quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Série mensal - Ago 2017 - Comércio Internacional

Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Período acumulado Janeiro-Agosto 2017 

" Publicação disponível para download > aqui "


1 - Balança comercial
De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Outubro de 2017, nos primeiros oito meses de 2017 as exportações de mercadorias cresceram em valor +11,5% face ao mesmo período do ano anterior (+3739 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +14,1% (+5567 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +8,2% (+2038 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros cresciam +21,9% (+1701 milhões de Euros). Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +11,0% (+3384 milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +24,7% (+2183 milhões de Euros).
Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +26,1%, ao situar-se em -8841 milhões de Euros (um acréscimo de 1827 milhões, cabendo 1345 milhões ao comércio intracomunitário e 483 milhões ao extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações nos oito primeiros meses do ano desceu de 82,3%, em 2016, para 80,4%, em 2017.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se também, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos, e logo na balança comercial. O valor médio unitário de importação do petróleo, que nos oito primeiros meses de 2016 se situou em 265 Euros/Ton, subiu para 345 Euros/Ton no mesmo período de 2017.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,5% e 7,3% do total no período de Janeiro-Agosto de 2017), o grau de cobertura (Fob-Cif) das importações pelas exportações dos restantes produtos desce de 85,6% para 84,2%, com o aumento do défice, em termos homólogos, a descer de +26,1% para +22,1%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações
No período acumulado de Janeiro a Agosto de 2017, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 74,0% do total (76,2% em 2016), cresceram em valor +8,2%, contribuindo com +6,3 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +11,5%.
As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 26,0% do total em 2017 (23,8% em 2016), registaram um crescimento em valor de +21,9%, contribuindo com +5,2 p.p. para a taxa de crescimento global. 

Os principais mercados de destino das nossas mercadorias em 2017 foram a Espanha (25,3%), a França (12,5%), a Alemanha (11,4%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,3%), os Países Baixos (4,1%), a Itália (3,5%), Angola (3,3%), a Bélgica (2,4%), a China (1,5%) e o Brasil (1,4%), países que absorveram no seu conjunto 77,3% das nossas exportações.
Angola, o segundo mercado de destino das exportações para os países terceiros depois dos EUA, que vinha apresentando no passado recente sucessivos decréscimos em termos homólogos nas exportações na quase totalidade dos 11 grupos de produtos considerados, registou nos oito primeiros meses do ano um aumento global de +44,4%, com decréscimos em apenas dois dos grupos, designadamente “Energéticos” (-8,6%), e “Aeronaves, embarcações e partes” (-73,7%), principalmente barcos de pesca.

Entre os trinta principais países de destino, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações no período em análise (+11,5%), couberam a Espanha (+1,9 p.p.), Angola e EUA (+1,1 p.p. cada), França (0,9 p.p.), Países Baixos e Alemanha (+0,7 p.p. cada), Brasil e Itália (0,5 p.p. cada), e China (+0,4 p.p.). O maior contributo negativo coube à Argélia (-0,5 p.p.), seguida de Moçambique (-0,1 p.p.).

O maior acréscimo no valor das exportações para o espaço comunitário (expedições), em termos homólogos, verificou-se em Espanha, seguindo-se a França, os Países Baixos, a Alemanha, a Itália, as Provisões de Bordo e o Reino Unido. Com menor expressão alinharam-se depois a Polónia, a Roménia, a Bélgica, o Luxemburgo, a Eslováquia e a Dinamarca. O maior decréscimo coube à Irlanda.

Entre os Países Terceiros, os maiores acréscimos ocorreram nas exportações para Angola e EUA, seguidos do Brasil, China, Taiwan, Gibraltar, Tajiquistão, Marrocos, Líbano e México.

3.2 - Importações
No período de Janeiro a Agosto de 2017, as importações com origem na UE (chegadas), que representaram 75,6% do total (77,7% em 2016), contribuíram com +8,5 p.p., para uma taxa de crescimento global de +14,1%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +24,7%, representando 24,4% do total (22,3% no período homólogo de 2016), com um contributo para o crescimento de +5,5 p.p..
Os principais mercados de origem das importações nos sete primeiros meses do ano foram a Espanha (31,6%), a Alemanha (13,7%) e a França (7,3%). Seguiram-se a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,7%), a Federação Russa (2,5%), o Brasil (1,8%) e os EUA (1,5%), conjunto de países que representou 77,6% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações (+14,1%) destacam-se a Espanha (+3,1 p.p.), a Alemanha (+2,2%) e a Federação Russa (+1,2 p.p.). Seguiram-se os Países Baixos (+0,9 p.p.), a Itália (+0,8 p.p.), a França e o Azerbaijão (0,6 p.p. cada), a China e a Bélgica (0,4 p.p. cada).

Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam a Angola (-1,1 p.p.), à Argélia (‑0,2 p.p.) e, com cerca de -0,1 p.p. cada, à Irlanda, Brasil e Rep. Checa.
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores decréscimos e acréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial
No período em análise, o maior saldo positivo da balança comercial (Fob-Cif) coube aos EUA (+1252 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido (+1223 milhões), da França (+1219 milhões), de Angola (+1071 milhões) e de Marrocos (+399 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-5081 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑2040 milhões), da Itália (‑1189 milhões), da Rússia (‑1021 milhões) e dos Países Baixos (-914 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2) em uso na União Europeia, foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver Anexo).
Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias, representando 79,8% do total no período em análise de 2017, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (15,4% do total, com uma taxa de variação homóloga de +13,3%), “Químicos” (12,9% e TVH +10,1%), “Agro-alimentares” (12,1% e TVH +11,6%) “Material de transporte terrestre e partes” (10,5% e TVH +7,7%), “Têxteis e vestuário” (9,9% e TVH +4,4%), “Minérios e metais” (9,6% e TVH +14,9%) e “Produtos acabados diversos” (9,4% e TVH +10,6%).
Registaram-se acréscimos em valor, em termos homólogos, em todos os grupos de produtos. Os maiores aumentos, em Euros, ocorreram nos grupos “Energéticos” (+766 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+658 milhões), “Agro-alimentares” (+458 milhões), “Minérios e metais” (+452 milhões de Euros) e “Químicos” (+430 milhões).


5.2 – Importações
No mesmo período, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 72,3% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,7%, com uma taxa de variação homóloga em valor de +16,2%) “Químicos” (16,4% do total e TVH de +8,8%), “Agro-alimentares” (15,4% e TVH de +9,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,3% e TVH de +11,9%) e “Energéticos” (11,5% e TVH de +38,9%).
Também nas importações se verificaram acréscimos em todos os grupos de produtos, sendo os mais significativos, medidos em Euros, nos grupos “Energéticos” (+1449 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+1051 milhões), “Minérios e metais” (+747 milhões), “Agro-alimentares” (+614 milhões), “Químicos” (+597 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (+587 milhões de Euros). 


6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os mercados de destino das exportações de mercadorias, a Espanha ocupou nos primeiros oito meses de 2017 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,3% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4ª posição).
Seguiram-se no “ranking” a França (12,5%), a Alemanha (11,4%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,3%), os Países Baixos (4,1%), a Itália (3,5%), Angola (3,3%), a Bélgica (2,4%) e China (1,5%). Estes dez países cobriram 75,8% das exportações totais.
6.2 – Importações

Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou também o primeiro lugar em oito dos onze grupos de produtos, com 31,6% do total, sendo as excepções os grupos “Energéticos” (2ª posição), a seguir à Rússia, “Material de transporte terrestre e partes”, (2ª posição), depois da Alemanha, e “Aeronaves, embarcações e partes”, em que ocupou o 4º lugar, antecedida de Singapura, EUA e Brasil.
Seguiram-se a Alemanha (13,7%), a França (7,3%), a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,7%), a Rússia (2,5%) e o Brasil (1,8%). Estes dez países cobriram 76,1% das importações totais.












































































































domingo, 8 de outubro de 2017

Comércio Internacional Portugal-Espanha - 2012-2016 e 1º Semestre 2017


Comércio Internacional de mercadorias
de  Portugal com Espanha
- 2012 a 2016 e 1º Semestre de 2017 -
(disponível para download > aqui )

1 – Nota introdutória
A Espanha é o principal parceiro comercial de Portugal, tendo sido em 2016 o mercado de origem de cerca de 1/3 das importações globais (32,9%) e o destino de mais de 1/4 das exportações (25,9%).
Em 1985, ano anterior à adesão dos dois países à então Comunidade Económica Europeia (CEE), o peso de Espanha era, nas importações e nas exportações globais, respectivamente de 7,4% e 4,1%, para no ano da adesão subir já para 10,9% e 6,6%. A partir de então esse crescimento foi-se intensificando, estabilizando as importações em torno dos 32% a partir de 2009. Por sua vez decresceu o peso das exportações a partir de 2007, para voltar a aumentar sustentadamente após 2012.



