segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Comércio Internacional de Mercadorias - Série Mensal - Janeiro-Outubro 2022

 

Comércio Internacional 
de mercadorias
- Série mensal -
- Janeiro a Outubro de 2022 -

( disponível para download  >> aqui )

1 - Balança comercial

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Outubro de 2021 e 2022, respectivamente em versão já definitiva e em versão preliminar com última actualização em 9 de Dezembro de 2022, as exportações de mercadorias aumentaram em valor, em termos homólogos, +25,2% (+13142 milhões de Euros), a par de um aumento das importações de +35,7% (+23904 milhões).

A partir de Janeiro de 2021, nas estatísticas de base do INE foram acrescentados dois códigos de países, “XI-Reino Unido (Irlanda do Norte)” e “XU-Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)”, apresentando-se a zeros a posição pautal com o código “GB-Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Nos quadros desta série mensal manteremos, para já, este código GB, correspondente ao somatório dos dois novos códigos.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aqui aos actuais 27 membros, registaram de Janeiro a Outubro de 2022 um acréscimo de +23,8% (+8847 milhões de Euros), tendo as exportações para os Países Terceiros aumentado +28,5% (+4295 milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) aumentaram +26,8% (+13242 milhões) e as originárias dos Países Terceiros +60,6%  (+10662 milhões). 

O défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +73,0 ao situar-se em -25512 milhões de Euros (superior em 10762 milhões ao do ano anterior), a que corresponderam agravamentos de 4395 milhões no comércio intracomunitário e de 6367 milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 78,0%, em 2021, para 71,9%, em 2022.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. De Janeiro a Outubro de 2022 o valor médio de importação do petróleo bruto subiu, face ao período homólogo de 2021, de 417 para 746 Euros/Ton.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros (o gráfico inclui já a cotação média do mês de Novembro).

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 17,4% no total das importações em 2022 e 8,6% nas exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações em 2022 sobe, no comércio global, de 71,9% para 79,6%.

2 – Evolução mensal


3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

Em 2022, no período de Janeiro a Outubro, as exportações para a UE (expedições), que representaram 70,4% do Total, cresceram +23,8%, contribuindo com +16,9 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de ‘crescimento’ global de +25,2%. As exportações para o espaço extracomunitário (29,6% do Total), cresceram +28,5%, contribuindo com +8,2 p.p. para a taxa de ‘crescimento’ global.

Os dez principais destinos das exportações no período em análise de 2022 foram a Espanha (26,0%), a França (12,4%), a Alemanha (10,9%), os EUA (6,7%), o Reino Unido incl. Irlanda NT (4,8%), a Itália (4,4%), os Países Baixos (4,1%), a Bélgica (2,4%), as Provisões de Bordo para Países Terceiros (1,7%) e a Polónia (1,4%), destinos que representaram 74,9% do total das exportações.

Angola, o terceiro principal mercado entre os países terceiros no ano de 2021, depois dos EUA e do Reino Unido, registou no período em análise de 2022 um aumento de 52,7% nas nossas exportações (+401,2 milhões de Euros), envolvendo os acréscimos todos os grupos de produtos: “Máquinas, aparelhos e partes” (+105,1 milhões), “Agro-alimentares” (+94,1 milhões), Químicos (+63,6 milhões), “Produtos acabados diversos” (+45,6 milhões), “Minérios e metais” (+40,2 milhões), “Madeira, cortiça e papel” (+21,7 milhões), “Têxteis e vestuário” (+9,0 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (+8,9 milhões), “Energéticos” (6,4%), “Calçado, peles e couros” (+4,0 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (+2,6 milhões de Euros).

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações neste período (+25,2%) pertenceram a Espanha (+6,1 p.p.), aos EUA (+2,8 p.p.), à Alemanha (+2,7 p.p.), à França (+2,3 p.p.), às Provisões de Bordo Extra-UE (1,5 p.p.), aos Países Baixos (+1,2 p.p.), à Itália (+1,0 p.p.), ao Reino Unido/Irl NT (+0,8 p.p.) â Bélgica (+0,7 p.p.) e à Turquia (+0,4 p.p.). Os maiores contributos negativos couberam a Marrocos (-0,4 p.p.), à China e ao Japão (-0,1 p.p. cada). 

