quinta-feira, 6 de março de 2025

Comércio Internacional de Portugal com os PALOP - 2020-2024


 

Comércio Internacional de Portugal com os PALOP
(Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa)
2020-2024

( disponível para download  >> aqui )

1 - Introdução

Analisa-se neste trabalho a evolução do Comércio internacional de mercadorias de Portugal com os “Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa” (PALOP), também designados por ex-Colónias, no seu conjunto e individualmente, no período 2020-2024, com base em dados divulgados pelo “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), em versões definitivas até 2023 e preliminar para 2024, com última actualização em 10-2-2025.

2 – Conjunto dos PALOP

O peso do conjunto dos PALOP na importação anual de mercadorias de Portugal com origem nos Países Terceiros foi tendencialmente decrescente entre 2020 e 2024 (2,5% do Total para 0,5%), tendo sido também tendencialmente decrescente a exportação (de 9,7% para 7,9%).

No quadro seguinte pode observar-se a evolução do peso relativo de cada um dos países componentes no Total das importações e das exportações de Portugal com os PALOP entre 2020 e 2024.

Entre 2020 e 2024 Angola ocupou a primeira posição em ambas as vertentes, seguida de Moçambique e Cabo Verde nas importações, e de Cabo Verde e Moçambique nas exportações.

Os gráficos seguintes mostram o ritmo de evolução anual das importações e exportações de Portugal com o conjunto dos PALOP e com cada um dos seus componentes entre 2020 e 2024.

2.1– Balança Comercial

No período em análise a Balança Comercial foi favorável a Portugal, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações.

O saldo da balança aumentou sustentadamente entre 2023 e 2023, estabilizando em 2024 com 1,7 mil milhões de Euros. 

O peso dos PALOP no Comércio Internacional global de Portugal desceu de 1,4% em 2020 para 0,3% em 2024 na Importação e de 3,1% para 2,6% na Exportação.

2.2– Importação

As posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8) foram aqui agregadas, nas duas vertentes comerciais, em 11 grupos de produtos (ver Anexo).

A importação portuguesa com origem no conjunto dos cinco PALOP tem como forte componente o grupo “Energéticos”, centrado em Angola e constituído por óleos brutos do petróleo, que representou 52,7% do Total em 2024 (73,3% em 2023).

Seguiu-se o grupo “Agro-alimenares” com 27,9% do Total (14,3% no ano anterior).

Com pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos Têxteis e vestuário” (5,0% e 2,1% em 2023), “Madeira, cortiça e papel” (4,2% e 4,1%), “Minérios e metais” (3,6% e 2,5%), “Produtos acabados diversos” (2,8% e 0,9%),  “Calçado, Peles e couros” (2,0% e 0,9%), “Máquinas, aparelhos e partes” (1,2% e 1,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,3% e 0,2%), “Aeronaves, embarcações e partes” (1,0% e nulo em 2023) e “Químicos” (0,1% nos dois anos).

No quadro seguinte constam as principais importações por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2) efectuadas em 2024 e os correspondentes valores em 2023.

2.3 – Exportação


Na Exportação, bem mais diversificada, destacaram-se em 2024 os grupos de produtos Máquinas, aparelhos e partes” (23,7% e 26,6% em 2023), “Agro-alimentares” (23,0% e 22,0%) e Químicos” (16,7% e 15,5%).

Seguiram-se, entre os principais, os grupos “Minérios e metais” (11,2% e 10,5%),  “Produtos acabados diversos” (9,0% e 9,6%) e “Energéticos” (6,9% e 5,8%).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,4% e 3,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (2,7% e 3,0%), “Têxteis e vestuário” (2,2% nos dois anos), “Calçado, peles e couros” (0,6% em ambos os anos) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,5% nos dois anos).

No quadro seguinte constam as principais exportações por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2) efectuadas em 2024 e correspondentes valores em 2023.

2.4 – Balança Comercial de Portugal com cada um dos PALOP

No quadro seguinte consta a Balança Comercial de Portugal com cada um dos PALOP no período 2020-2024.

