Comércio Internacional da Pesca,
preparações, conservas e outros
produtos do mar
(1º Semestre 2025-2026)
(Disponível para download >>> aqui )
Portugal, detentor
de uma das maiores “Zonas Económicas Exclusivas” (ZEE) a nível europeu,
mantém no âmbito da “Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar”
uma balança comercial deficitária, com as importações (Fob) a
representarem cerca do dobro do valor das exportações (Fob).
O peso destes
produtos, no contexto do comércio global, foi tendencialmente crescente ao
longo dos últimos cinco anos do lado das importações (de 2,5%, em 2021, para 2,7%,
em 2025), e também tendencialmente crescente no âmbito das exportações (de 1,7%
para 1,9%).
Neste trabalho
vai-se analisar a evolução das importações e das exportações destes produtos no
1º Semestre de 2026 (versão preliminar), face a 2025 (versão definitiva), a partir de
dados de base divulgados no Portal do ‘Instituto Nacional de Estatística’
(INE), com última actualização em 7 de Agosto de 2026.
2 – Balança
Comercial
No 1º semestre de 2026,
face ao semestre homólogo do ano anterior, a Balança Comercial destes produtos
do mar foi deficitária, com défices (Fob-Cif) respectivamente de -778 milhões e
-801 milhões de Euros (-1,6%).
Em 2026 as importações cresceram em valor +0,4% e as exportações +2,6%, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a subir de 46,4% para 47,5%.
Entre os agregados de
produtos aqui considerados destacam-se o “Peixe”, os “Crustáceos,
moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Preparações e conservas
de peixe, de crustáceos e moluscos”, que representaram 97,7% do total das
importações e 98,6% do total das exportações em 2026.
Na figura seguinte pode
observar-se a Balança Comercial das sete componentes em que foram agregados os
produtos em análise.
Como se pode observar, “Preparações
e conservas de peixe, crustáceos e moluscos” foi a única componente em que
o saldo da Balança Comercial foi positivo em cada um dos períodos em análise, +12,2
milhões de Euros em 2025 e +54,2 milhões em 2026. Os maiores défices incidiram
nas componentes “Peixe” (-650,9 milhões de Euros em 2025 e -663,2
milhões em 2026) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados
aquáticos” (respectivamente -145,4 milhões e -155,7 milhões de Euros).
Apresentam-se em Anexo quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.
3 –
Importação
No 1º Semestre de 2026 as
importações deste conjunto de produtos cresceram +0,4% face ao semestre
homólogo ano anterior (+5,8 milhões
de Euros). O maior acréscimo, em Euros, coube
à componente “Peixe” (+13,7 milhões de Euros), seguida de “Sal,
águas-mãe de salinas e algas ” (+7,0 milhões de Euros), “Farinhas, pós,
‘pellets’ e produtos ‘solúveis’ (+862 mil Euros) e “Gorduras e óleos de
peixe e mamíferos aquáticos” (+88 mil Euros).
Nas importações de “Peixe”
assumem relevância as de bacalhau, nos seus diversos estados, que serão mais
adiante abordadas com algum pormenor.
3.1 – Mercados de Origem
Em 2026 o principal mercado de origem das importações destes produtos foi
a Espanha (37,8% do Total), seguida dos Países Baixos (18,1%), da Suécia (6,0%)
e da China (5,1%).
Alinharam-se depois, entre os principais, a China (5,1%), a Dinamarca
(3,2%), o Equador (2,6%), a Índia (2,5%), a Alemanha (1,8%), a Grécia
(1,7%), a Itália e Vietname (1,4% cada), a França (1,3%), a África do Sul
(1,1%), a Coreia do Sul, Mauritânia e Noruega (1,0% cada), os EUA (0,9%), Marrocos, Namíbia, Senegal, Bélgica e Argentina (0,6% cada), o Chile e El
Salvador (0,5% cada) e a Tanzânia (0,4%).
Este conjunto de países representou 92,6% do Total das importações portuguesas
dos produtos do mar em 2026, contra 90,4% no ano anterior.
4 – Exportação
Em 2026 as exportações cresceram
em valor +2,6% face ao ano anterior (+18,4 milhões de Euros), tendo ocorrido
acréscimos em todas as componentes à excepção de “Crustáceos, moluscos e
outros invertebrados aquáticos” (-19,8 milhões).
O Maior aumento coube à
componente “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+35,5
milhões de Euros), seguida de “Peixe” (+1,5 milhões), ”Sal, águas-mãe
de salinas e algas” (+935 mil Euros), “Farinhas e outros produtos da
pesca” (+177 mil Euros), “Gorduras e óleos de peixe de mamíferos
aquáticos” (+152 mil Euros) e “Extractos e sucos de carnes” (+1 milhar
de Euros).
