segunda-feira, 15 de junho de 2026

 

Comércio Internacional
de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Março 2026/2025)

                                                
                                           (disponível para download  >> aqui )


1 - Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias por grupos e subgrupos de produtos, à excepção do grupo em que se inserem “Aeronaves, embarcações e partes”, calculados para o período acumulado de Janeiro a Março de 2026, a preços do período homólogo de 2025.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versões preliminares, com última actualização em 8 de Maio de 2026.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.

No caso presente foram desagregados por países e analisados os respectivos índices 122 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e 67 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se, por grupos de produtos, a representatividade das amostras globais em cada uma das vertentes comerciais, que serviram de base ao cálculo dos índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada na base de dados do INE. 


3 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis, o défice da balança comercial de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 aumentou +33,7% face ao trimestre homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 77,0% para 70,1%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as ‘importações‘ originárias dos países terceiros), com um aumento em valor de +2,7%, terão registado um acréscimo em volume de +7,0% e um decréscimo em preço de -4,0%.

A quebra em valor de -6,5% verificada nas exportações terá resultado de descidas em volume de -4,2% e de -2,4% em preço.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2026 situa-se em -7,1 mil milhões de Euros, contra -8,4 mil milhões em termos globais.

Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações sobe de 70,1%, em termos globais, para 72,6%.

Numa análise por Grupos de Produtos, em 2026 o saldo da Balança Comercial de mercadorias, no período em análise, foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, designadamente “Madeira, cortiça e papel” (+549 milhões de Euros), “Têxteis e vestuário” (+183 milhões), “Calçado, peles e couros” (+92 milhões) e “Produtos acabados diversos” (+74 milhões). O grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, que em 2025 apresentara um saldo positivo (+75 milhões), registou em 2026 um défice (-34 milhões de Euros).

4 - Importações

Em 2026 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (21,0% do Total), “Químicos” (16,6%), “Agro-alimentares” (15,3%) e “Material de transporte terrestre e partes” (14,0%).

Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6%), “Energéticos” (8,4%), “Produtos acabados diversos” (6,3%), “Têxteis e vestuário” (4,6%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%), “Calçado, peles e couros” (1,8%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7%).

A maior taxa de variação em Valor coube ao grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+20,0%), seguido de “Material de transporte terrestre e partes” (+7,6%), “Produtos acabados diversos” (+3,9%), “Agro-alimentares” (+3,1%) e “Minérios e metais” (+2,3%). Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Energéticos” (-10,8%) e “Químicos” (-9,3%), seguidos de “Madeira, cortiça e papel” (-4,3%), “Têxteis e vestuário” (-3,6%) e “Calçado, peles e couros” (-1,1%).

Em Volume, foram positivas as taxas de variação em todos os grupos de produtos à excepção de “Químicos” (-4,3%) e “Madeira, cortiça e papel” (-0,3%), tendo-se destacado o grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+22,7%), seguido de “Energéticos” (+9,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (+9,0%), “Calçado, peles e couros” (+8,2%), “Produtos acabados diversos” (+7,2%), “Têxteis e vestuário” (+4,9%), “Minérios e metais” (+2,8%), e “Agro-alimentares” (+1,8%),

Em Preço, foram negativas as taxas de variação em todos os grupos de produtos â excepção do grupo “Agro-alimentares” (+1,3%), com detaque para o grupo “Energéticos” (-18,4%), seguido de “Calçado, peles e couros” (-8,6%), “Têxteis e Vestuário” (-8,2%), Químicos” (-5,2%), “Madeira, cortiça e papel” (-4,0%), “Produtos acabados diversos” (-3,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-2,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,3%) e “Minérios e metais” (-0,5%).

5 – Exportações

Em 2026, no período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (16,8%), “Agro-alimentares” (14,0%), “Químicos” (13,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5%) e “Minérios e metais” (11,2%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,4%), “Têxteis e vestuário” (7,5%), “Madeira, cortiça e papel” (6,5%), “Energéticos” (5,1%), “Calçado, peles e couros” (3,0%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).

Os principais decréscimos em Valor, face ao período homólogo do ano anterior, verificaram-se nos Grupos de Produtos “Químicos” (-37,1%) e “Energéticos” (-17,2%). Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (-3,5%), “Agro-alimentares” (-1,2%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Calçado, peles e couros” (-0,1%).

O maior acréscimo verificou-se no grupo “Minérios e metais” (+10,9%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (+6,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (+2,2%) e Têxteis e vestuário” (+0,5%).

Em Volume o principal decréscimo ocorreu no grupo “Químicos” (-34,5%), seguido a grande distância pelos grupos “Energéticos” (-5,5%), “Agro-alimentares” (-1,0%), “Madeira, cortiça e papel” (-0,5%) e “Produtos acabados diversos” (taxa praticamente nula).

O maior acréscimo coube ao grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+12,0%), a que se seguiram “Minérios e metais” (+6,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (+4,9%), Calçado. peles e couros” (+3,8%), e “Têxteis e vestuário” (+1,2%).

No âmbito do Preço verificaram-se decréscimos em todos os grupos de produtos à excepção de “Minérios e metais” (+3,9%), cabendo o maior decréscimo ao grupo “Energéticos” (-12,4%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (-4,8%), “Químicos” (-3,9%), “Calçado, peles e couros” (-3,7%), “Madeira, cortiça e papel” (-3,1%), “Material de transporte terrestre e partes” (-2,6%), “Têxteis e vestuário” (-0,7%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Agro-alimentares” (-0,2%).


Alcochete, 13 de Junho de 2026.


ANEXO


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