Os maiores acréscimos nas expedições para o espaço comunitário incidiram em Espanha, Alemanha, França, Países Baixos, Itália, Provisões de Bordo, Bélgica, Suécia, Irlanda, Polónia, Eslováquia, Rep.Checa, Roménia e Áustria. Entre os decréscimos destacou-se Malta.


No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se os EUA, Provisões de Bordo, Reino Unido/Irlanda NT, Angola e Turquia, seguidos do Brasil, Panamá, Suíça, Canadá, Israel, Noruega e Argélia.

Entre os maiores decréscimos evidenciaram-se os de Marrocos, Rússia e China.

3.2 - Importações

Em 2022, no período em análise, as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 68,9% do total, registaram um acréscimo de +26,8% e contribuíram com +19,8 p.p. para uma taxa de variação homóloga global de +26,8%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram no mesmo período um acréscimo de +60,6%, representando 31,1% do total, com um contributo para o ‘crescimento’ global de +15,9 p.p..

Os principais mercados de origem das importações em 2022 foram a Espanha (32,0% do Total), seguida da Alemanha (11,0%), França (6,0%), China (5,1%), Países Baixos (4,9%), Itália (4,6%), Brasil (4,4%), EUA e Bélgica (3,1% cada), e Nigéria (1,8%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 75,9% do total das importações.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações no período em análise (+35,7%) destacou-se o da Espanha, (+10,6 p.p.), seguida do Brasil (+2,9 p.p.), da China (+2,4 p.p.), da Alemanha (+2,3 p.p.), dos EUA (+2,0 p.p.), da França e Países Baixos (+1,3 p.p. cada), da Bélgica e Itália (+1,0 p.p. cada). O principal contributo negativo incidiu na Fed. Russa (‑0,3 p.p.).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos das importações com origem intracomunitária (não ocorreram decréscimos) e os maiores acréscimos e decréscimos nos Países Terceiros, entre 2021 e 2022.



4 – Saldos da Balança Comercial        

Nos primeiros dez meses de 2022, os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam à França (+2695 milhões de Euros), ao Reino Unido (+2210 milhões), aos EUA (+1557 milhões), a Angola (+626 milhões) e a Gibraltar (+431 milhões).

O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-12072 milhões de Euros), seguida da China (-4110 milhões), do Brasil (-3261 milhões), da Alemanha (‑2878 milhões) e dos Países Baixos (-1762 milhões).


5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos, tendo em atenção as alterações pautais de 2022 (ver ANEXO).

No período de Janeiro a Outubro de 2022, todos os grupos registaram acréscimos nas exportações face a 2021.

Os grupos que detiveram maior peso na estrutura foram “Químicos” (14,2% do Total e +2052 milhões de Euros face a 2021), “Máquinas, aparelhos e partes” (13,5% e +1438 milhões), “Agro-alimentares” (12,7% e +1481 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (11,4% e +911 milhões), “Minérios e metais” (10,7% e +1343 milhões). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,2% e +910 milhões),  “Energéticos” (8,6% e +2501 milhões), “Têxteis e vestuário” (8,0% e +723 milhões), “Madeira cortiça e papel” (7,9% e +1283 milhões), “Calçado, peles e couros” (3,2% e +409 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes) (0,6% e +90 milhões de Euros).


5.2 – Importações

Em 2022, no período em análise, foi também positiva a taxa de variação homóloga em valor, face ao período homólogo do ano anterior, em todos os grupos de produtos.

Os grupos de produtos com maior peso foram “Energéticos” (17,4% e +8269 milhões de Euros), “Químicos” (17,3% e +3042 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (16,4% e +2588milhões), “Agro-alimentares” (14,0% e +2881 milhões de Euros). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (9,6% e +2006 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (9,1% e +1793 milhões), “Produtos acabados diversos” (5,6% e +820 milhões), “Têxteis e vestuário” (5,1% e +1126 milhões), Madeira, cortiça e papel” (3,3% e +856 milhões), “Calçado, peles e couros” (1,7% e +491 milhões) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e +32 milhões de Euros). 


6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou no período de Janeiro a Outubro de 2022 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 26,0% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição, depois da França, Alemanha e Países Baixos), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (5ª posição, precedida do Brasil, França, EUA e Irlanda).


