segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Comércio Internacional - Índices de Valor, Volume e Preço (Jan-Junho 2024/2023)

 

Comércio Internacional de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Junho 2024/2023)

(disponível para download >>> aqui)

1 - Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias por grupos e subgrupos de produtos, calculados para o período acumulado de Janeiro a Junho de 2024, a preços do período homólogo de 2023.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e às exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão definitiva para 2023 e preliminar para 2024, com última actualização em 9 de Agosto de 2024.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por países de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado. No caso presente foram desagregados por países e analisados os respectivos índices 61 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e 48 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por países se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se, por grupos de produtos, a representatividade das amostras globais em cada uma das vertentes comerciais, que serviram de base ao cálculo dos índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada na base de dados do INE.

3 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis, o défice da balança comercial de mercadorias no 1º semestre de 2024 decresceu -7,4% face ao semestre homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a aumentar de 75,1% para 76,4%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as importações originárias dos Países Terceiros), com um decréscimo em valor de -2,5%, terão registado um acréscimo em volume de +2,8% e um decréscimo em preço de -5,2%.

Por sua vez, a quebra em valor de -0,9% verificada nas exportações terá resultado de um acréscimo em volume de +0,8%, com o preço a decrescer -1,7%.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2024 situa-se em -9,8 mil milhões de Euros, contra -12,4 mil milhões em termos globais.

Por sua vez, em 2024 o grau de cobertura das importações pelas exportações, excluindo os produtos “Energéticos” sobe de 76,4%, em termos globais, para 79,1%.

Numa análise por Grupos de Produtos, no período em análise de 2024 o saldo da Balança Comercial de mercadorias foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, que pesaram 26,6% no total das exportações e 15,7% no total das importações, designadamente “Madeira, cortiça e papel”, “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Produtos acabados diversos”.

4 - Importações

Em 2024 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (18,1% do Total), “Químicos” (17,4%), “Agro-alimentares” (15,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,7%) e “Energéticos” (10,5%).

Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,9%), “Produtos acabados diversos” (6,1%), “Têxteis e vestuário” (4,8%), “Madeira, cortiça e papel” (3,0%), “Calçado, peles e couros” (1,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

Foram negativas as taxas de variação em Valor de seis dos Grupos, incidindo os maiores decréscimos em “Energéticos” (-12,4%) e “Madeira, cortiça e papel” (-7,5%). Aumentaram em valor as importações de “Material de transporte terrestre e partes” (+2,8%), “Calçado, peles e couros” (+1,0%), “Produtos acabados diversos” e “Agro-alimentares” (+0,2% cada).

O grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, para que não se calcula o índice de preço, registou em 2024 uma taxa de variação homóloga em Valor de +56,9%.

Em Volume, a única taxa de variação negativa ocorreu no grupo “Energéticos” (-6,7%). Os maiores acréscimos incidiram nos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+7,6%), “Produtos acabados diversos” (+6,4%) e “Calçado, peles e couros” (+6,3%). Seguiram-se os grupos “Químicos” (+2,9%), “Madeira, cortiça e papel” (+2,3%), “Têxteis e vestuário” (+2,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (+2,0), “Agro-alimentares” (+1,8%) e “Minérios e metais” (+1,7%).

Em Preço, foram negativas as taxas de variação de todos os grupos à excepção do “Material de transporte terrestre e partes” (+0,8%). As maiores quebras couberam aos grupos  “Madeira, cortiça e papel” (-9,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-7,7%), “Minérios e metais” (-7,3%) e “Têxteis e vestuário” (-7,1%).

5 – Exportações

No 1º Semestre de 2024 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (14,8%), “Agro-alimentares” (14,1%), “Químicos” (13,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,7%) e “Minérios e metais” (10,2%). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,6%), “Energéticos” e “Têxteis e vestuário” (7,3% cada), “Madeira, cortiça e papel” (6,9%), “Calçado, peles e couros” (2,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7%).