Segue-se uma análise da evolução das importações e das exportações de Portugal com cada um dos países componentes, no período 2020-2024.

3 - Angola

3.1 - Balança Comercial

Em 2024, face ao ano anterior, as importações registaram uma descida de -64,7% e as exportações uma quebra de -18,4%, com o saldo da balança a decrescer ‑5,7%.

3.2 – Importação

A principal importação portuguesa com origem em Angola incide no grupo de produtos “Energéticos”, essencialmente constituída por petróleo bruto, tendo representado 73,6% do Total em 2024, contra 85,8% em 2023. 

Seguiu-se o grupo “Agro-alimentares” (17,8% e 8,8% no ano anterior) e, com pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos “Minérios e metais” (2,7% e 2,2%), “Madeira, cortiça e papel” (2,3% e 1,0%), “Produtos acabados diversos” (2,3% e 0,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (0,8% e 1,4%) e “Material de transporte terrestre” (0,2% e 0,1%).

Foram paticamente nulas, ou mesmo nulas, as importações dos grupos de produtos ”Têxteis e vestuário” “Aeronaves, embarcações e partes”, “Químicos” e  “Calçado, peles e couros”.

3.3 – Exportação

As principais exportações portuguesas com destino a Angola em 2024 couberam aos grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (28,5% e 33,0% no ano anterior), “Agro-alimentares” (19,7% e 17,6%) e “Químicos” (17,6% e 15,8%).

Seguiram-se, entre os principais, os grupos “Minérios e metais” (11,9% e 10,8%) e  “Produtos acabados diversos” (10,0% e 11,0%).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,3% e 3,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (3,2% e 3,6%), “Energéticos” (2,5% e 1,5%), “Têxteis e vestuário” (2,2% em cada um dos anos), “Calçado, peles e couros” (0,6% nos dois anos) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,6% e 0,8%).


4 – Cabo Verde

4.1 - Balança Comercial

Em 2024 as importações portuguesas com origem em Cabo Verde (10,5 milhões de Euros) ocuparam a terceira posição no conjunto dos PALOP, depois de Angola e Moçambique, com 7,9% do Total, tendo registado um pequeno acréscimo face ao ano anterior (+0,2%).

Por sua vez, as exportações (392,1 milhões de Euros) ocuparam a segunda posição no conjunto dos PALOP, depois de Angola (21,5% do Total), o que representou um aumento de +8,8% face ao ano anterior.

A Balança Comercial de mercadorias, favorável a Portugal, registou em 2024 um saldo posiivo de +381,6 milhões de Euros, o que correspondeu um acréscimo de + 9,0% face ao saldo do ano anterior.

4.2 – Importação

Em 2024 as principais importações portuguesas com origem em Cabo Verde incidiram nos grupos de produtos “Têxteis e vestuário” (51,1% do Total e 49,3% em 2023), “Calçado, peles e couros” (25,3% e 28,1%) e “Produtos acabados diversos” (11,9% e 10,5%).  Seguiram-se os grupos “Agro-alimentares” (4,0% e 3,2%), “Minérios e metais” (2,8% e 1,8%), “Máquinas, aparelhos e partes” (2,6% e 4,4%), “Energéticos” (1,1% e 1,4%) e “Material de transporte terrestre e partes” (0,9% e 0,7%). Com pesos inferiores alinharam-se os grupos “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% e 0,3%), “Madeira, cortiça e papel” (0,1% em cada ano) e “Químicos” (também 0,1% em ambos os anos).

Na figura seguinte relacionam-se os principais produtos transaccionados, por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2).