Seguiram-se no “ranking” a França (12,4%), a Alemanha (10,9%), os EUA (6,7%), o Reino Unido/Irl NT (4,8%), a Itália (4,4%), os Países Baixos (4,1%), a Bélgica (2,4%), Angola (1,8%) e as Provisões de Bordo Extra-UE (1,7%).

Estes dez destinos representaram 75,3% das exportações totais.

6.2 – Importações


Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em dez dos onze grupos de produtos, com 32,0% do total.

A única excepção foi o grupo “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, depois da Alemanha, EUA e Brasil).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (11,0%), a França (6,0%), a China (5,1%), os Países Baixos (4,9%), a Itália (4,6%), o Brasil (4,4%), os EUA e a Bélgica (3,1% cada), a Nigéria (1,8%). Estes dez países cobriram 75,9% das importações totais.

 7 – Valor dos grupos de produtos das exportações em 2022

       face a 2021, por meses homólogos não acumulados


Alcochete, 12 de Dezembro de 2022.

ANEXO



quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Comércio Externo da Turquia & Portugal-Turquia - 2017-2021 e Jan-Set 2021-2022

 

Comércio Externo da Turquia
&
Portugal-Turquia
(2017-2021 e Janeiro-Setembro 2021-2022)

                                                    ( disponível para download  >> aqui )

1 – Introdução

O valor das exportações anuais portuguesas de mercadorias com destino à Turquia tem-se mantido praticamente abaixo do nível das importações desde 2000. Tendo-se aproximado do nível das importações entre os anos 2008 e 2017, ultrapassando-o mesmo ligeiramente em 2012 e 2014, afastou-se a partir de então, situando-se em 620 milhões de Euros em 2021, contra 1177 nas importações.

Neste trabalho, após uma breve análise do Comércio Externo da Turquia ao longo dos últimos cinco anos, com base em dados de fonte ’International Trade Centre’ (ITC) calculados a partir de estatísticas do “Turkish Statistical Institute” (TURKSTAT), analisa-se a evolução do nosso Comércio Internacional com este país entre 2017 e 2021, a partir de versões do INE já definitivas, e período de Janeiro a Setembro de 2021 e 2022, este último ano em versão  preliminar, actualizada a 9-11-2022.

2 – Comércio Externo da Turquia (2017-2021)

      2.1 – Balança Comercial


A Balança Comercial da Turquia foi deficitária ao longo dos últimos cinco anos, com o grau de cobertura das importações pelas exportações (Cif/Fob) a oscilar entre 67% e 86%.

2.2 – Importação

Em 2021, numa análise das importações de mercadorias por grupos de produtos definidos com base em capítulos do Sistema Harmonizado, as principais importações de mercadorias na Turquia incidiram nos grupos “Minérios e metais” (20,5% do Total e 25,1% em 2020), “Máquinas, aparelhos e partes” (18,8% e 19,3%), “Energéticos” (18,7% e 13,2%) e “Químicos” (18,4% e 16,0%).

Seguiram-se os grupos “Agro-alimentares” (6,6% e 6,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (5,8% e 7,2%), “Têxteis e vestuário” (4,3% e 4,2%), “Produtos acabados diversos” (3,4% e 3,9%), “Madeira, cortiça e papel” (1,7% e 1,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (1,5% e 2,0%) e “Calçado, peles e couros” (0,4% em cada um dos anos).

De acordo com os dados de base do ITC, o peso de Portugal nestas importações terá sido de 0,4% em 2021, cabendo as maiores quotas aos grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,8%), “Calçado, peles e couros” (3,3%) e “Material de transporte terrestre e partes” (1,4%).

2.3 – Exportação

As principais exportações incidiram nos grupos “Minérios e metais” (23,2% do Total e 19,0% em 2020), “Têxteis e vestuário” (15,3% e 16,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (14,6% e 15,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (11,2% e 13,1%), “Agro-alimentares” (11,1% e 12,2%) e “Químicos” (10,6% e 10,9%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (6,1% e 6,6%), “Energéticos” (3,8% e 2,8%), “Madeira, cortiça e papel” (1,7% nos dois anos), “Aeronaves, embarcações e partes” (1,5% e 1,4%) e “Calçado, peles e couros” (0,8% em cada um dos anos).

