e vestuário” (7,1%), “Energéticos” (6,5%), “Madeira, cortiça e papel” (6,3%), “Calçado, peles e couros” (2,7%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

Em 2026 verificaram-se decréscimos em Valor, face ao período homólogo do ano anterior, nos grupos “Químicos” (-17,7%) e “Madeira, cortiça e papel” (-1,2%). O maior acréscimo verificou-se no grupo “Minérios e metais” (+18,6%), seguido dos grupos “Energéticos” (+15,8%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+9,2%), Têxteis e vestuário” (+3,4%), “Calçado, peles e couros” (+2,3%), “Agro-alimentares” (+1,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (+1,0%) e “Produtos acabados diversos” (+0,3%).

Em Volume o principal decréscimo ocorreu no grupo “Químicos” (-15,2%), seguido a grande distância pelos grupos “Energéticos” (-2,1%). O maior acréscimo coube ao grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+16,3%), seguido dos grupos “Minérios e metais” (+10,2%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+9,1%), “Calçado. peles e couros” (+4,9%), “Têxteis e vestuário” (+4,6%), “Agro-alimentares” (+2,4%), “Madeira, cortiça e papel” (+1,9%) e “Produtos acabados diversos” (+1,8%).

No âmbito do Preço verificaram-se decréscimos em todos os grupos de produtos à excepção de “Energéticos” (+18,3%), “Minérios e metais” (+7,7%) e “Máquinas, aparelhos e partes” (+0,1%). O maior decréscimo coube ao grupo “Material de transporte terrestre e partes”          (-13,2%), seguido de “Madeira, cortiça e papel” (-3,1%), “Químicos” (-2,9%), “Calçado, peles e couros” (-2,5%), “Produtos acabados diversos” (-1,5%), “Têxteis e vestuário” (-1,2%), e “Agro-alimentares” (-o,9%).


Alcochete, 1 de Setembro de 2026.


ANEXO




segunda-feira, 17 de agosto de 2026

 

Comércio Internacional

 de Portugal com Moçambique

2024-2025

Janeiro-Maio 2025-2026

( disponível para download  >> aqui )


1 - Nota introdutória

Analisa-se neste trabalho a evolução do comércio externo de mercadorias de Portugal com Moçambique ao longo do período 2024-2025 e Janeiro-Maio 2025-2026, com base em dados de fonte “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), em versão definitiva até 2024 e preliminar para 2025 e 2026, com última actualização em 10 de Julho de 2026.

Moçambique é um dos estados-membros da “Southern Africa Development Community - SADC”, Comunidade de Desenvolvimento da África Austral que integra dezasseis países: Africa do Sul, Angola, Botsuana, Comores, Esuatini (a antiga Suazilândia), Lesoto, Madagáscar, Malaui, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Congo (RD), Seicheles, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabuè. Organização criada em 1992, na sequência do fim do apartheid na África do Sul, sucedeu à SADCC, esta criada em 1980 por nove dos actuais membros da SADC, tendo entre os seus objectivos aprofundar a cooperação económica e estimular o comércio de produtos e serviços entre os seus membros.

A África do Sul é o principal parceiro de Moçambique no âmbito desta organização, tendo em 2025, de acordo com dados da publicação “Estatísticas do Comércio Externo de Bens – Moçambique  2025” representado 90,6% do Total das suas importações e 70,5% das exportações. A África do Sul terá ocupado em 2025 a primeira posição nas importações moçambicanas, com 27,7% do Total, e o segundo lugar nas exportações, com 12,6%, depois da Índia (20,6%). Em 2025 Portugal terá pesado 2,2% nas importações moçambicanas e 0,5% nas exportações.

2 – Comércio Internacional de Portugal com Moçambique                           2024-2025 e Janeiro-Maio 2025-2026

Após um comportamento algo irregular entre 2010 e 2013, ano em que atingiram 63 milhões de Euros, no período de 2014 a 2021 as importações portuguesas de mercadorias com origem em Moçambique mantiveram-se numa faixa compreendida entre 35 e 41 milhões de Euros. Após uma subida acentuada em 2022, quando atingiram 59 milhões de Euros, decresceram sucessivamente nos anos seguintes, descendo em 2024 e 2025 a 26 milhões de Euros, abaixo do nível que detinham em 2010. Por sua vez as exportações, que entre 2010 e 2015, numa subida sustentada haviam crescido de 151 para 355 milhões de Euros, decresceram acentuadamente a partir de então, mantendo-se nos anos seguintes num patamar entre 167 e 223 milhões de Euros.


