Comércio Internacional da Pesca,
preparações, conservas e outros
produtos do mar
(2024-2025)
(Disponível para download >>> aqui )
Portugal, detentor
de uma das maiores “Zonas Económicas Exclusivas” (ZEE) a nível europeu,
mantém no âmbito da “Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar”
uma balança comercial deficitária, com as importações (Fob) a
representarem pouco menos do dobro do valor das exportações (Fob).
O peso destes
produtos, no contexto do comércio global, foi tendencialmente crescente ao
longo dos últimos cinco anos do lado das importações (de 2,5%, em 2021, para 2,7%,
em 2025), e também tendencialmente crescente no âmbito das exportações (de 1,7%
para 1,9%).
Neste trabalho vai-se analisar a evolução das importações e das exportações anuais destes produtos em 2025 (versão preliminar), face a 2024 (versão definitiva), a partir de dados de base divulgados no Portal do ‘Instituto Nacional de Estatística’ (INE), com última actualização em 12 de Março de 2026.
2 – Balança
Comercial
Em 2024 e 2025 a Balança
Comercial destes produtos do mar foi deficitária, com défices (Fob-Cif)
respectivamente de -1296 milhões e -1476 milhões de Euros.
Em 2025 as importações
cresceram em valor +10,0% e as exportações +6,4%, tendo a défice aumentado +13,9%.
O grau de cobertura das importações pelas exportações desceu de 52,3%, em 2024,
para 50,6%, em 2025.
Na figura seguinte pode
observar-se a Balança Comercial das sete componentes em que foram agregados os
produtos em análise.
Como se pode observar, “Preparações
e conservas de peixe, crustáceos e moluscos” foi a única componente em que
o saldo da Balança Comercial foi positivo em cada um dos anos em análise, +53,7
milhões de Euros em 2024 e +54,8 milhões em 2025.
Os maiores défices
incidiram nas componentes “Peixe” (-1166,3 milhões de Euros em 2025 e -1021,3
milhões no ano anterior) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados
aquáticos” (respectivamente -322,6 milhões e -286,6 milhões de Euros).
Apresentam-se em Anexo
quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes
por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das
quantidades transaccionadas.
3 –
Importação
Em 2025 as importações deste conjunto de produtos cresceram +10,0% face
ao ano anterior (+271,8 milhões de Euros) tendo o maior acréscimo cabido à
componente “Peixe” (+11,1%, +186,8 milhões), seguida de “Preparações
e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+13,8%, +44,3 milhões de
Euros) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (+6,0%,
+39,1 milhões).
Nas importações de “Peixe”
assumem relevância as de bacalhau, nos seus diversos estados, que serão mais
adiante abordadas com algum pormenor.
3.1 – Mercados
de Origem
Em 2025 o principal
mercado de origem das importações destes produtos foi a Espanha (41,0% do
Total), seguida dos Países Baixos (12,9%) e da Suécia (7,8%).
Alinharam-se depois a China
(4,6%), o Equador (3,9%), a Dinamarca (3,0%), a Noruega (2,0%), a Índia e a
Alemanha (1,8% cada), a França (1,6%), o Vietname (1,5%), a Fed. Russa (1,3%),
a África do Sul (1,2%), a Mauritânia e Marrocos (1,0% cada), a Grécia e a
Turquia (0,8% cada), Angola (0.7%), a Itália (0,8%), o Chile (0,7%) e a Namíbia
(0,6%), a Itália, Chile e Namíbia (0,6% cada).
Este conjunto de países
representou 90,4% do Total das importações portuguesas dos produtos do mar em
2025 e 91,0% no ano anterior.
4 – Exportação
Em 2025 as exportações cresceram em valor +6,4% face ao ano anterior (+91,5 milhões de Euros), tendo ocorrido acréscimos em todas as componentes à excepção de ”Sal, águas-mãe de salinas e algas” (-584 mil Euros): “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+45,3 milhões de Euros), “Peixe” (+41,9 milhões), “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (+3,1 milhões), “Farinhas e outros produtos da pesca” (+1,6 milhões), “Gorduras e óleos de peixe de mamíferos aquáticos” (+100 mil Euros) e “Extractos e sucos de carnes” (+69 mil Euros).
4.1 –
Mercados de Destino
Cerca de 84% das exportações destes produtos em 2025 tiveram por destino
a União Europeia, com destaque para a Espanha (55,8% do Total), França (10,7%)
e Itália (9,5%).
