domingo, 13 de setembro de 2026

Comércio Internacional de mercadorias - Série mensal - Janeiro-Julho 2026

 

Comércio Internacional

de mercadorias
- Série mensal -
(Janeiro a Julho de 2026)

                                           ( disponível para download  >> aqui )

 1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Julho de 2026, em versão preliminar com última actualização em 9 de Setembro de 2026, e de 2025, em versão definitiva, as exportações de mercadorias cresceram, em termos homólogos, +2,5% (+1,2 mil milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +5,5% (+3,7 mil milhões). 

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados, na sequência do “Brexit”, dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos valores dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aos actuais 27 membros, registaram no período em análise um acréscimo de +2,2%       (+771 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros registado um acréscimo de +3,3% (+432 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) cresceram +4,3% (+2,2 mil milhões) e as originárias dos Países Terceiros aumentaram +9,3% (+1,5 mil milhões de Euros). 

O défice comercial externo (Fob-Cif), +13,1% face a 2025, situou-se em -21,3 mil milhões de Euros (superior em 2,5 mil milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 1,4 mil milhões no comércio intracomunitário e de 1,1 mil milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 71,6% em 2025, para 69,6% em 2026.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. No período de Janeiro a Julho o valor médio de importação do petróleo bruto subiu de 511 Euros/Ton, em 2025, para 603 Euros/Ton, em 2026, sendo de assinalar uma acentuada subida do preço no mês de Abril face ao mês anterior (de 474 para 818 Euros/Ton).


Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média no mês de Agosto).


Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 10,3% no total das importações em 2026 e 6,7% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2026, de 69,6% no comércio global, para 72,4%.


2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

No período Janeiro-Julho de 2026 as exportações para a UE (expedições), que representaram 71,9% do Total, cresceram +2,2%, contribuindo com +1,6 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa em termos globais de +2,5%. As exportações para o espaço extracomunitário, 28,1% do Total, cresceram +3,3%, contribuindo com   +0,9 p.p. para a taxa de evolução global.

Os dez principais destinos das exportações foram a Espanha (26,3%), a Alemanha (12,1%), a França (12,0%), os EUA (5,3%), a Itália (4,5%), o Reino Unido/Irl NT (4,2%), os Países Baixos (3,4%), a Bélgica (2,7%), e as Provisões de Bordo para Terceiros e Polónia (1,7% cada), países que representaram 73,9% do Total.

Angola, que no ano de 2025 ocupou a 3ª posição no conjunto dos Países Terceiros, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise um acréscimo de +9,9% nas nossas exportações (+61.3 milhões de Euros). Ocorreram acréscimos nos grupos de produtos “Agro-alimentares” (+24,3 milhões de Euros), “Químicos” (+19,7 milhões), “Minérios e metais” (+7,3 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+7,1 milhões), “Produtos acabados diversos” (+6,0 milhões, “Têxteis e vestuário” (+1 milhão), “Calçado, peles e couros” (+954 mil Euros), “Energéticos” (+859 mil Euros) e “Máquinas, aparelhos e partes” (+590 mil Euros). 

Os decréscimos incidiram nos grupos “Madeira, cortiça e papel” (-5,7 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (-889 mil Euros. 


Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para a evolução das exportações neste período (+2,5%) pertenceram à Espanha (+1,1 p.p.), seguida das Provisões de Bordo Extra-EU (-0,5 p.p.), da França (+0,4 p.p.), da China e Turquia (+0,3 p.p. cada) e do Brasil, Provisões de Bordo Intra-UE, Suécia e Marrocos (+0,2 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam à Alemanha (-1,5 p.p.), seguida dos EUA (-0,8 p.p.) e do Reino Unido/ Irl.NT (-0,3 p.p.).



Os maiores acréscimos nas exportações para o espaço comunitário (expedições) incidiram em Espanha (+531 milhões de Euros), França (+172 milhões), Provisões de bordo (+103 milhões), Finlândia (+100 milhões), Suécia (+88 milhões), Polónia (+75 milhões), Itália (+65 milhões), Irlanda (+63 milhões), Bélgica (+52 milhões) e Áustria (+45 milhões de Euros).     

O principai decréscimo coube à Alemanha (-707 milhões de Euros), seguida da Roménia (-14 milhões) e da Estónia (-13 milhões).



