quarta-feira, 2 de abril de 2025

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com a Federação Russa (2020 a 2024)

 

Comércio Internacional de mercadorias
de Portugal com a Federação Russa
(2020 a 2024)

                                                    ( disponível para download  >> aqui)

1 – Nota introdutória

A Federação Russa ocupou em 2024 a 22ª posição entre os mercados de origem das importações portuguesas de mercadorias com origem nos Países Terceiros, com 0,8% do Total (18ª posição em 2023, com 1,2%), e a 32ª posição entre os mercados de destino das exportações, com 0,4% do Total (31ª em 2023, com 0,3%).

Apresentam-se neste trabalho alguns dados estatísticos sobre o comércio externo da Federação Russa face ao mundo no período de 2019 a 2023, de fonte International Trade Centre (ITC), baseados em estatísticas das alfândegas da Federação Russa para os anos de 2019 a 2021, e em “mirror data” para 2022 e 2023, a partir de declarações dos países com quem foram efectuadas as transacções.

Analisa-se em seguida a evolução do comércio internacional de mercadorias de Portugal com este país no período de 2020 a 2024, com base em dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), definitivos até 2023 e preliminares para 2024, com última actualização em 12 de Março de 2025.

2 – Alguns dados sobre o comércio externo da Federação Russa

2.1 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis até 2023, medidos em Euros, a Balança Comercial do país é-lhe favorável, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações, tendo o seu saldo atingido 362,8 mil milhões de Euros em 2022, caindo para 195,0 mil milhões em 2023.


2.2 – Mercados de origem e destino do Comércio Externo em 2021

Só se encontram disponíveis dados do comércio externo por países para o ano de 2021. Neste ano o principal parceiro comercial da Federação Russa, em ambas as vertentes comerciais, foi a China, com 24,8% nas importações e 14,0% nas exportações.

Entre as principais origens das importações, seguiram-se a Alemanha (9,3%), os EUA (5,9%), a Bielorrússia (5,3%), a Coreia do Sul (4,4%), a França (4,2%), a Itália (4,1%), o Japão (3,1%), o Cazaquistão (2,4%), a Turquia (2,2%), a Polónia (2,0%), o Vietname (1,7%), o Reino Unido. Índia e Países Baixos (1,5% cada) e a Ucrânia (1,4%).


Do lado das exportações, a seguir à China alinharam-se os Países Baixos (8,6%), a Alemanha (6,0%), a Turquia (5,4%), a Bielorrússia (4,7%), o Reino Unido (4,5%), a Itália (3,9%), o Cazaquistão (3,8%), os EUA (3,6%), a Coreia do Sul e Polónia (3,4%), o Japão (2,2%), a França e Finlândia (2,0% cada), a Índia (1,9%) e a Bélgica (1,8%).

No mesmo ano Portugal terá representado 0,22% nas importações russas e 0,12% nas exportações.

2.3 – Importações por grupos de produtos

No quadro seguinte constam as importações da Federação Russa ao longo do período de 2019 a 2023 (últimos dados disponíveis), por grupos de produtos (ver em Anexo a definição do conteúdo dos Grupos de Produtos, por Capítulos da Nomenclatura - NC2/SH2).


Em 2023 os grupos de produtos com maior peso nas importações do país foram “Máquinas, aparelhos e partes” (18,9% do Total) e “Químicos” (18,8%).

Seguiram-se os grupos “Aeronaves,embarcações e partes” (13,3%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,0%), “Agro-alimentares” (10,2%), “Têxteis e vestuário” (7,9%),  “Produtos acabados diversos” (7,5%), “Minérios e metais” (6,9%), “Calçado, peles e couros” (2,7%), “Madeira, cortiça e papel” (1,2%) e “Energéticos” (0,5%).

2.4 – Exportações por grupos de produtos

As principais exportações da Federação Russa incidem no grupo de produtos “Energéticos”, que em 2023 representou 62,1% do total, contra 66,7% no ano anterior.

Seguiram-se, entre os mais importantes, os grupos “Minérios e metais” (16,3%), “Agro-alimentares” (9,2%) e “Químicos” (7,0%).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (2,3%), “Máquinas, aparelhos e partes” (1,4%), “Produtos acabados diversos” (0,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,4%), “Aeronaves, embarcações e partes” e “Têxteis e vestuário” (0,2% cada), tendo sido praticamente nulas as exportações de “Calçado, peles e couros”.

