segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Série mensal-Set 2017-Comércio Internacional

Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Período acumulado Janeiro-Setembro 2017 

" Publicação disponível para download > aqui "


1 - Balança comercial
De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Novembro de 2017, nos primeiros nove meses de 2017 as exportações de mercadorias cresceram em valor +10,7% face ao mesmo período do ano anterior (+3969 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +13,3% (+5962 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +7,7% (+2182 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros cresciam +20,3% (+1787 milhões de Euros). Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +10,5% (+3681milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +22,8% (+2280 milhões de Euros). Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +24,9%, ao situar-se em -10007 milhões de Euros (um acréscimo de 1992 milhões, cabendo 1499 milhões ao comércio intracomunitário e 493 milhões ao extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações nos nove primeiros meses do ano desceu de 82,2%, em 2016, para 80,4%, em 2017.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se também, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos. O valor médio unitário de importação do petróleo, que nos nove primeiros meses de 2016 se situou em 268 Euros/Ton, subiu para 344 Euros/Ton no mesmo período de 2017.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,5% e 7,3% do total no período de Janeiro-Setembro de 2017), o grau de cobertura (Fob-Cif) das importações pelas exportações dos restantes produtos passa, em 2017, de 80,4% para 84,1%, com o aumento do défice, em termos homólogos, a descer de +24,9% para +21,9%.


2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações
No período acumulado de Janeiro a Setembro de 2017, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 74,1% do total (76,2% em 2016), cresceram em valor +7,7%, contribuindo com +5.9 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +10,7%.
As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 25,9% do total em 2017 (23,8% em 2016), registaram um crescimento em valor de +20,3%, contribuindo com +4,8 p.p. para a taxa de crescimento global. 

Os principais mercados de destino das nossas mercadorias em 2017 foram a Espanha (25,3%), a França (12,4%), a Alemanha (11,4%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,3%), os Países Baixos (4,0%), a Itália (3,5%), Angola (3,2%), a Bélgica (2,4%), a China e o Brasil (1,5% cada), países que absorveram no seu conjunto 77,2% das nossas exportações.
Angola, o segundo mercado de destino das exportações para os países terceiros depois dos EUA, que vinha apresentando no passado recente sucessivos decréscimos em termos homólogos nas exportações da quase totalidade dos 11 grupos de produtos considerados, registou nos nove primeiros meses do ano um aumento global de +37,2%, com decréscimos em apenas dois dos grupos, designadamente “Energéticos” (-7,6%), e “Aeronaves, embarcações e partes” (-72,1%), principalmente barcos de pesca.

Entre os trinta principais países de destino, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações no período em análise (+10,7%), couberam a Espanha (+1,8 p.p.), EUA e Angola (+1,0 p.p. cada), França (+0,8 p.p.), Alemanha (+0,7 p.p.), Países Baixos e Brasil (+0,6 p.p. cada), e Itália (+0,5 p.p.). O maior contributo negativo coube à Argélia (-0,4 p.p.), seguida de Moçambique (-0,1 p.p.).

O maior acréscimo no valor das exportações para o espaço comunitário (expedições), em termos homólogos, verificou-se em Espanha, seguida da França, dos Países Baixos, da Alemanha, da Itália, das Provisões de Bordo e do Reino Unido. Com menor expressão alinharam-se depois a Polónia, a Roménia, a Bélgica, o Luxemburgo, a Eslováquia e a Dinamarca. O maior decréscimo coube à Irlanda.


3.2 - Importações
No período de Janeiro a Setembro de 2017, as importações com origem na UE (chegadas), que representaram 75,9% do total (77,7% em 2016), contribuíram com +8,2 p.p., para uma taxa de crescimento global de +13,3%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +22,8%, representando 24,1% do total (22,3% no período homólogo de 2016), com um contributo para o crescimento de +5,1 p.p..

