quarta-feira, 31 de julho de 2024

Comércio Externo de Macau (2019-23) e Portugal-Macau (2019-23 e Jan-Maio 2023-24)

 

Comércio Externo de Macau
(2019-2023)
e
Portugal-Macau
(2019-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024)

                                                    disponível para download  >> aqui )       

1 - Introdução

Macau, território administrado por Portugal desde meados do séc, XVI durante mais de 400 anos, voltou para a soberania chinesa em 20 de Dezembro de 1999, constituindo actualmente aRegião Administrativa Especial de Macau” (RAEM). Em Outubro de 2003, por iniciativa do Governo Central da China, foi criado o “Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau)”, em coordenação, actualmente, com nove países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Sediado em Macau, o também designado por “Fórum de Macau” é, como se define no portal do ‘Secretariado Permanente’, “um mecanismo multilateral de cooperação intergovernamental centrado no desenvolvimento económico e comercial, tendo como objectivos consolidar o intercâmbio económico e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, dinamizar o papel de Macau enquanto plataforma de cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa e fomentar o desenvolvimento comum do Interior da China, dos Países de Língua Portuguesa e da RAEM”. De três em três anos realiza-se em Macau uma Conferência Ministerial, onde se planificam os “Planos de Acção para a Cooperação Económica e Comercial”.

Na nomenclatura internacional de países para efeitos estatísticos do comércio mantém–se a distinção entre China Continental (também designada por Interior da China) e as actuais Regiões Administrativas Especiais de Macau e Hong-Kong.

Neste trabalho vai-se analisar a evolução do comércio externo de mercadorias de Macau face ao mundo e aos países do “Fórum de Macau” e, com maior pormenor, entre Portugal e Macau. Não se dispondo, com origem em fontes oficiais, de dados estatísticos relativos ao comércio externo de mercadorias de Macau com base no “Sistema Harmonizado” (SH), foram neste trabalho utilizados dados de base disponíveis no “International Trade Centre” (ITC) para o período 2019-2023, calculados a partir de dados baseados em estatísticas COMTRADE, da ONU. A análise da evolução do comércio de Portugal com Macau entre 2019 e 2023 e período de Janeiro a Maio de 2023 e 2024 tem por base dados estatísticos do ‘Instituto Nacional de Estatística de Portugal’ (INE), em versão definitiva até 2023 e preliminar para 2024, com última actualização em 10 de Julho de 2024.

2 – Comércio da China, incluindo as RAE de Hong-Kong                              e Macau, com os PALOP

O comércio externo da China, incluindo as Regiões Administrativas Especiais de Hong-Kong e Macau, com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), membros do Fórum, assenta na sua quase totalidade em importações e exportações da China Continental.

Nas importações destaca-se Angola, seguida da Guiné Equatorial, constituídas essencialmente por petróleo, e Moçambique, estas centradas em minérios como titânio, e Gás. Nas exportações sobressai Angola e Moçambique, com valores da mesma ordem de grandeza ao longo do período em análise.

No período de 2019 a 2023, à excepção do ano de 2022 (106,7%), as importações da China (incluindo Hong-Kong e Macau) com os PALOP, mantiveram-se abaixo do nível de 2019.

Por sua vez as exportações, após uma ligeira quebra em 2020, cresceram até 2023 a um ritmo significativo, atingindo 201,3% do valor que detinham em 2019.

3 – Comércio externo de Macau

Após um ligeiro decréscimo em 2020, as importações e as exportações mantiveram-se acima do nível que detinham em 2019.

As importações, após um crescimento acentuado em 2021 (152,3%), mantiveram-se próximo desse nível até 2023. Por sua vez as exportações, tendo crescido até 2022 (142,8%), desaceleraram no ano seguinte (123,5%).

3.1- Balança Comercial de Macau

De acordo com os dados de base de fonte ITC disponíveis, a Balança Comercial de Macau no período de 2019 a 2023 foi desfavorável, tendo o défice aumentado respectivamente e -9,8 mil milhões de Euros para -15,1 mil milhões, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 8,5% para 7,0%.


