quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Comércio Internacional da Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar (1º Semestre 2025-2026)

 

Comércio Internacional da Pesca,
preparações, conservas e outros
produtos do mar
(1º Semestre 2025-2026)

(Disponível para download >>> aqui )


 1 - Introdução

Portugal, detentor de uma das maiores “Zonas Económicas Exclusivas” (ZEE) a nível europeu, mantém no âmbito da “Pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar” uma balança comercial deficitária, com as importações (Fob) a representarem cerca do dobro do valor das exportações (Fob).

O peso destes produtos, no contexto do comércio global, foi tendencialmente crescente ao longo dos últimos cinco anos do lado das importações (de 2,5%, em 2021, para 2,7%, em 2025), e também tendencialmente crescente no âmbito das exportações (de 1,7% para 1,9%).

Neste trabalho vai-se analisar a evolução das importações e das exportações destes produtos no 1º Semestre de 2026 (versão preliminar), face a 2025 (versão definitiva), a partir de dados de base divulgados no Portal do ‘Instituto Nacional de Estatística’ (INE), com última actualização em 7 de Agosto de 2026.

2 – Balança Comercial

No 1º semestre de 2026, face ao semestre homólogo do ano anterior, a Balança Comercial destes produtos do mar foi deficitária, com défices (Fob-Cif) respectivamente de -778 milhões e -801 milhões de Euros (-1,6%).

Em 2026 as importações cresceram em valor +0,4% e as exportações +2,6%, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a subir de 46,4% para 47,5%.

Entre os agregados de produtos aqui considerados destacam-se o “Peixe”, os “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos”, que representaram 97,7% do total das importações e 98,6% do total das exportações em 2026.

Na figura seguinte pode observar-se a Balança Comercial das sete componentes em que foram agregados os produtos em análise.

Como se pode observar, “Preparações e conservas de peixe, crustáceos e moluscos” foi a única componente em que o saldo da Balança Comercial foi positivo em cada um dos períodos em análise, +12,2 milhões de Euros em 2025 e +54,2 milhões em 2026. Os maiores défices incidiram nas componentes “Peixe” (-650,9 milhões de Euros em 2025 e -663,2 milhões em 2026) e “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (respectivamente -145,4 milhões e -155,7 milhões de Euros).

Apresentam-se em Anexo quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.

3 – Importação

No 1º Semestre de 2026 as importações deste conjunto de produtos cresceram +0,4% face ao semestre homólogo ano anterior (+5,8 milhões de Euros).  O maior acréscimo, em Euros, coube à componente “Peixe” (+13,7 milhões de Euros), seguida de “Sal, águas-mãe de salinas e algas ” (+7,0 milhões de Euros), “Farinhas, pós, ‘pellets’ e produtos ‘solúveis’ (+862 mil Euros) e “Gorduras e óleos de peixe e mamíferos aquáticos” (+88 mil Euros).

Nas importações de “Peixe” assumem relevância as de bacalhau, nos seus diversos estados, que serão mais adiante abordadas com algum pormenor.


3.1 – Mercados de Origem

Em 2026 o principal mercado de origem das importações destes produtos foi a Espanha (37,8% do Total), seguida dos Países Baixos (18,1%), da Suécia (6,0%) e da China (5,1%).

Alinharam-se depois, entre os principais, a China (5,1%), a Dinamarca (3,2%), o Equador (2,6%), a Índia (2,5%), a Alemanha (1,8%), a Grécia (1,7%), a Itália e Vietname (1,4% cada), a França (1,3%), a África do Sul (1,1%), a Coreia do Sul, Mauritânia e Noruega (1,0% cada), os EUA (0,9%), Marrocos, Namíbia, Senegal, Bélgica e Argentina (0,6% cada), o Chile e El Salvador (0,5% cada) e a Tanzânia (0,4%).

Este conjunto de países representou 92,6% do Total das importações portuguesas dos produtos do mar em 2026, contra 90,4% no ano anterior.

4 – Exportação

Em 2026 as exportações cresceram em valor +2,6% face ao ano anterior (+18,4 milhões de Euros), tendo ocorrido acréscimos em todas as componentes à excepção de “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” (-19,8 milhões).

O Maior aumento coube à componente “Preparações e conservas de peixe, de crustáceos e moluscos” (+35,5 milhões de Euros), seguida de “Peixe” (+1,5 milhões), ”Sal, águas-mãe de salinas e algas” (+935 mil Euros), “Farinhas e outros produtos da pesca” (+177 mil Euros), “Gorduras e óleos de peixe de mamíferos aquáticos” (+152 mil Euros) e “Extractos e sucos de carnes” (+1 milhar de Euros).