Os principais mercados de origem das importações nos nove primeiros meses do ano foram a Espanha (31,7%), a Alemanha (13,7%) e a França (7,4%). Seguiram-se a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), o Reino Unido e a Bélgica (2,7% cada), a Federação Russa (2,4%), o Brasil (1,9%) e os EUA (1,5%), conjunto de países que representou 77,8% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações (+13,3%) destacam-se a Espanha (+3,0 p.p.), a Alemanha (+2,0%) e a Federação Russa (+1,0 p.p.). Seguiram-se os Países Baixos (+0,9 p.p.), a Itália e a França (0,7 p.p. cada), o Azerbaijão e a China (0,4 p.p. cada), e a Bélgica (0,3 p.p.).

Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam a Angola (-1,0 p.p.), seguida, com cerca de -0,1 p.p. da Irlanda, Argélia (‑0,2 p.p.) e República Checa.
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores decréscimos e acréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial
No período em análise, o maior saldo positivo da balança comercial (Fob-Cif) coube aos EUA (+1399 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido (+1348 milhões), da França (+1302 milhões), de Angola (+1157 milhões) e de Marrocos (+450 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-5793 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑2281 milhões), da Itália (‑1359 milhões), da Rússia (‑1073 milhões) e dos Países Baixos (-1061 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2) em uso na União Europeia, foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver Anexo).
Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias, representando 80,0% do total no período em análise de 2017, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (15,4% do total, com uma taxa de variação homóloga de +12,0%), “Químicos” (12,9% e TVH +8,7%), “Agro-alimentares” (12,2% e TVH +9,8%) “Material de transporte terrestre e partes” (10,7% e TVH +9,4%), “Têxteis e vestuário” (9,7% e TVH +3,8%), “Minérios e metais” (9,7% e TVH +15,5%) e “Produtos acabados diversos” (9,4% e TVH +10,1%).
Registaram-se acréscimos em valor, em termos homólogos, em todos os grupos de produtos. Os maiores aumentos, em Euros, ocorreram nos grupos “Energéticos” (+850 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+675 milhões), “Minérios e metais” (+532 milhões de Euros), “Agro-alimentares” (+444 milhões) e “Químicos” (+420 milhões).


5.2 – Importações
No mesmo período, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 72,2% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,8%, com uma taxa de variação homóloga em valor de +15,3%) “Químicos” (16,3% do total e TVH de +7,9%), “Agro-alimentares” (15,4% e TVH de +8,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,2% e TVH de +11,7%) e “Energéticos” (11,5% e TVH de +36,3%).
Também nas importações se verificaram acréscimos em todos os grupos de produtos, sendo os mais significativos, medidos em Euros, nos grupos “Energéticos” (+1555 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+1137 milhões), “Minérios e metais” (+826 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (+653 milhões) e “Agro-alimentares” (+642 milhões) e “Químicos” (+605 milhões de Euros). 


6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os mercados de destino das exportações de mercadorias, a Espanha ocupou nos primeiros nove meses de 2017 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,3% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição) e “Aeronaves, embarcações e partes” (5ª posição).

Seguiram-se no “ranking” a França (12,4%), a Alemanha (11,4%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,3%), os Países Baixos (4,0%), a Itália (3,5%), Angola (3,2%), a Bélgica (2,4%) e China (1,5%). Estes dez países cobriram 75,7% das exportações totais.
6.2 – Importações

Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou ainda o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 31,6% do total, sendo as excepções os grupos “Material de transporte terrestre e partes”, (2ª posição), depois da Alemanha, e “Aeronaves, embarcações e partes”, em que ocupou o 4º lugar, antecedida de Singapura, EUA e Brasil.
Seguiram-se a Alemanha (13,7%), a França (7,4%), a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), a Bélgica (2,7%), o Reino Unido (2,7%), a Rússia (2,4%) e o Brasil (1,9%). Estes dez países cobriram 76,3% das importações totais.