3 – Comércio de Portugal com a Federação Russa

3.1 – Ritmo de evolução anual do valor das                                                                             importações e exportações globais (2020-2024)

Em 2001, as importações portuguesas com origem na Federação Russa, após duplicarem face ao valor que detinham no ano anterior (208,2%, com 2020=100), decresceram até se situarem em 40,1% em 2024. 

Por sua vez o ritmo das exportações, após se ter mantido em 2021 face a 2020, decresceu nos três anos seguintes para um patamar entre 41% e 51% do valor que detinham em 2020.


3.2 – Balança Comercial

A Balança Comercial de Portugal com a Federação Russa é desfavorável, tendo o défice decrescido sustentadamente de 2021 para 2024, de -890 milhões de Euros para -116 milhões.

Nesse período, o grau de cobertura das importações pelas exportações subiu de 16,7%, para 43,7%.



3.3 – Importações por grupos de produtos 


Ao longo dos últimos cinco anos, as principais importações incidiram no grupo de produtos “Energéticos”, constituídas por 'crude', produtos petrolíferos e gás.

Estas importações, que em 2021 haviam atingido 729 milhões de Euros, decaíram sucessivamente até 2024, situando-se em 103 milhões de Euros.

Na figura seguinte constam os principais produtos transaccionados no âmbito de cada grupo de produtos em 2024 e correspondentes montantes em 2023, desagregados a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).


3.4 – Exportações por grupos de produtos

Em 2024 as exportações, mais diversificadas do que as importações, incidiram em sua grande parte no grupo de produtos “Ago-alimentares” (65,1% do Total e 61,3% em 2023), principalmente constituídas por vinhos, seguidos do café, dos ovos, das tripas, bexigas e buchos, das preparações para alimentação animal e dos produtos à base de cereais.


Alinharam-se depois os grupos “Calçado, peles e couros” (13,1% e 11,1% em 2023), essencialmente calçado, “Máquinas, aparelhos e partes” (6,7% e 8,6%, respectivamente), com destaque para as caixas de fundição e moldes, “Têxteis e vestuário” (4,8% e 3,5%),  com predomínio das redes, incluindo as de pesca, cordas, cordéis e cabos revestidos de borracha ou plástico, “Madeira, cortiça e papel” (3,0% e 5,8%), constituído principalmente por folhas de madeira para folheados e contraplacados, “Produtos acabados diversos” (2,9% e 3,5%), com destaque para as fibras e cabos ópticos, lentes, prismas e espelhos, para a pedra de cantaria e calcetamento, ladrilhos cerâmicos, jogos de salão, mobiliário, candeeiros e outros aparelhos de iluminação, entre muitos outros, e “Químicos” (2,7% e 3,4%), principalmente folhas, chapas, lâminas e outros artigos de plástico, preparações para barbear e para banho, desodorizantes e outros produtos de higiene,

Na figura seguinte constam os principais produtos transaccionados no âmbito de cada grupo de produtos em 2024 e os correspondentes montantes em 2023, desagregados a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4).  



Alcochete, 1 de Abril de 2025

ANEXO



quinta-feira, 27 de março de 2025

Evolução das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados (2020-2024)

 

Evolução das exportações e importações
de Produtos Industriais Transformados
por níveis de intensidade tecnológica
(2020-2024)

                                        (disponível para download  >> aqui)                                         

1 - Introdução

A evolução do nível de intensidade tecnológica das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados (PIT), com maior valor acrescentado do que os restantes, tem um reflexo directo na balança comercial de mercadorias, sendo na exportação um importante indicador de desenvolvimento industrial.

Pretende-se neste trabalho analisar a evolução do comércio internacional português destes produtos a partir de dados de base de fonte “Instituto Nacional de Estatística” (INE) para os anos de 2020 a 2023, em versões já definitivas e de 2024 em versão preliminar, com última actualização em 12 de Março de 2025.

Os níveis de intensidade tecnológica considerados são os propostos pela OCDE, definidos com base na Revisão-3 da International Standard  Industrial Classification(ISIC Rev.3: Alta tecnologia - 2423, 30, 32 33, 353; Média-alta tecnologia - 24 excl.2423, 29, 31, 34, 352, 359; Média-baixa tecnologia - 23, 25 a 28, 351 e Baixa tecnologia - 15 a 22, 36 e 37).