No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se as Provisões de Bordo (+220 milhões), a China (+166 milhões), a Turquia (+147 milhões), o Brasil (+103 milhões), Marrocos (+84 milhões), a Nigéria (+80 milhões), Cabo Verde (+63 milhões), Angola (+61 milhões), Togo (+54 milhões), Ilhas Virgens EUA (+53 milhões) e Suíça (+47 milhões). Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os EUA (-380 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido/Irl.NT (-143 milhões), Ucrânia (-64 milhões), Austrália (-47 milhões), Panamá (-46 milhões), Taiwan (-45 milhões), Arábia Saudita (-41 milhões) e Argélia (-35 milhões de Euros).

3.2 – Importações

No período em análise de 2026 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 75,2% do total, registaram um acréscimo de +4,3%, com um contributo para o resultado global de +3,3 p.p.. As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +9,3%, representando 24,8% do total, com um contributo de +2,2 p.p..

O principal mercado de origem das importações em 2026 foi a Espanha (32,3% do Total), seguida da Alemanha (12,1%), dos Países Baixos e da França (7,4% cada), da China (5,2%), da Itália (4,9%), do Brasil (3,8%), da Bélgica (3,1%), dos EUA (2,2%) e da Polónia (1,7%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 80,2% do total das importações.

Em Janeiro-Julho de 2026, entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações (+5,5%), destacaram-se a Espanha (+2,2 p.p.), os Países Baixos (+1,9 p.p.), o Brasil e a Alemanha (+1,2 p.p. cada), a China e a França (+0,7 p.p. cada), e os EUA (+0,2 p.p.).

Os principais contributos negativos incidiram na Irlanda (-2,7 p.p.), na Argélia (-0,4 p.p.), e na Turquia, Hungria e Bélgica (-0,2 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos do valor das importações com origem intracomunitária (chegadas) e nos Países Terceiros.




4 – Saldos da Balança Comercial       

No período em análise os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido/Irl.NT (+1379 milhões de Euros), aos EUA (+1026 milhões), à França (+666 milhões), a Angola (+562 milhões) e a Gibraltar (+308 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-9858 milhões de Euros), seguida dos Países Baixos (-3525 milhões), da China (-3137 milhões), da Alemanha (-2628 milhões) e do Brasil (-1972 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO).

Em 2026, os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,5% e +710 milhões de Euros face ao ano anterior), “Agro-alimentares” (14,0% e +125milhões), “Químicos” (13,5% e -1089 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (12,1% e -34 milhões) e “Minérios e metais” (11,2% e +851 milhões).

Seguiram-se os grupos e “Produtos acabados diversos” (8,8% e -27 milhões), “Têxteis e vestuário” (7,2% e +115 milhões), “Energéticos” (6,7% e +555 milhões), “Madeira cortiça e papel” (6,3% e -47 milhões), “Calçado, peles e couros” (2,8% e +31 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,8% e +12 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em Janeiro-Julho de 2026 os grupos de produtos com maior peso foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,2% do Total e +1734 milhões de Euros face ao ano anterior), “Químicos” (16,9% e -1218 milhões, “Agro-alimentares” (15,3% e +224 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (13,5% e +779 milhões) e “Energéticos” (10,3% e +1321 milhões). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (8,7% e +262 milhões), “Produtos acabados diversos” (6,3% e +265 milhões), “Têxteis e vestuário” (4,5% e +20 milhões), Madeira, cortiça e papel” (2,6% e -49 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +32 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,1% e +312 milhões de Euros).


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

No período em análise, entre os mercados de destino, a Espanha ocupou a primeira posição em 7 dos 11 grupos de produtos com 26,3% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Energéticos” (2ª posição depois das Provisões de Bordo para Países Terceiros), “Calçado, peles e couros” (3ª posição depois da Alemanha e da França), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (3ª posição, precedida do Brasil e da França). 

Seguiram-se no “ranking” a Alemanha (12,1%), a França (12,0%), os EUA (5,3%), a Itália (4,5%), o Reino Unido (4,2%), os Países Baixos (3,4%), a Bélgica (2,7%), as Provisões de Bordo para Países Terceiros e a Polónia (1,7% cada).

Estes dez destinos representaram 73,9% da exportação total.

6.2 – Importações


Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,3% do total.

As excepções foram os grupos “Energéticos” (2º lugar depois do Brasil) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, depois da França, Brasil e Alemanha).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (12,1%), os Países Baixos (7,4%), a França (7,4%), a China (5,2%), a Itália (4,9%), o Brasil (3,8%), a Bélgica (2,2%), os EUA (2,2%) e a Polónia (1,7%),

Estes dez países cobriram 80,2% da importação total.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2026                       face a 2025, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 14 de Setembro de 2026.

 

ANEXO




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