domingo, 28 de junho de 2026

Comércio Internacional de Portugal com os PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - 2021-2025

 

Comércio Internacional de Portugal com os PALOP
(Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa)
2021-2025

( disponível para download  >> aqui )

1 - Introdução

Analisa-se neste trabalho a evolução do Comércio internacional de mercadorias de Portugal com os “Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa” (PALOP), ex-Colónias, no seu conjunto e individualmente, no período 2021-2025, com base em dados divulgados pelo “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), em versões definitivas até 2024 e preliminar para 2025, com última actualização em 9-6-2026.

2 – Conjunto dos PALOP

O peso do conjunto dos PALOP na importação e exportação anual de mercadorias de Portugal com o conjunto dos Países Terceiros foi tendencialmente decrescente entre 2021 e 2025.

No quadro seguinte pode observar-se a evolução do peso relativo de cada um dos países componentes no Total das importações e das exportações de Portugal com os PALOP entre 2021 e 2025.

Entre 2021 e 2025 Angola ocupou a primeira posição em ambas as vertentes, seguida, entre os principais, de Moçambique e Cabo Verde nas importações, e de Cabo Verde e Moçambique nas exportações.

Os gráficos seguintes mostram o ritmo de evolução anual das importações e exportações de Portugal com o conjunto dos PALOP e com cada um dos seus componentes entre 2021 e 2025.

2.1– Balança Comercial

No período em análise a Balança Comercial foi favorável a Portugal, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações.

O saldo da balança aumentou sustentadamente entre 2021 e 2023 (de 1,5 para 1,7 mil milhões de Euros), estabilizando praticamente em 2024, para decrescer em 2025 para 1,5 mil milhões). 


No período em análise, o peso dos PALOP no Comércio Internacional global de Portugal teve o seu ponto mais alto nas importações em 2022 (0,6%, com 0,2% em 2025), e também nas exportações (2,8%, com 2,3% em 2025).

2.2– Importação

As posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8) foram aqui agregadas, nas duas vertentes comerciais, em 11 grupos de produtos (ver Anexo).

A importação portuguesa com origem no conjunto dos cinco PALOP tem como forte componente o grupo “Energéticos”, centrado em Angola e constituído por óleos brutos do petróleo, que representou 71,9% do Total em 2025, e 52,7% no ano anterior

Seguiu-se o grupo “Agro-alimenares” com 19,4% do Total (27,9% no ano anterior).

Com pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos“Minérios e metais” (2,2%, com 3,6% em 2024), Têxteis e vestuário” (1,7% e 5,0%), “Produtos acabados diversos” (1,5% e 2,8%), “Calçado, Peles e couros” (1,1% e 2,0%), “Madeira, cortiça e papel” (1,0% e 4,2%), “Máquinas, aparelhos e partes” (0,8% e 1,2%), “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% e 0,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,1% e 0,2%) e “Químicos” (0,1% nos dois anos).



2.3 – Exportação

Na Exportação, bem mais diversificada em produtos, destacaram-se em 2025 os grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (24,4% e 23,7% em 2024), “Agro-alimentares” (24,0% e 23,1%) e Químicos” (16,8% e 16,7%).

Seguiram-se, entre os principais, os grupos “Produtos acabados diversos” (11,8% e 9,0%) e “Minérios e metais” (11,2% em ambos os anos) 

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,6% e 3,4%), “Energéticos” (3,3% e 6,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (2,3% e 2,7%), “Têxteis e vestuário” (1,9% e 1,2%), “Calçado, peles e couros” (0,5% e 0,6%),  e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,5% em2024).



Segue-se uma análise da evolução das importações e das exportações de Portugal com cada um dos países que integram os PALOP, no período 2021-2025.

3 - Angola

3.1 - Balança Comercial

Ao longo do período em análise foi favorável a Portugal a Balança Comercial com Angola, com saldos compreendidos entre 800 mil e 1000 milhões de Euros. Em 2025, face ao ano anterior, o saldo desceu de 932,3 para 857,2 milhões de Euros.

3.2 – Importação

A principal importação portuguesa com origem em Angola incide no grupo de produtos “Energéticos”, essencialmente constituída por petróleo bruto, tendo representado 83,1% do Total em 2025, contra 73,6% em 2024.

