Comércio Internacional
de mercadorias
Índices de Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Março 2026/2025)
Apresentam-se neste trabalho indicadores de
evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas
de mercadorias por grupos e subgrupos de produtos, à excepção do grupo em que
se inserem “Aeronaves, embarcações e partes”, calculados para o período
acumulado de Janeiro a Março de 2026, a preços do período homólogo de 2025.
Para o cálculo dos índices de preço, as posições
pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às
importações e exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram
agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).
Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o
cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de
dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de
Estatística (INE), em versões preliminares, com última actualização em 8 de
Maio de 2026.
2 – Nota metodológica
O método utilizado para o cálculo dos índices de
preço de Paasche aqui apresentados
assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços
de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo
dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados
para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.
Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a
partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com
movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais
anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo calculado
por métodos estatísticos.
Segue-se uma análise crítica, que pode incluir,
entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na
manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um
determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode
vir a ser incluído na amostra.
Mais frequentemente procede-se à desagregação por
mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se
encontram fora do intervalo calculado, incluindo-se na amostra do subgrupo a
informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na
proximidade do intervalo previamente encontrado.
No caso presente foram desagregados por países e
analisados os respectivos índices 122 produtos da Nomenclatura Combinada a oito
dígitos nas importações e 67 nas exportações.
Também produtos dominantes incluídos no intervalo e
decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por
mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios
sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.
Na figura seguinte pode observar-se, por grupos de
produtos, a representatividade das amostras globais em cada uma das vertentes
comerciais, que serviram de base ao cálculo dos índices de preço de Paasche,
envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura
Combinada na base de dados do INE.
3 – Balança Comercial
De acordo com os dados disponíveis, o défice da
balança comercial de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 aumentou +33,7%
face ao trimestre homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações
pelas exportações a descer de 77,0% para 70,1%.
As importações
(somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço
comunitário com as ‘importações‘ originárias dos países terceiros), com um aumento
em valor de +2,7%, terão registado um acréscimo em volume de +7,0% e um decréscimo
em preço de -4,0%.
A quebra em valor de -6,5% verificada nas exportações terá resultado de descidas em
volume de -4,2% e de -2,4% em preço.
Excluindo os produtos “Energéticos” do
Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2026
situa-se em -7,1 mil milhões de Euros, contra -8,4 mil milhões em termos
globais.
Por sua vez o grau de cobertura das
importações pelas exportações sobe de 70,1%, em termos globais, para 72,6%.
Numa análise por Grupos de Produtos, em 2026 o saldo da Balança Comercial de mercadorias, no período em análise, foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, designadamente “Madeira, cortiça e papel” (+549 milhões de Euros), “Têxteis e vestuário” (+183 milhões), “Calçado, peles e couros” (+92 milhões) e “Produtos acabados diversos” (+74 milhões). O grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, que em 2025 apresentara um saldo positivo (+75 milhões), registou em 2026 um défice (-34 milhões de Euros).
4 - Importações
Em
2026 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de
mercadorias foram “Máquinas, aparelhos e partes” (21,0% do Total), “Químicos” (16,6%), “Agro-alimentares” (15,3%) e “Material
de transporte terrestre e partes” (14,0%).
Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,6%), “Energéticos” (8,4%), “Produtos acabados diversos” (6,3%),
“Têxteis e vestuário” (4,6%), “Madeira, cortiça e papel” (2,6%), “Calçado, peles e couros” (1,8%) e “Aeronaves,
embarcações e partes” (0,7%).
A maior taxa de variação em Valor coube ao grupo “Máquinas,
aparelhos e partes” (+20,0%), seguido de “Material de transporte
terrestre e partes” (+7,6%), “Produtos acabados diversos” (+3,9%), “Agro-alimentares”
(+3,1%) e “Minérios e metais” (+2,3%). Os maiores decréscimos incidiram
nos grupos “Energéticos” (-10,8%) e “Químicos” (-9,3%), seguidos
de “Madeira, cortiça e papel” (-4,3%), “Têxteis e vestuário”
(-3,6%) e “Calçado, peles e couros”
(-1,1%).
Em
Volume, foram positivas as taxas de variação em todos os grupos de
produtos à excepção de “Químicos” (-4,3%) e “Madeira, cortiça e
papel” (-0,3%), tendo-se destacado o grupo “Máquinas, aparelhos e
partes” (+22,7%), seguido de “Energéticos” (+9,2%), “Material de
transporte terrestre e partes” (+9,0%), “Calçado, peles e couros”
(+8,2%), “Produtos acabados diversos” (+7,2%), “Têxteis e vestuário” (+4,9%),
“Minérios e metais” (+2,8%), e “Agro-alimentares” (+1,8%),
Em
Preço, foram negativas as taxas de variação em todos os grupos de
produtos â excepção do grupo “Agro-alimentares” (+1,3%), com detaque
para o grupo “Energéticos” (-18,4%), seguido de “Calçado, peles e
couros” (-8,6%), “Têxteis e Vestuário” (-8,2%), Químicos” (-5,2%), “Madeira, cortiça e
papel” (-4,0%), “Produtos acabados diversos” (-3,1%), “Máquinas,
aparelhos e partes” (-2,2%), “Material de transporte terrestre e partes”
(-1,3%) e “Minérios e metais” (-0,5%).
5 – Exportações
Em 2026, no período em análise, os grupos de
produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (16,8%), “Agro-alimentares” (14,0%), “Químicos” (13,2%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,5%) e “Minérios
e metais” (11,2%).
Seguiram-se os grupos “Produtos acabados
diversos” (9,4%), “Têxteis e vestuário” (7,5%), “Madeira, cortiça
e papel” (6,5%), “Energéticos” (5,1%), “Calçado, peles e couros” (3,0%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,9%).
Os principais decréscimos em Valor, face ao período homólogo do ano anterior, verificaram-se nos
Grupos de Produtos “Químicos” (-37,1%) e “Energéticos” (-17,2%).
Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (-3,5%), “Agro-alimentares”
(-1,2%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Calçado, peles e
couros” (-0,1%).
O maior acréscimo verificou-se no grupo “Minérios e metais” (+10,9%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (+6,6%), “Material de transporte terrestre e partes” (+2,2%) e Têxteis e vestuário” (+0,5%).
Em Volume
o principal decréscimo ocorreu no grupo “Químicos” (-34,5%), seguido a
grande distância pelos grupos “Energéticos” (-5,5%), “Agro-alimentares”
(-1,0%), “Madeira, cortiça e papel” (-0,5%) e “Produtos acabados diversos” (taxa praticamente nula).
O
maior acréscimo coube ao grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+12,0%),
a que se seguiram “Minérios e metais” (+6,7%), “Material de
transporte terrestre e partes” (+4,9%), Calçado. peles e couros” (+3,8%),
e “Têxteis e vestuário” (+1,2%).
No âmbito do Preço
verificaram-se decréscimos em todos os grupos de produtos à excepção de “Minérios
e metais” (+3,9%), cabendo o maior decréscimo ao grupo “Energéticos” (-12,4%), seguido de “Máquinas, aparelhos e partes” (-4,8%), “Químicos”
(-3,9%), “Calçado, peles e
couros” (-3,7%), “Madeira, cortiça e papel” (-3,1%), “Material
de transporte terrestre e partes” (-2,6%), “Têxteis e vestuário”
(-0,7%), “Produtos acabados diversos” (-0,6%) e “Agro-alimentares”
(-0,2%).
Alcochete,
13 de Junho de 2026.
ANEXO











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