domingo, 14 de dezembro de 2025

Comércio Internacional de mercadorias - Série Mensal - Janeiro-Outubro 2025

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Outubro de 2025)

                                           (disponível para download  >> aqui)

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Outubro de 2025 (versão preliminar com última actualização em 10 de Dezembro de 2025) e de 2024 (versão definitiva), as exportações de mercadorias em 2025 cresceram, em termos homólogos, +1,0% (+666 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +5,5% (+4896 milhões).

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código “GB”, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aqui aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um acréscimo de +2,8% (+1322 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros decrescido -3,4% (-656 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) aumentaram +8,4% (+5542 milhões) e as originárias dos Países Terceiros decresceram -2,8 % (-646 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +18,7% face a 2024, situou-se em -26 897 milhões de Euros (superior em 4 230 milhões ao do ano anterior), a que correspondeu um agravamento de 4 220 milhões no comércio intracomunitário e um acréscimo de 10 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 74,6% em 2024, para 71,4% em 2025.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Outubro o valor médio de importação do petróleo bruto desceu de 578 Euros/Ton, em 2024, para 494 Euros/Ton, em 2025. 

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média do mês de Novembro).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 3,3% no total das importações em 2025 e 21,6% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2025, de 71,4% no comércio global, para 74,1%.

2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

Em 2025, no período em análise, as exportações para a UE (expedições), que representaram 72,1% do Total, cresceram +2,8%, contribuindo com +2,0 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de ‘crescimento’ global de +1,0%.

As exportações para o espaço extracomunitário, 27,9% do Total, decresceram em valor -3,4%, com um contributo negativo de -1,0 p.p. para o crescimento global.


Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (25,9%), a Alemanha (14,1%), a França (12,0%), os EUA (6,0%), o Reino Unido incl. Irlanda NT (4,5%), a Itália (4,3% cada), os Países Baixos (3,4%), a Bélgica (2,6%), a Polónia (1,5%) e a Angola (1,4%), destinos que representaram 75,6% do Total.

Angola, que no ano de 2024 ocupou a 5ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA, do Reino Unido, de Marrocos e do Brasil, registou no período em análise um acréscimo de +8,5% nas nossas exportações com este destino (+73,2 milhões de Euros).

Por Grupos de Produtos ocorreram acréscimos em “Produtos acabados diversos” (+43,0 milhões de Euros), “Máquinas, aparelhos e partes” (+21,5 milhões), “Agro-alimentares” (+3,8 milhões), Químicos (+6,4 milhões), “Minérios e metais” (+4,0 milhões) e “Madeira, cortiça e papel” (+3,8 milhões de Euros). Os decréscimos incidiram em “Material de transporte terrestre e partes” (-8,6 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (-4,8 milhões), “Energéticos” (-3,8 milhões), “Têxteis e vestuário” (-3,5 milhões), e “Calçado, peles e couros” (-80 mil Euros).

Entre os principais destinos, o maior contributo positivo para o ‘crescimento’ das exportações neste período (+1,0%) pertenceu à Alemanha (+1,9 p.p.), seguida da Espanha (+0,4 p.p.), da Turquia (+0,3 p.p.) e da Irlanda, Angola, Hungria e Canadá  (+0,1 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam aos EUA (-0,8 p.p.), à Argélia e Finlândia (-0,3 p.p. cada), seguidos de Marrocos e Países Baixos (-0,2 p.p. cada), e da França, Brasil, Gibraltar, Itália e Provisões de Bordo para Países Terceiros (-0,1 p.p. cada).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram na Alemanha, seguida a grande distância pela Espanha, Irlanda, Hungria, Dinamarca, Bélgica, Roménia e Áustria. Os principais decréscimos couberam à Finlândia, Países Baixos, França, Itália, Suécia, Provisões de Bordo e Grécia.


No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se a Turquia, Angola, Ucrânia, Taiwan, Egipto, Panamá, Canadá, Emiratos  e Noruega.

Entre os decréscimos evidenciaram-se os EUA, seguidos da Argélia, Marrocos, Brasil, Gibraltar, Moçambique, Provisões de Bordo, Austrália e Argentina.

