Comércio Internacional de Portugal com os PALOP
(Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa)
2021-2025
Analisa-se
neste trabalho a evolução do Comércio internacional de mercadorias de Portugal
com os “Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa” (PALOP), ex-Colónias,
no seu conjunto e individualmente, no período 2021-2025, com base em dados divulgados
pelo “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), em versões
definitivas até 2024 e
preliminar para 2025, com última actualização em 9-6-2026.
2 –
Conjunto dos PALOP
O
peso do conjunto dos PALOP na importação e exportação anual de mercadorias de
Portugal com o conjunto dos Países Terceiros foi tendencialmente decrescente
entre 2021 e 2025.
No
quadro seguinte pode observar-se a evolução do peso relativo de cada um dos
países componentes no Total das importações e das exportações de Portugal com os
PALOP entre 2021 e 2025.
Entre
2021 e 2025 Angola ocupou a primeira posição em ambas as vertentes, seguida,
entre os principais, de Moçambique e Cabo Verde nas importações, e de Cabo
Verde e Moçambique nas exportações.
Os
gráficos seguintes mostram o ritmo de evolução anual das importações e
exportações de Portugal com o conjunto dos PALOP e com cada um dos seus componentes
entre 2021 e 2025.
2.1–
Balança Comercial
No
período em análise a Balança Comercial foi favorável a Portugal, com elevados graus
de cobertura das importações pelas exportações.
O
saldo da balança aumentou sustentadamente entre 2021 e 2023 (de 1,5 para 1,7
mil milhões de Euros), estabilizando praticamente em 2024, para decrescer em
2025 para 1,5 mil milhões).
No
período em análise, o peso dos PALOP no Comércio Internacional global de
Portugal teve o seu ponto mais alto nas importações em 2022 (0,6%, com 0,2% em
2025), e também nas exportações (2,8%, com 2,3% em 2025).
2.2–
Importação
As posições
pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8) foram aqui agregadas,
nas duas vertentes comerciais, em 11 grupos de produtos (ver Anexo).
A importação portuguesa com origem no
conjunto dos cinco PALOP tem como forte
componente o grupo “Energéticos”, centrado
em Angola e constituído por óleos brutos do petróleo, que representou 71,9% do
Total em 2025, e 52,7% no ano anterior
Seguiu-se
o grupo “Agro-alimenares” com 19,4% do Total (27,9% no ano
anterior).
Com
pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos“Minérios e metais”
(2,2%, com 3,6% em 2024), Têxteis e vestuário” (1,7% e 5,0%), “Produtos
acabados diversos” (1,5% e 2,8%), “Calçado, Peles e
couros” (1,1% e 2,0%), “Madeira, cortiça e papel”
(1,0% e 4,2%), “Máquinas, aparelhos e partes” (0,8% e 1,2%), “Aeronaves,
embarcações e partes” (0,2% e 0,1%), “Material de transporte
terrestre e partes” (0,1% e 0,2%) e “Químicos” (0,1% nos
dois anos).
2.3
– Exportação
Na
Exportação, bem mais diversificada em produtos, destacaram-se em 2025 os grupos
de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (24,4% e 23,7% em 2024),
“Agro-alimentares” (24,0% e 23,1%) e “Químicos”
(16,8% e 16,7%).
Seguiram-se,
entre os principais, os grupos “Produtos acabados diversos” (11,8%
e 9,0%) e “Minérios e metais” (11,2% em ambos os anos)
Com
pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel”
(3,6% e 3,4%), “Energéticos” (3,3% e 6,9%), “Material de
transporte terrestre e partes” (2,3% e 2,7%), “Têxteis e
vestuário” (1,9% e 1,2%), “Calçado, peles e couros” (0,5%
e 0,6%), e “Aeronaves, embarcações
e partes” (0,1% e 0,5% em2024).
Segue-se
uma análise da evolução das importações e das exportações de Portugal com cada
um dos países que integram os PALOP, no período 2021-2025.
3 -
Angola
3.1
- Balança Comercial
Ao
longo do período em análise foi favorável a Portugal a Balança Comercial com
Angola, com saldos compreendidos entre 800 mil e 1000 milhões de Euros. Em 2025,
face ao ano anterior, o saldo desceu de 932,3 para 857,2 milhões de Euros.
3.2
– Importação
A
principal importação portuguesa com origem em Angola incide no grupo de
produtos “Energéticos”, essencialmente constituída por petróleo
bruto, tendo representado 83,1% do Total em 2025, contra 73,6% em 2024.