Seguiram-se, entre os principais países de destino, o Brasil (4,6%), os
EUA (2,4%), o Reino Unido/Irl NT (2,0%), os Países Baixos e a Alemanha (1,5%
cada), a Suíça (1,3%), a Bélgica (1,1%), a China e o Canadá (0,9% cada), Angola
(0,8%), a Áustria (0,7%) e o Luxemburgo (0,6%).
5 –
Importação e exportação de sardinha
Face à acentuada redução
da espécie ao longo dos últimos anos em zonas em que operam habitualmente os pescadores
portugueses e espanhois, têm existido limitações anuais impostas à pesca da
sardinha, importante para o sector português da exportação de conservas, tendo
mesmo havido um parecer científico do “Conselho Internacional para a
Exploração do Mar (ICES)” que aconselhava a sua proibição.
Em 2025 aumentou a
importação de “Sardinha fresca, refrigerada ou congelada” (+47,2% em valor e +35,1%
em quantidade) e aumentou a sua exportação (+24,4% e -5,6%, respectivamente). O valor médio por quilo
subiu de 1,7 para 1,8 Euros na importação e de 1,4 para 1,8 Euros na
exportação.
Os principais fornecedores
foram a Espanha (76,7%), Marrocos (11,2%) e a França (7,4%). Os principais
mercados de destino foram a Espanha (54,6%), a França (19,0%), a Alemanha (5,9%),
o Canadá (5,4%) e os EUA (4,3%).
Em 2025 aumentou significativamente
a importação de “Conservas de sardinha” (+109,5%), cifrando-se
em 12,9 milhões de Euros, com o valor médio por quilo a subir de 6,8 para 6,9
Euros.
A exportação, num valor
de 104,0 milhões de Euros, aumentou +25,0% face a 2024, com o valor médio por
quilo a subir de 7,0 para 7,2 Euros.
Em 2025 os principais
mercados de origem foram a Espanha (46,9%), Marrocos (22,3%). os Países Baixos
(14,9%) e a França (12,3%), que no seu conjunto representaram 96,4% do Tot<l
das importações.
Os principais destinos
foram a França (37,7%), a Espanha (18,2%), o Reino Unido/Irl.NT (8,9%), os EUA
(8,9%) e a Áustria (5,3%).
Seguiram-se, com mais de
1% do Total, o EUA (6,0%), a Bélgica (5,3%), a Austria (4,0%), os Países Baixos
(3,2%), a Suíça (1,8%), a Austrália (1,7%), Hong-Kong (1,5%), a China e a
Irlanda (1,1% cada).
6 –
Importação e exportação de bacalhau
Em 2025 o bacalhau pesou 25,8%
no total das importações dos produtos do mar (25,9% em 2024) e 12,1% no total
das exportações (12,6% no ano anterior).
O bacalhau ocupa uma
posição importante na alimentação dos portugueses, tendo nos últimos dois anos o
peso das importações sido cerca de quatro vezes superior ao das exportações.
Em 2025, face ao ano
anterior, a importação de bacalhau aumentou +10,0% em valor e a exportação +1,9%.
O valor médio por quilo subiu, na importação, de 8,0 para 9,5 Euros e o da
exportação de 9,5 para 10,0 Euros.
Entre os vários tipos de
bacalhau destacam-se, nas importações, o “Seco, salgado, em salmoura ou
fumado” (72,1% do Total em 2025) e o “Congelado excluindo filetes” (19,0%).
Nas exportações
predominaram, em 2025, o bacalhau “Congelado excluindo filetes” (45,7%),
os “Filetes em qualquer estado” (21,0%) e o “Seco, salgado, em
salmoura ou fumado” (19,1%).
Em 2025 os principais
mercados de origem das importações de bacalhau foram os Países Baixos (41,8% do
Total), a Suécia (24,9%), a Noruega (7,4%) e a China (6,7%). Seguiram-se, entre
os principais, a Espanha (5,2%), a Fed. Russa (4,9%) e a Dinamarca (4,4%),
Os principais países de
destino foram a Espanha (31,3%), o Brasil (30,2%) e a França (11,7%). Seguiram-se
a Itália (4,9%), a Suíça (3,1%), Angola (2,3%), os EUA (2,6%),a Alemanha
(2,3%), a Bélgica (2,2%) e o Luxemburgo (1,9%). Estes países representaram
98,5% do Total.
Segue-se nas páginas
seguintes, nos Anexos 1 a 13, em quadros e gráficos, a Balança Comercial
da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da
Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.
ANEXOS
Alcochete, 15 de Abril de 2026.





























Sem comentários:
Enviar um comentário