4.1 – Mercados de Destino
No 1º Semestre de 2026 tiveram por destino a União Europeia 82,5% das exportações destes produtos, com destaque para a Espanha (53,3% do Total), França (12,3%) e Itália (8,9%). Seguiram-se, entre os principais países, o Brasil (4,4%), os EUA (2,6%), o Reino Unido/ Irl NT (2,4%), a Suíça (1,5%), a Alemanha e China (1,4% cada), a Bélgica e Países Baixos (1,3% cada).
5 –
Importação e exportação de sardinha
Face à acentuada redução
da espécie ao longo dos últimos anos em zonas em que operam habitualmente os
pescadores portugueses e espanhois, têm existido limitações anuais impostas à
pesca da sardinha, importante para o sector português da exportação de
conservas, tendo mesmo havido um parecer científico do “Conselho
Internacional para a Exploração do Mar (ICES)” que aconselhava a sua
proibição.
No 1º Semestre de 2026, em relação ao semestre homólogo de 2025, aumentou, com pouca expressão, a importação de “Sardinha
fresca, refrigerada ou congelada” (+1,9%, +254 mil Euros)) bem como a sua exportação (+9,7%, +898 mil Euros. Os
principais fornecedores foram a Espanha (81,5%), a França (8,5%) e a Croácia
(3,7%), tendo sido os principais mercados de destino a Espanha (54,0%), o Canadá
(13,2%) e a França (9,3%).
Em 2026, no período em
análise, aumentou significativamente a importação de “Conservas de
sardinha” (+39,4%), cifrando-se em 7,8 milhões de Euros, com o valor médio por
quilo a descer de 6,8 para 3,5 Euros. A exportação, num valor de 65,6 milhões
de Euros, aumentou +38,3% face a 2025, com o valor médio por quilo a subir de 7,0
para 7,8 Euros.
Os principais mercados de
origem foram a Espanha (38,5%), Marrocos (35,4%), os Países Baixos (20,8%) e a
França (3,6%), que no seu conjunto representaram 96,4% do Total das importações
(92,3% no ano anterior).
Os principais destinos
foram a França (32,5%), a Espanha (18,0%), o Reino Unido/Irl.NT (11,2%), os EUA
(6,3%), a Áustria (5,0%), a Bélgica (4,9%) e os Países Baixos (4,0%). Seguiram-se,
com mais de 1% do Total, a Alemanha (1,8%), a Austrália (1,7%), Hong-Kong
(1,5%), a Suíça (1,4%), a Roménia (1,3%) e a China (1,2%).
6 –
Importação e exportação de bacalhau
No 1º Semestre de 2026 o
bacalhau pesou 27,6% no total das importações dos produtos do mar (28,0% em 2025)
e 12,9% no total das exportações (11,4% em 2025).
O bacalhau ocupa uma
posição importante na alimentação dos portugueses, tendo no período em análise
de 2025 e 2026 o peso das importações mais de quatro vezes superior ao das
exportações.
No 1º Semestre de 2026,
face ao homólogo de 2025, a importação de bacalhau registou um decréscimo em
valor de -1,1%, tendo a exportação aumentado +16,3%. O valor médio por quilo subiu
de 9,3 para 11,3 Euros na importação e de 8,5 para 9,8 Euros na exportação.
Em 2026, no período em
análise, destacam-se nas importações, entre os vários tipos de bacalhau, o “Seco,
salgado, em salmoura ou fumado”, 74,9% (73,0% em 2025) e o “Congelado
excluindo filetes”, 14,0% (17,9% em 2025).
Nas exportações
predominaram o bacalhau “Congelado excluindo filetes” (45,7% e 42,9%,
respectivamente), os “Filetes em qualquer estado” (21,0% e 22,4%) e o “Seco,
salgado, em salmoura ou fumado” (19,1% e 21,0%).
Em 2026 os principais
mercados de origem das importações de bacalhau foram os Países Baixos (57,1% do
Total), a Suécia (16,0%), a China (7,6%), a Espanha (5,4%), a Dinamarca (5,1%)
e a Noruega (3,0%).
Os principais países de
destino foram a Espanha (34,3%), o Brasil (27,8%), a França (13,0%), a China
(3,8%), a Itália (3,7%) e a Suíça (3,0%).
Nas páginas seguintes (Anexos 1 a 13), encontram-se quadros e
gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes
por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das
quantidades transaccionadas.
ANEXOS





























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