Seguiu-se o grupo “Agro-alimentares” (12,7%, com 17,8% no ano anterior) e, com pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (1,2% e 2,3%), “Madeira, cortiça e papel” (1,2% e 2,3%), “Minérios e metais” (1,1% e 2,7%),  “Máquinas, aparelhos e partes” (0,4% e 0,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% e 0,1%) e “Material de transporte terrestre” (0,2% e 0,2%). Foram paticamente nulas, ou mesmo nulas, as importações dos grupos de produtos “Químicos”, Têxteis e vestuário” e “Calçado, peles e couros”.



3.3 – Exportação

As principais exportações portuguesas com destino a Angola em 2025 couberam aos grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (29,3%, com 28,5% no ano anterior), “Agro-alimentares” (19,0% e 10,0%) e “Químicos” (17,3% e 17,6%), “Produtos acabados diversos” (13,7% e 10,0%) e “Minérios e metais” (11,0% e 11,9%). Com pesos inferiores seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,4% e 3,3%), “Material de transporte terrestre e partes” (2,2% e 2,3%), “Energéticos” (1,9% e 2,5%), “Têxteis e vestuário” (1,7% e 2,2%), “Calçado, peles e couros” (0,5% e 0,6%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,6%).

4 – Cabo Verde

4.1 - Balança Comercial

Em 2025 as importações portuguesas com origem em Cabo Verde (9,7 milhões de Euros) ocuparam a terceira posição no conjunto dos PALOP, depois de Angola e Moçambique, com 3,6% do Total, tendo registado um decréscimo de -7,2% face ao ano anterior.

Por sua vez, as exportações (365,5 milhões de Euros) ocuparam a segunda posição no conjunto dos PALOP, depois de Angola, com 20,4% do Total, o que representou um decréscimo de -6,7% face a 2024.

A Balança Comercial de mercadorias, favorável a Portugal, registou em 2025 um saldo positivo de +355,8 milhões de Euros, o que correspondeu um decréscimo de -6,7% face ao ano anterior.

4.2 – Importação

Em 2025 as principais importações incidiram nos grupos de produtos “Têxteis e vestuário” (44,5% do Total com 51,2% em 2024), “Calçado, peles e couros” (29,1% e 25,3%) e “Produtos acabados diversos” (11,3% e 11,9%).  


Seguiram-se os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (4,8% e 2,6%), “Agro-alimentares” (3,2% e 4,0%), “Energéticos” (3,1% e 1,1%) e “Minérios e metais” (2,5% e 2,8%).

Com pesos inferiores a 1,0% alinharam-se depois os grupos “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e 0,2%), “Madeira, cortiça e papel” (0,4% e 0,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,3% e 0,7%) e “Químicos” (0,2% e 0,1%).

Na figura seguinte relacionam-se os principais produtos importados, por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2).

4.3 – Exportação

Em 2024 as principais exportações couberam aos grupos “Agro-alimentares” (31,2% e 28,3%), “Máquinas, aparelhos e partes” (16,4% e 13,7%), “Minérios e metais” (15,9% e 14,2%) e “Químicos” (15,3% e 14,4%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,4% e 8,3%), “Madeira, cortiça e papel” (5,0% e 4,5%), “Têxteis e vestuário” (2,8% nos dois anos), “Material de transporte terrestre e partes” (2,7% e 2,1%), “Calçado, peles e couros” (0,7% e 0,6%), “Energéticos”(0,5% e 10,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,2%).



5 – Guiné-Bissau

5.1 - Balança Comercial

No período em análise a Balança Comercial de mercadorias com a Guiné-Bissau foi favorável a Portugal, com elevadíssimos graus de cobertura das exportações sobre as importações. Em 2025 as importações cifraram-se em escassos 24 mil Euros, contra 350 mil euros no ano anterior. Por sua vez, as exportações situaram-se em 99,5 milhões de Euros (-17,6% face ao ano anterior).

5.2 – Importação


Em 2025 a principais importações incidiram nos grupos “Agro-alimentares” (52,7%, com 58,1% em 2024), “Energéticos” (4,7%, com importação nula no ano anterior) e “Minérios e metais” (2,6 e 0,7% em 2024). Nos restantes grupos de produtos registaram-se importações nulas, ou praticamente nulas num dos anos e com valor pouco significativo no outro, à excepção de “Máquinas, aparelhos e partes” (0,0% e 28,8% em 2024), principalmente “bulldozeres”, máquinas de nivelamento, terraplanagem e semelhantes.

