quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro-Junho 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Junho de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Junho de 2026 e 2025, em versões preliminares, com última actualização em 7 de Agosto de 2026, as exportações de mercadorias cresceram, em termos homólogos, +1,7% (+706 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +6,3% (+3551 milhões). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um acréscimo de +1,7% (+490 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +1,9% (+217 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +5,1% (+2187 milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +10,2% (+1364 milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +18,4% face a 2025, situou-se em -18268 milhões de Euros (superior em -2845 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de -1698 milhões no comércio intracomunitário e de -1147 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 72,5% em 2025, para 69,4% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Junho o valor médio de importação do petróleo bruto subiu de 517 Euros/Ton, em 2025, para 607 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 818 Euros/Ton).

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Julho).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 10,1% no total das importações em 2026 e 6,5% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 69,4% no comércio global, para 72,2%.


2 – Evolução mensal



3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Junho de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 72,3% do Total, cresceram +1,7%, contribuindo com +1,2 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de +1,7%. As exportações para o espaço extracomunitário, 27,7% do Total, cresceram +1,9%, contribuindo com   +0,5 p.p. para a taxa de evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,2%), a Alemanha (12,2%), a França (12,1%), os EUA (5,3%), a Itália (4,6%), o Reino Unido/Irl NT (4,2%), os Países Baixos (3,5%), a Bélgica (2,8%), a Polónia (1,7%) e as Provisões de Bordo para Terceiros (1,6%), países que representaram 74,2% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de                                            +10,7% nas nossas exportações (+54,6 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Agro-alimentares” (+16,8 milhões), “Químicos” (+15,1 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+10,6 milhões), “Produtos acabados diversos” (+9,4 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+7,0 milhões), “Têxteis e vestuário” (+1,1 milhões), “Calçado, peles e couros” (+885 mil Euros) e “Minérios e metais” (+696 mil Euros).  Os decréscimos incidiram nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (-5,9 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,1 milhões) e “Energéticos” (-22 mil Euros). 

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (+1,7%) pertenceram à Espanha (+0,9 p.p.), seguida da França e da Turquia (+0,4 p.p. cada), das Provisões de Bordo Extra-UE e da  China (+0,3 p.p. cada) e de Marrocos, Provisões de Bordo Intra-UE, Cabo Verde e Suécia (+0,2 p.p. cada). Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-1,8 p.p.), seguida dos EUA (-1,0 p.p.), do Reino Unido/Irl.NT (-0,2 p.p.) e do Canadá (-0,1 p.p.).

Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram em Espanha (+369 milhões de Euros), França (+169 milhões), Finlândia (+98 milhões), Provisões de bordo (+82 milhões), Suécia (+65 milhões), Itália (+64 milhões), Polónia (+60 milhões) e Países Baixos (+54 milhões).

O principai decréscimo coube à Alemanha (-728 milhões de Euros), seguida da Estónia (-8 milhões) e de Chipre (-6 milhões).


No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se a Turquia (+155 milhões), as Provisões de Bordo (+140 milhões), a China (+126 milhões), Marrocos (+94 milhões), Cabo Verde (+68 milhões), Brasil (+59 milhões), Angola (+55 milhões), Togo (+54 milhões), Ilhas Virgens EUA (+53 milhões) e Nigéria (+52 milhões). Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-388 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido/Irl.NT (-95 milhões), Ucrânia (-63 milhões), Arábia Saudita Panamá (-46 milhões), Austrália (-45 milhões), Taiwan (-38 milhões) e Arábia Saudita (-37 milhões).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 75,2% do total, registaram um acréscimo de +5,1%, com um contributo para o resultado global de +3,9 p.p.. As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +10,2%, representando 24,8% do total, com um contributo de +2,4 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,1% do Total), seguida da Alemanha (12,2%), dos Países Baixos (7,8%), da França (7,2%), da China (5,2%), da Itália (4,9%), do Brasil (3,8%), da Bélgica (3,1%), dos EUA (2,3%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 80,3% do total das importações.

Em Janeiro-Junho de 2026, entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações (+6,3%), destacaram-se a Espanha (+2,4 p.p.), os Países Baixos (+2,2 p.p.), o Brasil (+1,4 p.p.), a Alemanha (+1,3 p.p.), a China (+0,7 p.p.), a França (+0,4 p.p.), os EUA e Taiwan (+0,2 p.p. cada), Marrocos e Azerbaijão (+0,1 p.p. cada). Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,3 p.p.), na Argélia (-0,5 p.p.), na Turquia e Hungria (-0,2 p.p. cada), e na Nigéria, Bélgica e Suíça (-0,1 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros.



4 – Saldos da Balança Comercial       

No período em análise os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irl.NT (+1155 milhões de Euros), aos EUA (+821 milhões), à França (+697 milhões), a Angola (+449 milhões) e a Marrocos (+271 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-8311 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-3188 milhões), da China (-2687 milhões), da Alemanha (-2240 milhões) e do Brasil (-1710 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +576 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e +83 milhões), “Químicos” (13,5% e -1197 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5% e +50 milhões) e “Minérios e metais” (11,2% e +725 milhões).

Seguiram-se os grupos e “Produtos acabados diversos” (8,9% e +12 milhões), “Têxteis e vestuário” (7,1% e +96 milhões de Euros), “Energéticos” (6,5% e +364 milhões), “Madeira cortiça e papel” (6,3% e -32 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,7% e +25 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e +5 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Junho de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total e +1547 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (17,0% e -780 milhões, “Agro-alimentares” (15,2% e +256 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (13,7% e +752 milhões) e “Energéticos” (10,1% e +987 milhões). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6% e +303 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +240 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,5% e +26 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -51 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +34 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9% e +238 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

No período em análise, entre os mercados de destino, a Espanha ocupou a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 26,2% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois das Provisões de Bordo para Países Terceiros), “Calçado, peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França).

Seguiram-se no “ranking” a Alemanha (12,2%), a França (12,1%), os EUA (5,3%), a Itália (4,6%), o Reino Unido (4,2%), os Países Baixos (3,5%), a Bélgica (2,8%), a Polónia (1,7%) e as Provisões de Bordo para Países Terceiros (1,6%).

Estes dez destinos representaram 74,2% da exportação total.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,1% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, depois da França, Brasil  e Alemanha).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,2%), os Países Baixos (7,8%), a França (7,2%), a China (5,2%), a Itália (4,9%), o Brasil (3,8%), a Bélgica (3,1%), os EUA (2,3%) e a Polónia (1,7%),

Estes dez países cobriram 80,3% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026           face a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 10 de Agosto de 2026.

ANEXO





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