segunda-feira, 13 de abril de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro a Fevereiro de 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Fevereiro de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Fevereiro de 2026 e 2025, em versões preliminares, com última actualização em 12 de Março de 2026, as exportações de mercadorias em 2026 decresceram -14,5% em termos homólogos (-2,1mil milhões de Euros). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um decréscimo de -14,5%  (-1,5 mil milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um decréscimo também de -14,5% (-539 milhões).

Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) decresceram -2,8% (-379 milhões) e as originárias dos Países Terceiros decairam -9,2% (-408 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +33,8% face a 2025, situou-se em -5071 milhões de Euros (superior em 1282 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1151 milhões no comércio intracomunitário e de 131 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 80,3% em 2025, para 70,7% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. Em Fevereiro de 2026 o preço de importação do petróleo bruto desceu de 591 Euros/Ton em 2025, para 428 Euros/Ton. 

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média do mês de Fevereiro).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 8,2% no total das importações em 2026 e 4,7% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 70,7% no comércio global, para 73,4%.


2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Fevereiro de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 74,1% do Total, decresceram -14,5%, contribuindo com -10,7 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de -14,5%.

As exportações para o espaço extracomunitário, 25,9% do Total, decresceram-14,5%, contribuindo com -3,8 p.p. para a evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,4%), a França (13,0%), a Alemanha (12,4%), a Itália (4,8%), os EUA (4,6%), o Reino Unido incl. Irlanda NT (4,0%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,7%), a Polónia (1,7%) e Marrocos (1,5%), países que representaram 74,7% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um decréscimo de -6,6% nas nossas exportações (-11,3 milhões de Euros).

Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Aeronaves, embarcações e partes” (+6,6 milhões de Euros), “Energéticos” (+802 mil Euros), “Produtos acabados diversos” (+401 mil Euros)  e  “Calçado, peles e couros” (+219 mil Euros). 

Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Minérios e metais” (-6,5 milhões),  “Agro-alimentares” (-4,6 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (-3,9 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (-2,7 milhões). 

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (-14,5%) pertenceram a Marrocos, Cabo Verde e China (+0,2 p.p. cada), e à China, Brasil e Hungria (+0,1 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-8,1 p.p.), seguida da Espanha (-2,0 p.p.), dos EUA (-1,3 p.p.), do Reino Unido/Irlanda NT (-1,0 p.p.), de Gibraltar (-0,5 p.p.)., da Bélgica, Prov.Bordo p/Terceiros e Israel (-0,3 p.p. cada), e da Fraança e Países Baixos (-0,2 p.p. cada).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram na Finlândia (+70 milhões de Euros) e na Hungria (+10 milhões).

Os principais decréscimos couberam Alemanha (-1165 milhões de Euros), seguida da Espanha (-287 milhões), da Bélgica (-48 milhões), da França (-33 milhõrs), dos Países Baixos (-29 milhões) e da Irlanda (-26 milhões).



No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se Marrocos (+29 milhões de Euros), Cabo Verde (+25 milhões), a China (+23 milhões), as Ilhas Virgens e a Suíça (+17 milhões cada), Ceuta (+12 milhões) e Brasil (+11 milhões).

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-188 milhões de Euros), o Reino Unido/Irlanda NT (-144 milhões), Gibraltar (-67 milhões), as Provisões de Bordo (-43 milhões), o Panamá e Israel (-37 milhões).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 76,7% do total, registaram um decréscimo de -2,8%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um decréscimo de -9,2%, representando 23,3% do total, com um contributo para o resultado global de -2,3 p.p..

O principal mercados de origem das importações em 2026 foi a Espanha (33,2% do Total), seguida da Alemanha (12,7%), da França (7,7%), dos Países Baixos (7,0%), da China (5,2%), da Itália (5,0%), do Brasil (3,8%), da Bélgica (3,2%), dos EUA (1,8%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 81,3% do total das importações.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações em Janeiro-Fevereiro de 2026 (-4,4%), destacaram-se o Brasil (+1,3 p.p.), os Países Baixos (+1,1 p.p.), a Alemanha (+0,5 p.p.), a Dinamarca (+0,2 p.p.), e o conjunto da Eslováquia, Azerbaijão, Áustria, Coreia SL e Marrocos  (+0,1 p.p. cada). Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-3,0 p.p.), Argélia (-0,6 p.p.), EUA (-0,5 p.p.), Itália e Nigéria (-0,4 p.p. cada), R.Unido/Irl NT (-0,3 p.p.), Nigéria (-0,4 p.p.), China e Turquia (-0,2 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre Janeiro-Fevereiro de 2026 e de 2025.