5.3 – Exportação


Em 2025 os principais grupos de produtos nas exportações portuguesas para a Guiné-Bissau foram “Agro-alimentares” (38,2% e 31,6% em 2024), seguido de “Energéticos” (34,1% e 45,5%), “Químicos” (4,5% e 3,6%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (6,9% e 6,0 %), “Químicos” (6,1% e 4,5%),“Máquinas, aparelhos e partes” (6,0% e 5,6%), “Minérios e metais” (4,7% e 2,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,8% nos dois anos), “Madeira cortiça e papel(1,1% também em ambos os anos), “Têxteis e vestuário” (1,0% e 0,7%), “Calçado, peles e couros” (0,2% e 0,1%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,5% em 2024).

6 – Moçambique

6.1 - Balança Comercial



A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Moçambique foi favorável a Portugal ao longo dos últimos cinco anos, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações. Ao longo do último quinquénio o saldo da Balança oscilou entre um mínimo de 167,3 milhões de Euros, em 2025, e um máximo de 222,6 milhões, em 2022.

6.2 - Importação


Pouco diversificadas, em 2025 as importações portuguesas de mercadorias com origem em Moçambique centraram-se no grupo de produtos “Agro-alimentares” (85,4% do Total, com 72,9% em 2024). Com pesos muito inferiores seguiram-se-lhe os grupos “Minérios e metais” (9,4% e 6,7 %), “Máquinas, aparelhos e partes” (2,7% e 1,8%), “Químicos” (0,7% e 0,2%), “Têxteis e vestuário (0,7% e 4,3%), “Produtos acabados diversos” (0,5% e 1,1%), ”Material de transporte terrestre e partes” (0,2% nos dois anos), “Energéticos” (0,2% e 0,0% em 2024), “Madeira, cortiça e papel” (0,1% e 12,7%), e com peso nulo ou quase nulo “Calçado, peles e couros” e “Aeronaves, embarcações e partes”.

6.3 - Exportação

Em 2025 os grupos de produtos com maior peso nas exportações foram “Químicos” (25,4% e 24,9% em 2024), “Máquinas, aparelhos e partes (24,9% e 30,4%) e “Agro-alimentares” (23,5% e 18,9%). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,1% e 8,0%), “Minérios e metais” (8,3% e 8,4%) e “Madeira. cortiça e papel” (3,6% e 3,1%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Têxteis e vestuário” (1,7% em ambos os anos), “Energéticos” (1,6% e 1,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,1% e 1,5%) e “Calçado, peles e couros” (0,6% e 1,1%), tendo o grupo “Aeronaves, embarcações e partes” exportação nula em 2025, com 0,6% no ano anterior.



7 – São Tomé e Príncipe

7.1 - Balança Comercial

As importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe após terem decrescido de 2,6 milhões de Euros, em 2021, para 575 mil euros, em 2023, aumentaram +60,0% em 2024 e +14,2% em 2025, atingindo 1,1 milhões de Euros. Por sua vez as exportações, que em 2022 tinham alcançado cerca de 66 milhões de Euros, decairam para 50,9 milhões no ano seguinte, para recuperarem o crescimento nos dois anos seguintes, situando-se em 64,4 milhões.

7.2 - Importação

Em 2025 as principais importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe incidiram nos grupos “Minérios e metais” (74,9% e 26,6%) e “Agro-alimentares” (19,6% e 58,1% na no anterior).

Seguiram-se os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (3,2% e 1,0%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,3% e importação nula em 2024), “Produtos acabados diversos” (0,7% e 0,1%), “Têxteis e vestuário” e “Calçado, peles e couros” (respectivamente com 0,3% e 0,2% em 2025 e importação nula em 2024), tendo sido nulas nos dois anos as importações de “Energéticos”, “Madeira, Cortiça e Papel”, e “Aeronaves, embarcações e partes”.



7.3 - Exportação

Em 2025 as principais exportações portuguesas para São Tomé e Príncipe couberam ao grupo de produtos “Agro-alimentares” (47,7%, com 44,1% em 2024), “Máquinas, aparelhos e partes” (15,0% e 19,9%) e “Químicos” (11,1% e 11,7%).

Alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (8,7% e 6,8%), “Minérios e metais” (5,5% e 6,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (4,3% e 4,2%), “Madeira, cortiça e papel” (3,1% e 2,8%), “Têxteis e vestuário” (2,8% e 2,7%), “Energéticos” (1,5% e 1,1%), “Calçado, peles e couros” (0,3% e 0,6%) e “Aeronaves, embarcações e partes”, (0,1% do Total em 2025, sem exportação no ano anterior).




