domingo, 13 de novembro de 2022

Comércio Internacional de Mercadorias - Série Mensal - Janeiro-Setembro 2022



 

Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Janeiro a Setembro de 2022

( disponível para download  >> aqui )

1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Setembro de 2021 e 2022, respectivamente em versão já definitiva e em versão preliminar com última actualização em 9 de Novembro de 2022, as exportações de mercadorias aumentaram em valor, em termos homólogos, +25,6% (+11962 milhões de Euros), a par de um aumento das importações de +36,7% (+21780 milhões). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aqui aos actuais 27 membros, registaram de Janeiro a Setembro de 2022 um acréscimo de +24,3% (+8071 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros aumentado +28,9% (+3891 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) aumentaram +26,4% (+11851 milhões) e as originárias dos Países Terceiros +65,8%  (+10199 milhões). 

O défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +77,1% ao situar-se em -22550 milhões de Euros (superior em 9819 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 3511 milhões no comércio intracomunitário e de 6308 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 78,6%, em 2021, para 72,2%, em 2022.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. De Janeiro a Setembro de 2022 o valor médio de importação do petróleo bruto subiu, face ao período homólogo de 2021, de 409 para 749 Euros/Ton.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média do mês de Outubro).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 17,8% no total das importações em 2022 e 8,8% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações em 2022 sobe, no comércio global, de 72,2% para 80,2%.

2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

Em 2022, no período de Janeiro a Setembro, as exportações para a UE (expedições), que representaram 70,4% do Total, cresceram +24,3%, contribuindo com +17,3 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de ‘crescimento’ global de +25,6%. As exportações para o espaço extracomunitário (29,6% do Total), cresceram +28,9%, contribuindo com +8,3 p.p. para a taxa de ‘crescimento’ global.

Os dez principais destinos das exportações no período em análise de 2022 foram a Espanha (26,0%), a França (12,4%), a Alemanha (10,9%), os EUA (6,8%), o Reino Unido incl. Irlanda NT (4,8%), a Itália (4,5%), os Países Baixos (4,1%), a Bélgica (2,4%), as Provisões de Bordo para Países Terceiros (1,7%) e a Polónia (1,3%), destinos que representaram 74,8% do total das exportações.

Angola, o terceiro principal mercado entre os países terceiros no ano de 2021, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise de 2022 um aumento de 54,5% nas nossas exportações (+363,6 milhões de Euros), envolvendo os acréscimos todos os grupos de produtos: “Máquinas, aparelhos e partes” (+94,9 milhões), “Agro-alimentares” (+79,9 milhões), Químicos (+57,9 milhões), “Produtos acabados diversos” (+39,2 milhões), “Minérios e metais” (+36,4 milhões), “Madeira, cortiça e papel” (+22,2 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (+9,2 milhões), “Têxteis e vestuário” (+9,1 milhões), “Energéticos” (5,9%), “Calçado, peles e couros” (+4,5 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (+4,5 milhões de Euros).

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações neste período (+25,6%) pertenceram a Espanha (+6,2 p.p.), aos EUA (+2,9 p.p.), à Alemanha (+2,7 p.p.), à França (+2,4 p.p.), às Provisões de Bordo Extra-UE (1,6 p.p.), aos Países Baixos (+1,3 p.p.), à Itália (+1,1 p.p.), ao Reino Unido/Irl NT (+0,8 p.p.) â Bélgica e à Turquia (+0,5 p.p. cada). Os maiores contributos negativos couberam a Marrocos (-0,4 p.p.), à China e ao Japão (-0,1 p.p. cada). 

Os maiores acréscimos nas expedições para o espaço comunitário incidiram em Espanha, Alemanha, França, Países Baixos, Itália, Provisões de Bordo, Bélgica, Suécia, Irlanda, Polónia, Eslováquia, Finlândia, Áustria e Rep.Checa. Entre os decréscimos destacou-se Malta.


No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se os EUA, Provisões de Bordo, Reino Unido/Irlanda NT, Angola e Turquia, seguidos do Brasil, Panamá, Suíça, Canadá, Israel e Noruega.

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os de Marrocos, Rússia, China e Japão.

3.2 - Importações


Em 2022, no período em análise, as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 68,4% do total, registaram um acréscimo de +26,4% e contribuíram com +19,5 p.p. para uma taxa de variação homóloga global de +36,7%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +65,8%, representando 31,6% do total, com um contributo para o ‘crescimento’ global de +17,2 p.p..