3.2 – Importações por Grupos de Produtos

Em 2023 as principais importações de mercadorias em Macau incidiram no grupo de produtos “Agro-alimentares” (18,3% e 15,5% em 2022), principalmente bebidas alcoólicas, peixe, crustáceos e moluscos,  carnes e miudezas, preparados à base de cereais ou leite, leite e lacticínios, “Minérios e metais” (16,3% e 12,9%), principalmente pedras e metais preciosos e bijutaria, “Químicos” (15,8% e 21,2%), principalmente óleos essenciais, perfumaria e cosmética, “Máquinas, aparelhos e partes” (12,6% e 15,8%), com destaque para as máquinas e aparelhos eléctricos, “Calçado, peles e couros” (11,4% e 10,4%), com as obras de couro e artigos de viagem em evidência e “Produtos acabados diversos” (11,0% e 10,5%), principalmente artigos de relojoaria.

Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (6,6% nos dois anos), principalmente vestuário,  “Energéticos” (5,0% e 4,4%), designadamente combustíveis e óleos minerais, “Material de transporte terrestre e partes” (2,2% e 2,0%), principalmente veículos automóveis, “Madeira. cortiça e papel” (0,7% e 0,6%), como papel, cartão e suas obras, material impresso, madeira e suas obras, e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% em ambos os anos), essencialmente aparelhos aéreos e suas partes.

Na figura seguinte constam, por Grupos de Produtos, os principais produtos importados em 2022 e 2023, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (SH-2).


3.3 – Exportações por Grupos de Produtos


Entre as exportações destacaram-se, em 2023, os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (26,7% e 22,8% no ano anterior), principalmente aparelhos eléctricos, “Minérios e metais” (23,2% e 25,1%), como pedras e metais preciosos e bijutaria, “Produtos acabados diversos” (14,3% e 18,6%), com destaque para os artigos de relojoaria, e “Têxteis e vestuário” (11,7% e 10,9%), essencialmente vestuário excepto de malha e seus acessórios. Seguiram-se o “Calçado, peles e couros” (8,8% e 9,0%), “Agro-alimentares” (7,3% nos dois anos) e “Químicos” (6,5% e 4,4%). Com pesos muito inferiores alinharam-se depois os grupos “Aeronaves, embarcações e partes”, “Material de transporte terrestre e partes” e “Madeira, cortiça e papel”, tendo sido nulas as exportações de “Energéticos”.

Na figura seguinte constam, por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados em 2022 e 2023, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (SH-2).

3.4 – Mercados de origem e de destino

São idênticos os principais mercados das importações de Macau em 2023 e seus pesos no  Total, quando considerados a partir de dados de base do “ITC” ou do “Anuário Estatísticico 2023–Macau”. Já o mesmo não acontece relativamente às exportações. 

Para efeitos estatísticos são consideradas autonomamente as Região Administrativas Especiais de Macau e Hong-Kong, separadas do que se designa no Anuário Estatístico por “interior da China” (China Continental). Em 2023, segundo o ITC, as principais importações couberam à China Continental (28,6%), seguida da França (16,1%), da Itália (11,8%), da Suíça (6,8%), do Japão (6,1%), dos EUA (6,0%) e de Hong-Kong (5,2%). As exportações dominantes terão incidido em Hong-Kong (84,4%), seguido da China (Cont.) (7,8%), dos EUA (4,8%), do Vietname (1,1%), de Taiwan (0,6%) e de Singapura (0,5%).

Portugal terá representado 0,2% das importações, sendo praticamente nulas as exportações.

4 – Comércio de Portugal com Macau

No período de 2019 a 2023 o ritmo de evolução anual das importações manteve-se abaixo do nível de 2019 mas sempre acima de 73,7%. Por sua vez as exportações, após uma subida considerável em 2020 (169,6%), desceram sucessivamente abaixo do nível que detinham em 2019, atingindo 30,7% desse nível em 2023.