Verificaram-se decréscimos em Valor, face ao ano anterior, em todos os Grupos de Produtos à exepção de “Energéticos” (+10,3%), “Agro-alimentares” (+8,4%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (+13,4%), não constante dos gráficos, para que não se calcula o índice de preço.

Os maiores decréscimos verificaram-se em “Calçado, peles e Couros” (-9,4%), “Têxteis e vestuário” (-7,4%) e “Material de transporte terrestre e partes” (-6,2%).

Em Volume registaram-se decréscimos nos grupos “Calçado. peles e couros” (-8,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (-7,8%), “Têxteis e vestuário” (-4,8%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-1,6%) e “Produtos acabados diversos” (-0,4%).

O maior acréscimo ocorreu no grupo “Energéticos” (+17,6%), a que se seguiram os grupos “Agro-alimentares” (+4,7%), “Madeira, cortiça e papel” (+4,5%), “Minérios e metais” (+3,1%) e “Químicos” (+1,8 %).

No âmbito do Preço verificaram-se decréscimos nas exportações de oito dos onze dos Grupos de Produtos, com destaque para “Energéticos” (-6,2%), seguido de “Madeira, cortiça e papel” (-4,8%), “Minérios e metais” (-4,4%), “Químicos” (-3,0%), “Têxteis e vestuário” (-2,7%), “Produtos acabados diversos” (-2,0%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-1,7%) e “Calçado, peles e couros” (-1,0%)

Entre os acréscimos destacou-se o grupo “Agro-alimentares” (+3,5%), seguido de “Material de transporte terrestre e partes” (+1,7%). 


Alcochete, 24 de Agosto de 2024.

ANEXO



terça-feira, 20 de agosto de 2024

Comércio Externo de Cabo Verde (2019-23) e Portugal-Cabo Verde (2019-23 e 1º Semestre 2023-24)

 

Comércio Externo de Cabo Verde
(2019-2023)
e
Portugal-Cabo Verde
(2019-23 e 1º Semestre 2023-24)

                                                    disponível para download  >> aqui )

Analisa-se neste trabalho a evolução do comércio externo de mercadorias de Cabo Verde face ao mundo entre 2019 e 2023, com base em dados divulgados no “Boletim de Estatísticas do Comércio Externo do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde”, complementados por dados de fonte “International Trade Centre (ITC)”, estes desagregados por produtos do “Sistema Harmonizado (SH)”, coincidente até 6 dígitos com a “Nomenclatura Combinada (NC)”.

Analisa-se em seguida a evolução do comércio internacional de Portugal com Cabo Verde ao longo do período de 2019-2023 e 1º Semestre de 2023-2024, com base em dados de fonte “Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE)”, em versão definitiva até 2023 e preliminar para 2024, com última actualização em 9 de Agosto de 2024.

Cabo Verde foi, em 1996, um dos fundadores da “Comunidade dos Países de Língua Portuguesa” (CPLP), que tem entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços entre os seus membros, designadamente o Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, desde a sua fundação, tendo em 2002 sido admitido Timor-Leste e mais recentemente, em 2014, a Guiné-Equatorial.

Em 2023 Cabo Verde ocupou a 4ª posição nas importações de Portugal com origem no conjunto dos países da CPLP (0,3%), precedido do Brasil, Angola e Moçambique, e o 3º lugar nas exportações (11,8%), depois de Angola e do Brasil.

2 – Comércio externo de Cabo Verde

O ritmo de ‘crescimento’ em valor das importações cabo-verdianas desde 2015, embora com alguma irregularidade foi tendencialmente crescente. Por sua vez as exportações, com acréscimos e decréscimos acentuados ao longo do período em análise, mostrou-se  tendencialmente decrescente.

Os dados de base do INE de Cabo Verde, em escudos caboverdianos, foram convertidos a Euros (1 Euro = 110,265 CVE).

No valor das importações, com esta fonte, não estão incluídas “reimportações”, e nas exportações não estão consideradas “reexportações”, mas apenas a “Exportação nacional”.