A partir da tabela correspondente ao ano de 2007, com recurso à “Classificação Tipo do Comércio Internacional” da ONU (CTCI/SITC Rev.3) e à “Nomenclatura Combinada” a oito dígitos em uso na União Europeia (NC-8), tomando-se em consideração as sucessivas alterações pautais anuais, foi construída uma tabela em NC-8 abrangendo o período de 2007 a 2024.

2 – Balança comercial de Produtos Industriais Transformados                    por níveis de intensidade tecnológica (2020-2024)

Ao longo do período de 2020 a 2024, o saldo (Fob-Cif) da balança comercial anual portuguesa de “Produtos Industriais Transformados” foi negativo, tendo-se verificado um acréscimo sustentado do défice, de -8,2 mil milhões de Euros para -18,2 mil milhões.


No período em análise foi negativo o saldo da Balança Comercial dos produtos de Alta e de Média-alta tecnologia, não suficientemente compensado pelos saldos positivos verificados nos produtos de Média-baixa e de Baixa tecnologia, com um quota no conjunto muito inferior.


3 – Exportação de Produtos Industriais Transformados,                              por níveis de intensidade tecnológica (2020-2024)

Em 2020 o peso dos Produtos Industriais Transformados na exportação global situou-se em 94,1%, tendo decrescido para 93,3% em 2021. A partir de então aumentou sucessivamente, atingindo 93,7% em 2024.

Em 2024, o maior peso entre os níveis de intensidade tecnológica incidiu na Baixa tecnologia (33,2% e 33,0% em 2023), seguida da Média-alta tecnologia (28,8% e 30,5%), da Média-baixa tecnologia (24,1% e 23,9%) e da Alta tecnologia (13,9% e 12,5%).

O peso dos produtos de Alta tecnologia no total das exportações de Produtos Industriais Transformados, que decaíra de 11,5%, em 2020, para 9,9 em 2021, recuperou sucessivamente nos anos seguintes, atingindo 13,9% em 2024.

Aqui se enquadram, por ordem decrescente do seu peso em 2024, os “Produtos farmacêuticos” (34,8% do total deste nível), o “Equipamento de rádio, TV e comunicações” (30,8%), os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão” (26,7%), a “Aeronáutica e aeroespacial” (4,2%) e o “Equipamento de escritório e computação” (3,5%).

O peso dos produtos de Média-alta tecnologia, que em 2020 e 2021 havia atingido 31,9% do total dos Produtos Industriais Transformados, decresceu tendencialmente a partir de então, situando-se em 28,8% em 2024.

Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu valor em 2024, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques” (42,9% do total deste nível), as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos” (21,6%), os “Produtos químicos excepto farmacêuticos” (17,6%), as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” (14,2%) e o “Equipamento ferroviário e de transporte n.e.” (3,7%).

Por sua vez, o peso do conjunto dos produtos de Média-baixa tecnologia, após uma subida de 21,8%, em 2020, para 25,8%, em 2022, reduziu-se nos anos seguintes, situando-se em 24,1% do Total em 2024. Incluem-se aqui, por ordem decrescente do seu peso em 2024, os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustíveis nucleares” (26,6% deste nível), “Produtos da borracha e do plástico” (24,7%), “Fabrico de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos” (19,7%), “Metalurgia de base” (14,7%), “Produtos minerais não metálicos” (13,7%) e “Construção e reparação naval” (0,7%).

Por fim, nos produtos de Baixa tecnologia, assistiu-se a uma desaceleração do seu peso no período em análise, de 34,9%, em 2020, para 33,2%, em 2024. Incluem-se a este nível os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco” (36,9% em 2024), os “Têxteis, vestuário, couros e calçado” (31,6%), a “Pasta, papel, cartão e publicações” (13,8%), “Manufacturas n.e. e reciclagem” (10,2%) e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça” (7,6%).

Ao longo do período de 2020 a 2024 cresceu significativamente o ritmo de crescimento nominal das exportações de Produtos Industriais Transformados, com destaque para os produtos de Alta tecnologia e de Média-baixa tecnologia.


3.1 –Partição das exportações entre espaço Intra e Extra UE-27                  em 2023 e 2024

As exportações de Produtos Industriais Transformados têm a União Europeia por principal destino (70,3% em 2024 e 69,3% em 2023).

