Comércio Internacional de mercadoriasde Portugal com a Federação Russa(2020 a 2024)
( disponível para download >> aqui)
1 – Nota introdutória
A Federação Russa ocupou em 2024 a 22ª
posição entre os mercados de origem das importações portuguesas de mercadorias
com origem nos Países Terceiros, com 0,8% do Total (18ª posição em 2023, com
1,2%), e a 32ª posição entre os mercados de destino das exportações, com 0,4%
do Total (31ª em 2023, com 0,3%).
Apresentam-se neste trabalho alguns
dados estatísticos sobre o comércio externo da Federação Russa face ao mundo no
período de 2019 a 2023, de fonte International
Trade Centre (ITC), baseados em estatísticas das alfândegas da
Federação Russa para os anos de 2019 a 2021, e em “mirror data” para 2022 e 2023, a partir de
declarações dos países com quem foram efectuadas as transacções.
Analisa-se em seguida a
evolução do comércio internacional de mercadorias de Portugal com este país no
período de 2020 a 2024, com base em dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de
Portugal (INE), definitivos até 2023 e preliminares para 2024, com última
actualização em 12 de Março de 2025.
2 – Alguns dados sobre
o comércio externo da Federação Russa
2.1 – Balança
Comercial
De acordo com os dados disponíveis até
2023, medidos em Euros, a Balança Comercial do país é-lhe favorável, com
elevados graus de cobertura das importações pelas exportações, tendo o seu
saldo atingido 362,8 mil milhões de Euros em 2022, caindo para 195,0 mil milhões
em 2023.
2.2 – Mercados de
origem e destino do Comércio Externo em 2021
Só se encontram disponíveis dados do
comércio externo por países para o ano de 2021. Neste ano o principal parceiro comercial
da Federação Russa, em ambas as vertentes comerciais, foi a China, com 24,8% nas
importações e 14,0% nas exportações.
Entre as principais origens das
importações, seguiram-se a Alemanha (9,3%), os EUA (5,9%), a Bielorrússia (5,3%),
a Coreia do Sul (4,4%), a França (4,2%), a Itália (4,1%), o Japão (3,1%), o
Cazaquistão (2,4%), a Turquia (2,2%), a Polónia (2,0%), o Vietname (1,7%), o
Reino Unido. Índia e Países Baixos (1,5% cada) e a Ucrânia (1,4%).
Do lado das exportações, a seguir à
China alinharam-se os Países Baixos (8,6%), a Alemanha (6,0%), a Turquia (5,4%),
a Bielorrússia (4,7%), o Reino Unido (4,5%), a Itália (3,9%), o Cazaquistão (3,8%),
os EUA (3,6%), a Coreia do Sul e Polónia (3,4%), o Japão (2,2%), a França e
Finlândia (2,0% cada), a Índia (1,9%) e a Bélgica (1,8%).
No mesmo ano Portugal terá
representado 0,22% nas importações russas e 0,12% nas exportações.
2.3 – Importações
por grupos de produtos
No quadro
seguinte constam as importações da Federação Russa ao longo do período de 2019
a 2023 (últimos dados disponíveis), por grupos de produtos (ver em Anexo
a definição do conteúdo dos Grupos de Produtos, por Capítulos da Nomenclatura -
NC2/SH2).
Seguiram-se
os grupos “Aeronaves,embarcações e partes” (13,3%), “Material de
transporte terrestre e partes” (12,0%), “Agro-alimentares” (10,2%), “Têxteis
e vestuário” (7,9%), “Produtos
acabados diversos” (7,5%), “Minérios e metais” (6,9%), “Calçado,
peles e couros” (2,7%), “Madeira, cortiça e papel” (1,2%) e “Energéticos”
(0,5%).
2.4 – Exportações
por grupos de produtos
As
principais exportações da Federação Russa incidem no grupo de produtos “Energéticos”,
que em 2023 representou 62,1% do total, contra 66,7% no ano anterior.
Seguiram-se,
entre os mais importantes, os grupos “Minérios e metais” (16,3%), “Agro-alimentares”
(9,2%) e “Químicos” (7,0%).
Com pesos
inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (2,3%),
“Máquinas, aparelhos e partes” (1,4%), “Produtos acabados diversos”
(0,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,4%), “Aeronaves,
embarcações e partes” e “Têxteis e vestuário” (0,2% cada), tendo
sido praticamente nulas as exportações de “Calçado, peles e couros”.
3
– Comércio de Portugal com a Federação Russa
3.1 – Ritmo de evolução anual do valor das importações e exportações globais (2020-2024)
Em 2001, as importações portuguesas com origem na Federação Russa, após duplicarem face ao valor que detinham no ano anterior (208,2%, com 2020=100), decresceram até se situarem em 40,1% em 2024.
Por sua vez o ritmo das exportações, após se ter
mantido em 2021 face a 2020, decresceu nos três anos seguintes para um patamar
entre 41% e 51% do valor que detinham em 2020.
3.2 – Balança Comercial
A Balança Comercial de Portugal com a Federação
Russa é desfavorável, tendo o défice decrescido sustentadamente de 2021 para
2024, de -890 milhões de Euros para -116 milhões.
Nesse período, o grau de cobertura das
importações pelas exportações subiu de 16,7%, para 43,7%.
Ao longo dos últimos cinco anos, as
principais importações incidiram no grupo de produtos “Energéticos”, constituídas por 'crude', produtos petrolíferos e gás.
Estas importações, que em 2021 haviam
atingido 729 milhões de Euros, decaíram sucessivamente até 2024, situando-se em
103 milhões de Euros.
3.4 – Exportações
por grupos de produtos
Em 2024 as
exportações, mais diversificadas do que as importações, incidiram em sua grande
parte no grupo de produtos “Ago-alimentares” (65,1% do Total e 61,3% em 2023), principalmente constituídas
por vinhos, seguidos do café, dos ovos, das tripas, bexigas e buchos, das
preparações para alimentação animal e dos produtos à base de cereais.
Alinharam-se
depois os grupos “Calçado,
peles e couros” (13,1% e 11,1% em 2023),
essencialmente calçado, “Máquinas,
aparelhos e partes” (6,7% e 8,6%, respectivamente), com
destaque para as caixas de fundição e moldes, “Têxteis e vestuário”
(4,8% e 3,5%), com predomínio das redes,
incluindo as de pesca, cordas, cordéis e cabos revestidos de borracha ou
plástico, “Madeira, cortiça e papel”
(3,0% e 5,8%), constituído principalmente por folhas de madeira para folheados
e contraplacados, “Produtos acabados
diversos” (2,9% e 3,5%), com destaque para as fibras e cabos ópticos,
lentes, prismas e espelhos, para a pedra de cantaria e calcetamento, ladrilhos
cerâmicos, jogos de salão, mobiliário, candeeiros e outros aparelhos de
iluminação, entre muitos outros, e “Químicos” (2,7% e 3,4%),
principalmente folhas, chapas, lâminas e outros artigos de plástico,
preparações para barbear e para banho, desodorizantes e outros produtos de higiene,
Na figura seguinte constam os
principais produtos transaccionados no âmbito de cada grupo de produtos em 2024
e os correspondentes montantes em 2023, desagregados a quatro dígitos da
Nomenclatura (NC4/SH4).