4.1 – Balança Comercial

No período em análise a Balança Comercial de Portugal com Macau foi favorável a Portugal, com saldos positivos oscilando entre +19,6 milhões de Euros em 2020 e +25,7 milhões em 2019, situando-se em +23,9 milhões em 2023. Nos primeiros cinco meses de 2024 o saldo foi de +10,4 milhões, representando uma quebra de -2,4% face ao período homólogo do ano anterior.

As importações, que em 2020 atingiram +2,3 milhões de Euros, decresceram sucessivamente a partir de então, situando-se em +421 mil Euros em 2023. No período de Janeiro a Maio de 2024, face ao período homólogo de 2023, cresceram +22,6%, fixando-se em +285 mil Euros.

Por sua vez as exportações, que em 2019 ultrapassaram os +27 milhões de Euros, desceram nos três anos seguintes para um patamar em torno de +20 milhões de Euros, subindo em 2024 para +24,3 milhões. No período de Janeiro a Maio de 2024 decresceram -1,9% face ao mesmo período do ano anterior, situando-se em +10,7 milhões de Euros.  

4.2 – Importações por Grupos de Produtos

No período de Janeiro a Maio de 2024 as principais importações com origem em Macau ocorreram no grupo “Químicos” (81,0% do Total em 2024 e apenas 9,7% em 2023), designadamente produtos químicos orgânicos, como antibióticos.

Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (7,7% e 13,6%), com destaque para livros e outro material impresso, “Têxteis e vestuário” (5,1% e 13,3%), principalmente vestuário, “Calçado, peles e couros” (3,6% e 3,1%), principalmente calçado e obras de couro, e “Produtos acabados diversos” (1,7% e 55,3%, em2023 centradas em quadros, pinturas e desenhos).

Na figura seguinte constam, por Grupos de Produtos, os principais produtos importados no período de Janeiro-Maio de 2023-2024, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (SH-2).

4.3 – Exportações por Grupos de Produtos

Nos primeiros cinco meses de 2024 o grupo de produtos dominante nas exportações foi “Agro-alimentares” (79,1% e 71,2% no ano anterior), com destaque para as bebidas alcoólicas, conservas de peixe, preparações e conservas de carnes, seguido à distância pelo grupo “Químicos” (11,7% e 17,0%), principalmente constituído por produtos farmacêuticos.

Alinharam-se depois os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (3,1% e 5,3%), com destaque para aparelhos eléctricos como fios, cabos, aparelhos de interrupção e quadros eléctricos, “Produtos acabados diversos” (2,3% e 1,5%), principalmente produtos cerâmicos, “Calçado, peles e couros” (1,4% e 2,1%), com as obras de couro em evidência, “Minérios e metais” (1,3% e 0,9%), principalmente obras de ferro ou aço, “Têxteis e vestuário” (0,6% e 1,3%), principalmente vestuário, tapetes e outros revestimentos de matérias têxteis e “Madeira, cortiça e papel” (0,5% e 0,6%) com destaque para os livros e outro material impresso.

Na figura seguinte constam, por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados no período de Janeiro-Maio de 2023-2024, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (SH-2).


Alcochete, 21 de Julho de 2024.


ANEXO








quarta-feira, 24 de julho de 2024

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com a China (2022-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024)

 

Comércio Internacional
de mercadorias
de Portugal com a China
2022-2023
Janeiro-Maio 2023-2024

                                         ( disponível para download  >> aqui )       

1 - Introdução

Na nomenclatura internacional de países para efeitos estatísticos do comércio internacional mantém–se a distinção entre China Continental (também designada por Interior da China) e as actuais Regiões Administrativas Especiais de Macau e Hong-Kong. Neste trabalho, ao referir-se “China” estamos a considerar apenas a China Continental, sendo o comércio com Macau e Hong-Kong objecto de análises autónomas.

Analisa-se neste trabalho a evolução do comércio internacional de Portugal com a China nos anos de 2022 e 2023 e período de Janeiro a Maio de 2023 e 2024, com base em dados estatísticos do “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), em versão definitiva para 2022 e 2023 e preliminar para 2024, com última actualização em 10 de Julho de 2024.

