sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Comércio Internacional de mercadorias Portugal-Índia 2021-2025 e Janeiro-Julho 2025-2026

 

Comércio Internacional de mercadorias

Portugal-Índia

2021-2025

  Janeiro-Julho 2025-2026  

   (disponível para download >> aqui)

1 – Introdução

A Índia, com uma população superior a 1,4 mil milhões de habitantes, idêntica à da China, compreende 28 “Estados” e 8 “Territórios da União”.

Os antigos territórios coloniais portugueses de Goa, Damão e Diu, e enclaves de Dadra e Nagar Aveli, que constituíam o então chamado “Estado Português da Índia”, estão agora integrados no “Conselho Zonal do Oeste” da Índia, órgão consultivo criado para promover a cooperação e a coordenação entre os Estados e Territórios da região ocidental do país, que compreende os Estados de Goa, Guzerate, Maarastra e os Territórios da União de Dadra e Nagar Aveli, Damão e Diu.

Ao longo do último quinquénio as importações anuais portuguesas de mercadorias com origem na Índia, após atingirem em 2022 um ‘crescimento’ de 131,0% face ao nível que detinham em 2021=100, desaceleraram até 2024, com 117,9%, tendo-se situado em 118,4% em 2025.

Por sua vez o ritmo de ‘crescimento’ das exportações, que aumentou até 2024, ano em que ultrapassou o ritmo das importações (126,0% contra 117,8%), desacelerou ligeiramente em 2025 (123,6%).

Faz-se neste trabalho uma análise da evolução do Comércio Internacional de Portugal com este país de 2021 a 2025, com base em versões definitivas do ‘Instituto Nacional de Estatística de Portugal’ (INE), e período de Janeiro a Julho de 2026, em versão preliminar, dados com última actualização a 9 de Setembro de 2026.

2 – Balança Comercial

Ao longo dos últimos cinco anos a Balança Comercial da Portugal com a Índia foi deficitária, com saldos da ordem dos -900 milhões de Euros nos últimos três anos, tendo-se o saldo situado em -449 millhões de Euros no período de Janeiro a Julho de 2026.

Nesse período, as importações terão decaído -4,0% face ao ano anterior e as exportações aumentado +8,5%, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a situar-se em 20,7%.

3 – Importação

No período em análise de 2026 a Índia ocupou a 7ª posição na importação portuguesa do conjunto dos Países Terceiros, com 3,3% do Total.



Nos primeiros sete meses de 2026, numa análise por Grupos de Produtos (ver Anexo), as principais importações com origem na Índia incidiram nos grupos “Têxteis e vestuário” (24,6% do Total em 2026 e 23,1% em 2025), “Químicos” (19,2% e 15,9%) “Máquinas, aparelhos e partes” (15,8% e 17,9%), “Agro-alimentares” (14,3% e 11,9%) e “Minérios e metais” (10,3% e 13,2%).

Seguiram-se os grupos “Calçado, peles e couros” (6,9% e 7,3%), “Material de transporte terrestre e partes” (3,9% e 2,4%), “Produtos acabados diversos” (2,9% e 2,8%), “Madeira, cortiça e papel” (2,0% e 1,3%), “Energéticos” (0,1% e 4,0%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (praticamente sem movimento em 2026 e 0,1% em 2025).

Na figura seguinte encontram-se relacionados, por Grupos de Produtos, os principais produtos importados no período em análise de 2026, e correspondentes valores em 2025, definidos a dois dígitos da Nomenclatura.

4 – Exportação

No período em análise de 2026 a Índia ocupou a 20ª posição na exportação portuguesa para o conjunto dos Países Terceiros, com 0,9% do Total, a par da Argélia.


Neste período as principais exportações para a Índia couberam aos grupos de produtos “Madeira, cortiça e papel” (27,7% e 38,5% no período homólogo de 2025), “Minérios e metais” (25,1% e 16,6%) “Máquinas, aparelhos e partes” (21,3% e 18,4%), e “Químicos” (13,3% e 15,4%).

Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (3,7% e 3,0%), “Produtos acabados diversos” (3,2% e 3,9%), “Calçado, peles e couros” (2,8% e 2,5%), “Agro-alimentares” (1,8% e 1,4%), “Aeronaves, embarcações e partes” (1,0% e 0,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,2% nos dois anos) e tendo sido nulas e praticamente nulas no ano anterior as exportações do grupo “Energéticos”.


Na figura seguinte encontram-se relacionados, por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados no períoso em análise de 2026, e correspondentes valores em 2025, definidos a dois dígitos da Nomenclatura.


Alcochete, 18 de Setembro de 2026.

 

ANEXO


domingo, 13 de setembro de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro-Julho 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Julho de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Julho de 2026, em versão preliminar com última actualização em 9 de Setembro de 2026, e de 2025, em versão definitiva, as exportações de mercadorias cresceram, em termos homólogos, +2,5% (+1,2 mil milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +5,5% (+3,7 mil milhões). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um acréscimo de +2,2%       (+771 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +3,3% (+432 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +4,3% (+2,2 mil milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +9,3% (+1,5 mil milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +13,1% face a 2025, situou-se em -21,3 mil milhões de Euros (superior em 2,5 mil milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1,4 mil milhões no comércio intracomunitário e de 1,1 mil milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 71,6% em 2025, para 69,6% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Julho o valor médio de importação do petróleo bruto subiu de 511 Euros/Ton, em 2025, para 603 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 818 Euros/Ton).


Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Agosto).


Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 10,3% no total das importações em 2026 e 6,7% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 69,6% no comércio global, para 72,4%.


2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Julho de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 71,9% do Total, cresceram +2,2%, contribuindo com +1,6 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de +2,5%. As exportações para o espaço extracomunitário, 28,1% do Total, cresceram +3,3%, contribuindo com   +0,9 p.p. para a taxa de evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,3%), a Alemanha (12,1%), a França (12,0%), os EUA (5,3%), a Itália (4,5%), o Reino Unido/Irl NT (4,2%), os Países Baixos (3,4%), a Bélgica (2,7%), e as Provisões de Bordo para Terceiros e Polónia (1,7% cada), países que representaram 73,9% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de +9,9% nas nossas exportações (+61.3 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Agro-alimentares” (+24,3 milhões de Euros), “Químicos” (+19,7 milhões), “Minérios e metais” (+7,3 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+7,1 milhões), “Produtos acabados diversos” (+6,0 milhões, “Têxteis e vestuário” (+1 milhão), “Calçado, peles e couros” (+954 mil Euros), “Energéticos” (+859 mil Euros) e “Máquinas, aparelhos e partes” (+590 mil Euros). 

Os decréscimos incidiram nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (-5,7 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (-889 mil Euros. 


Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (+2,5%) pertenceram à Espanha (+1,1 p.p.), seguida das Provisões de Bordo Extra-EU (-0,5 p.p.), da França (+0,4 p.p.), da China e Turquia (+0,3 p.p. cada) e do Brasil, Provisões de Bordo Intra-UE, Suécia e Marrocos (+0,2 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-1,5 p.p.), seguida dos EUA (-0,8 p.p.) e do Reino Unido/ Irl.NT (-0,3 p.p.).



Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram em Espanha (+531 milhões de Euros), França (+172 milhões), Provisões de bordo (+103 milhões), Finlândia (+100 milhões), Suécia (+88 milhões), Polónia (+75 milhões), Itália (+65 milhões), Irlanda (+63 milhões), Bélgica (+52 milhões) e Áustria (+45 milhões de Euros).     

O principai decréscimo coube à Alemanha (-707 milhões de Euros), seguida da Roménia (-14 milhões) e da Estónia (-13 milhões).