4.3 – Exportação

Em 2024 as principais exportações couberam ao grupo “Agro-alimentares” (28,2% e 31,6%), “Químicos” (14,4% e 13,7%), “Minérios e metais” (14,2% e 13,8%), “Máquinas, aparelhos e partes” (13,8% e 12,6%) e “Energéticos” (10,7% e 9,3%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (8,3% e 8,1%), “Madeira, cortiça e papel” (4,5% e 5,3%), “Têxteis e vestuário” (2,8% e 2,5%) e “Material de transporte terrestre e partes” (2,1% e 2,3%).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos  “Calçado, peles e couros” (0,6% nos dois anos) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% em ambos os anos).


5 – Guiné-Bissau

5.1 - Balança Comercial

 A Balança Comercial de mercadorias, favorável a Portugal, com elevadíssimos graus de cobertura ao longo do último quinquénio, registou em 2024 um saldo posiivo de +121,3 milhões de Euros, a que correspondeu um decréscimo de -4,6% face ao saldo do ano anterior.

As importações cifraram-se em escassos 358 mil Euros, contra 211 mil euros no ano anterior Por sua vez, as exportações situaram-se em 121,7 milhões de Euros (-4,5% face ao ano anterior).

5.2 – Importação

Em 2024 a principais importações incidiram nos grupos “Agro-alimentares” (58,1% e 31,6% em 2023) e  “Máquinas, aparelhos e partes” (28,8% e 53,1%).

Seguiram-se os grupos “Material de transporte terrestre e partes” (7,7% e 7,5%), “Madeira, cortiça e papel” (2,7% e 7,6%), “Químicos” (2,0% e nulo em 2023), “Minérios e metais” (0,7% e nulo em 2023) e “Produtos acabados diversos” (0,1% e 0,2%)

Com importações nulas nos dois anos alinharam-se depois os grupos “Energéticos”, “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Aeronaves, embarcações e partes”.

5.3 – Exportação

Em 2024 o principal grupo de produtos nas exportações para a Guiné-Bissau foi “Energéticos” (45,3% e 48,9% em 2023) e “Agro-alimentares” (31,5% e 30,9%).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (6,1% e 4,8 %), “Máquinas, aparelhos e partes” (5,6% e 5,2%), “Químicos” (4,5% e 3,6%), “Minérios e metais” (2,6% e 3,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,8% e 1,4%), “Madeira cortiça e papel(1,1% e 0,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e exportação nula em 2023), “Têxteis e vestuário” (0,7% e 0,9%) e “Calçado, peles e couros” (0,1% nos dois anos).

6 – Moçambique

6.1 - Balança Comercial

A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Moçambique foi favorável a Portugal ao longo dos últimos cinco anos, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações. O saldo da Balança oscilou entre um mínimo de 154 milhões de Euros em 2021 e um máximo de 190 milhões em 2024.

6.2 - Importação

Pouco diversificadas, em 2024 as importações portuguesas de mercadorias com origem em Moçambique centraram-se no grupo de produtos “Agro-alimentares” (72,9% do Total e 59,9% em 2023. Seguiram-se “Madeira, cortiça e papel” (12,7% e 28,8%), “Minérios e metais” (6,7% e 4,6%), “Têxteis e vestuário (4,3% e 4,0%), “Máquinas, aparelhos e partes” (1,8% nos dois anos) e “Produtos acabados diversos” (1,1% e 0,4%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Químicos” (0,2% e 0,1%) e ”Material de transporte terrestre e partes” (0,2% e 0,3%), tendo sido nulas nos dois anos as importações dos grupos “Calçado, peles e couros”, “Aeronaves, embarcações e partes” e “Energéticos”.

6.3 - Exportação

Em 2024 os grupos de produtos com maior peso nas exportações foram “Máquinas, aparelhos e partes (30,5% e 27,9% em 2023), “Químicos” (24,9% e 24,7%) e “Agro-alimentares” (18,9% e 21,0%). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,4% e 8,1%), “Produtos acabados diversos” (8,0% e 7,4%), e “Madeira. cortiça e papel” (3,1% e 5,2%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Têxteis e vestuário” (1,7% e 2,0%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,5% e 1,9%), “Energéticos” (1,4% e 0,6%), “Calçado, peles e couros” (1,1% em ambos os anos) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,6% e nula em 2023).


