Comércio Internacional
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)
para o período de Janeiro a Abril de 2026 e 2025, em versões preliminares, com
última actualização em 9 de Junho de 2026, as exportações de mercadorias decresceram,
em termos homólogos, -1,4% (-392 milhões de Euros), a par de um acréscimo das
importações de +4,7% (+1712 milhões).
A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram
acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino
Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do
Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino
Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos,
para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois
novos códigos.
As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total
corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um decréscimo
de -2,1% (-423 milhões de Euros), tendo as
exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +0,4% (+31
milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +4,6%
(+1295 milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +4,7% (+418 milhões
de Euros).
O défice
comercial externo (Fob-Cif), +22,6% face a 2025, situou-se em -11431 milhões de Euros (superior em 2104 milhões
ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1717 milhões no
comércio intracomunitário e de 387 milhões no extracomunitário.
Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas
exportações desceu de 74,7% em 2025, para 70,3% em 2026.
A
variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das
exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No
período de Janeiro a Abril o valor médio de importação do petróleo bruto desceu de 549 Euros/Ton,
em 2025, para 533 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida
do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 808 Euros/Ton).
Para além da variação da cotação
internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação
do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu
preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Maio).
Se
excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou
9,0% no total das importações em 2026 e 5,7% nas exportações, o grau de
cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 70,3% no
comércio global, para 72,9%.
2 – Evolução mensal
3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações
No
período Janeiro-Abril de 2026 as exportações para a UE (expedições), que
representaram 72,1% do Total, decresceram -2,1%, contribuindo com -1,5 pontos
percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de -1,4%. As exportações para o espaço extracomunitário, 27,9% do Total, cresceram
+0,4%, contribuindo com +0,1 p.p. para a
taxa de evolução global.
Os dez principais
destinos das exportações foram a Espanha (25,9%), a França (12,4%), a Alemanha
(12,0%), os EUA (5,1%), a Itália (4,8%), os Países Baixos (3,6%), a Bélgica (2,6%),
a Turquia (1,7%), a Polónia (1,6%) e Marrocos (1,6%),
países que representaram 71,2% do Total.
Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª
posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou
no período em análise um acréscimo de +9,0%
nas nossas exportações (+30,0 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos
nos grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (+14,8 milhões de
Euros), “Produtos acabados diversos” (+7,9 milhões), “Químicos”
(+7,1 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+6,7 milhões), “Agro-alimentares”
(+2,3 milhões), “Têxteis e vestuário” (+494 mil Euros) e “Calçado,
peles e couros” (+289 mil Euros). Os decréscimos incidiram nos
grupos “Madeira, cortiça e papel” (-3,9 milhões), “Minérios e metais”
(-3,8 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,5
milhões) e “Energéticos” (-284 mil Euros).
Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das
exportações neste período (-1,4%) pertenceram à Turquia (+0,6 p.p.), seguida da
França e da China (+0,4 p.p. cada), da Itália e Marrocos (+0,3 p.p. cada) e da
Suíça, Suécia, Cabo Verde e Brasil (+0,2 p.p. cada).
Os maiores
contributos negativos couberam à Alemanha (-3,4 p.p.), seguida dos EUA
(-1,3 p.p.) e de Gibraltar, Canadá e Israel (-0,1 p.p. cada).
Os maiores acréscimos nas exportações
para o espaço comunitário (expedições)
incidiram na França (+122 milhões de Euros), Finlândia (+93 milhões), Itália (+89
milhões), Suécia (+55 milhões), Países Baixos (+37 milhões), Provisões de bordo
(+26 milhões), Letónia (+21 milhões) e Rep- Checa (+19 milhões). O principai decréscimo
coube à Alemanha (-938 milhões de Euros), seguida da Eslováquia (-7 milhões).
No conjunto dos Países Terceiros,
entre os maiores acréscimos nas exportações
destacaram-se a Turquia (+160 milhões), a China (+113 milhões), Marrocos (+88
milhões), Suíça (+55 milhões), Cabo Verde (+54 milhões), Ilhas Virgens EUA (+53
milhões), Togo (+52 milhões), Brasil (+51 milhões) e Angola (+30 milhões).
Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-362
milhões de Euros), seguidos da Ucrânia (-48 milhões), Panamá (-46 milhões),
Reino Unido (-38 milhões), Arábia Saudita e Gibraltar (-37 milhões cada), e
Austrália (-34 milhões).