10 de Novembro de 2017

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Importações e Exportações Portugal-Catalunha 2015-2016 e Jan-Ago 2017


Evolução das Importações e Exportações 
de mercadorias
entre Portugal e a Catalunha

(2015-2016 e Janeiro-Agosto 2016-2017)

( publicação disponível para 'download' > aqui )


1 – Nota introdutória

A Espanha, que integra 17 Comunidades Autónomas, é o principal parceiro comercial de Portugal, tendo sido em 2016 o mercado de origem de cerca de 1/3 das nossas importações globais (32,9%) e o destino de mais de 1/4 das exportações (25,9%). 


Como se pode ler na publicação do AICEP “Espanha - As Comunidades Autónomas, Julho 2016”, reproduzindo dados de fonte ICEX (Espanha), a Catalunha ocupou em 2015 a terceira posição entre as principais Comunidades importadoras de mercadorias portuguesas (16,5%), precedida da Galiza (17,4%) e de Madrid (16,9%).
Por sua vez, no mesmo ano a Catalunha ocupou o primeiro lugar entre as Comunidades exportadoras de mercadorias para Portugal (25,2% do Total), a grande distância de Madrid (15,2%), da Galiza (13,3%) e da Andaluzia (10,2%).

Pretende-se neste trabalho avaliar a evolução recente das importações e  exportações de mercadorias entre Portugal e a Catalunha, com o detalhe possível.  Não se dispondo de dados de fonte nacional para o comércio com as Comunidades, vai-se aqui utilizar informação estatística provisória divulgada pelo Instituto de Estatística da Catalunha (IDESCAT) para os anos de 2015 e 2016 e período acumulado de Janeiro a Agosto de 2016 e 2017.
Existe um desfasamento entre os dados do comércio internacional de Portugal com a Espanha (total das Comunidades) quando de fonte INE ou de fonte espanhola (ICEX, IDESCAT e fornecidos pela Espanha ao EUROSTAT) que se repercutirá, naturalmente, nas trocas com cada uma das Comunidades.
Assim, por exemplo, os dados de importação de fonte IDESCAT para o total de Espanha, depois de feitas as necessárias conversões Cif-Fob, são em 2015 inferiores aos do INE em -18,7%, e em -27,9% em 2016. Este comportamento repete-se, mas a níveis inferiores, com os dados disponíveis na base de dados do EUROSTAT, -14,8% em 2015 e -20,1% em 2016). As diferença encontradas na vertente da exportação são de menor amplitude: -6,3% em 2015 e -5,8% em 2016 nos dados de fonte IDERSTAT, e ‑5,6% em 2015 e -5,9% em 2016 nos dados  EUROSTAT).
No caso das importações em Espanha com origem em Portugal, correspondentes às exportações de Portugal com destino a Espanha, onde incidem as maiores diferenças, este desfasamento terá a ver com um tratamento diferente dado pelos dois países na contabilização de mercadorias provenientes de países terceiros entradas em livre prática em Portugal mas com destino final a Espanha. Em Portugal são contabilizadas, para efeitos estatísticos, como uma importação, seguida de exportação para Espanha, o que será um procedimento correcto, mas em Espanha estarão a ser consideradas como uma importação directa a partir do país terceiro de origem. Este desfasamento manter-se-á enquanto não for uniformizado entre os dois países o método de tratamento destas operações, à luz da regulamentação comunitária.
De acordo com os dados disponíveis, no período em análise a Catalunha representou cerca de 28% das importações globais espanholas e 25% das exportações.
2 – Balança Comercial da Catalunha
A Balança Comercial da Catalunha é deficitária, com um saldo negativo de cerca de 13 mil milhões de Euros em 2015 e 2016 e um grau de cobertura das importações pelas exportações da ordem dos 83%. Nos primeiros oito meses de 2017 o défice situou-se em -3,4 mil milhões de Euros, o que correspondeu a uma redução de ‑60,3% face ao do período homólogo do ano anterior, assente num crescimento das exportações de +8,8% e numa quebra das importações de -2,6%, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a subir de 83,5% para 93,3%.