2.1 – Balança Comercial                                                                                     2024-2025 e Janeiro-Maio 2025-2026

A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Moçambique foi favorável a Portugal nos dois últimos anos e primeiros cinco meses de 2026, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações.

O saldo anual da Balança Comercial desceu -25,6% de 2024 para 2025, situando-se em 141 milhões de Euros. No período de Janeiro a Maio de 2026, face ao período homólogo do ano anterior, o saldo subiu de 50 para 60 milhões de Euros (+19,3%).

 2.2 – Importações

Nos primeiros cinco meses de 2026 as principais importações com origem em Moçambique centraram-se no grupo “Agro-alimentares” (89,5% e 80,9% em 2025), em sua grande parte   crustáceos, tabaco não manufcturado, moluscos e semelhantes, cocos e cajú. Alinhou-se depois, com muito menor peso, o grupo “Minérios e metais” (7,8% e 12,7%, respectivamente), com destaque para os fios de alumínio.

No quadro seguinte encontram-se discriminados, por grupos de produtos, desagregados a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4), os principais produtos importados nos primeiros cinco meses de 2026 e correspondentes valores no ano anterior.

2.3 – Exportações

No período de Janeiro a Maio de 2026 os grupos de produtos com maior peso no Total ds exportações foram “Químicos” (29,0% e 23,9% no período homólogo de 2025), com destaque para os medicamentos e reagentes de diagnóstico e de laboratório, “Agro-alimentares” (26,3% e 24,8% em 2025), com destaque para as conservas de peixe, preparações alimentícias diversas, azeite e vinhos, “Máquinas, aparelhos e partes” (24,4% e 27,3%), muito diversificados, principalmente fios e cabos eléctricos, máquinas de impressão, refrigeradores e congeladores, quadros eléctricos, torneiras e válvulas.


Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (6,8% e 9,2%), “Produtos acabados diversos” (4,6% e 8,2%), “Madeira, cortiça e papel” (3,7% e 3,8%), “Têxteis e vestuário” (2,1% e 2,4%), “Energéticos” (1,6% e 1,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,4% e 1,8%), “Calçado, peles e couros” (0,3% e 0,6%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (exportação praticamente nula nos dois anos)-

No quadro seguinte encontram-se discriminados, por grupos de produtos, os principais produtos exportados definidos a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).

Alcochete, 16 de Agosto de 2026.

 

ANEXO




quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro-Junho 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Junho de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Junho de 2026 e 2025, em versões preliminares, com última actualização em 7 de Agosto de 2026, as exportações de mercadorias cresceram, em termos homólogos, +1,7% (+706 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +6,3% (+3551 milhões). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um acréscimo de +1,7% (+490 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +1,9% (+217 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +5,1% (+2187 milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +10,2% (+1364 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +18,4% face a 2025, situou-se em -18268 milhões de Euros (superior em -2845 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de -1698 milhões no comércio intracomunitário e de -1147 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 72,5% em 2025, para 69,4% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Junho o valor médio de importação do petróleo bruto subiu de 517 Euros/Ton, em 2025, para 607 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 818 Euros/Ton).

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Julho).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 10,1% no total das importações em 2026 e 6,5% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 69,4% no comércio global, para 72,2%.


2 – Evolução mensal



3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Junho de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 72,3% do Total, cresceram +1,7%, contribuindo com +1,2 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de +1,7%. As exportações para o espaço extracomunitário, 27,7% do Total, cresceram +1,9%, contribuindo com   +0,5 p.p. para a taxa de evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,2%), a Alemanha (12,2%), a França (12,1%), os EUA (5,3%), a Itália (4,6%), o Reino Unido/Irl NT (4,2%), os Países Baixos (3,5%), a Bélgica (2,8%), a Polónia (1,7%) e as Provisões de Bordo para Terceiros (1,6%), países que representaram 74,2% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de                                            +10,7% nas nossas exportações (+54,6 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Agro-alimentares” (+16,8 milhões), “Químicos” (+15,1 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+10,6 milhões), “Produtos acabados diversos” (+9,4 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+7,0 milhões), “Têxteis e vestuário” (+1,1 milhões), “Calçado, peles e couros” (+885 mil Euros) e “Minérios e metais” (+696 mil Euros).  Os decréscimos incidiram nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (-5,9 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,1 milhões) e “Energéticos” (-22 mil Euros). 