Pretende-se aqui avaliar, com algum detalhe, a evolução das chegadas e das expedições de mercadorias de e para Espanha (que designaremos respectivamente por importações e exportações) nos últimos cinco anos (2012-2016) e no primeiro semestre de 2016-2017. Para o efeito, os produtos transaccionados foram agregados em 11 grupos de produtos, cujo conteúdo, em termos de Nomenclatura Combinada, se encontra definido em quadro anexo.
De acordo com dados disponíveis para 2015, as Comunidades Autónomas de Espanha que registaram as maiores quotas de importação das mercadorias portuguesas foram a Galiza (17,4%), Madrid (16,9%) e Catalunha (16,5%). Seguiram-se a Comunidade Valenciana (9,8%), Andaluzia (9,6%) e Castela e Leão (6,0%). 
Com quotas inferiores a 4,0% as restante Comunidades: País Basco, Castela-La Mancha, Aragão, Extremadura, Astúrias, Navarra, Múrcia, I.Canárias, La Rioja, Cantábria e I.Baleares.

2 – Balança Comercial
A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Espanha é deficitária, tendo o défice oscilado entre -7,2 e -7,9 mil milhões de Euros ao longo dos últimos cinco anos, com um grau de cobertura médio das importações pelas exportações da ordem dos 60%.
No 1º Semestre de 2017 o défice registou um crescimento de +12,3% face ao semestre homólogo do ano anterior, ao situar-se em -3,7 mil milhões de Euros, com um grau de cobertura de cerca de 66%.

Segue-se um conjunto de quadros e gráficos com a balança comercial por Grupos de Produtos no período 2012-2016 e 1º Semestre 2016-2017, e quota detida por Espanha em cada um dos grupos.
Como se pode observar, o único grupo de produtos em que o saldo da balança é positivo foi “Têxteis e vestuário”.



3 – Importações
O grupo de produtos com maior peso nas importações é “Agro-alimentares”, sempre acima de 20% na estrutura ao longo dos últimos cinco anos e no 1º Semestre do ano em curso (21,4%). Neste semestre alinharam-se depois os grupos “Químicos” (16,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (11,9%), “Minérios e metais” (11,4%) e “Material de transporte terrestre e partes” (10,3%). Com peso inferior a 10% seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (7,1%), “Têxteis e vestuário” (7,0%), “Energéticos” (6,8%), “Madeira, cortiça e papel” (5,3%), “Calçado, peles e couros” (2,3%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,4%).

Nos gráficos seguintes encontra-se representada, por grupos de produtos, a variação em valor das importações originárias de Espanha ao longo do último quinquénio (2012=100).