3 – Balança Comercial de Portugal com a Catalunha
Não se dispondo de dados estatísticos de fonte INE para o comércio entre Portugal e as Comunidades Autónomas de Espanha, vão ser utilizados, para o cálculo da Balança Comercial de Portugal com a Catalunha, dados de fonte “Instituto de Estatística da Catalunha” (IDESCAT), obtidos a partir do “Departamento de Aduanas e Impuestos Especiales de la Agencia Estatal de Administracón Tributaria”, eventualmente subavaliados pelo motivo atrás exposto.
De acordo com estes dados, a Balança Comercial de Portugal com a Catalunha é deficitária. As importações terão decrescido -4,3% em 2016 face ao ano anterior e as exportações -5,3%, com um défice nos dois anos da ordem dos 3 mil milhões de Euros e um grau de cobertura das importações pelas exportações de apenas cerca de 35%.
Nos primeiros oito meses de 2017, face ao mesmo período de 2016, as importações aumentaram +6,8%, com as exportações a caírem -4,1%, o que conduziu a um crescimento do défice de +12,9%, com um grau de cobertura das importações pelas exportações de 32,0%.

4 – Evolução trimestral das trocas entre a Catalunha e Portugal
Numa análise trimestral, verifica-se que as importações na Catalunha com origem em Portugal foram tendencialmente decrescentes ao longo dos trimestres de 2015, de 2016 e nos dois primeiros trimestres de 2017.

Por sua vez, o comportamento das exportações trimestrais da Catalunha para Portugal, no mesmo período, pode ser considerado, de forma moderada, tendencialmente crescente.

5 – Peso de Portugal/Catalunha nas respectivas
      importações e exportações globais
No período em análise, o peso de Portugal nas importações globais da Comunidade Autónoma da Catalunha situou-se em cerca de 2%, sendo da ordem dos 7% o seu peso na vertente das exportações.
Por sua vez, no mesmo período, o peso da Catalunha nas importações globais de Portugal oscilou entre os 7 e 8%, com as exportações a representarem, em média, um pouco mais de 3% do Total.


                        7 de Novembro de 2017







































































segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Comércio Portugal-Cabo Verde (2012-2016 e 1º Sem 2017)


Comércio internacional de mercadorias
de Portugal com Cabo Verde
-2012 a 2016 e 1º Semestre de 2017 -

(disponível para download > aqui )


1 – Nota introdutória
São pouco expressivas as exportações de Cabo Verde, centradas que são em produtos do mar, calçado e vestuário. Entre 2000 e 2008 Portugal foi o principal país de destino, tendo passado ao segundo lugar, depois da Espanha, a partir de 2009, excepção feita ao ano de 2015. As importações portuguesas com esta origem resumiram-se a apenas 0,1% dos fornecimentos do conjunto dos países terceiros em 2016 e 1º Semestre de 2017.
Na vertente das importações em Cabo Verde, foi Portugal o primeiro fornecedor entre 2000 e 2016. Neste último ano Cabo Verde ocupou a 11ª posição nas exportações portuguesas para o espaço extracomunitário, subindo ao 9º lugar no 1º Semestre de 2017.
Cabo Verde foi em 1996 um dos fundadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços entre os seus actuais nove membros.
Em 2016 Cabo Verde ocupou a 5ª posição nas importações de Portugal com origem no conjunto dos seus parceiros na CPLP (0,6%), precedido do Brasil, Angola, Guiné Equatorial e Moçambique, e o 3º lugar nas exportações portuguesas para esta Comunidade (9,6%), depois de Angola e do Brasil.
Para além de um breve conjunto de dados sobre o comércio internacional de Cabo Verde face ao mundo, de fonte Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde, vai-se neste trabalho analisar, com algum detalhe, a evolução das importações e exportações de mercadorias entre Portugal e Cabo Verde ao longo dos últimos cinco anos (2012 a 2016) e no 1º Semestre de 2017 e semestre homólogo do ano anterior, com base em dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), com última actualização em 9 de Outubro de 2017.
2 – Alguns dados sobre o comércio externo de Cabo Verde
O ritmo de “crescimento” em valor das importações e das exportações cabo-verdianas desde o início do século, tendencialmente crescente, tem-se rodeado de alguma irregularidade, tendo registado a importação uma quebra em 2012, seguida de alguma desaceleração.