7 – São Tomé e Príncipe

7.1 - Balança Comercial

As importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe após terem decrescido de 2,6 milhões de Euros, em 2021, para 575 mil euros em 2023, aumentaram +60% em 2024, situando-se em 919 mil Euros. Por sua vez as exportações, que em 2022 atingiram cerca de 66 milhões de Euros, decaindo para 50,9 milhões no ano seguinte, registaram em 2024 um acréscimo de +21,5%, situando-se em 61,8 milhões de Euros.

7.2 - Importação

Em 2024 as principais importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe incidiram nos grupos “Agro-alimentares” (58,1% e 33,2% no ano anterior) e “Minérios e metais” (26,6% e 49,6%).

 Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (14,2% e importação nula em 2023), e  “Máquinas, aparelhos e partes” (1,0% e 9,1%) e “Produtos acabados diversos” (0,1% e 0,3%).

Foram nulas em 2024 as importações dos restantes grupos de produtos.


7.3 - Exportação

Em 2024 as principais exportações portuguesas para São Tomé e Príncipe couberam ao grupo de produtos “Agro-alimentares” (44,2% e 46,2% em 2023), seguido dos grupos  “Máquinas, aparelhos e partes” (19,9% e 15,2%) e “Químicos” (11,7% e 12,7%).

Alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (6,8% e 6,7%), “Minérios e metais” (6,1% e 6,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (4,2% e 3,2%), “Madeira, cortiça e papel” (2,8% e 3,6%), “Têxteis e vestuário” (2,7% e 2,4%), “Energéticos” (1,1% e 2,4%) e “Calçado, peles e couros” (0,5% em cada um dos anos).

Em 2024 foram nulas as exportações do grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, que no ano anterior representara 0,1% do Total.




Alcochete, 5 de Março de 2025



ANEXO





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Comércio Internacional de Mercadorias - Índices de Valor, Volume e Preço - 2024/2023

 

Comércio Internacional de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(2024/2023)

(disponível para download >>> aqui )

1 - Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias por Grupos e Subgrupos de Produtos, calculados para o período acumulado de Janeiro a Dezembro de 2024, a preços do período homólogo de 2023.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e às exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 Grupos e 38 Subgrupos de Produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão definitiva para 2023 e em versão preliminar para 2024, com última actualização em 10 de Fevereiro de 2025.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada Subgrupo de Produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos Grupos de Produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do Total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada Subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação, por países de origem e de destino, de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do Subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado. No caso presente foram desagregados por países, e analisados os respectivos índices, 51 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e 34 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do Subgrupo podem ser desagregados e considerados por países se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do Subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se, por Grupos de Produtos, a representatividade das amostras globais, em cada uma das vertentes comerciais, que serviram de base ao cálculo dos índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada constantes na base de dados do INE.

3 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis, o défice da balança comercial de mercadorias em 2024 aumentou +0,3% face ano anterior (de -20,8 para -27,9 mil milhões de Euros), com o grau de cobertura das importações pelas exportações a aumentar de 73,6% para 74,0%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as importações originárias dos Países Terceiros), com um acréscimo em valor de +1,9%, terão registado um acréscimo em volume de +5,9% e um decréscimo em preço de -3,8%. Por sua vez, o acréscimo em valor de +2,5% verificada nas exportações terá resultado de um acréscimo em volume de +5,3%, com o preço a decrescer -2,6%.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2024 situa-se em -21,8 mil milhões de Euros, contra -27,9 mil milhões em termos globais. Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações, excluindo os produtos “Energéticos” sobe de 74,0%, em termos globais, para 77,1%.

Numa análise por Grupos de Produtos, em 2024 o saldo da Balança Comercial de mercadorias foi positivo em quatro dos onze Grupos de Produtos considerados, que pesaram 26,3% no total das exportações e 15,8% no total das importações, designadamente “Madeira, cortiça e papel”, “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Produtos acabados diversos”.