2.1 – Balança Comercial de Cabo Verde (2019-2023)

A Balança Comercial de mercadorias (Fob-Cif) foi deficitária ao longo dos últimos cinco anos, com saldos negativos compreendidos entre -585,8 milhões de Euros, em 2020, e -861,9 milhões, em 2023.

Em 2023 as importações cresceram +4,8% face ao ano anterior, com as exportações a aumentarem +11,4%, o que conduziu a um grau de cobertura das importações pelas exportações de 5,6%, face a 5,2% no período homólogo do ano anterior.

2.2 – Importações por Grupos de Produtos                                                     e quotas de Portugal em 2023

Para a análise da evolução das importações e das exportações por Grupos de Produtos foi utilizada a base de dados do “International Trade Centre” (ITC), com os produtos definidos no “Sistema Harmonizado” (SH), não disponíveis na publicação das estatísticas do INE de Cabo Verde para 2023, tendo os 99 Capítulos sido agregados em onze Grupos de Produtos (ver em ANEXO o conteúdo considerado, definido com base nos Capítulos (SH2) da nomenclatura).

Em 2023 o grupo se produtos dominante nas importações foi “Agro-alimentares” (33,3% do Total com 34,4% em 2022), seguido dos grupos “Energéticos” (14,6% e 18,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (10,8% e 10,3%), “Químicos” (9,6% e 10,0%) e “Minérios e metais” (8,7% e 9,9%).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (6,9% e 6,7%), “Aeronaves, embarcações e partes” (5,6% e 0,3%), “Material de transporte terrestre e partes” (5,0% e 4,8%),  “Madeira, cortiça e papel” (3,3% e 2,8%), “Têxteis e vestuário” (2,0% e 2,1%) e “Calçado, peles e couros” (0,2% nos dois anos).

Portugal terá representado 44,7% das importações em 2023, com um peso significativo na generalidade os grupos de produtos.

Na figura seguinte constam, por Grupos de Produtos, os principais produtos desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (SH2/NC2).

2.3 – Exportações por Grupos de Produtos                                                       e quotas de Portugal em 2023

Em 2023 as principais exportações de Cabo Verde incidirm no grupo de produtos “Agro-alimentares” (80,8% do Total com 79,4% no ano anterior), com destaque para as conservas de peixe. Seguiram-se, a grande distância, os grupos “Têxteis e vestuário” (10,2% e 11,3%) e “Calçado, peles e couros” (6,4% e 6,3%), essencialmente partes de calçado e “Produtos acabados diversos” (2,6% e 2,9%).

Portugal terá pesado 17,1% nas exportações cabo-verdianas em 2023, cabendo-lhe a totalidade nos grupos “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Máquinas, aparelhos e partes”.


2.4 – Principais mercados do Comércio Externo de Cabo Verde

Na figura seguinte relacionam-se os principais mercados de origem e destino das importações e exportações cabo-verdianas em 2022 e 2023, segundo estatísticas do país e do ITC.

Portugal é desde há muito a principal origem das importações de Cabo Verde, tendo representado 44,7% do Total em 2023, segundo estatísticas do ITC, e 41,4% segundo o INE de Cabo Verde. Entre as restantes origens destacaram-se a Espanha e os EUA, seguidos do Brasil, Países Baixos, China e França. Entre os mercados de destino das exportações a primeira posição foi ocupada pela Espanha, com 65,8% do Total segundo o ITC e 59,7% de acordo com o INE de Cabo Verde, seguida de Portugal (17,1% e 16,1% respectivamente) e da Itália (14,2% e 17,1%).

3 – Comércio de Portugal com Cabo Verde

Face a 2019, o ritmo de evolução das importações portuguesas com origem em Cabo Verde, após uma descida acentuada em 2020, inverteu esse comportamento a partir de então, mantendo-se contudo em 2023 ainda abaixo do nível de 2019 (86,2%).

Por sua vez o ritmo de ‘crescimento’ das exportações, que se manteve praticamente estacionário até 2021, aumentou a partir de então, atingindo nos dois anos seguintes cerca de 130% do valor que detinha em 2019.