De acordo com dados provisórios divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde, em escudos de Cabo Verde aqui convertidos em Euros, a Balança Comercial de mercadorias (fob-cif) de Cabo Verde foi deficitária ao longo dos últimos cinco anos, com um saldo negativo da ordem dos -500 milhões de Euros.

As importações aqui consideradas não incluem mercadorias entradas em regime temporário nem as que retornam ao país depois de expedidas em regime temporário (reimportação). Por sua vez, nas exportações não se encontram incluídas as mercadorias saídas temporariamente, as mercadorias reexportadas nem as nacionais e nacionalizadas destinadas à navegação nacional.
Em 2016 as importações cresceram +10,5% face ao ano anterior, com as exportações a decrescerem -10,2%, o que conduziu a um aumento do défice de +13,1%, ao situar-se em -548 milhões de Euros, com um grau de cobertura das importações pelas exportações de 9,0%.
Portugal, a principal origem das importações de Cabo Verde ao longo do último quinquénio, representou 46,5% das importações caboverdianas em 2016.
Entre os restantes fornecedores destacaram-se a Espanha (11,3%), os Países Baixos (6,4%), a China (4,8%), o Brasil (3,4%), a Bélgica (3,1%) e a França (2,4%).

Entre os mercados de destino, em 2016 a primeira posição foi ocupada pela Espanha (72,4%), seguida de Portugal (19,2%), da Turquia (4,2%), da Itália (1,2%), dos EUA (1,1%) e de Marrocos (0,3%), países que no seu conjunto representaram 98,5% do total das exportações de Cabo Verde nesse ano.

Por Grupos de Produtos (ver conteúdo por capítulos do Sistema Harmonizado-SH em tabela anexa), destacaram-se em 2016 as importações do grupo “Agro-alimentares” (31,0% do total), seguido dos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (16,1%), “Químicos” (10,7%), “Minérios e metais” (10,6%), “Produtos acabados diversos” (9,6%) e “Energéticos” (8,9%).
Com menor expressão alinharam-se depois os grupos “Material de transporte terrestre e partes” (5,5%), “Madeira, cortiça e papel” (4,2%), “Têxteis e vestuário” (2,6%), “Calçado, peles e couros” (0,4%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2%).

Na vertente das exportações destacou-se aqui também o grupo “Agro-alimentares” (83,6%), essencialmente constituído por peixe, crustáceos, moluscos, e suas preparações.
Seguiran-se os grupos “Têxteis e vestuário” (10,4%), “Calçado, peles e couros” (5,7%), “Produtos acabados diversos”, designadamente brinquedos e jogos, e “Químicos” (0,1%), essencialmente constituído por produtos farmacêuticos.

3 – Comércio de Portugal com Cabo Verde
A evolução das trocas comerciais de Portugal com Cabo Verde têm-se revestido de alguma irregularidade.
As importações, após uma descida entre 2004 e 2010, recuperaram a partir de então, situando-se desde 2013 num patamar acima do que ocupavam em 2000.
Por sua vez as exportações, que haviam aumentado a partir de 2005, registaram uma quebra entre 2010 e 2013, tornando-se tendencialmente crescentes a partir de então.

3.1 – Balança Comercial
A Balança Comercial de Portugal com Cabo Verde é amplamente favorável a Portugal, com um saldo positivo de 247,2 milhões de Euros em 2016.
No 1º Semestre de 2017 o saldo situou-se em cerca de 130 milhões de Euros, com uma taxa de crescimento de +13,3% face ao mesmo período do ano anterior.
Após um crescimento de cerca de +25% em 2013, face ao ano anterior, as importações mantiveram-se até 2016 em torno de um valor de 11 milhões de Euros.
No 1º Semestre de 2017 registou-se um acréscimo de +24,6% face ao semestre homólogo do ano anterior.
Por sua vez as exportações, que entre 2012 e 2015 se mantiveram numa faixa entre 200 e 215 milhões de Euros, acusaram em 2016 um acréscimo de +20,5%, aproximando-se de 260 milhões de Euros.
No 1º Semestre de 2017 verificou-se também um aumento face ao semestre homólogo do ano anterior, +13,8%.
Na sequência de um significativo desfasamento entre o valor das importações e das exportações de mercadorias, o grau de cobertura das primeiras pelas segundas é muito elevado.