2 – Comércio de Portugal com a China

Ao longo do último quinquénio, o ritmo de evolução anual do valor das importações portuguesas com origem na China (2019=100) foi sustentadamente crescente, atingindo em 2022 um crescimento significativo face a 2019 (188,8%), tendo desacelerado em 2023 (176,8%).

Por sua vez o ritmo das exportações portuguesas com este destino, à excepção do ano 2020 (94,3%), manteve-se até 2022 ligeiramente acima do nível de 2019, tendo registado um acréscimo significativo em 2023 (127,8%).

2.1 – Balança Comercial                                                                                     (2022-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024)

A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com a China é fortemente deficitária. Em 2023, face ao ano anterior, o défice decaiu -10%, tendo-se situado em cerca de -4,5 mil milhões de Euros. Nos primeiros cinco meses de 2024, o défice da Balança aumentou +0,7% em termos homólogos, atingindo cerca de -1,8 mil milhões de Euros. O grau de cobertura (Fob-Cif) das importações pelas exportações situou-se em 14,7% em 2023 e em 12,6% no período de Janeiro a Maio de 2024.

2.2- Importações por grupos de produtos

No período de Janeiro a Maio de 2024 as principais importações de Portugal com origem na China incidiram no grupo de produtos “Máquinas, aparelhos e partes”, a grande distância dos restantes grupos (48,6% do Total em 2024 e 48,5% em 2023), com destaque para as ‘máquinas e aparelhos eléctriicos’ (definição do conteúdo dos Grupos de Produtos em Anexo).

Seguiram-se os grupos “Químicos” (11,9% e 10,8%), “Produtos acabados diversos” (9,9% e 8,7%), “Têxteis e vestuário” (8,4% e 8,0%) e “Minérios e metais” (7,7% nos dois anos).

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Material de transporte terrestre e partes” (4,2% e 5,3%), “Calçado, peles e couros” (4,0% e 3,5%), “Agro-alimentares” (3,3% e 3,4%), “Madeira, cortiça e papel” (1,8% e 1,4%), “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% e importações praticamente nulas em 2023), centradas em embarcações, e Energéticos” (0,1% e 2,6%).

Na figura seguinte constam, por Grupos de Produtos, os principais produtos importados nos anos de 2022 e 2023, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura (NC-2).


2.3 - Exportações por grupos de produtos

As principais exportações no período de Janeiro a Maio de 2024 couberam ao grupo de produtos “Minérios e metais” (35,1% em 2023 e 19,3% em 2024), com o cobre e suas obras em evidência.

Seguiram-se os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (18,8% e 19,5%), destacando-se as máquinas e aparelhos eléctricos, “Madeira, cortiça e papel” (16,0% e 21,8%), principalmente pastas de papel e cortiça e suas obras, “Químicos” (9,0% e 7,3%), com destaque para os artigos de  plástico e de borracha, “Agro-alimentares” (8,2% e 8,6%), principalmente produtos da pesca e bebidas, “Têxteis e vestuário” (5,7% e 7,0%), como artigos têxteis para uso técnico e vestuário de malha, “Produtos acabados diversos”, (4,3% e 3,8%), principalmente aparelhos de óptica e de precisão, “Calçado, peles e couros” (2,2% e 1,9%) e “Material de transporte terrestre e partes” (0,7% e 0,8%), tendo sido praticamente nulas as exportações dos grupos “Aeronaves, embarcações e partes” e “Energéticos”.

Na figura seguinte constam, por Grupos de Produtos, os principais produtos exportados nos anos de 2022 e 2023, desagregados a dois dígitos da Nomenclatura.


Alcochete, 12 de Julho de 2024.