3.1 – Balança Comercial

O saldo da Balança Comercial de Portugal com Cabo Verde é amplamente favorável a Portugal, tendo atingido +350 milhões de Euros em 2023 e +171,5 milhões no 1º Semestre de 2024.

No 1º Semestre de 2024, face ao homólogo do ano anterior, as importações registaram um decréscimo em valor de -0,6% e as exportações um aumento de +0,8%.

3.2 – Importações por grupos de produtos

Ao longo dos últimos cinco anos e 1º Semestre de 2024 as importações portuguesas de mercadorias provenientes de Cabo Verde incidiram principalmente nos grupos de produtos “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Produtos acabados diversos”.

No 1º Semestre de 2024 estes três grupos de produtos representaram, no seu conjunto, 87,0% do Total das importações (85,0% no ano anterior): “Têxteis e vestuário” (52,3% e 49,8% em 2023), “Calçado, peles e couros” (23,2% e 26.5%) e “Produtos acabados diversos” (11,5% e 8,7%). Seguiram-se os grupos “Agro-alimentares” (5,6% e 3,7%), “Máquinas, aparelhos e partes” (3,1% e 6,6%), “Minérios e metais” (2,3% e 1,6%), “Energéticos” (1,1% e 2,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,7% e 0,8%), tendo sido praticamente nulas as importações dos restantes grupos.

No quadro seguinte encontram-se desagregados, por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2), os principais produtos importados no âmbito de cada grupo de produtos.

3.3 – Exportações por grupos de produtos

Ao longo do período em análise as principais exportações portuguesas para Cabo Verde incidiram no grupo de produtos “Agro-alimetares” (30,7% no 1º Semestre de 2024 e 30,6% no semestre homólogo dp ano anterior).

Seguiram-se os grupos “Químicos” (15,6% e 14,0% respectivamente), “Minérios e metais” (14,3% e 15,3%), “Máquinas, aparelhos e partes” (13,8% e 12,9%),

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (8,8% e 8,1%), “Energéticos”  (6,3% e 8,8%), “Madeira, cortiça e papel” (4,5% e 4,6%),  “Têxteis e vestuário” (3,1% e 2,6%),  “Material de transporte terrestre e partes” (2,1% nos dois semestres), “Calçado, peles e couros” (0,7% em ambos os semestres) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,2%). 

No quadro seguinte encontram-se desagregados, por Capítulos da Nomenclatura, os principais produtos importados no âmbito de cada grupo de produtos.


ANEXO


segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Comércio Externo do Brasil (2019-23) e Portugal-Brasil (2019-23 e Jan-Maio 2023-24)

 

Comércio Externo do Brasil
(2019-2023)
e
Portugal-Brasil
(2019-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024)

                                                    disponível para download  >> aqui )       

1 - Introdução

Analisa-se neste trabalho a evolução do comércio externo de mercadorias do Brasil face ao mundo, entre 2019 e 2023, com base em dados de fonte ’International Trade Centre’ (ITC) calculados a partir de dados do “Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil”, e de Portugal com o Brasil ao longo dos períodos 2019-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024, com base em dados de fonte “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), em versão definitiva até 2023 e preliminar para 2024, com última actualização em 10 de Julho de 2024. 

2 – Comércio Externo do Brasil (2019-2023)

2.1 – Balança Comercial

Entre 2019 e 2022, o ritmo de evolução anual das importações acompanhou de perto o das exportações. Após terem descido em 2020 abaixo do nível que detinham em 2019, o seu ritmo de crescimento subiu acentuadamente até 2022, tendo dasacelerado em 2023, mais acentuadamente do lado das importações do que das exportações.

2.2 – Mercados de origem das importações                                                     e destino das exportações

Os principais parceiros comerciais do Brasil em 2023, em ambas as vertentes, foram a China e os EUA, com respectivamente 22,1% e 16,0% do Total das importações e 31,3% e 11,2% das exportações.