3.2 – Importações

No período de Janeiro a Outubro de 2025 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 76,0% do total, registaram um acréscimo de +8,4% e contribuíram com +6,2 p.p. para uma taxa de variação homóloga global de +5,5%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um decréscimo de -2,8% representando 24,0% do total, com um contributo negativo para o ‘crescimento’ global de -0,7 p.p..

O principal mercado de origem das importações foi a Espanha (32,3% do Total) seguida da Alemanha (11,8%), da França (7,2%), dos Países Baixos (5,8%), da China (5,1%), da Itália (5,0%), da Irlanda e da Bélgica (3,3% cada), do Brasil (2,7%) e dos EUA (2,2%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 78,9% do total das importações.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações  (+5,5%), destacaram-se a Irlanda (+2,0 p.p.), a Espanha (+1,4 p.p.), a Alemanha (+1,1 p.p.), a China, a França e os Países Baixos (+0,5 p.p. cada), a Bélgica (0,3%) a Hungria, e a Turquia (+0,2 p.p. cada).

Os principais contributos negativos incidiram no Brasil (-0,7 p.p.), na Noruega      (-0.4 p.p.), na Arábia Saudita e Azerbaijão (-0,3 p.p.cada), na Nigéria (-0,2 p.p.), e no Japão, Áustria e Roménia (-0,1 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor nas importações com origem Intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre o período em análise de 2025 e de 2024.




4 – Saldos da Balança Comercial       

No período em análise de 2025, os maiores saldos positivos da balança (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido (+2016 milhões), aos EUA (+1993 milhões de Euros), à França (+1240 milhões), a Angola (+757 milhões) e a Marrocos (+418 milhôes).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-13014 milhões de Euros), seguida da China (-4305 milhões), dos Países Baixos (-3199 milhões), da Irlanda (-2663 milhões) e da Itália (-1812 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2025 os grupos de produtos com maior peso foram “Químicos” (16,2% do Total e +1154 milhões de Euros face ao ano anterior), “Máquinas, aparelhos e partes” (15,5% e +617milhões), “Agro-alimentares” (14,5% e +97 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (12,1% e +251 milhões),

Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (9,8% e -87 milhões), “Produtos acabados diversos” (9,1% e -268 milhões), “Têxteis e vestuário” (7,1% e -1 milhão), Madeira, cortiça e papel” (6,5% e -150 milhões), “Energéticos” (5,4% e -1087 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,9% e +16 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,8% e +93 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em 2025 os grupos de produtos com maior peso foram “Químicos” (19,4% do Total e +2808 milhões de Euros face ao ano anterior), “Máquinas, aparelhos e partes” (17,6% e +198 milhões), “Agro-alimentares” (16,1% e +1175 milhões) e“Material de transporte terrestre e partes” (12,8% e +1377 milhões). Seguiram-se os grupos “Energéticos” (8,9% e -1307 milhões), “Minérios e metais” (8,7% e +174 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +409 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,8% e +139 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,8% e +40 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,8% e +58 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e -175 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em 2025 a primeira posição em 6 dos 11 grupos de produtos com 25,9% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois das Provisões de Bordo para Países Terceiros), “Químicos” (2ª posição depois da Alemanha), “Calçado, peles e couros” (3ª posição, depois da França e da Alemanha), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4ª posição, precedida do Brasil, França e Ucrânia).

Seguiram-se no “ranking” a Alemanha (14,1%), a França (12,0%), os EUA (6,0%), o Reino Unido/Irl NT (4,5%), a Itália (4,3%), os Países Baixos (3,4%), a Bélgica (2,6%), a Polónia (1,5%) e Angola (1,4%).

Estes dez destinos representaram 75,6% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em todos os onze grupos de produtos, com 32,3% do total.

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (11,8%), a França (7,2%), os Países Baixos (5,8%), a China (5,1%), a Itália (5,0%), a Irlanda (3,3%), a Bélgica (3,3%), o Brasil (2,7%) e os EUA (2,2%).

Estes dez países cobriram 78,9% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2025                       face a 2024, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 14 de Dezembro de 2025.

 

ANEXO




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