No período em análise, o maior peso do espaço Intra-UE nas exportações de Produtos Industriais Transformados coube ao nível de Média-alta tecnologia (75,4% em 2024 e 74,8% em 2023).

Seguiu-se a Baixa tecnologia (71,5% e 70,7%), a Alta tecnologia (68,8% e 63,7%) e a Média-baixa tecnologia (63,3% em cada um dos anos).


4 – Importação de Produtos Industriais Transformados,                              por níveis de intensidade tecnológica (2019-2023)

O peso dos Produtos Industriais Transformados na importação global portuguesa, que em 2020 atingira 86,3%, decaiu para 81,3% em 2022, recuperando o crescimento nos dois anos seguintes, atingindo 86,1% em 2024.

Em 2024, o maior peso entre os níveis de intensidade tecnológica da importação incidiu na Média-alta tecnologia (38,4% e 38,5% em 2023), seguida da Baixa tecnologia (26,1% e 25,7%), da Alta tecnologia (18,1% e 17,2%) e da Média-baixa tecnologia (17,4% e 18,6%). 


O peso dos produtos de Alta tecnologia no total das importações de Produtos Industriais Transformados, que em 2020 representava 18,6%, desceu sucessivamente até 2022, quando atingiu 17,1%, para subir até 18,1% em 2024.

 Aqui se enquadram, em 2024, por ordem decrescente do seu peso, os “Produtos farmacêuticos” (32,4% do total deste nível), o “Equipamento de rádio, TV e comunicações” (30,5%), os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão” (18,6%), o “Equipamento de escritório e computação” (11,3%) e os produtos da área “Aeronáutica e aeroespacial” (7,2%).

O peso dos produtos de Média-alta tecnologia, que em 2020 representaram 38,7% do total dos Produtos Industriais Transformados, decresceu sucessivamente até 2022 (36,9%), situando-se em 38,5% em 2023 e 38,4% em 2024.

Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu valor em 2024, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques” (36,5% do total deste nível), os “Produtos químicos excepto farmacêuticos” (29,5%), as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos” (21,2%), as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” (10,7%) e o “Equipamento ferroviário e de transporte n.e.” (2,0%).

Por sua vez, o peso dos produtos de Média-baixa tecnologia, que aumentara de 16,4%, em 2020, para 20,6%, em 2022, decaiu a partir de então, até 17,4% em 2024.

Inclui-se aqui “Metalurgia de base” (33,4% do total deste nível), “Produtos da borracha e do plástico” (20,8%), “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustíveis nucleares” (18,4%), “Fabrico de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos” (17,6%), “Produtos minerais não metálicos” (9,2%) e “Construção e reparação naval” (0,6%).

Os produtos de Baixa tecnologia, após uma queda do seu peso de 26,3%, em 2020, para 24,9%, em 2021, viram o seu peso aumentar sustentadamente até 2024, atingindo 26,1%.

Incluem-se aqui “Produtos alimentares, bebidas e tabaco” (48,9%), “Têxteis, vestuário, couros e calçado” (29,0%), “Manufacturas n.e. e reciclagem” (10,0%), “Pasta, papel, cartão e publicações” (8,2%) e “Madeira e produtos da madeira e cortiça” (3,9%).

Em 2024, face a 2020, cresceu significativamente o ritmo das importações nominais de Produtos Industriais Transformados.


4.1 –Partição das importações entre espaço Intra e Extra UE-27                  em 2023 e 2024

As importações de Produtos Industriais Transformados têm a União Europeia por principal origem (80,9% em 2024 e 80,6% em 2023). Em 2024, o maior peso nas importações de Produtos Industriais Transformados, no âmbito do espaço Intra-UE, por níveis de intensidade tecnológica, coube aos produtos de Média-alta tecnologia (83,6% nos dois anos) e de Baixa tecnologia (82,4% e 82,9% em 2023). Seguiu-se a Alta tecnologia (76,8% e 75,7%) e a Média-baixa tecnologia (76,7% e 76,0%). 



Alcochete, 27 de Março de 2025.


domingo, 23 de março de 2025

Comércio Internacional da Pesca (2023-2024)

 

Comércio Internacional da pesca,
preparações, conservas e outros
produtos do mar
(2023-2024)

(Disponível para download >>> aqui )


 1 - Introdução

Portugal, detentor de uma das maiores “Zonas Económicas Exclusivas” (ZEE) a nível europeu e mundial, mantém, no âmbito da “Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar” uma balança comercial deficitária, com as importações (Fob) a representarem cerca do dobro do valor das exportações (Fob).

