domingo, 28 de junho de 2026

Comércio Internacional de Portugal com os PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - 2021-2025

 

Comércio Internacional de Portugal com os PALOP
(Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa)
2021-2025

( disponível para download  >> aqui )

1 - Introdução

Analisa-se neste trabalho a evolução do Comércio internacional de mercadorias de Portugal com os “Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa” (PALOP), ex-Colónias, no seu conjunto e individualmente, no período 2021-2025, com base em dados divulgados pelo “Instituto Nacional de Estatística de Portugal” (INE), em versões definitivas até 2024 e preliminar para 2025, com última actualização em 9-6-2026.

2 – Conjunto dos PALOP

O peso do conjunto dos PALOP na importação e exportação anual de mercadorias de Portugal com o conjunto dos Países Terceiros foi tendencialmente decrescente entre 2021 e 2025.

No quadro seguinte pode observar-se a evolução do peso relativo de cada um dos países componentes no Total das importações e das exportações de Portugal com os PALOP entre 2021 e 2025.

Entre 2021 e 2025 Angola ocupou a primeira posição em ambas as vertentes, seguida, entre os principais, de Moçambique e Cabo Verde nas importações, e de Cabo Verde e Moçambique nas exportações.

Os gráficos seguintes mostram o ritmo de evolução anual das importações e exportações de Portugal com o conjunto dos PALOP e com cada um dos seus componentes entre 2021 e 2025.

2.1– Balança Comercial

No período em análise a Balança Comercial foi favorável a Portugal, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações.

O saldo da balança aumentou sustentadamente entre 2021 e 2023 (de 1,5 para 1,7 mil milhões de Euros), estabilizando praticamente em 2024, para decrescer em 2025 para 1,5 mil milhões). 


No período em análise, o peso dos PALOP no Comércio Internacional global de Portugal teve o seu ponto mais alto nas importações em 2022 (0,6%, com 0,2% em 2025), e também nas exportações (2,8%, com 2,3% em 2025).

2.2– Importação

As posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8) foram aqui agregadas, nas duas vertentes comerciais, em 11 grupos de produtos (ver Anexo).

A importação portuguesa com origem no conjunto dos cinco PALOP tem como forte componente o grupo “Energéticos”, centrado em Angola e constituído por óleos brutos do petróleo, que representou 71,9% do Total em 2025, e 52,7% no ano anterior

Seguiu-se o grupo “Agro-alimenares” com 19,4% do Total (27,9% no ano anterior).

Com pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos“Minérios e metais” (2,2%, com 3,6% em 2024), Têxteis e vestuário” (1,7% e 5,0%), “Produtos acabados diversos” (1,5% e 2,8%), “Calçado, Peles e couros” (1,1% e 2,0%), “Madeira, cortiça e papel” (1,0% e 4,2%), “Máquinas, aparelhos e partes” (0,8% e 1,2%), “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% e 0,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,1% e 0,2%) e “Químicos” (0,1% nos dois anos).



2.3 – Exportação

Na Exportação, bem mais diversificada em produtos, destacaram-se em 2025 os grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (24,4% e 23,7% em 2024), “Agro-alimentares” (24,0% e 23,1%) e Químicos” (16,8% e 16,7%).

Seguiram-se, entre os principais, os grupos “Produtos acabados diversos” (11,8% e 9,0%) e “Minérios e metais” (11,2% em ambos os anos) 

Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,6% e 3,4%), “Energéticos” (3,3% e 6,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (2,3% e 2,7%), “Têxteis e vestuário” (1,9% e 1,2%), “Calçado, peles e couros” (0,5% e 0,6%),  e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,5% em2024).



Segue-se uma análise da evolução das importações e das exportações de Portugal com cada um dos países que integram os PALOP, no período 2021-2025.

3 - Angola

3.1 - Balança Comercial

Ao longo do período em análise foi favorável a Portugal a Balança Comercial com Angola, com saldos compreendidos entre 800 mil e 1000 milhões de Euros. Em 2025, face ao ano anterior, o saldo desceu de 932,3 para 857,2 milhões de Euros.

3.2 – Importação

A principal importação portuguesa com origem em Angola incide no grupo de produtos “Energéticos”, essencialmente constituída por petróleo bruto, tendo representado 83,1% do Total em 2025, contra 73,6% em 2024.

Seguiu-se o grupo “Agro-alimentares” (12,7%, com 17,8% no ano anterior) e, com pesos inferiores, alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (1,2% e 2,3%), “Madeira, cortiça e papel” (1,2% e 2,3%), “Minérios e metais” (1,1% e 2,7%),  “Máquinas, aparelhos e partes” (0,4% e 0,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2% e 0,1%) e “Material de transporte terrestre” (0,2% e 0,2%). Foram paticamente nulas, ou mesmo nulas, as importações dos grupos de produtos “Químicos”, Têxteis e vestuário” e “Calçado, peles e couros”.



