Evolução das exportações e importações
de Produtos Industriais Transformados
por níveis de intensidade tecnológica
(2021-2025)
(disponível para download >> aqui )
1 - Introdução
A evolução do
nível de intensidade tecnológica das exportações e importações de Produtos
Industriais Transformados (PIT), com maior valor acrescentado do que
os restantes, tem um reflexo directo na balança comercial de mercadorias, sendo
na exportação um importante indicador de desenvolvimento industrial.
Pretende-se neste
trabalho analisar a evolução do comércio internacional português destes
produtos a partir de dados de base de fonte “Instituto Nacional de
Estatística” (INE) para os anos de 2021 a 2024 em versões
definitivas e de 2025 em versão preliminar, com última actualização em 9 de Abril
de 2026.
Os níveis de intensidade tecnológica considerados
são os propostos pela OCDE, definidos com base na Revisão-3 da “International Standard Industrial Classification”
(ISIC Rev.3: Alta tecnologia - 2423, 30, 32 33, 353; Média-alta tecnologia - 24 excl.2423, 29, 31, 34,
352, 359; Média-baixa tecnologia - 23, 25 a 28, 351 e Baixa tecnologia - 15 a
22, 36 e 37).
A partir da tabela
correspondente ao ano de 2007, com recurso à “Classificação Tipo do Comércio Internacional” da ONU (CTCI/SITC
Rev.3) e à “Nomenclatura Combinada” a
oito dígitos em uso na União Europeia (NC8), tomando-se em consideração as
sucessivas alterações pautais anuais, foi construída uma tabela em NC8
abrangendo o período de 2007 a 2025.
2 – Balança comercial dos Produtos Industriais Transformados por níveis de intensidade tecnológica (2021-2025)
Ao longo do
período de 2021 a 2025, o saldo (Fob-Cif) da balança comercial anual portuguesa
de “Produtos Industriais Transformados” foi negativo, tendo-se
verificado um acréscimo sustentado do défice de -11,7 mil milhões de Euros em
2021, para -28,7 mil milhões em 2025.
No período em análise foram negativos os saldos da
Balança Comercial dos produtos de Alta e de Média-alta
tecnologia, não suficientemente compensados pelos saldos positivos, a
níveis muito inferiores, verificados entre 2021 e 2024 nos produtos de Média-baixa
tecnologia, com saldo também negativo em 2025, e de Baixa
tecnologia, com saldos negativos em 2024 e 2025.
3 – Exportação de Produtos Industriais Transformados por níveis de intensidade tecnológica (2021-2025)
O peso dos
Produtos Industriais Transformados na exportação global ao longo do período em
análise manteve-se numa faixa compreendida entre 93,3%, em 2021, e 95,9%,
em 2024.
Em 2025 o maior peso entre os níveis de intensidade
tecnológica incidiu na Baixa tecnologia (33,2%, com 34,7% em 2024),
seguida da Média-alta tecnologia (29,4% e 29,3% respectivamente),
da Média-baixa tecnologia (21,8% e 23,5%) e da Alta tecnologia
(15,6% e 13,5% em 2024).
O peso dos produtos de Alta tecnologia
no total das exportações de Produtos Industriais Transformados, que decaíra de 11,5%,
em 2020, para 9,9 em 2021, recuperou sustentadamente nos anos seguintes,
atingindo 15,6% em 2025.
Aqui se enquadram, por ordem decrescente do seu
peso em 2025, os “Produtos farmacêuticos” (43,2% do total deste nível), o
“Equipamento de rádio, TV e comunicações” (26,1%), os “Instrumentos
médicos, ópticos e de precisão” (22,5%), a “Aeronáutica e aeroespacial”
(4,8%) e o “Equipamento de escritório e computação” (3,4%).
O peso dos produtos de Média-alta tecnologia,
que em 2021 havia atingido 31,9% do total dos Produtos Industriais Transformados,
decresceu tendencialmente a partir de então, situando-se em 29,4% em 2025.
Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu
valor em 2025, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques” (42,8% do
total deste nível), as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não
eléctricos” (21,9%), os “Produtos químicos excepto farmacêuticos” (16,0%),
as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” (15,6%) e o “Equipamento
ferroviário e de transporte n.e.” (3,7%).
Por sua vez, o peso do conjunto dos produtos de Média-baixa
tecnologia, após uma subida de 23,7%, em 2021, para 25,8%, em 2022, reduziu-se sucessivamente
nos anos seguintes, situando-se em 21,8% do Total em 2025. Incluem-se aqui, por
ordem decrescente do seu peso em 2025, os “Produtos da borracha e do
plástico” (26,7% deste nível), os “Refinados de petróleo, petroquímicos
e combustíveis nucleares” (21,4%), o “Fabrico de produtos metálicos,
excluindo máquinas e equipamentos” (20,3%), a “Metalurgia de base” (16,2%),
os “Produtos minerais não metálicos” (14,6%) e a “Construção e
reparação naval” (0,7%).
