Comércio Internacional
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)
para o período de Janeiro a Março de 2025 e 2026, em versões preliminares, com
última actualização em 8 de Maio de 2026, as exportações de mercadorias em 2026
decresceram -6,5% em termos homólogos (-1,4 mil milhões de Euros), a par de um
acréscimo das importações de +2,7% (+750 milhões).
A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram
acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino
Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do
Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino
Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos,
para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois
novos códigos.
As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total
corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um decréscimo
de -6,7% (-1030 milhões de Euros), tendo as
exportações para os Países Terceiros registado um decréscimo de -6,0% (-341
milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +3,9%
(+805 milhões) e as originárias dos Países Terceiros decaíram -0.8% (-55 milhões
de Euros).
O défice
comercial externo (Fob-Cif), +33,7% face a 2025, situou-se em -8417 milhões de Euros (superior em 2122 milhões
ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1835 milhões no
comércio intracomunitário e de 286 milhões no extracomunitário.
Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas
exportações desceu de 77,0% em 2025, para 70,1% em 2026.
A
variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das
exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. Em Março
de 2026 o preço de importação do petróleo bruto desceu de 560 Euros/Ton, em 2025,
para 437 Euros/Ton.
Para além da variação da cotação
internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação
do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu
preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Abril).
Se
excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou
8,4% no total das importações em 2026 e 5,1% nas exportações, o grau de
cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 70,1% no
comércio global, para 72,6%.
2 – Evolução mensal
3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações
No
período Janeiro-Março de 2026 as exportações para a UE (expedições), que
representaram 72,8% do Total, decresceram -6,7%, contribuindo com -4,9 pontos
percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de -6,5%. As exportações para o espaço extracomunitário, 27,2% do Total, decresceram
-6,0%, contribuindo com -1,6 p.p. para a
evolução global.
Os dez principais
destinos das exportações foram a Espanha (26,1%), a França (12,6%), a Alemanha
(12,2%), os EUA (5,1%), a Itália (4,9%), o Reino Unido incl. Irlanda NT (4,2%),
os Países Baixos (3,5%), a Bélgica (2,5%), a Polónia e Marrocos (1,6% cada), países que representaram 74,3% do Total.
Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª
posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou
no período em análise um acréscimo de +1,9%
nas nossas exportações (+4,9 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos
grupos de produtos “Aeronaves, embarcações e partes” (+6,7 milhões de
Euros), “Produtos acabados diversos” (+4,5 mil Euros), “Químicos”
(+4,1 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+1,9 milhões), “Energéticos”
(+474 mil Euros) e “Calçado, peles e couros” (+351 mil Euros). Os decréscimos incidiram nos grupos “Minérios
e metais” (-5,5 milhões), “Material de transporte terrestre e partes”
(-3,1 milhões), “Agro-alimentares” (-2,6 milhões), “Madeira, cortiça
e papel” (-1,5 milhões) e “Têxteis e vestuário” (-482 milhões).
Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das
exportações neste período, -6,5%, pertenceram à Turquia e Marrocos (+0,4 p.p.
cada), à Itália (+0,3 p.p.) e à China, Cabo Verde, Suíça e Suécia (+0,2 p.p.
cada).
Os maiores
contributos negativos couberam à Alemanha (-4,8 p.p.), seguida dos EUA
(-1,5 p.p.), da Espanha (-0,9 p.p.), do Reino Unido/Irlanda NT (-0,4 p.p.), das
Prov.Bordo p/Terceiros e Israel (-0,2 p.p. cada), e dos Países Baixos,
Canadá, Gibraltar e Bélgica (-0,1 p.p. cada).
No conjunto dos Países Terceiros,
entre os maiores acréscimos nas exportações
destacaram-se o Brasil (+285 milhões), em Países Extra-UE n.d. (93 milhões), na
China (66 milhões), Taiwan (+49 milhões) e Coreia do Sul (+25 milhões).
Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se a Argélia(-145
milhões de Euros), o Ghana (-76 milhões), Angola (-72 milhões), Singapura (-68 milhões), Azerbaijão (-61 milhões), Gabão (-47 milhões), Suíça
(-31 milhões), Líbia (-30 milhões), Vietame (-24 milhões) e Egipto (-221
milhões)
3.2 – Importações
No
período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que
representaram 76,8% do total, registaram um acréscimo de +3,9%.