Os principais mercados de origem das importações em 2022 foram a Espanha (31,8% do Total) e a Alemanha (11,0%).

Seguiram-se a França (5,9%), a China (5,1%), os Países Baixos (4,9%), o Brasil (4,6%), a Itália (4,5%), os EUA (3,2%) a Bélgica (3,1%) e a Nigéria (1,9%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 76,0% do total das importações.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações no período em análise (+36,7%) destacou-se o da Espanha, (+10,8 p.p.), seguida do Brasil (+3,0 p.p.), da China (+2,5 p.p.), dos EUA (+2,3 p.p.), da Alemanha (+2,1 p.p.), dos Países Baixos (+1,3 p.p.), da França e da Bélgica (+1,2 p.p. cada) e da Itália (+1,0 p.p.). O principal contributo negativo incidiu na Fed. Russa (‑0,18 p.p.).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos das importações com origem intracomunitária (não ocorreram decréscimos) e os maiores acréscimos e decréscimos nos Países Terceiros, entre 2021 e 2022.



4 – Saldos da Balança Comercial        

Nos primeiros nove meses de 2022, os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam à França (+2486 milhões de Euros), ao Reino Unido (+1979 milhões), aos EUA (+1392 milhões), a Angola (+591 milhões) e a Gibraltar (+401 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-10604 milhões de Euros), seguida da China (-3653 milhões), do Brasil (-3039 milhões), da Alemanha (‑2539 milhões) e dos Países Baixos (-1534 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos, tendo em atenção as alterações pautais de 2022 (ver ANEXO).

No período de Janeiro a Setembro de 2022, todos os grupos registaram acréscimos nas exportações face a 2021.

Os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Químicos” (14,3% do Total e +1911 milhões de Euros face a 2021), “Máquinas, aparelhos e partes” (13,3% e +1048 milhões), “Agro-alimentares” (12,7% e +370 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (11,2% e +760 milhões), “Minérios e metais” (10,8% e +1333 milhões). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,0% e +825 milhões),  “Energéticos” (8,8% e +2369 milhões), “Têxteis e vestuário” (8,1% e +721 milhões), “Madeira cortiça e papel” (7,9% e +1170 milhões), “Calçado, peles e couros” (3,2% e +374 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes) (0,6% e +80 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em 2022, no período em análise, foi também positiva a taxa de variação homóloga em valor, face ao período homólogo do ano anterior, em todos os grupos de produtos.

Os grupos de produtos com maior peso foram “Energéticos” (17,8% e +8001 milhões), “Químicos” (17,1% e +2581 milhões de Euros), “Máquinas, aparelhos e partes” (16,1% e +2050 milhões), “Agro-alimentares” (13,9% e +2512 milhões de Euros). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (9,5% e +1886 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (9,0% e +1495 milhões), “Produtos acabados diversos” (5,8% e +911 milhões), “Têxteis e vestuário” (5,1% e +1055 milhões), Madeira, cortiça e papel” (3,3% e +761 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +446 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,8% e +83 milhões de Euros). 


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou no período de Janeiro a Setembro de 2022 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 26,0% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição, depois da França, Alemanha e Países Baixos), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (5ª posição, precedida do Brasil, EUA, França e Irlanda).

Seguiram-se no “ranking” a França (12,4%), a Alemanha (10,9%), os EUA (6,8%), o Reino Unido/Irl NT (4,8%), a Itália (4,5%), os Países Baixos (4,1%), a Bélgica (2,4%), Angola (1,8%) e as Provisões de Bordo Extra-UE (1,7%).

Estes dez destinos representaram 75,3% das exportações totais.

6.2 – Importações


Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em dez dos onze grupos de produtos, com 31,8% do total.

A única excepção foi o grupo “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, depois da Alemanha, EUA e Brasil).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (11,0%), a França (5,9%), a China (5,1%), os Países Baixos (4,9%), o Brasil (4,6%), a Itália (4,5%), os EUA (3,2%), a Bélgica (3,1%) e a Nigéria (1,9%). Estes dez países cobriram 76,0% das importações totais.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2022

       face a 2021, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 11 de Novembro de 2022.






quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Import/Export Máq. informática, semicondutores e circuitos (2020-21 e Jan-Ago 2021-22)

 

Importação e exportação de máquinas e
 unidades de informática, semicondutores
e circuitos integrados electrónicos
(2021-2021 e Janeiro-Agosto 2021-2022)
disponível para download  >> aqui )