Portugal terá ocupado nesse ano a 39ª posição nas importações (0,4% do Total) e o 21º lugar nas exportações (0,9%).

A par de Portugal, o Brasil foi um dos fundadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), criada durante a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada em Lisboa em 1996, sendo os restantes países fundadores Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e S. Tomé e Príncipe. Em 2002, no decorrer da cimeira de Brasília, foi a vez de ser integrado Timor-Leste e mais recentemente, em 2014, na cimeira de Dili, a Guiné-Equatorial, que fora ‘observador associado’ desde 2006.

Esta Comunidade tem entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços entre os seus membros.

Em 2023 a CPLP representou 0,7% nas importações globais brasileiras de mercadorias e 1,2% nas exportações.

No quadro seguinte consta o valor das importações e exportações brasileiras efectuadas em 2023 relativamente a cada um dos países que integram a CPLP.

Neste ano Portugal ocupou a primeira posição em cada uma das vertentes comerciais, com 59,9% do Total da CPLP nas importações e 87,6% nas exportações, seguido de Angola, com respectivamente 39,9% e 9,7%.

2.3 – Importações no Brasil por Grupos de Produtos

O conjunto dos produtos do ‘Sistema Harmonizado’, constantes da base de dados do “International Trade Centre” (ITC) aqui utilizada, foram agregados em onze Grupos de Produtos (ver definição do conteúdo de cada grupo em Anexo).

Em 2023 os grupos de produtos dominantes nas importações do Brasil foram “Químicos” (27,5% do Total e 31,3% em 2022), “Máquinas, aparelhos e partes” (26,3% e 24,0%) e “Energéticos” (15,3% e 18,2%).

Em 2023, face a 2022, verificou-se um decréscimo das importações de -14,5% (-37,9 mil milhões de Euros), decréscimo extensivo a sete dos onze grupos de produtos.

As excepções foram “Material de transporte terrestre e partes” (+1,5 mil milhões de Euros), “Produtos acabados diversos” (+366 milhões), “Calçado, peles e couros” (+107 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (+13 milhões de Euros).

Os maiores decréscimos, incidiram nos grupos “Químicos” (-20,3 mil milhões) e “Energéticos” (-12,1 mil milhões). Seguiram-se os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (-4,0 mil milhões), “Agro-alimentares” (-1,0 mil milhões), “Minérios e metais” (-934 milhões), “Têxteis e vestuário” (-320 milhões) e “Madeira, cortiça e papel” (-16 milhões de Euros).

Em 2023 Portugal pesou 0,4% no Total das importações brasileiras, tendo as maiores quotas incidido nos grupos “Aeronaves, embarcações e partes” (4,8%) e “Agro-alimentares” (4,6%).

2.4 – Exportações do Brasil por Grupos de Produtos

Em 2023 o grupo de produtos dominante nas exportações foi “Agro-alimentares” (42,9% e 40,4% em 2022), seguido dos grupos “Minérios e metais” (17,9% e 18,4%) e “Energéticos” (16,2% e 17,0%).

Em 2023, face a 2022, verificou-se um decréscimo das exportações de -1,7% (-5,4 mil milhões de Euros), extensivo a oito dos onze grupos de produtos.

As excepções foram “Agro-alimentares” (+5,6 mil milhões de Euros), “Máquinas, aparelhos e partes” (+1,2 mil milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (+826 milhões de Euros).

Os principais decréscimos verificaram-se nos grupos “Energéticos” (-3,3 mil milhões), “Químicos” (-3,2 mil milhões), “Minérios e metais” (-2,6 mil milhões) e ”Madeira, cortiça e papel” (-2,4 mil milhões de Euros).

Em 2023 Portugal terá pesado 1,1% no Total das exportações, tendo a maior quota incidido nos grupos de produtos “Aeronaves, embarcações e partes” (6,2 %) e “Energéticos” (4,3%).