No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se as Provisões de Bordo (+220 milhões), a China (+166 milhões), a Turquia (+147 milhões), o Brasil (+103 milhões), Marrocos (+84 milhões), a Nigéria (+80 milhões), Cabo Verde (+63 milhões), Angola (+61 milhões), Togo (+54 milhões), Ilhas Virgens EUA (+53 milhões) e Suíça (+47 milhões). Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-380 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido/Irl.NT (-143 milhões), Ucrânia (-64 milhões), Austrália (-47 milhões), Panamá (-46 milhões), Taiwan (-45 milhões), Arábia Saudita (-41 milhões) e Argélia (-35 milhões de Euros).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 75,2% do total, registaram um acréscimo de +4,3%, com um contributo para o resultado global de +3,3 p.p.. As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +9,3%, representando 24,8% do total, com um contributo de +2,2 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,3% do Total), seguida da Alemanha (12,1%), dos Países Baixos e da França (7,4% cada), da China (5,2%), da Itália (4,9%), do Brasil (3,8%), da Bélgica (3,1%), dos EUA (2,2%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 80,2% do total das importações.

Em Janeiro-Julho de 2026, entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações (+5,5%), destacaram-se a Espanha (+2,2 p.p.), os Países Baixos (+1,9 p.p.), o Brasil e a Alemanha (+1,2 p.p. cada), a China e a França (+0,7 p.p. cada), e os EUA (+0,2 p.p.).

Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,7 p.p.), na Argélia (-0,4 p.p.), e na Turquia, Hungria e Bélgica (-0,2 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros.




4 – Saldos da Balança Comercial       

No período em análise os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irl.NT (+1379 milhões de Euros), aos EUA (+1026 milhões), à França (+666 milhões), a Angola (+562 milhões) e a Gibraltar (+308 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-9858 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-3525 milhões), da China (-3137 milhões), da Alemanha (-2628 milhões) e do Brasil (-1972 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +710 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e +125milhões), “Químicos” (13,5% e -1089 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,1% e -34 milhões) e “Minérios e metais” (11,2% e +851 milhões).

Seguiram-se os grupos e “Produtos acabados diversos” (8,8% e -27 milhões), “Têxteis e vestuário” (7,2% e +115 milhões), “Energéticos” (6,7% e +555 milhões), “Madeira cortiça e papel” (6,3% e -47 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,8% e +31 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,8% e +12 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Julho de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,2% do Total e +1734 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (16,9% e -1218 milhões, “Agro-alimentares” (15,3% e +224 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (13,5% e +779 milhões) e “Energéticos” (10,3% e +1321 milhões). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,7% e +262 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +265 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,5% e +20 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -49 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +32 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,1% e +312 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

No período em análise, entre os mercados de destino, a Espanha ocupou a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 26,3% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois das Provisões de Bordo para Países Terceiros), “Calçado, peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França). 

Seguiram-se no “ranking” a Alemanha (12,1%), a França (12,0%), os EUA (5,3%), a Itália (4,5%), o Reino Unido (4,2%), os Países Baixos (3,4%), a Bélgica (2,7%), as Provisões de Bordo para Países Terceiros e a Polónia (1,7% cada).

Estes dez destinos representaram 73,9% da exportação total.

6.2 – Importações


Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,3% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, depois da França, Brasil e Alemanha).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,1%), os Países Baixos (7,4%), a França (7,4%), a China (5,2%), a Itália (4,9%), o Brasil (3,8%), a Bélgica (2,2%), os EUA (2,2%) e a Polónia (1,7%),

Estes dez países cobriram 80,2% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026                       face a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 14 de Setembro de 2026.

 

ANEXO




quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Comércio Internacional da Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar (1º Semestre 2025-2026)

 

Comércio Internacional da Pesca,
preparações, conservas e outros
produtos do mar
(1º Semestre 2025-2026)

(Disponível para download >>> aqui )


 1 - Introdução

Portugal, detentor de uma das maiores “Zonas Económicas Exclusivas” (ZEE) a nível europeu, mantém no âmbito da “Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar” uma balança comercial deficitária, com as importações (Fob) a representarem cerca do dobro do valor das exportações (Fob).

O peso destes produtos, no contexto do comércio global, foi tendencialmente crescente ao longo dos últimos cinco anos do lado das importações (de 2,5%, em 2021, para 2,7%, em 2025), e também tendencialmente crescente no âmbito das exportações (de 1,7% para 1,9%).

