quinta-feira, 11 de junho de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro-Abril 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Abril de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Abril de 2026 e 2025, em versões preliminares, com última actualização em 9 de Junho de 2026, as exportações de mercadorias decresceram, em termos homólogos, -1,4% (-392 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +4,7% (+1712 milhões). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um decréscimo de -2,1% (-423 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +0,4% (+31 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +4,6% (+1295 milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +4,7% (+418 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +22,6% face a 2025, situou-se em -11431 milhões de Euros (superior em 2104 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1717 milhões no comércio intracomunitário e de 387 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 74,7% em 2025, para 70,3% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Abril o valor médio de importação do petróleo bruto desceu de 549 Euros/Ton, em 2025, para 533 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 808 Euros/Ton).

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Maio).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 9,0% no total das importações em 2026 e 5,7% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 70,3% no comércio global, para 72,9%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Abril de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 72,1% do Total, decresceram -2,1%, contribuindo com -1,5 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de -1,4%. As exportações para o espaço extracomunitário, 27,9% do Total, cresceram +0,4%, contribuindo com   +0,1 p.p. para a taxa de evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (25,9%), a França (12,4%), a Alemanha (12,0%), os EUA (5,1%), a Itália (4,8%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,6%), a Turquia (1,7%), a Polónia (1,6%) e Marrocos (1,6%), países que representaram 71,2% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de +9,0% nas nossas exportações (+30,0 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (+14,8 milhões de Euros), “Produtos acabados diversos” (+7,9 milhões), “Químicos” (+7,1 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+6,7 milhões), “Agro-alimentares” (+2,3 milhões), “Têxteis e vestuário” (+494 mil Euros) e “Calçado, peles e couros” (+289 mil Euros). Os decréscimos incidiram nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (-3,9 milhões), “Minérios e metais” (-3,8 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,5 milhões) e “Energéticos” (-284 mil Euros). 


Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (-1,4%) pertenceram à Turquia (+0,6 p.p.), seguida da França e da China (+0,4 p.p. cada), da Itália e Marrocos (+0,3 p.p. cada) e da Suíça, Suécia, Cabo Verde e Brasil (+0,2 p.p. cada). 

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-3,4 p.p.), seguida dos EUA (-1,3 p.p.) e de Gibraltar, Canadá e Israel (-0,1 p.p. cada).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram na França (+122 milhões de Euros), Finlândia (+93 milhões), Itália (+89 milhões), Suécia (+55 milhões), Países Baixos (+37 milhões), Provisões de bordo (+26 milhões), Letónia (+21 milhões) e Rep- Checa (+19 milhões). O principai decréscimo coube à Alemanha (-938 milhões de Euros), seguida da Eslováquia (-7 milhões).



No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se a Turquia (+160 milhões), a China (+113 milhões), Marrocos (+88 milhões), Suíça (+55 milhões), Cabo Verde (+54 milhões), Ilhas Virgens EUA (+53 milhões), Togo (+52 milhões), Brasil (+51 milhões) e Angola (+30 milhões).

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-362 milhões de Euros), seguidos da Ucrânia (-48 milhões), Panamá (-46 milhões), Reino Unido (-38 milhões), Arábia Saudita e Gibraltar (-37 milhões cada), e Austrália (-34 milhões).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 76,0% do total, registaram um acréscimo de +4,6%, com um contributo para o resultado global de +3,5 p.p.. As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +4,7%, representando 24,0% do total, com um contributo de +1,1 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,1% do Total), seguida da Alemanha (12,3%), dos Países Baixos (8,1%), da França (7,6%), da China (5,2%), da Itália (4,8%), do Brasil (3,3%), da Bélgica (3,2%), dos EUA (2,3%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 80,6% do total das importações.


Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações em Janeiro-Abril de 2026 (+4,7%) destacaram-se os Países Baixos (+2,8 p.p.), a Espanha (+1,7 p.p.), a Alemanha (+1,0 p.p.), o Brasil (+0,7 p.p.), a China (+0,6 p.p.), a França (+0,4 p.p.), os EUA e Taiwan (+0,2 p.p. cada), Marrocos e a Eslováquia (+0,1 p.p. cada). Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,6 p.p.), na Turquia, Itália, Argélia e Hungria (-0,2 p.p.), e na Suíça e Vietname (-0,1 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre Janeiro-Abril de 2026 e de 2025.



4 – Saldos da Balança Comercial       

No período Janeiro-Abril de 2026 os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irlanda NT (+792 milhões de Euros), aos EUA (+517 milhões), à França (+447 milhões), a Angola (+347 milhões) e a Gibraltar (+191 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-5348 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-2152 milhões), da China (-1684 milhões), da Alemanha (-1500 milhões) e do Brasil (-918 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +354 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e +73 milhões), “Químicos” (13,3% e -1391 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,6% e +156 milhões), “Minérios e metais” (11,2% e +415 milhões) e “Produtos acabados diversos” (9,2% e +34 milhões). Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (7,4% e +72 milhões de Euros), “Madeira cortiça e papel” (6,4% e -51 milhões), “Energéticos” (5,7% e -74 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,8% e +19 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e   +1 milhão de Euros).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Abril de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (20,3% do Total e +1325 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (16,7% e -740 milhões, “Agro-alimentares” (15,4% e +284 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (13,9% e +488 milhões). Seguiram-se os grupos “Energéticos” (9,0% e +12 milhões), “Minérios e metais” (8,6% e +70 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +145 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,5% e -71 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -30 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +3 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,0% e +226 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Abril de 2026 a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 25,9% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois do Brasil), “Calçado, peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França). 

Seguiram-se no “ranking” a França (12,4%), a Alemanha (12,4%), os EUA (5,1%), a Itália (4,8%), o Reino Unido (4,3%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,6%), a Turquia (1,7%) e a Polónia (1,6%).

Estes dez destinos representaram 74,0% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,1% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3º lugar, depois da França e do Brasil).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,3%), os Países Baixos (8,1%), a França (7,6%), a China (5,2%), a Itália (4,8%), o Brasil (3,3%), a Bélgica (3,2%), os EUA (2,3%) e a Polónia (1,7%),

Estes dez países cobriram 80,6% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026 face                a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 11 de Junho de 2026.

ANEXO