3 – Comércio de Portugal com o Brasil                                                          (2019-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024)

No período de 2019 a 2023 as importações portuguesas de mercadorias com origem no Brasil cresceram sustentadamente, em particular em 2022, ano em que atingiram 444,5% do valor que detinham em 2019, tendo desacelerado no ano seguinte, 357,0%. Por sua vez as exportações, tendo decrescido sucessivamente entre 2019 e 2021, aumentaram nos dois anos seguintes, atingindo 138,6% do nível de 2019.

3.1 – Balança Comercial

A Balança Comercial de Portugal com o Brasil registou saldos negativos sucessivamente mais volumosos entre 2019 e 2022, saltando de -277 milhões de Euros para -3,6 mil milhões, situando-se em 2023 em -2,6 mil milhões. Este forte aumento do défice ficou a dever-se não só ao forte incremento das importações de produtos “Energéticos”, designadamente petróleo bruto, mas também de produtos “Agro-alimentares”, como milho. Nos primeiros cinco meses de 2024, face ao ano anterior, o défice reduziu-se de -1,3 para ‑1,1 mil milhões de Euros.

Em 2023 o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações situou-se em 28,4%, contra 73,1% em 2019. No período de Janeiro a Maio de 2024, face ao período homólogo do ano anterior, o grau de cobertura subiu de 22,4% para 31,3%.

3.2 – Importações por grupos de produtos

Numa análise por grupos de produtos, no período de Janeiro a Maio de 2024 as principais importações portuguesas com origem no Brasil incidiram nos grupos de produtos “Energéticos” (66,7% do Total em 2024 e 65,5% em 2023) e “Agro-alimentares” (21,6% e 18,4% respectivamente).

Seguiram-se, entre os principais, os grupos “Madeira, cortiça e papel” (4,7% e 5,6%) e “Minérios e metais” (3,0% e 6,3%).

Na figura seguinte apresentam-se, por grupos de produtos, os principais produtos importados do Brasil nos primeiros cinco meses de 2023 e 2024, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (Capítulos).

3.3 – Exportações por grupos de produtos

Nos primeiros cinco meses de 2024 as principais exportações couberam ao grupo de produtos “Agro-alimentares” (64,2% do Total com 57,9% em 2023), com destaque para o azeite de oliveira, vinho, peixe congelado, filetes e bacalhau.

Seguiram-se, a grande distância, os grupos “Aeronaves, embarcações e partes” (13,9% e 15,4%), principalmente aeronaves, “Máquinas, aparelhos e partes” (8,1% e 8,6%), muito diversificados.

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Minérios e metais” (4,0% e 3,7%), como ferro e suas obras, artefactos de joalharia, ferramentas e seus acessórios, e cutelaria, entre outros, “Químicos” (3,8% e 4,4%), com destaque para os plásticos, insecticidas, lixívias residuais, colofónias, essência de terebintina, produtos farmacêuticos, borracha e suas obras, tintas e vernizes, “Produtos acabados diversos” (2,6% e 5,1%), como abrasivos e pedra de cantaria, serviços de mesa e outros artigos cerâmicos de uso doméstico, artigos ortopédicos, instrumentos médicos, aparelhos para análises físicas ou químicas, assentos mesmo transformáveis em cama e móveis diversos, “Têxteis e vestuário” (1,7% e 1,8%), principalmente pastas, feltros e falsos tecidos, tecidos impregnados ou revestidos, artigos para uso técnico e fibras sintéticas ou artificiais, “Madeira, cortiça e papel” (1,1% e 1,5%), principalmente cortiça e suas obras, “Material de transporte terrestre e partes” (0,6% e 1,4%), com destaque para as partes e acessórios de motocicletas, bicicletas, cadeiras de rodas e outros veículos para deficientes, e “Calçado, peles e couros” (0,1% nos dois anos), principalmente calçado.

O grupo “Energéticos” registou uma exportação praticamente nula nos dois anos.

Na figura seguinte constam, por grupos de produtos, os principais produtos exportados para o Brasil no período de Janeiro a Maio de 2022 e 2023, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (NC2).



ANEXO


Alcochete, 1 de Agosto de 2024.