3.2 – Importações por grupos de produtos
Ao longo dos últimos cinco anos, as importações portuguesas de mercadorias com origem em Cabo Verde incidiram principalmente nos grupos de produtos “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros”, “Agro-alimentares” e “Máquinas, aparelhos e partes”, este último com uma quebra acentuada em 2016.
No 1º Semestre de 2017, face ao semestre homólogo de 2016, verificou-se um acréscimo de +24,6% (+1,5 milhões de Euros), que ficou a dever-se a uma recuperação de importações inseridas no grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+1,9 milhões de Euros), que haviam registado uma descida significativa em 2016, que englobam partes de guindastes, pontes rolantes, pórticos, “bulldozers”, niveladoras, máquinas de terraplanagem, de nivelamento e semelhantes.
Neste 1º Semestre assistiu-se a descidas em todos os restantes grupos de produtos, à excepção da “Madeira, cortiça e papel” e “Aeronaves, embarcações e partes”, com peso pouco significativo.
Os grupos mais importantes, “Têxteis e vestuário” e “Calçado, peles e couros”, embora com pequenas descidas, mantiveram praticamente os mesmos níveis de valor.

3.3 – Exportações por grupos de produtos
Os grupos de produtos com maior peso nas exportações são “Agro-alimentares”, “Máquinas aparelhos e partes”, “Minérios e metais”, “Químicos” e “Produtos acabados diversos”.

No 1º Semestre de 2017 as exportações de produtos “Agro-alimentares” incidiram principalmente em óleos alimentares, como óleo de soja e azeite, em cerveja,  vinhos, leite e lacticínios, frutas, preparações de produtos hortícolas e de frutas, preparações à base de cereais e produtos de pastelaria, legumes em grão, carnes, miudezas comestíveis e enchidos, farinhas e outros produtos da moagem.
No grupo “Máquinas, aparelhos e partes” destacaram-se, entre as máquinas e aparelhos ditos mecânicos, as exportações de aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases, bombas para líquidos, torneiras e válvulas, bombas de ar ou vácuo, refrigeradores e congeladores, computadores, impressoras, aparelhos de ar condicionado, aparelhos diversos para tratamento de matérias por mudança de temperatura e aparelhos de elevação, como elevadores, tapetes rolantes, guindastes e pórticos. Entre as máquinas e aparelhos eléctricos sobressaíram os quadros e cabinas, os telefones, os fios e cabos eléctricos, os transformadores e conversores, os aparelhos de interrupção, seccionamento, protecção e suas partes, os grupos electrogéneos, os monitores e os televisores.
No grupo “Minérios e metais” de referir o ferro fundido, ferro, aço e suas obras, a pedra, gesso, cal e cimento, o alumínio e suas obras e obras diversas de metais comuns.
No grupo “Químicos” exportaram-se principalmente plásticos e suas obras, produtos farmacêuticos, tintas e vernizes, produtos de perfumaria e cosmética, sabões, ceras e velas, e borracha e suas obras, entre outros.
Entre os “Produtos acabados diversos” assumiram relevância os aparelhos de óptica, de fotografia, de medida, de precisão e para medicina, o mobiliário, colchões, almofadas e candeeiros, e o vidro e suas obras.
Seguiram-se, por ordem decrescente de valor, os grupos “Madeira, cortiça e papel”, “Material de transporte terrestre e partes”, “Têxteis e vestuário”, “Energéticos”, “Calçado, peles e couros” e “Aeronaves, embarcações e partes”.
23 de Outubro de 2017.
ANEXO