 

ANEXO



sexta-feira, 19 de julho de 2024

Quotas de mercado das exportações portuguesas nas importações de Países Terceiros (2019-2023)

 

Evolução das quotas de mercado 
das exportações portuguesas nas importações
dos principais Países Terceiros de destino
por Grupos de Produtos
(2019-2023)

                                                  disponível para download  >> aqui )       


1 - Introdução

Analisa-se neste trabalho a evolução das quotas de mercado das exportações portuguesas de mercadorias para os dez principais Países Terceiros de destino no período de 2019 a 2023, por Grupos de Produtos (ver conteúdo em Anexo), com base em estatísticas do “International Trade Centre” (ITC) para as importações nesses mercados e, visando uma maior aproximação à realidade, a base de dados do (INE) para as exportações portuguesas em valores (Cif), calculados a partir do seu valor (Fob) em versões já definitivas, por aplicação de um factor fixo (Fob=Cif x 0,9533).

O peso da exportação portuguesa de mercadorias para os Países Terceiros ao longo dos últimos cinco anos desceu de 29,3% em 2019, para 28,5% em 2021, tendo-se invertido essa tendência a partir de então, atingindo 29,8% do Total em 2023.

2 – Os 10 principais destinos Extra-UE27 das exportações                          em 2023 por Grupos de Produtos

3 – Evolução das quotas de mercado das exportações portuguesas            nas importações dos 10 principais Países Terceiros de destino              por Grupos de produtos (2019-2023)

Nas páginas seguintes apresentam-se quadros, por Grupos de Produtos, para os 10 principais mercados da exportação portuguesa com destino ao espaço Extra-UE27 em 2023:

          - Valor das exportações (Fob) entre 2019 e 2023;

          - Importação global em cada um dos países (Cif);

          - Quotas de Mercado (Cif/Cif), calculadas por aplicação aos valores (Fob)                 das exportações portuguesas de um factor fixo (Fob=Cif x 0,9533).

Nos quadros referentes às importações nos Países Terceiros, constantes das estatísticas do “International Trade Centre” (ITC), vão assinalados os casos em que a informação se reporta a “Mirror data”, ou seja, a informação relativa aos seus parceiros comerciais.

3.1 - Agro-alimentares


3.2 - Energéticos


3.3 - Químicos


3.4 - Madeira, cortiça e papel


3.5 - Têxteis e vestuário


3.6- Calçado, peles e couros


3.7 - Minérios e metais


3.8 - Máquinas, aparelhos e partes


3.9 - Material de transporte terrestre e partes


3.10 - Aeronaves, embarcações e partes


3.11 - Produtos acabados diversos




ANEXO




Alcochete, 9 de Julho de 2024.




segunda-feira, 8 de julho de 2024

Evolução das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados (2019-2023)

 

Evolução das exportações e importações
de Produtos Industriais Transformados
por níveis de intensidade tecnológica
(2019-2023)

                                        (disponível para download  >> aqui)                                         

1 - Introdução

A evolução do nível de intensidade tecnológica das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados (PIT), com maior valor acrescentado do que os restantes, tem um reflexo directo na balança comercial de mercadorias, sendo na exportação um importante indicador de desenvolvimento industrial.

Pretende-se neste trabalho analisar, a partir de dados de base de fonte INE para os anos de 2019 a 2023, em versões já definitivas, a evolução do comércio internacional português destes produtos.

Os níveis de intensidade tecnológica considerados são os propostos pela OCDE, definidos com base na Rev.3 da International Standard Industrial Classification” (ISIC Rev.3: Alta tecnologia - 2423, 30, 32 33, 353; Média-alta tecnologia - 24 excl.2423, 29, 31, 34, 352, 359; Média-baixa tecnologia - 23, 25 a 28, 351 e Baixa tecnologia - 15 a 22, 36 e 37).

A partir da tabela correspondente ao ano de 2007, com recurso à “Classificação Tipo do Comércio Internacional” da ONU (CTCI/SITC Rev.3) e à “Nomenclatura Combinada” a oito dígitos em uso na União Europeia (NC-8), tomando-se em consideração as sucessivas alterações pautais anuais, foi construída uma tabela em NC-8 abrangendo o período de 2007 a 2023.

