terça-feira, 1 de setembro de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Índices de Valor, Volume e Preço por Grupos e Subgrupos de Produtos (Janeiro-Junho 2026/2025)

 

Comércio Internacional
de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Junho 2026/2025)

                                                
                                           (disponível para download  >> aqui )

1 - Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias, calculados por grupos e subgrupos de produtos, à excepção do grupo em que se inserem “Aeronaves, embarcações e partes”, calculados para o período acumulado de Janeiro a Junho de 2026, a preços do período homólogo de 2025.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versões preliminares, com última actualização em 9 de Junho de 2026.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.

No caso presente foram desagregados por países e analisados os respectivos índices 91 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e 31 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se por grupos de produtos, em cada uma das vertentes comerciais, a representatividade das amostras que serviram de base para o cálculo dos índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada na base de dados do INE. 


3 – Balança Comercial


De acordo com os dados disponíveis, o défice da balança comercial de mercadorias no primeiro semestre de 2026 aumentou +18,4% face ao semestre homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 72,5% para 69,4%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as ‘importações‘ originárias dos países terceiros), com um aumento em valor de +6,3%, terão registado um acréscimo em volume de +6,6% e um decréscimo em preço de -0,2%.

O aumento em valor de +1,7% verificado nas exportações terá resultado de um acréscimo em volume de +2,9%, com o preço a decrescer -1,1%,.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2026 situa-se em -14,9 mil milhões de Euros, contra -18,3 mil milhões em termos globais.

Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações sobe, em 2026,  de 69,4%, em termos globais, para 72,2%.

Numa análise por Grupos de Produtos, em 2026 o saldo da Balança Comercial de mercadorias, no período em análise, foi positivo em três dos onze grupos de produtos considerados, designadamente “Madeira, cortiça e papel” (+1096 milhões de Euros), “Têxteis e vestuário” (+255 milhões) e “Calçado, peles e couros” (+110 milhões). Os grupos “Produtos acabados diversos” e “Aeronaves, embarcações e partes”, que em 2025 apresentaram saldos positivos (+182 e +54 milhões), registaram défices em 2026 (-45 e -179 milhões de Euros). 


4 - Importações

Em 2026 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total), “Químicos” (17,0%), “Agro-alimentares” (15,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (13,7%) e “Energéticos” (10,1%).


Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6%), “Produtos acabados diversos” (6,3%), “Têxteis e vestuário” (4,5%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%), “Calçado, peles e couros” (1,7%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

A maior taxa de variação em Valor coube ao grupo “Energéticos” (+19,6%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (+15,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (+10,1%), “Produtos acabados diversos” (+6,9%), “Minérios e metais” (+6,2%). “Calçado, peles e couros” (+3,5%), “Agro-alimentares” (+2,9%) e “Têxteis e vestuário” (+0,9%). Incidiram decréscimos nos grupos “Químicos” (-7,1%) e “Madeira, cortiça e papel” (-3,3%). 

Em Volume, foram positivas as taxas de variação em todos os grupos de produtos à excepção de “Químicos” (-6,7%) e “Madeira, cortiça e papel” (-1,2%), tendo-se destacado nos acréscimos o grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+16,5%), seguido de “Material de transporte terrestre e partes” (+14,2%), “Produtos acabados diversos” (+9,4%), “Calçado, peles e couros” (+8,9%), “Energéticos” (+8,3%), “Têxteis e vestuário” (+6,3%), “Minérios e metais” (+4,5%) e “Agro-alimentares” (+3,2%).

 Em Preço, foram negativas as taxas de variação em todos os grupos de produtos â excepção de “Energéticos” (+10,5%) e “Minérios e metais” (+1,7%). Os decréscimos couberam, por ordem decrescente, aos grupos “Têxteis e Vestuário” (-5,0%), “Calçado, peles e couros” (-4,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (-3,6%), “Produtos acabados diversos”    (-2,3%), “Madeira, cortiça e papel” (-2,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-0,9%) Químicos” (-0,5%) e “Agro-açlimentares” (-0,3%). 


5 – Exportações

Em 2026, no período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (16,5%), “Agro-alimentares” (14,0%), “Químicos” (13,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5%) e “Minérios e metais” (11,2%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (8,9%), “Têxteis e vestuário” (7,1%), “Energéticos” (6,5%), “Madeira, cortiça e papel” (6,3%), “Calçado, peles e couros” (2,7%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

Em 2026 verificaram-se decréscimos em Valor, face ao período homólogo do ano anterior, nos grupos “Químicos” (-17,7%) e “Madeira, cortiça e papel” (-1,2%). O maior acréscimo verificou-se no grupo “Minérios e metais” (+18,6%), seguido dos grupos “Energéticos” (+15,8%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+9,2%), Têxteis e vestuário” (+3,4%), “Calçado, peles e couros” (+2,3%), “Agro-alimentares” (+1,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (+1,0%) e “Produtos acabados diversos” (+0,3%).

Em Volume o principal decréscimo ocorreu no grupo “Químicos” (-15,2%), seguido a grande distância pelos grupos “Energéticos” (-2,1%). O maior acréscimo coube ao grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+16,3%), seguido dos grupos “Minérios e metais” (+10,2%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+9,1%), “Calçado. peles e couros” (+4,9%), “Têxteis e vestuário” (+4,6%), “Agro-alimentares” (+2,4%), “Madeira, cortiça e papel” (+1,9%) e “Produtos acabados diversos” (+1,8%).

No âmbito do Preço verificaram-se decréscimos em todos os grupos de produtos à excepção de “Energéticos” (+18,3%), “Minérios e metais” (+7,7%) e “Máquinas, aparelhos e partes” (+0,1%). O maior decréscimo coube ao grupo “Material de transporte terrestre e partes”          (-13,2%), seguido de “Madeira, cortiça e papel” (-3,1%), “Químicos” (-2,9%), “Calçado, peles e couros” (-2,5%), “Produtos acabados diversos” (-1,5%), “Têxteis e vestuário” (-1,2%), e “Agro-alimentares” (-o,9%).


Alcochete, 1 de Setembro de 2026.


ANEXO




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