3.1 – Principais acréscimos e decréscimos das importações
          no 1º Semestre de 2017, por grupos de produtos
No 1º Semestre de 2017 verificou-se um acréscimo de +985,0 milhões de Euros (M€) nas importações portuguesas de mercadorias provenientes de Espanha, face ao 1º semestre do ano anterior. Em todos os grupos de produtos se verificaram acréscimos nas importações, à excepção do grupo “Calçado, peles e couros”.
O maior aumento ocorreu no grupo de produtos “Agro-alimentares” (+258,2 M€), o grupo com maior peso no total, 21,4% e t.v.h. +12,6%, envolvendo, entre outras, importações de gorduras e óleos (+79,1 M€), principalmente azeite (+51,6 M€), carnes e miudezas comestíveis (+28,4 M€), em sua grande parte de suíno, peixe, crustáceos e moluscos (+25,5 M€), principalmente peixe congelado excepto filetes e moluscos, frutas (+21,3 M€), animais vivos (+15,8M€), principalmente suínos, produtos hortícolas (+15,6 M€) e vinho (+16,0 M€). O maior decréscimo incidiu nas importações de tabaco e seus sucedâneos manufacturados, como cigarros, cigarrilhas e charutos (-5,8 M€).
Seguiu-se o grupo “Energéticos” (+179,3 M€), com um peso de 6,8% na estrutura e t.v.h. +32,3%, com acréscimos principalmente nos produtos refinados do petróleo (+67,9 M€), energia eléctrica (+59,0 M€) e gás (+25,0 M€).
No grupo “Minérios e metais” (+160,9 M€), com um peso de 11,4% e t.v.h. +15,2%, destacam-se os aumentos verificados nas importações de ferro fundido, ferro e aço (+57,9 M€), como perfis, fio-máquina, barras e laminados, e de suas obras (+25,0 M€), de alumínio e suas obras (+43,2 M€), e de zinco e suas obras (+15,8 M€). Verificou-se um decréscimo nas importações de pedras preciosas e semipreciosas, metais preciosos e bijutarias à base destes materiais (-14,1 M€).
Seguiu-se o grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+148,7 M€), 10,3% na estrutura e t.v.h. +15,5%, incidindo os acréscimos essencialmente nos automóveis de passageiros (+65,9 M€) e partes e acessórios de automóveis (+62,0 M€).
No grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+113,6 M€), com um peso no total das importações de 11,9% e t.v.h. +9,7%, destacam-se, entre os aparelhos mecânicos, os acréscimos nas importações de caixas de fundição e moldes (+30,0 M€), de máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades (+13,6 M€) e de torneiras e válvulas (+8,5 M€). Entre os aparelhos eléctricos (+26,6 M€) sobressaíram as de fios e cabos (+18,8 M€), de telefones e aparelhos de telecomunicação (+13,5 M€) e de partes de leitores, gravadores de som e vídeos (+10,4 M€).
Nos restantes grupos de produtos verificaram-se acréscimos de menor amplitude:
No grupo “Químicos” (+35,4 M€), com um peso na estrutura de 16,1% e t.v.h. +2,1%, os acréscimos incidiram principalmente na área dos plásticos e da borracha, designadamente pneus novos. Verificou-se um decréscimo significativo nas importações de produtos químicos inorgânicos (-49,9 M€), na sua quase totalidade compostos e amálgamas de ouro e também carbonatos, seguido de quebras nos produtos químicos orgânicos (-19,5 M€), principalmente compostos heterocíclicos de azoto, e nos sabões e ceras (-10,5 M€), com destaque para os primeiros;
No grupo “Produtos acabados diversos” (+34,3 M€), com peso de 7,1% no total e t.v.h. +4,7%, destacam-se os acréscimos nas importações o vidro e suas obras (+9,1 M€), de brinquedos e jogos (+8,7 M€), de aparelhos ópticos, de fotografia, de medida e precisão (+7,2 M€), de produtos cerâmicos (+6,0 M€) e de mobiliário, colchões, almofadas e candeeiros (+5,9M€);
No grupo “Madeira. Cortiça e papel” (+30,0 M€), com um peso de 5,3% na estrutura e t.v.h. +5,6%, sobressai um aumento no papel, cartão e suas obras (+22,1 M€), seguido da cortiça (+5,9 M€), tendo-se registado um decréscimo nas importações de livros e jornais (-6,9 M€);
No grupo “Aeronaves, embarcações e partes” (+25,6 M€), com um peso de apenas 0,4% na estrutura e t.v.h.+162,1%, o acréscimo verificado incidiu na sua quase totalidade em aeronaves;
O grupo “Têxteis e vestuário” (+14,2 M€), com um peso de 7,2% na estrutura e t.v.h. +1,9%, registou um acréscimo nas importações de vestuário de tecido (+14,9 M€) e um decréscimo nas aquisições de algodão, de lã e de filamentos sintéticos ou artificiais (-12,7 M€).
O único grupo de produtos em que se registou um decréscimo nas importações foi “Calçado, peles e couros” (-15,3 M€), 2,3% na estrutura e t.v.h. +4,7%, sendo superiores as quebras verificadas nas peles (-9,3 M€) às do calçado e suas partes (-7,1 M€).
4 – Exportações
O grupo com maior peso nas exportações é também aqui o dos produtos “Agro-alimentares”, com uma quota que oscilou entre 17,6% e 18,9% ao longo dos últimos cinco anos. 