4.1 – Mercados de Destino

No 1º Semestre de 2026 tiveram por destino a União Europeia 82,5% das exportações destes produtos, com destaque para a Espanha (53,3% do Total), França (12,3%) e Itália (8,9%). Seguiram-se, entre os principais países, o Brasil (4,4%), os EUA (2,6%), o Reino Unido/ Irl NT (2,4%), a Suíça (1,5%), a Alemanha e China (1,4% cada), a Bélgica e Países Baixos (1,3% cada).


5 – Importação e exportação de sardinha



Face à acentuada redução da espécie ao longo dos últimos anos em zonas em que operam habitualmente os pescadores portugueses e espanhois, têm existido limitações anuais impostas à pesca da sardinha, importante para o sector português da exportação de conservas, tendo mesmo havido um parecer científico do “Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES)” que aconselhava a sua proibição.

No 1º Semestre de 2026, em relação ao semestre homólogo de 2025, aumentou, com pouca expressão, a importação de “Sardinha fresca, refrigerada ou congelada” (+1,9%, +254 mil Euros)) bem como  a sua exportação (+9,7%, +898 mil Euros. Os principais fornecedores foram a Espanha (81,5%), a França (8,5%) e a Croácia (3,7%), tendo sido os principais mercados de destino a Espanha (54,0%), o Canadá (13,2%) e a França (9,3%).

Em 2026, no período em análise, aumentou significativamente a importação de “Conservas de sardinha” (+39,4%), cifrando-se em 7,8 milhões de Euros, com o valor médio por quilo a descer de 6,8 para 3,5 Euros. A exportação, num valor de 65,6 milhões de Euros, aumentou +38,3% face a 2025, com o valor médio por quilo a subir de 7,0 para 7,8 Euros.

Os principais mercados de origem foram a Espanha (38,5%), Marrocos (35,4%), os Países Baixos (20,8%) e a França (3,6%), que no seu conjunto representaram 96,4% do Total das importações (92,3% no ano anterior).

Os principais destinos foram a França (32,5%), a Espanha (18,0%), o Reino Unido/Irl.NT (11,2%), os EUA (6,3%), a Áustria (5,0%), a Bélgica (4,9%) e os Países Baixos (4,0%). Seguiram-se, com mais de 1% do Total, a Alemanha (1,8%), a Austrália (1,7%), Hong-Kong (1,5%), a Suíça (1,4%), a Roménia (1,3%) e a China (1,2%).


6 – Importação e exportação de bacalhau

No 1º Semestre de 2026 o bacalhau pesou 27,6% no total das importações dos produtos do mar (28,0% em 2025) e 12,9% no total das exportações (11,4% em 2025).

O bacalhau ocupa uma posição importante na alimentação dos portugueses, tendo no período em análise de 2025 e 2026 o peso das importações mais de quatro vezes superior ao das exportações.

No 1º Semestre de 2026, face ao homólogo de 2025, a importação de bacalhau registou um decréscimo em valor de -1,1%, tendo a exportação aumentado +16,3%. O valor médio por quilo subiu de 9,3 para 11,3 Euros na importação e de 8,5 para 9,8 Euros na exportação.

Em 2026, no período em análise, destacam-se nas importações, entre os vários tipos de bacalhau, o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado”, 74,9% (73,0% em 2025) e o “Congelado excluindo filetes”, 14,0% (17,9% em 2025).

Nas exportações predominaram o bacalhau “Congelado excluindo filetes” (45,7% e 42,9%, respectivamente), os “Filetes em qualquer estado” (21,0% e 22,4%) e o “Seco, salgado, em salmoura ou fumado” (19,1% e 21,0%).

Em 2026 os principais mercados de origem das importações de bacalhau foram os Países Baixos (57,1% do Total), a Suécia (16,0%), a China (7,6%), a Espanha (5,4%), a Dinamarca (5,1%) e a Noruega (3,0%).

Os principais países de destino foram a Espanha (34,3%), o Brasil (27,8%), a França (13,0%), a China (3,8%), a Itália (3,7%) e a Suíça (3,0%).



Nas páginas seguintes (Anexos 1 a 13), encontram-se quadros e gráficos com a Balança Comercial da desagregação de cada uma das componentes por produtos a 4 ou 6 dígitos da Nomenclatura Combinada, com indicação das quantidades transaccionadas.


ANEXOS




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