Alcochete, 28 de Junho de 2026.


ANEXO


sábado, 20 de junho de 2026

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com Marrocos - 2023-2025 e Janeiro-Abril 2025-2026

 

Comércio Internacional de mercadorias

de Portugal com Marrocos

(2023-2025 e Janeiro-Abril 2025-2026)

                                          (disponível para download >> aqui )


1 – Introdução

Após uma breve abordagem ao comércio externo de mercadorias de Marrocos face ao Mundo nos três últimos anos, com base em cálculos do “International Trade Centre” (ITC) a partir de dados de base do “Office des Changes” de Marrocos, vai-se neste trabalho analisar a evolução do comércio internacional de Portugal com este país entre 2023 e 2025 e no período de Janeiro a Abril de 2025-2026, a partir de dados disponíveis na base de dados do “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), definitivos para 2023 e  2024  e preliminares para 2025 e 2026, com última actualização em 9 de Outubro de 2026.

As trocas comerciais de mercadorias de Portugal com Marrocos aumentaram substancialmente a partir de 2010. As importações, que nesse ano se situavam em 110 milhões de Euros, atingiram 534 milhões em 2025. Por sua vez as exportações aumentaram, no mesmo período, de 302 para 1058 milhões de Euros.

Marrocos ocupou uma posição importante entre os principais destinos das exportações portuguesas para os países extracomunitários ao longo dos últimos cinco anos e período de Janeiro a Abril de 2026, tendo-se situado na 4ª posição no ano de 2025 (5,4% do Total Extra-UE), precedido dos EUA, do Reino Unido/Irl NT e da Turquia, e na 5ª posição nos primeiros quatro meses de 2026 (4,8%), depois dos EUA, do Reino Unido/Irl NT, de Angola e do Brasil.

2 – Alguns dados sobre o ‘Comércio Externo’ de Marrocos

2.1 - Balança Comercial

A Balança Comercial de Marrocos face ao Mundo foi deficitária nos últimos três anos, com um saldo negativo a crescer de -26,1 mil milhões de Euros em 2023 para -33,4 mil milhões em 2025 e um grau de cobertura das importações pelas exportações de 57,2%, neste ano.


2.2 – Mercados de origem e de destino

De acordo com as estatísticas disponíveis, os principais mercados de origem das importações em 2025 foram a China (13,9% do Total), a Espanha (13,6%), os EUA (9,3%) e a França (9,0%), seguidos, entre os principais, pela Turquia (5,5%), Alemanha (5,3%), Itália (4,4%), Arábia Saudita (3,2%) e Portugal (2,3%).

No mesmo ano as principais exportações dirigiram-se para Espanha (21,5%) e França (19,0%).

Seguiram-se a Alemanha (5,3%), a Índia (5,1%), o Reino Unido (4,2%), a Itália (4,1%), os EUA (3,2%), o Brasil (2,6%), a Turquia (2,6%), os Países Baixos (2,1%), o Bangladesh (1,6%) e Portugal (1,5%), a par do Paquistão. 

2.3 – Importações por Grupos de Produtos e quotas de Portugal

No quadro seguinte consta a evolução das importações em Marrocos nos últimos três anos e as respectivas quotas de Portugal, por grupos de produtos definidos a dois dígitos da Nomenclatura (ver definição do conteúdo em Anexo).

Em 2023 as principais importações de Marrocos couberam ao grupo, “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total), seguido dos grupos “Agro-alimentares” (13,5%), “Energéticos” (13,1%), “Químicos(12,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (11,3%) e “Minérios e metais” (11,1%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (6,6%), “Têxteis e vestuário” (6,1%),  “Aeronaves, embarcações e partes” (2,9%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%) e “Calçado, peles e couros” (0,7%).

De acordo com as estatísticas marroquinas, em 2025 terão cabido a Portugal 2,3% das importações. As maiores quotas de Portugal nesse ano terão incidido nos grupos “Têxteis e vestuário” (6,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (4,9%), “Madeira, cortiça e papel” (4,3%) e “Calçado, peles e couros” (3,9%).

2.4 – Exportações por Grupos de Produtos e quotas de Portugal

Em 2025 as principais exportações de Marrocos incidiram nos grupos “Químicos” (21,5% do Total), “Máquinas, aparelhos e partes” (19,2%), “Agro-alimentares” (18,6%) e “Material de transporte terrestre e partes” (16,6%).

Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (8,7%), “Minérios e metais” (6,4%), “Aeronaves, embarcações e partes” (3,9%), “Produtos acabados diversos” (2,6%), “Energéticos” (1,1%), “Calçado, peles e couros” (0,9%) e “Madeira, cortiça e papel” (0,5%).

De acordo com as estatísticas marroquinas, em 2025 terão cabido a Portugal 1,5% das exportações globais. As maiores quotas nesse ano terão incidido nos grupos “Produtos acabados diversos” (3,8%), “Madeira, cortiça e papel” (3,7% do Total), “Calçado, peles e couros” (2,9%) e “Material de transporte terresrtre e partes” (2,8%), “Iêxteis e vestuário” e “Máquinas, aparelhos e partes” (1,7% cada) e “Agro-alimentares” (1,5%).

3 – Comércio de Portugal com Marrocos                                                        2023-2025 e Janeiro-Abril 2025-2026

3.1 - Balança Comercial

A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Marrocos foi favorável ao longo do período em análise, com saldos de +524 milhões de Euros em 2025 e +187,5 milhões nos primeiros quatro meses de 2026.



3.2 – Importações por Grupos de Produtos


Nos primeiros quatro meses de 2026 as principais importações incidiram nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (40,4% do Total e 44,1% no período homólogo de 2025) e “Máquinas, aparelhos e partes” (23,8% e 18,7% respectivamente). Seguiram-se os grupos “Químicos” (11,0% e 11,7%), “Produtos acabados diversos” (8,0% e 2,5%), “Têxteis e vestuário” (6,3% e 9,4%), “Agro-alimentares” (4,3% e 7,6%), “Minérios e metais” (3,5% e 2,8%), “Calçado, peles e couros” (1,3% e 1,9%) e “Madeira, cortiça e papel” (1,2% nos dois anos), sendo nulas ou praticamente nulas as importações dos grupos “Aeronaves, embarcações e partes” e “Energéticos”.

No quadro seguinte encontram-se relacionados, por Grupos de Produtos, os principais produtos importados no período de Janeiro a Abril de 2026, e correspondente valor no período homólogo do ano anterior, definidos a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).


3.3 – Exportações por Grupos de Produtos

No período de Janeiro a Abril de 2026 o grupo de produtos com maior peso nas exportações portuguesas para Marrocos foi “Máquinas, aparelhos e partes” (29,6% do Total e 31,9% no mesmo período do ano anterior).

Seguiram-se os grupos “Energéticos” (14,9% e 4,8%), “Agro-alimentares” (10,8% e 6,7%), Químicos” (10,8% e 11,9%), “Têxteis e vestuário” (7,9% e 9,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (7,4% e 11,7%), “Minérios e metais” (5,7% e 8,0%), “Produtos acabados diversos” (5,6% e 6,5%), “Madeira, cortiça e papel” (5,2% e 7,1%), “Calçado, peles e couros” (1,4% e 1,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e 0,1%).

No quadro seguinte encontram-se relacionados, por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados no período de Janeiro a Abril de 2026 e correspondente valor no período homólogo do ano anterior, definidos a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).



Alcochete, 18 de Junho de 2026.


ANEXO

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Índices de Valor, Volume e Preço por Grupos e Subgrupos de Produtos (Janeiro-Março 2026/2025)

 

Comércio Internacional
de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Março 2026/2025)

                                                
                                           (disponível para download  >> aqui )


1 - Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias por grupos e subgrupos de produtos, à excepção do grupo em que se inserem “Aeronaves, embarcações e partes”, calculados para o período acumulado de Janeiro a Março de 2026, a preços do período homólogo de 2025.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versões preliminares, com última actualização em 8 de Maio de 2026.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.

No caso presente foram desagregados por países e analisados os respectivos índices 122 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e 67 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se, por grupos de produtos, a representatividade das amostras globais em cada uma das vertentes comerciais, que serviram de base ao cálculo dos índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada na base de dados do INE. 


3 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis, o défice da balança comercial de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 aumentou +33,7% face ao trimestre homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 77,0% para 70,1%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as ‘importações‘ originárias dos países terceiros), com um aumento em valor de +2,7%, terão registado um acréscimo em volume de +7,0% e um decréscimo em preço de -4,0%.

A quebra em valor de -6,5% verificada nas exportações terá resultado de descidas em volume de -4,2% e de -2,4% em preço.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2026 situa-se em -7,1 mil milhões de Euros, contra -8,4 mil milhões em termos globais.

Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações sobe de 70,1%, em termos globais, para 72,6%.

Numa análise por Grupos de Produtos, em 2026 o saldo da Balança Comercial de mercadorias, no período em análise, foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, designadamente “Madeira, cortiça e papel” (+549 milhões de Euros), “Têxteis e vestuário” (+183 milhões), “Calçado, peles e couros” (+92 milhões) e “Produtos acabados diversos” (+74 milhões). O grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, que em 2025 apresentara um saldo positivo (+75 milhões), registou em 2026 um défice (-34 milhões de Euros).

4 - Importações

Em 2026 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (21,0% do Total), “Químicos” (16,6%), “Agro-alimentares” (15,3%) e “Material de transporte terrestre e partes” (14,0%).

Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6%), “Energéticos” (8,4%), “Produtos acabados diversos” (6,3%), “Têxteis e vestuário” (4,6%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%), “Calçado, peles e couros” (1,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7%).

A maior taxa de variação em Valor coube ao grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+20,0%), seguido de “Material de transporte terrestre e partes” (+7,6%), “Produtos acabados diversos” (+3,9%), “Agro-alimentares” (+3,1%) e “Minérios e metais” (+2,3%). Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Energéticos” (-10,8%) e “Químicos” (-9,3%), seguidos de “Madeira, cortiça e papel” (-4,3%), “Têxteis e vestuário” (-3,6%) e “Calçado, peles e couros” (-1,1%).

Em Volume, foram positivas as taxas de variação em todos os grupos de produtos à excepção de “Químicos” (-4,3%) e “Madeira, cortiça e papel” (-0,3%), tendo-se destacado o grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+22,7%), seguido de “Energéticos” (+9,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (+9,0%), “Calçado, peles e couros” (+8,2%), “Produtos acabados diversos” (+7,2%), “Têxteis e vestuário” (+4,9%), “Minérios e metais” (+2,8%), e “Agro-alimentares” (+1,8%),

Em Preço, foram negativas as taxas de variação em todos os grupos de produtos â excepção do grupo “Agro-alimentares” (+1,3%), com detaque para o grupo “Energéticos” (-18,4%), seguido de “Calçado, peles e couros” (-8,6%), “Têxteis e Vestuário” (-8,2%), Químicos” (-5,2%), “Madeira, cortiça e papel” (-4,0%), “Produtos acabados diversos” (-3,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-2,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,3%) e “Minérios e metais” (-0,5%).

5 – Exportações

Em 2026, no período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (16,8%), “Agro-alimentares” (14,0%), “Químicos” (13,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5%) e “Minérios e metais” (11,2%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,4%), “Têxteis e vestuário” (7,5%), “Madeira, cortiça e papel” (6,5%), “Energéticos” (5,1%), “Calçado, peles e couros” (3,0%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

Os principais decréscimos em Valor, face ao período homólogo do ano anterior, verificaram-se nos Grupos de Produtos “Químicos” (-37,1%) e “Energéticos” (-17,2%). Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (-3,5%), “Agro-alimentares” (-1,2%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Calçado, peles e couros” (-0,1%).

O maior acréscimo verificou-se no grupo “Minérios e metais” (+10,9%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (+6,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (+2,2%) e Têxteis e vestuário” (+0,5%).

Em Volume o principal decréscimo ocorreu no grupo “Químicos” (-34,5%), seguido a grande distância pelos grupos “Energéticos” (-5,5%), “Agro-alimentares” (-1,0%), “Madeira, cortiça e papel” (-0,5%) e “Produtos acabados diversos” (taxa praticamente nula).

O maior acréscimo coube ao grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+12,0%), a que se seguiram “Minérios e metais” (+6,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (+4,9%), Calçado. peles e couros” (+3,8%), e “Têxteis e vestuário” (+1,2%).

No âmbito do Preço verificaram-se decréscimos em todos os grupos de produtos à excepção de “Minérios e metais” (+3,9%), cabendo o maior decréscimo ao grupo “Energéticos” (-12,4%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (-4,8%), “Químicos” (-3,9%), “Calçado, peles e couros” (-3,7%), “Madeira, cortiça e papel” (-3,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (-2,6%), “Têxteis e vestuário” (-0,7%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Agro-alimentares” (-0,2%).


Alcochete, 13 de Junho de 2026.


ANEXO