Seguiu-se o grupo “Agro-alimentares” (12,7%, com 17,8% no ano anterior) e, com pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (1,2% e 2,3%), “Madeira, cortiça e papel” (1,2% e 2,3%), “Minérios e metais” (1,1% e 2,7%), “Máquinas, aparelhos e partes” (0,4% e 0,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% e 0,1%) e “Material de transporte terrestre” (0,2% e 0,2%). Foram paticamente nulas, ou mesmo nulas, as importações dos grupos de produtos “Químicos”, ”Têxteis e vestuário” e “Calçado, peles e couros”.
As
principais exportações portuguesas com destino a Angola em 2025 couberam aos
grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (29,3%, com 28,5%
no ano anterior), “Agro-alimentares” (19,0% e 10,0%) e “Químicos”
(17,3% e 17,6%), “Produtos acabados diversos” (13,7% e 10,0%) e “Minérios
e metais” (11,0% e 11,9%). Com pesos inferiores seguiram-se os
grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,4% e 3,3%), “Material
de transporte terrestre e partes” (2,2% e 2,3%), “Energéticos”
(1,9% e 2,5%), “Têxteis e vestuário” (1,7% e 2,2%), “Calçado,
peles e couros” (0,5% e 0,6%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1%
e 0,6%).
4 –
Cabo Verde
4.1
- Balança Comercial
Em
2025 as importações portuguesas com origem em Cabo Verde (9,7 milhões de Euros)
ocuparam a terceira posição no conjunto dos PALOP, depois de Angola e
Moçambique, com 3,6% do Total, tendo registado um decréscimo de -7,2% face ao
ano anterior.
Por
sua vez, as exportações (365,5 milhões de Euros) ocuparam a segunda posição no
conjunto dos PALOP, depois de Angola, com 20,4% do Total, o que representou um decréscimo
de -6,7% face a 2024.
A
Balança Comercial de mercadorias, favorável a Portugal, registou em 2025 um
saldo positivo de +355,8 milhões de Euros, o que correspondeu um decréscimo de -6,7%
face ao ano anterior.
4.2
– Importação
Em
2025 as principais importações incidiram nos grupos de produtos “Têxteis
e vestuário” (44,5% do Total com 51,2% em 2024), “Calçado, peles
e couros” (29,1% e 25,3%) e “Produtos acabados diversos”
(11,3% e 11,9%).
Seguiram-se
os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (4,8% e 2,6%), “Agro-alimentares”
(3,2% e 4,0%), “Energéticos” (3,1% e 1,1%) e “Minérios e
metais” (2,5% e 2,8%).
Com
pesos inferiores a 1,0% alinharam-se depois os grupos “Aeronaves,
embarcações e partes” (0,7% e 0,2%), “Madeira, cortiça e papel”
(0,4% e 0,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,3%
e 0,7%) e “Químicos” (0,2% e 0,1%).
Na
figura seguinte relacionam-se os principais produtos importados, por Capítulos
da Nomenclatura (NC2/SH2).
4.3
– Exportação
Em
2024 as principais exportações couberam aos grupos “Agro-alimentares” (31,2%
e 28,3%), “Máquinas, aparelhos e partes” (16,4% e 13,7%), “Minérios
e metais” (15,9% e 14,2%) e “Químicos” (15,3% e 14,4%).
Seguiram-se
os grupos “Produtos acabados diversos” (9,4% e 8,3%), “Madeira,
cortiça e papel” (5,0% e 4,5%), “Têxteis e vestuário”
(2,8% nos dois anos), “Material de transporte terrestre e partes”
(2,7% e 2,1%), “Calçado, peles e couros” (0,7% e 0,6%), “Energéticos”(0,5%
e 10,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,2%).
5 –
Guiné-Bissau
5.1
- Balança Comercial
No
período em análise a Balança Comercial de mercadorias com a Guiné-Bissau foi favorável
a Portugal, com elevadíssimos graus de cobertura das exportações sobre as
importações. Em 2025 as importações cifraram-se em escassos 24 mil Euros, contra
350 mil euros no ano anterior. Por sua vez, as exportações situaram-se em 99,5
milhões de Euros (-17,6% face ao ano anterior).
5.2
– Importação
Em
2025 a principais importações incidiram nos grupos “Agro-alimentares”
(52,7%, com 58,1% em 2024), “Energéticos” (4,7%, com
importação nula no ano anterior) e “Minérios e metais” (2,6 e
0,7% em 2024). Nos restantes grupos de produtos registaram-se importações nulas,
ou praticamente nulas num dos anos e com valor pouco significativo no outro, à
excepção de “Máquinas, aparelhos e partes” (0,0% e 28,8%
em 2024), principalmente “bulldozeres”, máquinas de nivelamento, terraplanagem
e semelhantes.