No 1º Semestre de 2017 este grupo representou 15,9% do total (16,3% no Semestre homólogo). Alinharam-se depois, por ordem decrescente, os grupos “Químicos” (13,6%), “Têxteis e vestuário” (12,9%), “Minérios e metais” (12,4%)  e “Material de transporte terrestre e partes” (11,5%).
Com um peso inferior a 10% seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (8,6%), “Madeira, cortiça e papel” e “Energéticos” (6,9% cada), “Calçado, peles e couros” (1,9%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2%).
Nos gráficos que se seguem encontra-se representada, por grupos de produtos, a variação em valor das exportações com destino a Espanha ao longo do último quinquénio (2012=100).

4.1 – Principais acréscimos e decréscimos das exportações
          no 1º Semestre de 2017, por grupos de produtos
No 1º Semestre de 2017 verificou-se um acréscimo de +584,4 milhões de Euros (M€) nas exportações de mercadorias com destino a Espanha, face ao 1º Semestre do ano anterior.
O maior aumento ocorreu no grupo de produtos “Minérios e metais” (+152,7 M€), com um peso no total de 12,4% e t.v.h. +21,0%, envolvendo, entre outras, as exportações de ferro fundido, ferro ou aço e suas obras (+101,3 M€), principalmente desperdícios e sucata, laminados planos, fio-máquina e outros fios, construções, reservatórios, fios e cabos para uso não eléctrico, as de alumínio e suas obras (+32,9 M€), as de minérios, escórias e cinzas (+14,1 M€), com destaque para o minério de cobre, de cobre e suas obras (+8,5 M€), principalmente desperdícios, residuos e sucata, e as de chumbo e suas obras (+5,0 M€).
Os maiores decréscimos incidiram na platina em formas brutas (-14,8 M€), nos minérios de zinco (-8,6 M€) e no ferro fundido em formas primárias (-5,9 M€).
Seguiu-se o grupo “Energéticos” (+137,3 M€), com um peso de 6,9% e t.v.h. +39,3%, com acréscimos nos refinados de petróleo (+101,6 M€) e na energia eléctrica (+28,1 M€).
No grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+73,7 M€), com 8,6% na estrutura e t.v.h. +13,9%, destacam-se acréscimos nas exportações de máquinas e aparelhos mecânicos (+65,8 M€), como moldes e caixas de fundição, máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades, motores e máquinas motrizes, elevadores, escadas rolantes, transportadores e “robots” industriais, entre outros, e nas máquinas e aparelhos eléctricos (+7,8 M€), como receptores de rádio, partes de motores e geradores, quadros eléctricos e transformadores.
Os maiores decréscimos ocorreram nas exportações de partes de emissores, radares, receptores rádio e TV (-6,7 M€), de bombas de ar ou vácuo, compressores, ventiladores e exaustores (-5,6 M€) e de fios e cabos eléctricos ou de fibra óptica (-5,2 M€).
Seguiu-se o grupo dos produtos “Agro-alimentares” (+71,9 M€), com um peso de 15,9% no total e t.v.h. +6,8%. Os acréscimos mais significativos couberam às frutas (+33,3 M€), peixe, crustáceos e moluscos (+31,7 M€), produtos hortícolas (+10,4 M€), carnes e miudezas (+7,1 M€), preparações de carne, peixe, crustáceos e moluscos (+6,2 M€) e gorduras e óleos animais ou vegetais (+6,2 M€).
Os maiores decréscimos verificaram-se nas exportações de bebidas (-12,6 M€), com destaque para as águas minerais, de preparações à base de cereais e de leite (-5,7 M€), de plantas vivas e floricultura (-3,4 M€), de animais vivos (-3,2 M€), principalmente bovinos, e de cereais (-3,1 M€), principalmente milho mas também arroz.
No grupo “Químicos” (+44,2 M€), 13,6% na estrutura e t.v.h. +4,8%, sobressaem os plásticos e suas obras (+43,2 M€). Seguiram-se os produtos químicos orgânicos (+19,5 M€), como etileno, propileno e outros, e a borracha e suas obras (+9,7 M€), principalmente pneus novos.
O decréscimo mais significativo coube aos metais preciosos no estado coloidal, compostos e amálgamas (-48,4 M€), designadamente compostos de ouro.
Seguiu-se o grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+42,2 M€), com 11,5% na estrutura e t.v.h. +5,4%, incidindo o acréscimo quase exclusivamente nos automóveis, tractores, ciclos e outros veículos terrestres , suas partes e acessórios (+42,2 M€). Destacam-se aqui as partes e acessórios de automóveis e tractores (+31,5 M€), veículos automóveis de passageiros, incluindo para 10 ou mais passageiros (+10,1 M€) e bicicletas e triciclos sem motor (+6,0 M€).
Neste 1º Semestre verificou-se uma quebra na exportação de veículos automóveis para o transporte de mercadorias (-6,7 M€).
Nos restantes grupos verificaram-se acréscimos de menor amplitude:
“Produtos acabados diversos” (+22,1 M€), com um peso de 9,1% e t.v.h. +3,5% inclui produtos muito diversificados, destacando-se entre os acréscimos os de mobiliário não médico (+8,9 M€) e entre os decréscimos os de assentos mesmo transformáveis em cama (-7,4 M€);
“Têxteis e vestuário” (+18,6 M€), com 12,9% na estrutura e t.v.h. +2,1%, com destaque para os aumentos no vestuário de tecido (+23,3 M€) nas e fibras sintéticas ou artificiais (+5,5 M€), incidindo o maior decréscimo no vestuário de malha (-14,2 M€);
“Madeira, cortiça e papel” (+10,8 M€), com um peso de 6,9% no total e t.v.h. +2,3%, registou acréscimos principalmente na cortiça e suas obras (+8,3 M€), no papel, cartão e suas obras (+5,3 M€), como caixas, sacos e embalagens, guardanapos, papel higiénico, lenços, fraldas e pensos, e na madeira e suas obras (+5,1 M€), principalmente obras de carpintaria para construção e ‘pellets’ de madeira. Entre os decréscimos detaca-se o das pastas de papel (-9,4 M€);
“Aeronaves, embarcações e partes” (+10,1 M€), com apenas 0,2% na estrutura e t.v.h. +138,2%, distribuindo-se os acréscimos por aeronaves, outros aparelhos aéreos e suas partes (+8,2 M€), essencialmente partes, e por embarcações (+1,8 M€), principalmente barcos para desporto ou recreio;
“Calçado, peles e couros” (+0,8 M€), com um peso de 1,9% e t.v.h. +0,6%, onde se registou um aumento nas exportações das obras de couro, bolsas e artigos de viagem (+1,7 M€) e um decréscimo no calçado (-0,6 M€) e também nas peles (-0,3 M€).