2 – Balança comercial de Produtos Industriais Transformados                    por níveis de intensidade tecnológica (2019-2023)

Ao longo do período de 2019 a 2023, o saldo (Fob-Cif) da balança comercial anual portuguesa de “Produtos Industriais Transformados” foi negativo, tendo-se verificado um acréscimo de 1,3 mil milhões de Euros em 2023, face ao ano anterior.


No período em análise foi negativo o saldo da Balança Comercial dos produtos de Alta e de Média-alta tecnologia, não suficientemente compensado pelos saldos positivos verificados nos produtos de Média-baixa e de Baixa tecnologia.

3 – Exportação de Produtos Industriais Transformados,                              por níveis de intensidade tecnológica (2019-2023)

Entre 2019 e 2023 o peso dos Produtos Industriais Transformados na exportação global oscilou entre 94,6%, em 2019, e 93,3% em 2021 e 2022, tendo-se situado em 93,6% em 2023.

Em 2023, o maior peso entre os níveis de intensidade tecnológica incidiu na Baixa tecnologia (33,0% e 33,3% em 2022), seguida da Média-alta tecnologia (30,3% e 29,8%), da Média-baixa tecnologia (24,1% e 25,8%) e da Alta tecnologia (12,5% e 11,1%).

O peso dos produtos de Alta tecnologia no total das exportações de Produtos Industriais Transformados, que havia subido de 10,7% em 2019 para 11,5% em 2020, decaiu em 2021 para 9,9%, para recuperar sucessivamente nos anos seguintes, atingindo 12,5% do total em 2025.

Aqui se enquadram, por ordem decrescente do seu peso em 2023, os “Produtos farmacêuticos” (31,4% do total deste nível), o “Equipamento de rádio, TV e comunicações” (30,8%), os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão” (29,3%), o “Equipamento de escritório e computação” (4,6%) e os produtos da área “Aeronáutica e aeroespacial” (3,8%).

O peso dos produtos de Média-alta tecnologia, que em 2019 havia atingido 32,6% do total dos Produtos Industriais Transformados, decresceu tendencialmente a partir de então, situando-se em 30,3% em 2023.

Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu valor em 2023, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques” (41,9% do total deste nível), as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos” (22,8%), os “Produtos químicos excepto farmacêuticos” (17,3%), as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” (14,4%) e o “Equipamento ferroviário e de transporte n.e.” (3,7%).

Por sua vez, o conjunto dos produtos de Média-baixa tecnologia, após uma quebra de 2019 para 2020, de 22,9% para 21,8%, viram o seu peso subir nos dois anos seguintes para 23,7% e 25,8%, caindo para 24,1% em 2023.

Incluem-se aqui, por ordem decrescente do seu peso em 2023, produtos “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustíveis nucleares” (24,8% do total deste nível), “Produtos da borracha e do plástico” (24,7%), “Fabrico de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos” (20,2%), “Metalurgia de base” (15,3%), “Produtos minerais não metálicos” (14,1%) e “Construção e reparação naval” (0,9%).

Por fim, nos produtos de Baixa tecnologia, assistiu-se a uma desaceleração sucessiva do seu peso no período em análise, de 33,9%, em 2019, para 33,0 em 2023.

Em 2023 incluem-se a este nível os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco” (34,5%), os “Têxteis, vestuário, couros e calçado” (33,5%), a “Pasta, papel, cartão e publicações” (13,3%), “Manufacturas n.e. e reciclagem” (10,5%) e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça” (8,2%).

Ao longo do período de 2019 a 2023 cresceu significativamente o ritmo de crescimento nominal das exportações de Produtos Industriais Transformados, com destaque para os produtos de Alta tecnologia e de Média-baixa tecnologia.

3.1 – Partição das exportações entre espaço Intra e Extra UE-27                   em 2022 e 2023

As exportações de Produtos Industriais Transformados têm a União Europeia por principal destino (69,4% em 2023 e 69,8% em 2022).