O peso destes produtos, no contexto do comércio global, foi tendencialmente decrescente ao longo dos últimos cinco anos do lado das importações (de 2,8%, em 2020, para 2,5%, em 2024), e tendencialmente crescente no âmbito das exportações (de 1,7% para 1,8%).

Neste trabalho vai-se analisar a evolução das importações e das exportações anuais destes produtos em 2024 (versão preliminar), face a 2023 (versão definitiva), a partir de dados de base divulgados no portal do ‘Instituto Nacional de Estatística’ (INE), com última actualização em 2 de Março de 2025.

2 – Balança Comercial

Em 2023 e 2024 a Balança Comercial destes produtos do mar foi deficitária, com défices (Fob-Cif) respectivamente de -1238 milhões e -1283 milhões de Euros.

Em 2024 as importações cresceram em valor +5,0% e as exportações +6,3%, tendo a défice aumentado +3,6%. O grau de cobertura das importações pelas exportações subiu de 52,0% para 52,6%.

Entre os agregados de produtos aqui considerados destacam-se o “Peixe”, os “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos”, que representaram 97,9% do total das importações e 98,8% do total das exportações em 2024.

Na figura seguinte pode observar-se a Balança Comercial das sete componentes em que foram agregados os produtos em análise.


Como se pode observar, “Preparações e conservas de peixe, crustáceos e moluscos” foi a única componente em que o saldo da Balança Comercial foi positivo em cada um dos anos em análise, +33,5 milhões de Euros em 2023 e +54,4 milhões em 2024.

Os maiores défices incidiram nas componentes “Peixe” (-998 milhões de Euros em 2023 e ‑1032 milhões em 2022) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (respectivamente -258 milhões e -267 milhões de Euros).

Apresentam-se em Anexo quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.

3 – Importação

Em 2024 as importações deste conjunto de produtos cresceram +5,0% face ao ano anterior (+129,4 milhões de Euros) tendo o maior acréscimo cabido à componente “Peixe” (+5,2%, +85,0 milhões), seguida de “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (+3,7%, +22,5 milhões) e “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+7,4%, +22,1 milhões de Euros.)

 Nas importações de “Peixe” assumem relevância as de bacalhau, nos seus diversos estados, que serão mais adiante abordadas com algum pormenor.


3.1 – Mercados de Origem

Em 2023 o principal mercado de origem das importações destes produtos foi a Espanha (43,8% do Total), seguida dos Países Baixos (10,0%) e da Suécia (8,0%).

Alinharam-se depois a China (3,8%), a Dinamarca (3,6%), o Equador (3,1%), a Noruega (3,1%), a Federação Russa (2,9%), a Índia (1,7%), a Alemanha (1,6%), a França (1,6%), Marrocos (1,2%), a África do Sul (1,1%), o Vietname (1,1%), a Grécia (0,9%), Turquia (0,8%), a Itália (0,8%), a Mauritânia (0,8%), o Chile (0,7%) e a Namíbia (0,6%).   

Este conjunto de países representou 91,1% do Total das importações dos produtos do mar em 2024 (91,0% em 2023).

4 – Exportação

Em 2024 as exportações cresceram em valor +6,3% face ao ano anterior (+84,4 milhões de Euros), tendo ocorrido acréscimos nas componentes “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+43,0 milhões de Euros), “Peixe” (+31,4 milhões) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (+14,4 milhões).

Seguiram-se, com decréscimos em valor, as exportações de “Farinhas e outros produtos da pesca” (-3,1 milhões de Euros), “Gorduras e óleos de peixe de mamíferos aquáticos” (-790 mil Euros), “Sal, águas-mãe de salinas e algas” (-340 mil Euros) e “Extractos e sucos de carnes”, de peixe, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos (-331 mil Euros).


4.1 – Mercados de Destino

Mais de 80% das exportações destes produtos tiveram por destino em 2024 a União Europeia, com destaque para a Espanha (55,3% do Total), França (10,3%), Itália (9,1%) e Brasil (6,1%).