19 de Setembro de 2017

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Níveis de intensidade tecnológica - Export/Import 2012-2016 e 1º Semestre 2016-2017

Exportações e importações de 
Produtos Industriais Transformados
por níveis de intensidade tecnológica

- 2012 a 2016 e 1º Semestre de 2016 e 2017 -

(disponível para download > aqui )


1 - Nota introdutória
A evolução do nível de intensidade tecnológica das exportações e importações de Produtos Industriais Transformados, a que corresponde um maior ou menor valor acrescentado, tem um reflexo directo na balança comercial de mercadorias, sendo na exportação um importante indicador de desenvolvimento industrial. Pretende-se neste trabalho analisar, a partir de dados de base divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período 2012-2016 e 1º Semestre de 2017, com última actualização em 8/9/2017, a evolução do comércio internacional português destes produtos, na óptica do seu nível de intensidade tecnológica.
2 – Metodologia
Os níveis de intensidade tecnológica considerados neste trabalho são os propostos pela OCDE, definidos com base na Revisão-3 da International Standard Industrial Classification(ISIC Rev.3: Alta tecnologia - 2423, 30, 32 33, 353); Média-alta tecnologia - 24 excl.2423, 29, 31, 34, 352, 359); Média-baixa tecnologia - 23, 25 a 28, 351) e Baixa tecnologia - 15 a 22, 36 e 37).
A partir da tabela correspondente ao ano de 2007, com recurso à “Classificação Tipo do Comércio Internacional” da ONU (CTCI/SITC Rev.3) e à “Nomenclatura Combinada” a oito dígitos em uso na União Europeia (NC-8), tomando-se em consideração as sucessivas alterações pautais anuais, foi construída uma tabela em NC-8 abrangendo o período de 2007 a 2017, com algumas pequenas rectificações face à utilizada em trabalhos anteriores.
3 – Exportação de Produtos Industriais Transformados
      por níveis de intensidade tecnológica
O peso dos Produtos Industriais Transformados na exportação global portuguesa oscilou, no período de 2012 a 2016, entre 94,6% e 94,8%, situando-se em 94,8% e 94,4% respectivamente nos primeiros semestres de 2016 e de 2017.