No período em análise, o maior peso do espaço Intra-UE nas exportações de Produtos Industriais Transformados coube ao nível de Média-alta tecnologia (74,7% em 2023 e 75,6% em 202120,8% e 70,6%), a Alta tecnologia (63,9% e 69,0%) e a Média-baixa tecnologia (63,6% e 62,3%).


4 – Importação de Produtos Industriais Transformados,                              por níveis de intensidade tecnológica (2019-2023)

O peso dos Produtos Industriais Transformados na importação global portuguesa, que em 2020 atingira 86,2%, decaiu nos dois anos seguinte, 85,4% em 2021 e 81,1% em 2022, recuperando o crescimento em 2023, ao situar-se em 85,4%.

Em 2023, o maior peso entre os níveis de intensidade tecnológica da importação incidiu na Média-alta tecnologia (38,5% e 36,9% em 2022), seguida da Baixa tecnologia (25,6% e 25,3%), da Média-baixa tecnologia (18,6% e 20,6%) e da Alta tecnologia (17,3% e 17,1%).

O peso dos produtos de Alta tecnologia no total das importações de Produtos Industriais Transformados, que em 2019 representava 19,1%, desceu sucessivamente até 2022, quando atingiu 17,1%, para subir para 17,3% em 2023.

Aqui se enquadram, em 2023, por ordem decrescente do seu peso, o “Equipamento de rádio, TV e comunicações” (32,6% do total deste nível), os “Produtos farmacêuticos” (32,5%), os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão” (17,5%), o “Equipamento de escritório e computação” (11,2%) e os produtos da área “Aeronáutica e aeroespacial” (6,2%).

O peso dos produtos de Média-alta tecnologia, que em 2019 e 2020 representaram 38,7% do total dos Produtos Industriais Transformados, decresceu sucessivamente até 2022 (36,9%), subindo para 38,5% em 2023.

Aqui se englobam, por ordem decrescente do seu valor em 2023, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques” (36,3% do total deste nível), os “Produtos químicos excepto farmacêuticos” (29,0%), as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos” (21,1%), as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” (11,5%) e o “Equipamento ferroviário e de transporte n.e.” (2,2%).

Por sua vez, o conjunto dos produtos de Média-baixa tecnologia, num patamar em torno de  16,5% em 2019 e 2020, viram aa suas importações crescer nos dois anos seguintes, para 19,6% e 20,6%, descendo para 18,6% em 2023.

Inclui-se aqui “Metalurgia de base” (32,2% do total deste nível), “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustíveis nucleares” (21,5%), “Produtos da borracha e do plástico” (20,0%), “Fabrico de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos” (17,0%),  “Produtos minerais não metálicos” (9,0%) e “Construção e reparação naval” (0,3%).

Os produtos de Baixa tecnologia ao longo do período em análise mantiveram-se num patamar entre 24,8%, em 2021, e 26,3%, em 2020.

Incluem-se aqui “Produtos alimentares, bebidas e tabaco” (48,3% do total deste nível), “Têxteis, vestuário, couros e calçado” (29,0%), “Manufacturas n.e. e reciclagem” (10,0%),  “Pasta, papel, cartão e publicações” (8,5%) e “Madeira e produtos da madeira e cortiça” (4,2%).



Entre 2019 e 2023 cresceu significativamente nos dois últimos anos o ritmo de crescimento nominal das importações de Produtos Industriais Transformados.


4.1 – Partição das importações entre espaço Intra e Extra UE-27                   em 2022 e 2023

As importações de Produtos Industriais Transformados têm a União Europeia por principal origem (80,6% em 2023 e 78,0% em 2022).

Em 2023, o maior peso nas importações de Produtos Industriais Transformados, no âmbito do espaço Intra-UE, coube aos produtos de Média-alta tecnologia (83,5%, com 80,6% em 2022) e de Baixa tecnologia (82,8% e 80,4%),.

Seguiu-se a Média-baixa tecnologia (76,0% e 73,7%) e a Alta tecnologia (75,7% e 73,8%). 


Alcochete, 7 de Julho de 2024.