O peso de Portugal nas exportações turcas terá sido de 0,7% em 2021, cabendo as maiores quotas aos grupos “Calçado, peles e couros” (1,2%), “Têxteis e vestuário” (0,9%), “Químicos” e “Minérios e metais” (0,8% cada).

2.4 – Principais mercados

Em 2021 os principais mercados de origem das importações turcas foram a China (11,9%), a Rússia (10,7%), um conjunto de países não especificados (9,0%), a Alemanha (8,0%), os EUA (4,8%) e a Itália (4,3%).

Do lado das exportações destacou-se a Alemanha (8,6%), seguida dos EUA (6,5%), do Reino Unido (6,1%), da Itália (5,1%), do Iraque (4,9%), da Espanha (4,3), e da França (4,1%).

3 – Comércio de Portugal com a Turquia                                                        (2017-2021 e Janeiro-Setembro 2021-2022)

3.1 – Balança Comercial

A Balança Comercial de Portugal com a Turquia foi deficitária ao longo do último quinquénio e primeiros nove meses de 2022. Neste último período as importações cresceram +32,6% face ao período homólogo do ano anterior e as exportações +45,8%, com o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações a situar-se em 58,5%.

Na figura seguinte pode observar-se o ritmo de evolução anual em valor das importações e das exportações entre os anos de 2017 e 2021.


3.2 – Importação

Por grupos de produtos (ver a composição dos grupos no Anexo-1), no período em análise de 2022 as principais importações com origem na Turquia incidiram nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (23,1% do Total e 13,8% em 2021), “Minérios e metais” (22,4% e 28,9%), “Têxteis e vestuário” (17,9% e 20,9%), “Químicos” (17,2% e 16,3%) e “Máquinas, aparelhos e partes” (10,3% e 11,3%).

Com menor peso seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (2,7% e 2,6%), “Agro-alimentares” (2,5 % e 2,7%), “Madeira, cortiça e papel” (2,3% e 1,6%), “Calçado, peles e couros” (1,6% em cada um dos anos) e, residualmente, os grupos “Energéticos” e “Aeronaves, embarcações e partes”.

No Anexo-2 relacionam-se, por grupos de produtos, as principais importações desagregadas a quatro dígitos da Nomenclatura Combinada.

3.3 – Exportação

No 1º Semestre de 2022 as principais exportações com destino à Turquia incidiram nos grupos de produtos “Químicos” (34,0% do Total e 36,3% em 2021), “Madeira, cortiça e papel” (22,7% e 21,2%) e “Material de transporte terrestre e partes” (21,5% em cada um dos anos).

Seguiram-se, com menor peso, os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (6,9% e 6,7%), “Têxteis e vestuário” (4,0% e 4,8%), “Calçado, peles e couros” (3,7% e 3,8%), “Agro-alimentares” (2,9% e 2,2%), “Produtos acabados diversos” (2,1% e 2,0%), “Minérios e metais” (2,1% e 1,3%) e, residualmente, os grupos “Aeronaves, embarcações e partes” e “Energéticos”. No Anexo-3 relacionam-se, por grupos de produtos, as principais exportações desagregadas a quatro dígitos da Nomenclatura Combinada.


Anexo-1


Anexo-2


Anexo-3


Alcochete, 7 de Dezembro de 2022.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Comércio Internacional - Índices de Valor, Volume e Preço - Janeiro-Setembro 2022/2021

 

Comércio Internacional de mercadorias
Taxas de variação homóloga
em Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Setembro 2022/2021)

                                                  ( disponível para download  >> aqui )


1 – Introdução

Apresentam-se neste trabalho indicadores de evolução em Valor, Volume e Preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias, calculados para o período acumulado de Janeiro a Setembro de 2022, a preços do período homólogo de 2021.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e às exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos afins (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares constantes do Portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão definitiva para 2021 e preliminar para 2022, com última actualização em 9 de Novembro de 2022.

2 – Nota metodológica

O método utilizado no cálculo dos índices de preço de Paasche aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos de produtos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise e respeitando as alterações pautais anualmente introduzidas na Nomenclatura Combinada, dentro de um intervalo definido por métodos estatísticos. 

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado. No caso presente foram desagregados por países e analisados os respectivos índices 153 produtos da Nomenclatura Combinada a oito dígitos nas importações e de 106 nas exportações.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes produtos do subgrupo.