Por níveis de intensidade tecnológica o maior peso nas exportações do conjunto dos Produtos Industriais Transformados no 1º Semestre de 2017 incidiu na Baixa tecnologia (35,8%), seguido da Média-alta tecnologia (29,9%), da Média-baixa tecnologia (25,1%) e da Alta tecnologia (9,2%).


Na Alta tecnologia encontram-se incluídos, por ordem decrescente do seu peso no 1º Semestre de 2017, o “Equipamento de rádio, TV e comunicações”, os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão”, os “Produtos farmacêuticos”, os produtos da “Aeronáutica e aeroespacial” e o “Equipamento de escritório e computação”.
A Média-alta tecnologia engloba, ainda por ordem decrescente de valor em 2017, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques”, as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos”, os “Produtos químicos, excepto farmacêuticos”, as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” e o “Equipamento ferroviário e outro equipamento de transporte”

Na Média-baixa tecnologia perfilam-se, por ordem decrescente de valor no 1º Semestre de 2017, os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustível nuclear”, os “Produtos da borracha e do plástico”, a “Fabricação de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos”, os “Produtos minerais não metálicos”, a “Metalurgia de base” e a “Construção e reparação naval”.
Por fim, na Baixa tecnologia alinham-se os “Têxteis, vestuário, couros e calçado”, os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, a “Pasta, papel, cartão e publicações”, as “Manufacturas não especificadas e reciclagem” e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça”.
As exportações anuais do conjunto dos Produtos Industriais Transformados cresceram sustentadamente ao longo dos últimos cinco anos.
Verificaram-se desacelerações nas exportações dos produtos de Alta tecnologia, em 2013, e de Média-baixa tecnologia nos últimos três anos.

4 – Mercados de destino das exportações
      no 1º Semestre de 2017
As exportações de Produtos Industriais Transformados têm por principal destino o espaço comunitário.
No 1º Semestre de 2017 o maior peso relativo da União Europeia, face ao conjunto dos países terceiros, incidiu na exportação de produtos de Média-alta tecnologia (78,8%).
Seguiram-se a Baixa tecnologia (76,3%), a Média-baixa tecnologia (67,8%) e a Alta tecnologia (66,9%).

Os países constantes do quadro seguinte representaram 72,3% das exportações globais portuguesas no 1º Semestre de 2017 e 72,5% das exportações de Produtos Industriais Transformados, que pesaram 90% ou mais no total em cada um dos países.

Entre estes oito países destaca-se, no âmbito dos Produtos Industriais Transformados, a Espanha (24,4% do total), seguida da França (13,2%) e da Alemanha (11,7%). Com pesos menores alinham-se o Reino Unido (6,9%), os EUA (5,5%), os Países Baixos (3,9%), a Itália (3,7%) e Angola (3,3%).
No 1º Semestre de 2017 a Espanha ocupou a primeira posição na Média-alta, na Média-baixa e na Baixa tecnologias, cabendo à Alemanha o primeiro lugar ao nível da Alta-tecnologia.

Entre os quatro níveis de intensidade tecnológica, a Baixa tecnologia predominou nas exportações para Espanha, França, Países Baixos, Itália e Angola.
A Média-alta tecnologia prevaleceu na Alemanha e no Reino Unido, sendo o nível dominante nos EUA a Média-baixa tecnologia.
Na figura seguinte encontra-se representada a distribuição das exportações para estes mercados por níveis de intensidade tecnológica.


5 – Importação de Produtos Industriais Transformados
      por níveis de intensidade tecnológica

O peso dos Produtos Industriais Transformados na importação global portuguesa aumentou, no período de 2012 a 2016, de 76,2% para 85,0%, situando-se em 86,1% e 84,2% respectivamente nos primeiros semestres de 2016 e 2017.

