segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro-Agosto 2026

 


Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Agosto de 2026)

                                     ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Agosto de 2026, em versão preliminar com última actualização em 9 de Outubro de 2026, e de 2025, em versão definitiva, as exportações de mercadorias cresceram, em termos homólogos, +2,9% (+1,5 mil milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +5,3% (+4,0 mil milhões).

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um acréscimo de +3,0% (+1,1 mil milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +2,7% (+398 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +4,1% (+2,3 mil milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +9,1% (+1,6 mil milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +11,1% face a 2025, situou-se em -24,4 mil milhões de Euros (superior em cerca de 2,5 mil milhões ao ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1,2 mil milhões no comércio intra-UE e de 1,2 mil milhões no extra-UE. Em termos globais, o grau de cobertura das importações pelas exportações desceu de 70,5% em 2025, para 68,9% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Agosto o valor médio de importação do petróleo bruto subiu de 506 Euros/Ton, em 2025, para 599 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 818 Euros/Ton).

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Setembro).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 10,4% no total das importações em 2026 e 7,0% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 68,9% no comércio global, para 71,5%.


2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Agosto de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 71,6% do Total, cresceram +3,0%, contribuindo com +2,1 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de +2,9%. As exportações para o espaço extracomunitário, 28,4% do Total, cresceram +2,7%, contribuindo com +0,8 p.p. para a taxa de evolução global.


Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,2%), a Alemanha (11,9%), a França (11,8%), os EUA (5,4%), a Itália (4,4%), o Reino Unido/Irl NT (4,1%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,7%), as Provisões de Bordo para Terceiros (1,8%) e a Polónia (1,7%), países que representaram 73,7% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de +8,0% nas nossas exportações (+56,0 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Químicos” (+24,8 milhões), “Minérios e metais” (+10,1 milhões), “Produtos acabados diversos” (+8,5 milhões), “Agro-alimentares” (+7,6 milhões de Euros), “Aeronaves, embarcações e partes” (+7,1 milhões), “Têxteis e vestuário” (+2,0 milhões), “Energéticos” (+1,2 mil Euros), “Calçado, peles e couros” (+727 mil Euros). Os decréscimos incidiram nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (-5,2 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (-519 mil Euros) e “Material de transporte terrestre e partes” (-420 mil Euros).


Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (+2,9%) pertenceram à Espanha (+1,3 p.p.), seguida das Provisões de Bordo Extra-UE (+0,5 p.p.), da França (+0,4 p.p.), da China e Turquia (+0,3 p.p. cada), e das Provisões de Bordo Intra-UE, Marrocos, Países Baixos e Bélgica  (+0,2 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-1,3 p.p.), seguida dos EUA (-1,0 p.p.) e do Reino Unido/ Irl.NT (-0,3 p.p.).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram em Espanha (+660 milhões de Euros), seguida da França (+192 milhões), Provisões de bordo (+123 milhões), Países Baixos (+118 milhões), Finlândia (+115 milhões), Bélgica (+91 milhões), Polónia (+91 milhões), Suécia (+87 milhões), Irlanda (+73 milhões) e Itália (+49 milhões de Euros).    

O principai decréscimo coube à Alemanha (-686 milhões de Euros), seguida da Estónia e da Roménia (-12 milhões cada).




No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se as Provisões de Bordo (+260 milhões), a China (+166 milhões), a Turquia (+157 milhões), Marrocos (+122 milhões), a Nigéria (+79 milhões), o Brasil (+74 milhões), Cabo Verde (+71 milhões), Angola (+56 milhões), a Suíça (+55 milhões), o Togo e Emiratos (+54 milhões cada).

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-524 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido/Irl.NT (-172 milhões), da Ucrânia (-65 milhões), de Taiwan (-50 milhões), da Austrália (-47 milhões), do Panamá (-46 milhões), da Arábia Saudita (-40 milhões) e da Argélia (-34 milhões de Euros).

3.2 – Importações


No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 75,2% do total, registaram um acréscimo de +4,1%, com um contributo para o resultado global de +3,1 p.p.. As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +9,1%, representando 24,8% do total, com um contributo de +2,2 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,3% do Total), seguida da Alemanha (12,1%), da França e dos Países Baixos (7,3% cada), da China (5,3%), da Itália (4,8%), do Brasil (3,8%), da Bélgica (3,1%), dos EUA (2,3%) e da Polónia (1,7%). Estes países representaram, no seu conjunto, 80,3% do total das importações.

Em Janeiro-Agosto de 2026, entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações (+5,3%), destacaram-se a Espanha (+2,2 p.p.), os Países Baixos (+1,8 p.p.), o Brasil (+1,2 p.p.), a Alemanha (+1,0 p.p.), a China (+0,7 p.p.), a França (+0,6 p.p.) e os EUA (+0,3 p.p.).

Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,8 p.p.), seguida da Argélia (-0,3 p.p.), da Turquia e da Hungria (-0,2 p.p.) e do Reino Unido/ Irl NT (-0,1 p.p.).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros.




4 – Saldos da Balança Comercial       

No período em análise os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irl.NT (+1523 milhões de Euros), aos EUA (+1168 milhões), à França (+641 milhões), a Angola (+638 milhões) e a Marrocos (+367 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-11368 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-3807 milhões), da China (-3610 milhões), da Alemanha (-3063 milhões) e do Brasil (-2221 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2) foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026 os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +841 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,3% e +134 milhões), “Químicos” (13,6% e -1175 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (11,6% e -142 milhões) e “Minérios e metais” (11,1% e +994 milhões).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (8,8% e -18 milhões), “Têxteis e vestuário” (7,2% e +98 milhões), “Energéticos” (7,0% e +767 milhões), “Madeira cortiça e papel” (6,4% e -10 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,8% e +11 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,8% e +19 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Agosto de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,1% do Total e +1913 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (16,9% e -1479 milhões), “Agro-alimentares” (15,5% e +256 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (13,2% e +804 milhões) e “Energéticos” (10,4% e +1503 milhões). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,5% e +301 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +356 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,6% e +43 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -33 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +30 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,1% e +270 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

No período em análise, entre os mercados de destino, a Espanha ocupou a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 26,2% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois das Provisões de Bordo para Países Terceiros), “Calçado, peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França). 


Seguiram-se no “ranking” a Alemanha (11,9%), a França (11,8%), os EUA (5,4%), a Itália (4,4%), o Reino Unido (4,1%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,7%), as Provisões de Bordo para Países Terceiros (1,8%) e a Polónia (1,7%).

Estes dez destinos representaram 73,7% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,5% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (5º lugar, depois da França, Brasil, Alemanha e EUA).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,1%), a França e os Países Baixos (7,3% cada), (7,4%), a China (5,3%), a Itália (4,8%), o Brasil (3,8%), a Bélgica (3,1%), os EUA (2,3%) e a Polónia (1,7%).

Estes dez países cobriram 80,3% da importação total.

7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026           face a 2025, por meses homólogos não acumulados



Alcochete, 11 de Outubro de 2026.


ANEXO





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