As
importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um
decréscimo de -0,8%, representando 23,2% do total, com um contributo para o resultado
global de -0,2 p.p..
O principal mercado de origem das importações em 2026
foi a Espanha (32,4% do Total), seguida da Alemanha (12,5%), dos Países Baixos
(8,7%), da França (7,4%), da China (5,1%), da Itália (4,9%), do Brasil (3,5%),
da Bélgica (3,2%), dos EUA (2,1%) e da Polónia (1,7%).
Estes países representaram, no seu conjunto, 81,4% do
total das importações.
Entre os contributos
positivos para a taxa de variação homóloga das importações em Janeiro-Março
de 2026 (+2,7%) destacaram-se os Países Baixos (+3,4 p.p.), o Brasil e a
Espanha (+1,0 p.p. cada), a Alemanha (+0,7 p.p.), a China e Taiwan (+0,2 p.p.
cada) e a Eslováquia, Dinamarca e Coreia do Sul (+0,1 p.p. cada).
Os
principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-1,9 p.p.), na Argélia
(-0,5 p.p.), na Itália (-0,4 p.p.), no Reino Unido/Irl NT (-0,3 p.p.), no
Azerbaijão, Hungria e Bélgica (-0,2 p.p.) e na Suíça (-0,1 p.p.).
Nas duas figuras seguintes
relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem
intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre Janeiro-Março de 2026
e de 2025.
4 – Saldos da Balança Comercial
No período Janeiro-Março de 2026 os maiores saldos positivos da balança
comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irlanda NT (+560 milhões de Euros),
aos EUA (+417 milhões), à França (+398 milhões), a Angola (+252 milhões) e a
Marrocos (+168 milhões).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a
Espanha (-3983 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-1767 milhões), da
China (-1224 milhões), da Alemanha (-1099 milhões) e do Brasil (-709 milhões).
5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os
capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2
Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).
Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,8% e +206 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e -32 milhões), “Químicos” (13,2% e -1533 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5% e +53 milhões), “Minérios e metais” (11,2% e +216 milhões) e “Produtos acabados diversos” (9,4% e -12 milhões). Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (7,5% e +8 milhões de Euros), “Madeira cortiça e papel” (6,5% e -47 milhões), “Energéticos” (5,1% e -207 milhões), “Calçado, peles e couros” (3,0%, com diferença nula) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e -23 milhões de Euros).
5.2 – Importações
Em Janeiro-Março de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (21,0% do Total e +985 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (16,6% do Total e -477 milhões, “Agro-alimentares” (15,3% e +130 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (14,0% e +278 milhões. Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6% e +55 milhões), “Energéticos” (8,4% e ‑287 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +67 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,6% e -48 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -33 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,8% e -5 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0, 7% e +86 milhões de Euros).
6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os
mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Março de 2026 a primeira
posição em 9 dos 11 grupos de produtos com 32,4% do total, ocorrendo as
excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª
posição, precedida do Brasil e da França).
Seguiram-se
no “ranking” a Alemanha (12,5%), os Países
Baixos (8,7%), a França (7,4%), a China (5,1%), a Itália (4,9%), o Brasil
(3,5%), a Bélgica (3,2%), os EUA (2,1%) e a Polónia (1,7%).
Estes dez
destinos representaram 81,4% da exportação total.
6.2 – Importações
Na
vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em sete dos onze
grupos de produtos, com 26,1% do total.
As excepções foram os grupos “Energéticos” (4º lugar depois de Prov. Bordo de Terc., Gibraltar e EUA), “Calçado, peles e Cororos” (3º lugar depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2º lugal depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3º lugar, depois do Brasil e da França).
Seguiram-se,
no “ranking”, a França (12,6 %), a
Alemanha (12,2%), os EUA (5,1%), a Itália (4,9%), o Reino Unido/Irl NT (4,2%), os Países
Baixos (3,5%), a Bélgica (2,5%), a Polónia e Marrocos (1,6% cada).
Estes dez
países cobriram 74,3% da importação total.
7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026 face a 2025, por meses homólogos não acumulados
Alcochete, 14 de Maio de 2026.
ANEXO


























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