Nos produtos de Baixa tecnologia assistiu-se
a uma descida do seu peso entre 2021 e 2023 de 34,4% para 33,0%, seguida de uma
subida para 34,7% em 2024, tendo no ano seguinte regressado próximo do nível de
2023, com 33,2%. Incluem-se aqui os “Produtos alimentares, bebidas e
tabaco” (35,5%), os “Têxteis, vestuário, couros e calçado” (34,4%),
a “Pasta, papel, cartão e publicações” (12,7%), as “Manufacturas n.e.
e reciclagem” (9,9%) e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça” (7,5%).
Ao longo do período de 2021 a 2025 o ritmo de
crescimento nominal das exportações de Produtos Industriais Transformados
cresceu tendencialmente, com destaque para os produtos de Alta tecnologia.
3.1 –Partição das exportações entre espaço Intra e Extra UE-27 em 2024 e 2025
As exportações de Produtos Industriais
Transformados têm a União Europeia por principal destino (71,6% em 2026 e 70,2%
em 2025).
No período em análise, o maior peso do espaço
Intra-UE nas exportações de Produtos Industriais Transformados coube ao nível da
Média-alta tecnologia (75,2% em 2025 e 75,4% em 2024).
Seguiu-se a Baixa tecnologia (72,2% e
71,3%, respectivamente), a Alta tecnologia (70,2% e 68,5%) e a Média-baixa
tecnologia (66,9% e 63.1%).
4 – Importação de Produtos Industriais Transformados, por níveis de intensidade tecnológica (2021-2025)
O peso dos Produtos Industriais Transformados na
importação global portuguesa, que em 2021 atingira 85,5%, decaiu para 81,3% em
2022, para crescer fortemente nos anos seguintes, atingindo 93,1% em 2025.
Em 2025, o maior peso entre os níveis de
intensidade tecnológica da importação incidiu na Média-alta tecnologia (36,8%
em 2025 e 2024), seguida da Baixa tecnologia (29,6% e 29,1%,
respectivamente%), da Alta tecnologia (17,5% e 17,3%) e da Média-baixa
tecnologia (16,2% e 16,8%).
O peso dos
produtos de Alta tecnologia no total das
importações de Produtos Industriais Transformados, que em 2021 representava 17,7%,
desceu para 17,1% no ano seguinte, para depois crescer sustentadamente até 2025,
quando atingiu 17,5%. Aqui se
enquadram em 2025, por ordem decrescente do seu peso, os “Produtos
farmacêuticos” (40,1% do total deste nível), o “Equipamento de rádio, TV
e comunicações” (25,7%), os “Instrumentos médicos, ópticos e de
precisão” (18,2%), o “Equipamento de escritório e computação” (10,5%)
e os produtos da área “Aeronáutica e aeroespacial” (5,5%).
O peso dos produtos de Média-alta tecnologia,
que no período em análise teve o seu valor mais alto em 2022, com 20,6% do
total dos Produtos Industriais Transformados, desceu para 36,8% nos dois anos
seguintes. Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu valor em 2025, os “Veículos
a motor, reboques e semi-reboques” (37,7% do total deste nível), os “Produtos
químicos excepto farmacêuticos” (28,4%), as “Máquinas e equipamentos
n.e., principalmente não eléctricos” (21,1%), as “Máquinas e aparelhos
eléctricos n.e.” (10,7%) e o “Equipamento ferroviário e de transporte
n.e.” (2,0%).
O peso dos produtos de Média-baixa tecnologia,
que aumentara de 19,6%, em 2021, para 20,6%, em 2022, decaiu sucessivamente a
partir de então, até 16,2% em 2025. Inclui-se aqui a “Metalurgia de base”
(32,5% do total deste nível), os “Produtos da borracha e do plástico” (20,7%),
os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustíveis nucleares” (18,8%),
o “Fabrico de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos” (18,4%),
os “Produtos minerais não metálicos” (9,0%) e a “Construção e
reparação naval” (0,6%).
Os produtos de Baixa tecnologia viram
o seu peso aumentar sustentadamente de 24,9%, em 2021, até 29,6%, em 2025. Incluem-se aqui os “Produtos alimentares,
bebidas e tabaco” (41,1%), os “Têxteis, vestuário, couros e calçado”
(40,5%), as “Manufacturas n.e. e reciclagem” (8,5%), a “Pasta, papel,
cartão e publicações” (6,6%) e a “Madeira e produtos da madeira e
cortiça” (3,3%).
Em 2025, face a 2021, cresceu significativamente o
ritmo das importações nominais de Produtos Industriais Transformados.
4.1–Partição das importações entre espaço Intra e Extra UE-27 em 2023 e 2024
As importações de Produtos Industriais
Transformados têm a União Europeia por principal origem (81,0% em 2025 e 80,8%
em 2024). Em 2025, o maior peso nas importações de Produtos Industriais
Transformados por níveis de intensidade tecnológica, no âmbito do espaço
Intra-UE, coube aos produtos de Baixa tecnologia (82,7% e 82,2%
em 2024) e de Média-alta tecnologia (82,2% e 83,6%). Seguiu-se a Alta
tecnologia (79,8% e 76,8%) e a Média-baixa
tecnologia (77,1% e 76,7%).















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