Neste trabalho vai-se analisar a evolução das importações e das exportações destes produtos no 1º Semestre de 2026 (versão preliminar), face a 2025 (versão definitiva), a partir de dados de base divulgados no Portal do ‘Instituto Nacional de Estatística’ (INE), com última actualização em 7 de Agosto de 2026.

2 – Balança Comercial

No 1º semestre de 2026, face ao semestre homólogo do ano anterior, a Balança Comercial destes produtos do mar foi deficitária, com défices (Fob-Cif) respectivamente de -778 milhões e -801 milhões de Euros (-1,6%).

Em 2026 as importações cresceram em valor +0,4% e as exportações +2,6%, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a subir de 46,4% para 47,5%.

Entre os agregados de produtos aqui considerados destacam-se o “Peixe”, os “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos”, que representaram 97,7% do total das importações e 98,6% do total das exportações em 2026.

Na figura seguinte pode observar-se a Balança Comercial das sete componentes em que foram agregados os produtos em análise.

Como se pode observar, “Preparações e conservas de peixe, crustáceos e moluscos” foi a única componente em que o saldo da Balança Comercial foi positivo em cada um dos períodos em análise, +12,2 milhões de Euros em 2025 e +54,2 milhões em 2026. Os maiores défices incidiram nas componentes “Peixe” (-650,9 milhões de Euros em 2025 e -663,2 milhões em 2026) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (respectivamente -145,4 milhões e -155,7 milhões de Euros).

Apresentam-se em Anexo quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.

3 – Importação

No 1º Semestre de 2026 as importações deste conjunto de produtos cresceram +0,4% face ao semestre homólogo ano anterior (+5,8 milhões de Euros).  O maior acréscimo, em Euros, coube à componente “Peixe” (+13,7 milhões de Euros), seguida de “Sal, águas-mãe de salinas e algas ” (+7,0 milhões de Euros), “Farinhas, pós, ‘pellets’ e produtos ‘solúveis’ (+862 mil Euros) e “Gorduras e óleos de peixe e mamíferos aquáticos” (+88 mil Euros).

Nas importações de “Peixe” assumem relevância as de bacalhau, nos seus diversos estados, que serão mais adiante abordadas com algum pormenor.


3.1 – Mercados de Origem

Em 2026 o principal mercado de origem das importações destes produtos foi a Espanha (37,8% do Total), seguida dos Países Baixos (18,1%), da Suécia (6,0%) e da China (5,1%).

Alinharam-se depois, entre os principais, a China (5,1%), a Dinamarca (3,2%), o Equador (2,6%), a Índia (2,5%), a Alemanha (1,8%), a Grécia (1,7%), a Itália e Vietname (1,4% cada), a França (1,3%), a África do Sul (1,1%), a Coreia do Sul, Mauritânia e Noruega (1,0% cada), os EUA (0,9%), Marrocos, Namíbia, Senegal, Bélgica e Argentina (0,6% cada), o Chile e El Salvador (0,5% cada) e a Tanzânia (0,4%).

Este conjunto de países representou 92,6% do Total das importações portuguesas dos produtos do mar em 2026, contra 90,4% no ano anterior.

4 – Exportação

Em 2026 as exportações cresceram em valor +2,6% face ao ano anterior (+18,4 milhões de Euros), tendo ocorrido acréscimos em todas as componentes à excepção de “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (-19,8 milhões).

O Maior aumento coube à componente “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+35,5 milhões de Euros), seguida de “Peixe” (+1,5 milhões), ”Sal, águas-mãe de salinas e algas” (+935 mil Euros), “Farinhas e outros produtos da pesca” (+177 mil Euros), “Gorduras e óleos de peixe de mamíferos aquáticos” (+152 mil Euros) e “Extractos e sucos de carnes” (+1 milhar de Euros).