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (+1,7%) pertenceram à Espanha (+0,9 p.p.), seguida da França e da Turquia (+0,4 p.p. cada), das Provisões de Bordo Extra-UE e da  China (+0,3 p.p. cada) e de Marrocos, Provisões de Bordo Intra-UE, Cabo Verde e Suécia (+0,2 p.p. cada). Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-1,8 p.p.), seguida dos EUA (-1,0 p.p.), do Reino Unido/Irl.NT (-0,2 p.p.) e do Canadá (-0,1 p.p.).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram em Espanha (+369 milhões de Euros), França (+169 milhões), Finlândia (+98 milhões), Provisões de bordo (+82 milhões), Suécia (+65 milhões), Itália (+64 milhões), Polónia (+60 milhões) e Países Baixos (+54 milhões).

O principai decréscimo coube à Alemanha (-728 milhões de Euros), seguida da Estónia (-8 milhões) e de Chipre (-6 milhões).


No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se a Turquia (+155 milhões), as Provisões de Bordo (+140 milhões), a China (+126 milhões), Marrocos (+94 milhões), Cabo Verde (+68 milhões), Brasil (+59 milhões), Angola (+55 milhões), Togo (+54 milhões), Ilhas Virgens EUA (+53 milhões) e Nigéria (+52 milhões). Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-388 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido/Irl.NT (-95 milhões), Ucrânia (-63 milhões), Arábia Saudita Panamá (-46 milhões), Austrália (-45 milhões), Taiwan (-38 milhões) e Arábia Saudita (-37 milhões).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 75,2% do total, registaram um acréscimo de +5,1%, com um contributo para o resultado global de +3,9 p.p.. As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +10,2%, representando 24,8% do total, com um contributo de +2,4 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,1% do Total), seguida da Alemanha (12,2%), dos Países Baixos (7,8%), da França (7,2%), da China (5,2%), da Itália (4,9%), do Brasil (3,8%), da Bélgica (3,1%), dos EUA (2,3%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 80,3% do total das importações.

Em Janeiro-Junho de 2026, entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações (+6,3%), destacaram-se a Espanha (+2,4 p.p.), os Países Baixos (+2,2 p.p.), o Brasil (+1,4 p.p.), a Alemanha (+1,3 p.p.), a China (+0,7 p.p.), a França (+0,4 p.p.), os EUA e Taiwan (+0,2 p.p. cada), Marrocos e Azerbaijão (+0,1 p.p. cada). Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,3 p.p.), na Argélia (-0,5 p.p.), na Turquia e Hungria (-0,2 p.p. cada), e na Nigéria, Bélgica e Suíça (-0,1 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros.



4 – Saldos da Balança Comercial       

No período em análise os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irl.NT (+1155 milhões de Euros), aos EUA (+821 milhões), à França (+697 milhões), a Angola (+449 milhões) e a Marrocos (+271 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-8311 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-3188 milhões), da China (-2687 milhões), da Alemanha (-2240 milhões) e do Brasil (-1710 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +576 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e +83 milhões), “Químicos” (13,5% e -1197 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5% e +50 milhões) e “Minérios e metais” (11,2% e +725 milhões).

Seguiram-se os grupos e “Produtos acabados diversos” (8,9% e +12 milhões), “Têxteis e vestuário” (7,1% e +96 milhões de Euros), “Energéticos” (6,5% e +364 milhões), “Madeira cortiça e papel” (6,3% e -32 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,7% e +25 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e +5 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Junho de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total e +1547 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (17,0% e -780 milhões, “Agro-alimentares” (15,2% e +256 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (13,7% e +752 milhões) e “Energéticos” (10,1% e +987 milhões). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6% e +303 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +240 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,5% e +26 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -51 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +34 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e +238 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

No período em análise, entre os mercados de destino, a Espanha ocupou a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 26,2% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois das Provisões de Bordo para Países Terceiros), “Calçado, peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França).

Seguiram-se no “ranking” a Alemanha (12,2%), a França (12,1%), os EUA (5,3%), a Itália (4,6%), o Reino Unido (4,2%), os Países Baixos (3,5%), a Bélgica (2,8%), a Polónia (1,7%) e as Provisões de Bordo para Países Terceiros (1,6%).

Estes dez destinos representaram 74,2% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,1% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, depois da França, Brasil  e Alemanha).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,2%), os Países Baixos (7,8%), a França (7,2%), a China (5,2%), a Itália (4,9%), o Brasil (3,8%), a Bélgica (3,1%), os EUA (2,3%) e a Polónia (1,7%),

Estes dez países cobriram 80,3% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026           face a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 10 de Agosto de 2026.

ANEXO