4 - Importações

Em 2024 os Grupos de Produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (18,3% do Total), “Químicos” (17,6%), “Agro-alimentares” (15,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,0%) e “Energéticos” (10,8%).

Seguiram-se os Grupos “Minérios e metais” (8,8%), “Produtos acabados diversos” (6,2%), “Têxteis e vestuário” (5,0%), “Madeira, cortiça e papel” (2,8%), “Calçado, peles e couros” (1,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,0%).

Foram negativas as taxas de variação em Valor de três dos Grupos, incidindo os maiores decréscimos em “Energéticos” (-5,8%), seguidos de “Madeira, cortiça e papel” (-2,2%), e “Minérios e metais” (-0,2%). Aumentaram em valor as importações de “Calçado, peles e couros” (+6,5%), “Químicos” (+6,0%), “Produtos acabados diversos” (+3,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+2,7%), “Agro-alimentares” (+2,2%), “Material de transporte terrestre e partes” e “Têxteis e vestuário” (+2,0% cada). O Grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, para que não se calcula o índice de preço, registou em 2024 uma taxa de variação homóloga em Valor de +19,8%.

Em Volume, foram positivas em 2024 as taxas de variação em todos os grupos de produtos. Os maiores acréscimos incidiram em “Calçado, peles e couros” (+13,1%), “Químicos” (+11,8%) e “Produtos acabados diversos” (+9,0%), seguidos dos grupos “Têxteis e vestuário” (+6,9%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+6,6%), “Madeira, cortiça e papel” (+5,1%), “Minérios e metais” (+4,7%), “Agro-alimentares” (+3,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (+2,2%) e “Energéticos” (+0,8%).

  Em Preço, foram negativas as taxas de variação de todos os Grupos As maiores quebras couberam aos Grupos “Madeira, cortiça e papel” (-6,9%) e “Energéticos” (-6,6%), seguidos dos grupos “Calçado, peles e couros” (-5,8%), “Químicos” (-5,2%), “Produtos acabados diversos” (-5,0%), Minérios e metais” (-4,7%), “Têxteis e vestuário” (-4,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-3,7%), “Agro-alimentares” (-0,8%) e “Material de transporte terrestre e partes” (-0,2%).

5 – Exportações

Em 2024 os Grupos de Produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (14,9%), “Agro-alimentares” (14,7%), Químicos” (14,3%) e “Material de transporte terrestre e partes” (12,1%).

Seguiram-se os Grupos “Minérios e metais” (9,9%). “Produtos acabados diversos” (9,5%), “Têxteis e vestuário” (7,2%), “Energéticos” (7,0%), “Madeira, cortiça e papel” (6,8%), “Calçado, peles e couros” (2,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7%).

Verificaram-se acréscimos em Valor, face a 2023, nos Grupos “Energéticos” (+10,5%), “Agro-alimentares” (+8,6%), “Químicos” (+7,6%), “Madeira, cortiça e papel” (+2,7%) e “Minérios e metais” (+1,2%).

Os maiores decréscimos verificaram-se em “Calçado, peles e couros” (-4,2%), “Têxteis e vestuário” (-2,8%) e “Material de transporte terrestre e partes” (-2,2%), seguidos de “Produtos acabados diversos” (-0,8%) e “Máquinas, aparelhos e partes” (-0,6%).

Em Volume registaram-se decréscimos nos Grupos “Material de transporte terrestre e partes” (-2,9%), “Calçado. peles e couros” (-2,6%) e “Têxteis e vestuário” (-0,1%).