Por níveis de intensidade tecnológica, no 1º Semestre de 2017 o maior peso no conjunto das importações dos Produtos Industriais Transformados incidiu na Média-alta tecnologia (40,1%), seguida da Baixa tecnologia (27,4%), da Média-baixa tecnologia (17,0%) e da Alta tecnologia (16,6%).

Na Alta tecnologia encontram-se incluídos, por ordem decrescente do seu peso no 1º Semestre de 2017, o “Equipamento de rádio, TV e comunicações”, os “Produtos farmacêuticos”, os “Instrumentos médicos, ópticos e de precisão”, os produtos da “Aeronáutica e aeroespacial” e o “Equipamento de escritório e computação”
No mesmo período, a Média-alta tecnologia engloba, ainda por ordem decrescente de valor, os “Veículos a motor, reboques e semi-reboques”, os “Produtos químicos, excepto farmacêuticos”, as “Máquinas e equipamentos n.e., principalmente não eléctricos”, as “Máquinas e aparelhos eléctricos n.e.” e o “Equipamento ferroviário e outro equipamento de transporte”

Na Média-baixa tecnologia perfilam-se, por ordem decrescente de valor no 1º Semestre de 2017, a “Metalurgia de base”, os “Produtos da borracha e do plástico”, a “Fabricação de produtos metálicos, excluindo máquinas e equipamentos”, os “Refinados de petróleo, petroquímicos e combustível nuclear”, os “Produtos minerais não metálicos, e a “Construção e reparação naval”. 
Na Baixa tecnologia alinham-se os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, os “Têxteis, vestuário, couros e calçado”, as “Manufacturas não especificadas e reciclagem”, a “Pasta, papel, cartão e publicações” e a “Madeira e produtos da madeira e cortiça”. 
As importações anuais do conjunto dos Produtos Industriais Transformados cresceram sustentadamente ao longo dos últimos cinco anos e também em todos os níveis de intensidade tecnológica, à excepção dos produtos de Alta tecnologia em 2013 e de Média-baixa tecnologia em 2015 e 2016, anos em que se registaram descidas.


6 – Mercados de origem das importações 
      no 1º Semestre de 2017
As importações de produtos industriais transformados têm por principal origem o espaço comunitário. 
No 1º Semestre de 2017 o maior peso da União Europeia face ao conjunto dos países terceiros, incidiu na importação de produtos de Média-alta tecnologia (87,3%), seguida da Baixa tecnologia (83,3%), da Média-baixa tecnologia (80,6%) e da Alta tecnologia (76,5%).

Os países constantes do quadro seguinte representaram 71,8% das importações globais portuguesas no 1º Semestre de 2017 e 79,2% das importações de produtos industriais transformados, que pesaram entre 88,9% e 98,2% no total em cada um destes países.

Entre estes oito países destaca-se, no âmbito dos Produtos Industriais Transformados, a Espanha (33,2% do total), seguida da Alemanha (15,9%) e da França (8,2%). Com pesos inferiores alinham-se a Itália (6,5%), os Países Baixos (5,8%), a China (3,4%), a Bélgica (3,2%) e o Reino Unido (3,0%).

Neste 1º Semestre de 2017 a Espanha ocupou a primeira posição na Média-alta, na Média-baixa e na Baixa tecnologias, cabendo à Alemanha o primeiro lugar ao nível da Alta-tecnologia.

A Espanha foi o único destes oito países em que, entre os quatro níveis, predominou o de Baixa tecnologia.
Em todos os restantes países prevaleceu a Média-alta tecnologia
Na figura seguinte encontra-se representada a distribuição das importações com origem nestes mercados, por níveis de intensidade tecnológica.


7 – Balança comercial de Produtos Industriais Transformados
       por níveis de intensidade tecnológica
Ao longo do período em análise, o saldo (Fob-Cif) da balança comercial portuguesa de Produtos Industriais Transformados apenas foi positivo em 2013, num montante de +842 milhões de Euros, e no 1º Semestre de 2017, com +531 milhões de Euros.
O saldo da balança comercial dos produtos de Média-baixa tecnologia e de Baixa tecnologia foi sempre positivo, enquanto que o saldo da balança dos produtos de Alta tecnologia e de Média-alta tecnologia foi sempre negativo.





Alcochete, 2 de Outubro de 2017.