1 – Introdução

Neste trabalho vai-se analisar a evolução recente das importações e exportações do conjunto das máquinas e unidades de informática, dispositivos semicondutores e circuitos integrados electrónicos, produtos que constituem o subgrupo “Informática, memórias e circuitos integrados” do grupo “Máquinas, aparelhos e partes”, um dos onze grupos em que integramos habitualmente os produtos da Nomenclatura Combinada, a que se acrescentam .as “Partes e acessórios de máquinas de processamento de dados”, que fazem parte do subgrupo “Outras máquinas e aparelhos mecânicos”.

Para o efeito são aqui utilizados dados estatísticos de base do ‘Instituto Nacional de Estatística’ (INE) para os anos de 2020 e 2021, em versão definitiva, e período acumulado de Janeiro a Agosto de 2021 e 2022, correspondendo os dados de 2022 a uma versão preliminar com última actualização em 10 de Outubro de 2022.

Em 2021 este conjunto de produtos pesou 3,5% no total das importações e 3,3% em 2020. Na vertente das exportações, registaram-se pesos respectivamente de 1,3% e 1,4% em cada um destes anos.

No período de Janeiro a Agosto de 2021 e 2022 estes pesos foram respectivamente 3,5 e 3,4% nas importações, 1,4% e 1,3% nas exportações. 

Recuando a 2017, verifica-se que o ritmo de ‘crescimento’ anual do valor das exportações, que em 2019 e 2020 fora superior ao das importações, se aproximou destas em 2021 (192,0% contra 190,2%).

2 – Balança Comercial

A Balança Comercial do conjunto dos produtos em análise é deficitária.

Na figura seguinte consta também a balança de cada uma das componentes, todas elas igualmente deficitárias.

3 – Principais produtos transaccionados                                                        Janeiro a Agosto de 2021 e 2022

3.1 - Partição por espaço Intra e Extracomunitário  

No período de Janeiro a Agosto de 2022 os “Circuitos integrados electrónicos” detiveram a maior quota nas importações (39,9% e 40,4% em 2021). Seguiram-se os “Semicondutores” (31,7% e 18,3%, respectivamente) e as “Máquinas e unidades de informática”, que tendo sido dominantes em 2021, com 41,3% do Total, representaram 28,4% em 2022.

Por sua vez, nas exportações predominaram também os “Circuitos integrados electrónicos”, (41,3% em 2022 e 38,5% em 2021), mas agora seguidos pelos “Semicondutores” (41,4% e 35,1%) e pelas “Máquinas e unidades de informática (17,3% e 26,4%).

Nas figuras seguintes encontram-se relacionadas as importações e as exportações dos produtos que integram as três componentes consideradas, agora desagregadas a seis dígitos da Nomenclatura Combinada, para os anos de 2020 e 2021 e período acumulado de Janeiro a Agosto de 2021 e 2022, e correspondentes taxas de variação homóloga em valor.

3.2 – Importação

3.3 – Exportação

4 – Mercados de origem e de destino                                                            Janeiro a Agosto de 2021 e 2022

4.1 – Partição por espaço Intra e Extracomunitário

No período acumulado de Janeiro a Agosto de 2021 e 2022, tanto nas importações como nas exportações destes produtos prevaleceu o espaço intracomunitário, respectivamente 69,0% e 58,9% nas importações, 71,6% e 75,1% nas exportações.

4.2 – Importação

Nas figuras seguintes constam os principais mercados de origem e destino deste conjunto de produtos, no Total e por componentes, nos primeiros oito meses de 2022, face ao período homólogo do ano anterior.

4.3 – Exportação

Em Anexo encontram-se quadros com indicação dos principais países importadores e exportadores mundiais, por componentes, ao longo do último quinquénio.

5 – Índices de variação em Valor, Volume e Preço                                        1º Semestre de 2022

Foram calculados índices de variação em preço de Paasche para as importações e exportações dos produtos em análise no 1º Semestre de 2022, a preços do Semestre homólogo de 2021, e os correspondentes índices de volume (Ind volume = Ind valor ÷ Ind preço).

As importações terão crescido +15,2% em Volume e +10,8% em Preço.

Por sua vez as exportações registaram uma quebra em Volume de -5,1%, com o preço a aumentar +14,7%.

Alcochete, 1 de Novembro de 2022.

ANEXO