Seguiram-se, entre os principais países de destino os EUA (2,3%), o Reino Unido (1,7%), a China (1,6%), a Suíça (1,3%), a Alemanha e os Países Baixos (1,2% cada), a Bélgica (1,1%),  Áustria e o Canadá (0,9% cada) e Angola (0,8%).


5 – Importação e exportação de sardinha

Face à acentuada redução da espécie ao longo dos últimos anos em zonas em que operam habitualmente os pescadores portugueses e espanhois, existem limitações anuais impostas à pesca da sardinha, importante para o sector português da exportação de conservas, tendo mesmo havido um parecer científico do “Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES)” que aconselhava a sua proibição.


Em 2024 aumentou a importação de “Sardinha fresca, refrigerada ou congelada” (+10,4% em valor e +6,7% em quantidade) e aumentou a sua exportação (+19,3% e +32,9%, respectivamente). O valor médio por quilo subiu de 1,5 para 1,6 Euros na importação e desceu de 1,5 para 1,4 Euros na exportação. Os principais fornecedores foram a Espanha (78,5%), Marrocos (8,6%) e a França (7,5%). Os principais mercados de destino foram a Espanha (54,2%), a França (23,3%), o Canadá (5,3%), os EUA (4,1%) e a Alemanha (2,9%). 


Em 2024 aumentou a importação de “Conservas de sardinha” (+58,7%), cifrando-se em 6,2 milhões de Euros, com o valor médio por quilo a subir de 3,8 para 5,7 Euros.

A exportação, num valor de 83,4 milhões de Euros, aumentou +20,1% face a 2023, com o valor médio por quilo a subir de 6,5 para 7,0 Euros.


Em 2024 os principais mercados de origem foram a Espanha (52,5%), os Países Baixos (24,3%) e Marrocos (21,2%).

Os principais destinos foram a França (37,7%), o Reino Unido/Irl.NT (18,2%), os EUA (8,9%),  a Espanha (6,0%) e a Áustria (5,3%).

Seguiram-se a Bélgica (4,0%), os Países Baixos (3,2%), a Suíça (1,8%), a Alemanha (1,7%), Hong-Kong (1,5%), Macau (1,1%), o Brasil (1,1%), a Austrália (0,9%), o Canadá (0,9%), Israel, Colômbia e Itália (0,7% cada), a Finlândia e Angola (0,6% cada), a África do Sul (0,5%), a Dinamarca (0,4%) e a Suécia (0,3%).


6 – Importação e exportação de bacalhau

Em 2024 o bacalhau pesou 26,4% no total das importações dos produtos do mar (igual ao ano anterior) e 12,8% no total das exportações (12,7% em 2023).


O bacalhau ocupa uma posição importante na alimentação dos portugueses, tendo nos últimos dois anos o peso das importações sido cerca de quatro vezes superior ao das exportações.


Em 2024, face ao ano anterior, a importação de bacalhau aumentou +5,1% em valor e a exportação aumentou +7,3%. O valor médio por quilo da importação subiu de 7,1 para 7,9 Euros e o da exportação subiu de 9,0 para 10,0 Euros.


Entre os vários tipos de bacalhau destaca-se, nas importações, o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado” (67,3% em 2024) e o “Congelado excluindo filetes” (21,5%).

Nas exportações predominaram, em 2024, o bacalhau “Congelado excluindo filetes” (43,8%), os “Filetes em qualquer estado” (21,3%) e o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado” (20,9%).

Em 2024 os principais mercados de origem das importações de bacalhau foram os Países Baixos (30,1% do Total), a Suécia (25,7%), a Noruega (11,2%) e a Federação Russa (10,9%). 

Seguiram-se, entre os principais, a Espanha (7,2%), a Dinamarca (6,0%), a China (3,7%), a Lituânia (1,5%), os EUA (1,3%) e a Gronelândia (0,8%), conjunto de países que representaram 98,4% do Total.

Os principais países de destino foram o Brasil (37,4%), a Espanha (30,3%) e a França (11,7%).

Seguiram-se a Itália (3,3%), a Suíça (3,0%), os EUA (2,6%), Angola (2,3%), a Bélgica (2,0%), o Luxemburgo (1,5%) e o Reino Unido/ Irl.NT (1,1%), países que representaram 95,2% do Total.



Segue-se, em Anexo, em quadros e gráficos, a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.


ANEXO




























Alcochete, 23 de Março de 2025.