Os maiores acréscimos ocorreram nos Grupos “Químicos” (+17,4%) e “Energéticos” (+16,9%), a que se seguiram os Grupos “Agro-alimentares” (+8,2%), “Madeira, cortiça e papel” (+3,9%), “Produtos acabados diversos” (+2,9%). “Minérios e metais” (+2,3%) e “Máquinas, aparelhos e partes” (+1,5%),

No âmbito do Preço verificaram-se decréscimos nas exportações de oito Grupos de Produtos, com destaque para “Químicos” (-8,4%) e “Energéticos” (-5,5%), seguidos de “Produtos acabados diversos” (-3,6%), ”Têxteis e vestuário” (-2,7%), “Máquinas, aparelhos e partes”   (-2,0%), “Calçado, peles e couros” (-1,6%), “Madeira, cortiça e papel” (-1,2%) e “Minérios e metais” (-1,1%).

Os acréscimos, de pequena monta, ocorreram nos grupos “Material de transporte terrestre” (+0,7%)  e “Agro-alimentares” (+0,3%),

 

Alcochete, 27 de Fevereiro de 2025.

 

ANEXO



                    

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025


Comércio Internacional 
de mercadorias
de Portugal com os EUA
(2020-2024)

( disponível para download  >> aqui )

1 – Introdução

Analisa-se neste trabalho a evolução do Comércio Internacional de Portugal com os EUA no período 2020-2024, com base em dados definitivos do ‘Instituto Nacional de Estatística de Portugal’ (INE) até 2023 e em versão preliminar para 2024. O ritmo de crescimento do valor das importações portuguesas de mercadorias com origem nos EUA face a 2020 (2020=100), após um acréscimo significativo até 2022 (283,1%), desacelerou no ano seguinte para 182,1%, situando-se em 195,3% em 2024. Por sua vez o ritmo de crescimento das exportações aumentou sustentadamente até 2024, atingindo 199,2% face a 2020.

Em 2024, os EUA ocuparam a 4ª posição no conjunto das exportações portuguesas, com 6,7% do Total, precedidos da Espanha (26,0%), da França (12,3%) e da Alemanha (12,2%). Na vertente das importações ocuparam a 9ª posição entre os principais fornecedores, com 2,3% do Total, e a 3ª posição face ao conjunto dos fornecedores extracomunitários, com 8,8% do seu Total, precedidos da China (18,7%) e do Brasil (13,6%).

No gráfico seguinte consta a evolução das quotas de mercado de Portugal nas importações de mercadorias nos EUA, com base em estatísticas do “International Trade Centre” (ITC).

2 – Balança comercial

A balança comercial de Portugal com os EUA foi favorável a Portugal ao longo dos últimos cinco anos, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações.

Em 2022 ocorreram significativos acréscimos em valor nas importações e nas exportações face ao ano anterior, respectivamente +74,8% e + 43,0%. Em 2023 as importações registaram uma quebra significativa (-35,7%) e, embora as exportações tenham crescido +3,3%, o saldo da Balança Comercial aumentou +90,1% face ao ano anterior, ao situar-se em cerca de 3 mil milhões de Euros.

Em 2024 as importações cresceram +7,3% e as exportações +1,5%, com um saldo de +2,9 mil milhões de Euros, inferior ao do ano anterior em 84 milhões de Euros.

3 – Importações por Grupos de Produtos

Para uma análise do tipo de produtos transaccionados, as 97 posições a dois dígitos da Nomenclatura de codificação de mercadorias (NC2/SH2) foram agregadas em 11 Grupos de Produtos (ver Anexo).

Em 2024 as principais importações incidiram no grupo “Energéticos”  (54,9%, e 56,4% no ano anterior), principalmente petróleo bruto e gás de petróleo. Seguiram-se os grupos “Agro-alimentares” (14,0% e 9,7%, respectivamente), com destaque para as importações de soja, bagaço de soja, milho, peixe congelado e tabaco, entre outros, “Máquinas aparelhos e partes” (9,4% e 8,4%), muito diversificados, com os circuitos integrados e microconjuntos electrónicos em evididência, turborreatores e outras turbinas a gás, aparelhos telefónicos e de telecomunicação por fios, máquinas automáticas para processamento de dados, torneiras e válvulas, emissores de radiodifusão e de televisão, elevadores, escadas rolantes e teleféricos, entre muitos outros, “Químicos” (8,5% e 8,8%), com destaque para os hidrocarbonetos acíclicos, polímeros de etileno em formas primárias, álcoois acíclicos e seus derivados, soda e potassa cáusticas e polímeros de cloreto de vinilo, entre outros.