3.2 – Importações
No
período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que
representaram 76,0% do total, registaram um acréscimo de +4,6%, com um
contributo para o resultado global de +3,5 p.p.. As importações com origem no
espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +4,7%, representando
24,0% do total, com um contributo de +1,1 p.p..
O principal mercado de origem das importações em 2026
foi a Espanha (32,1% do Total), seguida da Alemanha (12,3%), dos Países Baixos
(8,1%), da França (7,6%), da China (5,2%), da Itália (4,8%), do Brasil (3,3%),
da Bélgica (3,2%), dos EUA (2,3%) e da Polónia (1,7%).
Estes países representaram, no seu conjunto, 80,6% do
total das importações.
Entre os contributos
positivos para a taxa de variação homóloga das importações em Janeiro-Abril
de 2026 (+4,7%) destacaram-se os Países Baixos (+2,8 p.p.), a Espanha (+1,7
p.p.), a Alemanha (+1,0 p.p.), o Brasil (+0,7 p.p.), a China (+0,6 p.p.), a
França (+0,4 p.p.), os EUA e Taiwan (+0,2 p.p. cada), Marrocos e a Eslováquia (+0,1
p.p. cada). Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,6
p.p.), na Turquia, Itália, Argélia e Hungria (-0,2 p.p.), e na Suíça e Vietname
(-0,1 p.p. cada).
Nas duas figuras seguintes
relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem
intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros, entre Janeiro-Abril de 2026
e de 2025.
4 – Saldos da Balança Comercial
No período Janeiro-Abril de 2026 os maiores saldos positivos da
balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irlanda NT (+792 milhões de
Euros), aos EUA (+517 milhões), à França (+447 milhões), a Angola (+347
milhões) e a Gibraltar (+191 milhões).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-5348 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-2152 milhões), da China (-1684 milhões), da Alemanha (-1500 milhões) e do Brasil (-918 milhões).
5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os
capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2
Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).
Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na
estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +354 milhões de
Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares”
(14,0% e +73 milhões), “Químicos” (13,3% e -1391 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,6%
e +156 milhões), “Minérios
e metais” (11,2% e +415 milhões) e “Produtos
acabados diversos” (9,2% e +34 milhões). Seguiram-se os grupos “Têxteis
e vestuário” (7,4% e +72 milhões de
Euros), “Madeira cortiça e papel” (6,4% e -51 milhões),
“Energéticos” (5,7% e -74 milhões), “Calçado,
peles e couros” (2,8% e +19 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes”
(0,9% e +1 milhão
de Euros).
5.2 – Importações
Em Janeiro-Abril
de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (20,3% do Total e +1325 milhões de
Euros face ao ano anterior), “Químicos”
(16,7% e -740 milhões, “Agro-alimentares” (15,4% e +284 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (13,9% e +488 milhões). Seguiram-se os
grupos “Energéticos” (9,0% e +12 milhões),
“Minérios e metais” (8,6% e +70 milhões), “Produtos acabados
diversos” (6,3% e +145 milhões),
“Têxteis e vestuário” (4,5% e -71 milhões),
Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -30 milhões),
“Calçado, peles e couros” (1,7% e +3 milhões) e “Aeronaves,
embarcações e partes” (1,0% e +226
milhões de Euros).
6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os
mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Abril de 2026 a primeira
posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 25,9% do total, ocorrendo as
excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois do Brasil), “Calçado,
peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas,
aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves,
embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França).
Seguiram-se
no “ranking” a França (12,4%), a
Alemanha (12,4%), os EUA (5,1%), a Itália (4,8%), o Reino Unido (4,3%), os Países
Baixos (3,6%), a Bélgica (2,6%), a Turquia (1,7%) e a Polónia (1,6%).
Estes dez
destinos representaram 74,0% da exportação total.
6.2 – Importações
Na
vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze
grupos de produtos, com 32,1% do total.
As excepções
foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves,
embarcações e partes” (3º lugar, depois da França e do Brasil).
Seguiram-se,
no “ranking”, a Alemanha (12,3%), os
Países Baixos (8,1%), a França (7,6%), a China (5,2%), a Itália (4,8%), o
Brasil (3,3%), a Bélgica (3,2%), os EUA (2,3%) e a Polónia (1,7%),
Estes dez
países cobriram 80,6% da importação total.
7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026 face a 2025, por meses homólogos não acumulados
Alcochete, 11 de Junho de 2026.


























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