4 – Saldos da Balança Comercial       

Em Janeiro-Fevereiro de 2026, os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irlanda NT (+322 milhões), à França (+258 milhões), aos EUA (+257 milhões de Euros), a Angola (+152 milhões) e a Marrocos (+100 milhões)

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-2513 milhões de Euros), seguida da China (-774 milhões), dos Países Baixos (-771 milhões), da Alemanha (-690 milhões) e do Brasil (-475 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (17,0% e +47 milhões de Euros face ao ano antterior), “Agro-alimentares” (14,2% e -109 milhões), “Químicos” (13,4% e -1447 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (11,8% e -140 milhões), “Minérios e metais” (11,1% e +50 milhões) e “Produtos acabados diversos” (9,6% e -52 milhões). Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (7,7% e -42 milhões de Euros), “Madeira cortiça e papel” (6,4% e -81 milhões), “Energéticos” (4,7% e -283 milhões), “Calçado, peles e couros” (3,2% e -14 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e diferença nula face ao ano anterior).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Fevereiro de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total e +144 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (17,4% do Total e -540 milhões, “Agro-alimentares” (15,8% e +57 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (13,5% e +15 milhões. Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,9% e -35 milhões), “Energéticos” (8,2% e ‑355 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,5% e +11 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,8% e -84 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,7% e -59 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,8% e -18 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,0% e +77 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Fevereiro de 2026 a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 26,4% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (3ª posição depois das Provisões de Bordo e Países Baixos), “Calçado, peles e couros” (3ª posição, depois da França e da Alemanha), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França).

Seguiram-se no “ranking” a França (13,0%), a Alemanha (12,4%), a Itália (4,8%) os EUA (4,6%), o R.Unido/Irl NT (4,0%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,7%), a Polónia (1,7%) e Marrocos (1,5%).

Estes dez destinos representaram 74,7% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 33,2% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3º lugar, depois do Brasil e da França).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,7%), a França (7,7%), os Países Baixos (7,0%), a China (5,2%), a Itália (5,0%), o Brasil (3,8%), a Bélgica (3,2%), os EUA (1,8%) e a Polónia (1,7%).

Estes dez países cobriram 81,3% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026                       face a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 13 de Abril de 2026.

 

ANEXO



sexta-feira, 3 de abril de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Séries Anuais (2021-2025)

 

Comércio Internacional de Mercadorias
- Séries Anuais -
(2021-2025)
Evolução Global
Grupos e Subgrupos de Produtos
Índices de Valor, Volume e Preço
Principais mercados

                                              (disponível para download  >> aqui )

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Introdução

Os dados de base utilizados neste trabalho foram extraídos do Portal do INE, correspondendo a versões definitivas até 2024 e preliminar para 2025.

Em todos os anos a União Europeia é aqui considerada com os seus actuais 27 Estados-membros (Reino Unido/Irlanda NT, excluído).

Para a análise da evolução das importações e das exportações de produtos definidos a 8 dígitos na Nomenclatura Combinada (NC) em uso na União Europeia, estes foram agregados, em cada uma das vertentes comerciais, em 11 grupos, por sua vez subdivididos num total de 38 subgrupos (Definição do conteúdo dos grupos e subgrupos em ANEXO).

Pretendeu-se com esta agregação encontrar uma aproximada homogeneidade entre o tipo de produtos que constituem cada subgrupo, por forma a permitir um cálculo mais consistente de índices de preço de Paasche, que são aqui apresentados para o período 2021-2025.

A metodologia utilizada para o cálculo destes índices assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos produtos que integram cada subgrupo, cujos índices são posteriormente ponderados para o cálculo do índice do respectivo grupo, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do Total.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos definidos a 8 dígitos com movimento em dois anos consecutivos, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entrem na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice aparentemente anormal.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo, incluindo-se na amostra o conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.

Os índices de preço deste trabalho foram calculados com base em versões anuais preliminares, tendo em atenção as alterações pautais anuais habitualmente introduzidas. Mostra a experiência que estes índices, quando calculados com base em versões definitivas são na generalidade muito próximos ou mesmo coincidentes.

1 - Evolução Global




2 - Evolução por Grupos de Produtos



2.1 – Balança Comercial por Grupos de Produtos







        2.2 - Índices de variação anual em Valor, Volume e Preço                             por Grupos de Produtos


2.3 – Os 10 principais mercados de origem em 2024                                        por Grupos de Produtos e sua evolução desde 2020

2.3.1 - Importação


2.3.2 - Exportação


3 – Evolução por Subgrupos de Produtos

3.1 – Importação

3.1.1 – Valor (milhões de Euros)


 3.1.2 – Taxas de variação anual homóloga                                                            por Subgrupos de Produtos


3.1.3 – Estrutura dos Subgrupos de Produtos face ao Grupo [%]

3.2 – Exportação

3.2.1 – Valor (milhões de Euros)


3.2.2 – Taxas de variação anual homóloga                                                           por Subgrupos de Produtos

3.2.3 – Estrutura dos Subgrupos de Produtos face ao Grupo  


4 - Índices de variação anual homóloga em Valor,                                        Volume e Preço por subgrupos de produtos

4.1 – Importação


4.2 – Exportação



Alcochete, 2 de Abril de 2026.

ANEXO