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (3,8% e 4,0% em 2023), “Aeronaves, embarcações e partes” (3,3% e 5,6%), “Madeira, cortiça e papel” (2,2% e 2,3%), “Minérios e metais (1,9% e 2,3%), Têxteis e vestuário” (1,1% e 1,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,7% e 0,9%) e “Calçado, peles e couros” (0,2% e 0,4%).

Na figura seguinte discriminam-se, por Grupos de Produtos, os principais produtos importados, desagregados por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2).

Em Anexo (Anexo-2) encontram-se discriminados a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4), por Grupos de Produtos, os principais produtos importados dos EUA em 2024.

4 – Exportações por grupos de produtos

Em 2024 os grupos de produtos com maior peso nas exportações de Portugal para os EUA foram os grupos “Energéticos” (20,0% do Total e 16,6% em 2023), essencialmente gasolinas para motor e óleos leves e “Químicos” (17,3% e 15,2%), constituído principalmente por medicamentos e pneus novos.

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (13,0% e 14,3%), principalmente mobiliário, louça e artigos de uso doméstico não de porcelana, contadores diversos como por exemplo velocímetros e taxímetros, partes e acessórios de armas, espingardas e carabinas de caça, pedra de cantaria e construção, relógios, assentos mesmo transformáveis em camas, ladrilhos cerâmicos, suportes elásticos para camas, colchões e edredões, aparelhos de medida e controlo, estatuetas e outros objectos ornamentais de cerâmica, e instrumentos de medicina e cirurgia, entre outros, “Têxteis e vestuário” (12,9% e 12,8%), muito diversificados, como roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha, camisolas e pulôveres de malha, esboços de feltro para chapéus, T-shirts e camisolas interiores de malha, cordéis, cordas e cabos, fatos, vestidos e outro vestuário de uso masculino e feminino, tecidos de malha-urdidura, cobertores e mantas, artigos para guarnição de interiores, camisas de tecido para homem e tecidos impregnados ou revestidos com plástico, entre muitos outros, “Máquinas, aparelhos e partes” (9,8% nos dois anos), muito diversificados, com destaque para os aparelhos telefónicos e de telecomunicação por fios, aparelhos para interrupção, seccionamento e protecção de circuitos eléctricos, caixas de fundição e moldes para diversos materiais, emissores de radiodifusão e televisão, aparelhos para tratamento de matérias que impliquem mudança de temperatura, elevadores, escadas rolantes e teleféricos, bombas, compressores, ventiladores e exaustores, quadros eléctricos, receptores de radiodifusão, telefonia ou telegrafia, aparelhos de sinalização, torneiras e válvulas, condensadores eléctricos e máquinas de impressão, entre outros, “Madeira, cortiça e papel” (9,7% e 11,6%), com destaque para as obras de cortiça, papel e cartão, “Agro-alimentares” (6,9% e 7,2%), principalmente vinhos e também produtos de padaria ou pastelaria, azeite, produtos hortícolas não congelados, tripas e conservas de peixe, “Minérios e metais” (6,6% e 6,7%), como construções em ferro ou aço, barras e perfis de aço inoxidável, cordas e cabos de ferro ou aço para uso não eléctrico, construções em alumínio, barras de ferro ou aço, ferragens e outras guarnições em metais comuns.

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Calçado, peles e couros” (2,6% e 2,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,8% e 0,9%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,5% e 2,2% ).

Na figura seguinte discriminam-se, por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados, desagregados por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2).

Em Anexo (Anexo-3) encontram-se discriminados a quatro dígitos da Nomenclatura (NC4/SH4), por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados para os EUA em 2024.


 Alcochete, 19 de Fevereiro de 2025.


ANEXO-1



ANEXO-2



ANEXO-3