5.3
– Exportação
6
– Moçambique
6.1
- Balança Comercial
A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com
Moçambique foi favorável a Portugal ao longo dos últimos cinco anos, com
elevados graus de cobertura das importações pelas exportações. Ao longo do
último quinquénio o saldo da Balança oscilou entre um mínimo de 167,3 milhões
de Euros, em 2025, e um máximo de 222,6 milhões, em 2022.
6.2
- Importação
Pouco diversificadas, em
2025 as importações portuguesas de mercadorias com origem em Moçambique
centraram-se no grupo de produtos “Agro-alimentares” (85,4% do Total, com 72,9%
em 2024). Com pesos muito inferiores seguiram-se-lhe os grupos “Minérios e
metais” (9,4%
e 6,7 %), “Máquinas, aparelhos e partes” (2,7% e 1,8%), “Químicos” (0,7% e 0,2%), “Têxteis e
vestuário”
(0,7% e 4,3%), “Produtos acabados diversos” (0,5% e 1,1%), ”Material de
transporte terrestre e partes” (0,2% nos dois anos), “Energéticos” (0,2% e 0,0% em 2024), “Madeira,
cortiça e papel” (0,1% e 12,7%), e com peso nulo ou quase nulo “Calçado,
peles e couros” e “Aeronaves, embarcações e partes”.
6.3
- Exportação
Em 2025 os grupos de
produtos com maior peso nas exportações foram “Químicos”
(25,4% e 24,9% em 2024), “Máquinas, aparelhos e partes” (24,9% e 30,4%) e “Agro-alimentares” (23,5%
e 18,9%). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos”
(9,1% e 8,0%), “Minérios e metais” (8,3% e 8,4%) e “Madeira.
cortiça e papel” (3,6% e 3,1%). Com pesos inferiores alinharam-se
depois os grupos “Têxteis e vestuário” (1,7% em ambos os anos), “Energéticos”
(1,6% e 1,4%), “Material de transporte terrestre e partes”
(1,1% e 1,5%) e “Calçado, peles e couros” (0,6% e 1,1%), tendo o
grupo “Aeronaves, embarcações e partes” exportação nula em 2025,
com 0,6% no ano anterior.
7 –
São Tomé e Príncipe
7.1
- Balança Comercial
As
importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe após terem decrescido
de 2,6 milhões de Euros, em 2021, para 575 mil euros, em 2023, aumentaram +60,0%
em 2024 e +14,2% em 2025, atingindo 1,1 milhões de Euros. Por sua vez as
exportações, que em 2022 tinham alcançado cerca de 66 milhões de Euros, decairam
para 50,9 milhões no ano seguinte, para recuperarem o crescimento nos dois anos
seguintes, situando-se em 64,4 milhões.
7.2
- Importação
Em
2025 as principais importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe
incidiram nos grupos “Minérios e metais” (74,9% e 26,6%) e “Agro-alimentares”
(19,6% e 58,1% na no anterior).
Seguiram-se
os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (3,2% e 1,0%), “Material
de transporte terrestre e partes” (1,3% e importação nula em 2024), “Produtos
acabados diversos” (0,7% e 0,1%), “Têxteis e vestuário” e
“Calçado, peles e couros” (respectivamente com 0,3% e 0,2% em 2025 e
importação nula em 2024), tendo sido nulas nos dois anos as importações de “Energéticos”,
“Madeira, Cortiça e Papel”, e “Aeronaves, embarcações e
partes”.
7.3
- Exportação
Em
2025 as principais exportações portuguesas para São Tomé e Príncipe couberam ao
grupo de produtos “Agro-alimentares” (47,7%, com 44,1% em 2024),
“Máquinas, aparelhos e partes” (15,0% e 19,9%) e “Químicos”
(11,1% e 11,7%).
Alinharam-se
depois os grupos “Produtos acabados diversos” (8,7% e 6,8%), “Minérios
e metais” (5,5% e 6,1%), “Material de transporte terrestre e
partes” (4,3% e 4,2%), “Madeira, cortiça e papel” (3,1% e
2,8%), “Têxteis e vestuário” (2,8% e 2,7%), “Energéticos”
(1,5% e 1,1%), “Calçado, peles e couros” (0,3% e 0,6%) e “Aeronaves,
embarcações e partes”, (0,1% do Total em 2025, sem exportação no
ano anterior).


































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