3.3 – Exportação

As principais exportações portuguesas com destino a Angola em 2025 couberam aos grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (29,3%, com 28,5% no ano anterior), “Agro-alimentares” (19,0% e 10,0%) e “Químicos” (17,3% e 17,6%), “Produtos acabados diversos” (13,7% e 10,0%) e “Minérios e metais” (11,0% e 11,9%). Com pesos inferiores seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,4% e 3,3%), “Material de transporte terrestre e partes” (2,2% e 2,3%), “Energéticos” (1,9% e 2,5%), “Têxteis e vestuário” (1,7% e 2,2%), “Calçado, peles e couros” (0,5% e 0,6%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,6%).

4 – Cabo Verde

4.1 - Balança Comercial

Em 2025 as importações portuguesas com origem em Cabo Verde (9,7 milhões de Euros) ocuparam a terceira posição no conjunto dos PALOP, depois de Angola e Moçambique, com 3,6% do Total, tendo registado um decréscimo de -7,2% face ao ano anterior.

Por sua vez, as exportações (365,5 milhões de Euros) ocuparam a segunda posição no conjunto dos PALOP, depois de Angola, com 20,4% do Total, o que representou um decréscimo de -6,7% face a 2024.

A Balança Comercial de mercadorias, favorável a Portugal, registou em 2025 um saldo positivo de +355,8 milhões de Euros, o que correspondeu um decréscimo de -6,7% face ao ano anterior.

4.2 – Importação

Em 2025 as principais importações incidiram nos grupos de produtos “Têxteis e vestuário” (44,5% do Total com 51,2% em 2024), “Calçado, peles e couros” (29,1% e 25,3%) e “Produtos acabados diversos” (11,3% e 11,9%).  


Seguiram-se os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (4,8% e 2,6%), “Agro-alimentares” (3,2% e 4,0%), “Energéticos” (3,1% e 1,1%) e “Minérios e metais” (2,5% e 2,8%).

Com pesos inferiores a 1,0% alinharam-se depois os grupos “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e 0,2%), “Madeira, cortiça e papel” (0,4% e 0,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (0,3% e 0,7%) e “Químicos” (0,2% e 0,1%).

Na figura seguinte relacionam-se os principais produtos importados, por Capítulos da Nomenclatura (NC2/SH2).

4.3 – Exportação

Em 2024 as principais exportações couberam aos grupos “Agro-alimentares” (31,2% e 28,3%), “Máquinas, aparelhos e partes” (16,4% e 13,7%), “Minérios e metais” (15,9% e 14,2%) e “Químicos” (15,3% e 14,4%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,4% e 8,3%), “Madeira, cortiça e papel” (5,0% e 4,5%), “Têxteis e vestuário” (2,8% nos dois anos), “Material de transporte terrestre e partes” (2,7% e 2,1%), “Calçado, peles e couros” (0,7% e 0,6%), “Energéticos”(0,5% e 10,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,2%).



5 – Guiné-Bissau

5.1 - Balança Comercial

No período em análise a Balança Comercial de mercadorias com a Guiné-Bissau foi favorável a Portugal, com elevadíssimos graus de cobertura das exportações sobre as importações. Em 2025 as importações cifraram-se em escassos 24 mil Euros, contra 350 mil euros no ano anterior. Por sua vez, as exportações situaram-se em 99,5 milhões de Euros (-17,6% face ao ano anterior).

5.2 – Importação


Em 2025 a principais importações incidiram nos grupos “Agro-alimentares” (52,7%, com 58,1% em 2024), “Energéticos” (4,7%, com importação nula no ano anterior) e “Minérios e metais” (2,6 e 0,7% em 2024). Nos restantes grupos de produtos registaram-se importações nulas, ou praticamente nulas num dos anos e com valor pouco significativo no outro, à excepção de “Máquinas, aparelhos e partes” (0,0% e 28,8% em 2024), principalmente “bulldozeres”, máquinas de nivelamento, terraplanagem e semelhantes.