Na figura seguinte pode observar-se, por grupos de produtos, a representatividade das amostras globais em cada uma das vertentes comerciais que serviram de base ao cálculo dos presentes índices de preço de Paasche, envolvendo mais de 18000 posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada na base de dados do INE.

3 – Balança Comercial

De acordo com os dados disponíveis, no período em análise de 2022 o défice da balança comercial de mercadorias aumentou +77,1% face ao período homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a decrescer de 78,6% para 72,2%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as importações originárias dos países terceiros), com um acréscimo em valor de +36,7%, terão registado um aumento em volume de +9,7% e um acréscimo em preço de +24,5%. Por sua vez, o aumento em valor de +25,6% verificado nas exportações terá resultado de um acréscimo em volume de +5,6%, com o preço a aumentar +19,0%.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2022 situa-se em -13,2 mil milhões de Euros, contra -22,6 mil milhões em termos globais. Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações sobe de 72,2%, em termos globais, para 80,2%.

Em 2022, o saldo da balança comercial foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, que representaram 28,3% das exportações e 15,8% das importações totais, designadamente “Madeira, cortiça e papel”, “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Produtos acabados diversos”.


4 – Importações

De Janeiro a Setembro de 2022, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram: “Energéticos” (17,8%), “Químicos” (17,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (16,2%) e “Agro-alimentares” (13,9%). 

Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (9,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (9,0%), “Produtos acabados diversos” (5,7%), “Têxteis e vestuário” (5,1%), “Madeira, cortiça e papel” (3,3%), “Calçado, peles e couros” (1,7%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,8%).

O grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, para que não foram calculados índices de preço, registou em 2022 uma taxa de variação homóloga em Valor de +15,5%. Foram positivas as taxas de variação em Valor dos restantes grupos de produto, destacando-se o grupo “Energéticos” (+123,6%).

Positivas foram também as taxas de variação em Volume e em Preço de todos os grupos de produtos. Em Volume predominou o grupo “Calçado, peles e couros” (+35,3%), seguido de “Material de transporte terrestre” (+19,0%), “Têxteis e vestuário” (+17,7%), “Energéticos” (+15,6%) e “Madeira, cortiça e papel” (+12,5%). Em Preço destacou-se o grupo “Energéticos” (+93,4%).

5 – Exportações

Em 2022 os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Químicos” (14,3%), “Máquinas aparelhos e partes” (13,2%), “Agro-alimentares” (12,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (11,2%) e “Minérios e metais” (10,8%).

Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,1%), “Energéticos” (8,8%), “Têxteis e vestuário” (8,1%), “Madeira, cortiça e papel” (7,9%), “Calçado, peles e couros” (3,2%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,6%).

Verificaram-se acréscimos em Valor, face ao ano anterior, em todos os grupos de produtos, tendo incidido o maior no grupo “Energéticos” (+84,7%). Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (+33,8%), “Químicos” (+29,6%), “Minérios e metais” (+26,6%), “Calçado, peles e couros” (+24,6%), “Agro-alimentares” (+22,6%), “Têxteis e vestuário” (+17,9%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+17,0%), “Produtos acabados diversos” (+16,2%) e “Material de transporte terrestre e partes” (+13,0%).

Em Volume, à excepção do grupo “Energéticos” (-6,7%), verificaram-se acréscimos nos restantes, com destaque para “Calçado, peles e couros” (+19,3%), seguido de “Agro-alimentares” (+9,1%), “Químicos” (+7,7%), “Produtos  acabados  diversos”  (+7,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+7,3%), “Material de transporte terrestre e partes” (+3,8%), “Madeira,  cortiça  e  papel”  (+3,6%), “Têxteis e vestuário” (+3,4%) e “Minérios e metais” (+2,1%).

No âmbito do Preço verificaram-se acréscimos nas exportações de todos os grupos de produtos, com destaque para o grupo “Energéticos” (+98,0%). Seguiram-se “Madeira, cortiça e papel” (+29,2%), “Minérios e metais” (+24,0%), “Químicos” (+20,3%), “Têxteis e vestuário” (+14,1%), “Agro-alimentares” (+12,4%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+9,0%), “Material de transporte terrestre e partes” (+8,9%), “Produtos acabados diversos” (+8,0%) e “Calçado, peles e couros” (+4,5%).

ANEXO


Alcochete,1 de Dezembro de 2022.