4.1 – Mercados de Destino

No 1º Semestre de 2026 tiveram por destino a União Europeia 82,5% das exportações destes produtos, com destaque para a Espanha (53,3% do Total), França (12,3%) e Itália (8,9%). Seguiram-se, entre os principais países, o Brasil (4,4%), os EUA (2,6%), o Reino Unido/ Irl NT (2,4%), a Suíça (1,5%), a Alemanha e China (1,4% cada), a Bélgica e Países Baixos (1,3% cada).


5 – Importação e exportação de sardinha



Face à acentuada redução da espécie ao longo dos últimos anos em zonas em que operam habitualmente os pescadores portugueses e espanhois, têm existido limitações anuais impostas à pesca da sardinha, importante para o sector português da exportação de conservas, tendo mesmo havido um parecer científico do “Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES)” que aconselhava a sua proibição.

No 1º Semestre de 2026, em relação ao semestre homólogo de 2025, aumentou, com pouca expressão, a importação de “Sardinha fresca, refrigerada ou congelada” (+1,9%, +254 mil Euros)) bem como  a sua exportação (+9,7%, +898 mil Euros. Os principais fornecedores foram a Espanha (81,5%), a França (8,5%) e a Croácia (3,7%), tendo sido os principais mercados de destino a Espanha (54,0%), o Canadá (13,2%) e a França (9,3%).

Em 2026, no período em análise, aumentou significativamente a importação de “Conservas de sardinha” (+39,4%), cifrando-se em 7,8 milhões de Euros, com o valor médio por quilo a descer de 6,8 para 3,5 Euros. A exportação, num valor de 65,6 milhões de Euros, aumentou +38,3% face a 2025, com o valor médio por quilo a subir de 7,0 para 7,8 Euros.

Os principais mercados de origem foram a Espanha (38,5%), Marrocos (35,4%), os Países Baixos (20,8%) e a França (3,6%), que no seu conjunto representaram 96,4% do Total das importações (92,3% no ano anterior).

Os principais destinos foram a França (32,5%), a Espanha (18,0%), o Reino Unido/Irl.NT (11,2%), os EUA (6,3%), a Áustria (5,0%), a Bélgica (4,9%) e os Países Baixos (4,0%). Seguiram-se, com mais de 1% do Total, a Alemanha (1,8%), a Austrália (1,7%), Hong-Kong (1,5%), a Suíça (1,4%), a Roménia (1,3%) e a China (1,2%).


6 – Importação e exportação de bacalhau

No 1º Semestre de 2026 o bacalhau pesou 27,6% no total das importações dos produtos do mar (28,0% em 2025) e 12,9% no total das exportações (11,4% em 2025).

O bacalhau ocupa uma posição importante na alimentação dos portugueses, tendo no período em análise de 2025 e 2026 o peso das importações mais de quatro vezes superior ao das exportações.

No 1º Semestre de 2026, face ao homólogo de 2025, a importação de bacalhau registou um decréscimo em valor de -1,1%, tendo a exportação aumentado +16,3%. O valor médio por quilo subiu de 9,3 para 11,3 Euros na importação e de 8,5 para 9,8 Euros na exportação.

Em 2026, no período em análise, destacam-se nas importações, entre os vários tipos de bacalhau, o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado”, 74,9% (73,0% em 2025) e o “Congelado excluindo filetes”, 14,0% (17,9% em 2025).

Nas exportações predominaram o bacalhau “Congelado excluindo filetes” (45,7% e 42,9%, respectivamente), os “Filetes em qualquer estado” (21,0% e 22,4%) e o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado” (19,1% e 21,0%).

Em 2026 os principais mercados de origem das importações de bacalhau foram os Países Baixos (57,1% do Total), a Suécia (16,0%), a China (7,6%), a Espanha (5,4%), a Dinamarca (5,1%) e a Noruega (3,0%).

Os principais países de destino foram a Espanha (34,3%), o Brasil (27,8%), a França (13,0%), a China (3,8%), a Itália (3,7%) e a Suíça (3,0%).



Nas páginas seguintes (Anexos 1 a 13), encontram-se quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.


ANEXOS