5.3 – Exportação


Em 2025 os principais grupos de produtos nas exportações portuguesas para a Guiné-Bissau foram “Agro-alimentares” (38,2% e 31,6% em 2024), seguido de “Energéticos” (34,1% e 45,5%), “Químicos” (4,5% e 3,6%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (6,9% e 6,0 %), “Químicos” (6,1% e 4,5%),“Máquinas, aparelhos e partes” (6,0% e 5,6%), “Minérios e metais” (4,7% e 2,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,8% nos dois anos), “Madeira cortiça e papel(1,1% também em ambos os anos), “Têxteis e vestuário” (1,0% e 0,7%), “Calçado, peles e couros” (0,2% e 0,1%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,1% e 0,5% em 2024).

6 – Moçambique

6.1 - Balança Comercial



A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Moçambique foi favorável a Portugal ao longo dos últimos cinco anos, com elevados graus de cobertura das importações pelas exportações. Ao longo do último quinquénio o saldo da Balança oscilou entre um mínimo de 167,3 milhões de Euros, em 2025, e um máximo de 222,6 milhões, em 2022.

6.2 - Importação


Pouco diversificadas, em 2025 as importações portuguesas de mercadorias com origem em Moçambique centraram-se no grupo de produtos “Agro-alimentares” (85,4% do Total, com 72,9% em 2024). Com pesos muito inferiores seguiram-se-lhe os grupos “Minérios e metais” (9,4% e 6,7 %), “Máquinas, aparelhos e partes” (2,7% e 1,8%), “Químicos” (0,7% e 0,2%), “Têxteis e vestuário (0,7% e 4,3%), “Produtos acabados diversos” (0,5% e 1,1%), ”Material de transporte terrestre e partes” (0,2% nos dois anos), “Energéticos” (0,2% e 0,0% em 2024), “Madeira, cortiça e papel” (0,1% e 12,7%), e com peso nulo ou quase nulo “Calçado, peles e couros” e “Aeronaves, embarcações e partes”.

6.3 - Exportação

Em 2025 os grupos de produtos com maior peso nas exportações foram “Químicos” (25,4% e 24,9% em 2024), “Máquinas, aparelhos e partes (24,9% e 30,4%) e “Agro-alimentares” (23,5% e 18,9%). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,1% e 8,0%), “Minérios e metais” (8,3% e 8,4%) e “Madeira. cortiça e papel” (3,6% e 3,1%). Com pesos inferiores alinharam-se depois os grupos “Têxteis e vestuário” (1,7% em ambos os anos), “Energéticos” (1,6% e 1,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,1% e 1,5%) e “Calçado, peles e couros” (0,6% e 1,1%), tendo o grupo “Aeronaves, embarcações e partes” exportação nula em 2025, com 0,6% no ano anterior.



7 – São Tomé e Príncipe

7.1 - Balança Comercial

As importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe após terem decrescido de 2,6 milhões de Euros, em 2021, para 575 mil euros, em 2023, aumentaram +60,0% em 2024 e +14,2% em 2025, atingindo 1,1 milhões de Euros. Por sua vez as exportações, que em 2022 tinham alcançado cerca de 66 milhões de Euros, decairam para 50,9 milhões no ano seguinte, para recuperarem o crescimento nos dois anos seguintes, situando-se em 64,4 milhões.

7.2 - Importação

Em 2025 as principais importações portuguesas com origem em São Tomé e Príncipe incidiram nos grupos “Minérios e metais” (74,9% e 26,6%) e “Agro-alimentares” (19,6% e 58,1% na no anterior).

Seguiram-se os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (3,2% e 1,0%), “Material de transporte terrestre e partes” (1,3% e importação nula em 2024), “Produtos acabados diversos” (0,7% e 0,1%), “Têxteis e vestuário” e “Calçado, peles e couros” (respectivamente com 0,3% e 0,2% em 2025 e importação nula em 2024), tendo sido nulas nos dois anos as importações de “Energéticos”, “Madeira, Cortiça e Papel”, e “Aeronaves, embarcações e partes”.



7.3 - Exportação

Em 2025 as principais exportações portuguesas para São Tomé e Príncipe couberam ao grupo de produtos “Agro-alimentares” (47,7%, com 44,1% em 2024), “Máquinas, aparelhos e partes” (15,0% e 19,9%) e “Químicos” (11,1% e 11,7%).

Alinharam-se depois os grupos “Produtos acabados diversos” (8,7% e 6,8%), “Minérios e metais” (5,5% e 6,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (4,3% e 4,2%), “Madeira, cortiça e papel” (3,1% e 2,8%), “Têxteis e vestuário” (2,8% e 2,7%), “Energéticos” (1,5% e 1,1%), “Calçado, peles e couros” (0,3% e 0,6%) e “Aeronaves, embarcações e partes”, (0,1% do Total em 2025, sem exportação no ano anterior).




Alcochete, 28 de Junho de 2026.


ANEXO


Sem comentários:

Enviar um comentário