quarta-feira, 12 de junho de 2019

Ritmo de evolução das exportações portuguesas 2008-2018


Ritmo de evolução anual em valor
das principais exportações portuguesas
em 2018 por Capítulos da NC
para o período de 2008 a 2018

( disponível para download  >> aqui )


1 – Principais exportações por Capítulos da NC em 2018

Em 2018, vinte e oito dos noventa e nove Capítulos em que se subdivide a Nomenclatura Combinada de mercadorias (NC) representaram 83,7% das exportações totais.
Pretende-se com este trabalho fazer uma análise mais fina do ritmo de evolução das exportações dos produtos envolvidos ao longo dos últimos dez anos do que através da habitual agregação dos Capítulos da NC por Grupos de Produtos.





2 – Ritmo de evolução anual em valor por Capítulos da NC


































































3 – Exportações de Janeiro a Abril de 2018 e 2019



Alcochete, 12-06-2019.


sábado, 8 de junho de 2019

Série mensal - Jan-Abr 2019 - Comércio Internacional


Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Janeiro a Abril de 2019 

                                                  ( disponível para download  >> aqui )


1 - Balança comercial
De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 7 de Junho de 2019, no período de Janeiro a Abril de 2019 as exportações de mercadorias cresceram em valor +4,4% face a 2018 (+837 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +12,2% (+2926 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +5,5% (+811 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros cresceram +0,6% (+27 milhões de Euros), o primeiro acréscimo em termos homólogos  desde Janeiro-Março de 2018. Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +11,6% (+2129 milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +14,2% (+797 milhões).
Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +43,4%, ao situar-se em -6898 milhões de Euros (um acréscimo de 2088 milhões de Euros face ao mesmo período do ano anterior, com um aumento de 1318 milhões no comércio intracomunitário e de 770 milhões no extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações desceu de 79,9%, em 2018, para 74,4%, em 2019.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo sensível na Balança Comercial. O valor médio unitário de importação do petróleo, que nos primeiros três meses de 2018 se situou em 418 Euros/Ton, desceu para 393 Euros/Ton em 2019.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,3% e 5,5% do total no período de Janeiro a Abril de 2019), o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2019, de 74,4% para 79,2%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações
No período de Janeiro-Abril de 2019, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 77,6% do total (76,8% no ano anterior), cresceram em valor +5,5%, contribuindo com +4,2 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +4,4%. As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 22,4% do total em 2019 (23,2% em 2018), registaram um acréscimo em valor de +0,6% (o primeiro acréscimo em termos homólogos desde Janeiro-Março de 2018), contribuindo com +0,1 p.p. para o crescimento global. 

Os principais mercados de destino foram a Espanha (24,9%), a França (13,1%), a Alemanha (12,2%), o Reino Unido (6,2%), os EUA e a Itália (4,8% cada), os Países Baixos (3,9%), a Bélgica (2,4%), Angola (1,9%), a Polónia (1,4%), o Brasil e Marrocos (1,2% cada), a Suíça (1,1%), e as Provisões de Bordo Extra-UE (1,0%), destinos que representaram 80,2% do total.
Angola, o segundo mercado entre os países terceiros depois dos EUA, registou uma quebra em valor de –17,0% em 2019 no período em análise (-79,8 milhões de Euros), envolvendo oito dos onze grupos de produtos. As descidas incidiram nos grupos “Agro-alimentares” (‑45,1 milhões de Euros), “Químicos” (‑21,3 milhões), “Produtos acabados diversos” (-8,1 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (-3,1 milhões), “Madeira, cortiça e papel” (-2,7 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-2,4 milhões), “Energéticos” (-2,3 milhões) e “Calçado, peles e couros” (-1,1 milhões de Euros).
Verificaram-se acréscimos nos grupos “Minérios e metais” (+5,6 milhões de Euros), seguido de “Aeronaves, embarcações e partes” (+576 mil Euros) e “Têxteis e vestuário” (+61 mil Euros).

Entre os trinta principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações no período em análise (+4,4%), couberam à Itália (+1,0 p.p.), à Alemanha (+0,9 p.p.), à Espanha (+0,8 p.p.), à Turquia (+0,4 p.p.), ao Canadá, França, Finlândia e Países Baixos (0,3 p.p. cada) e aos EUA e Suíça (+0,2 p,p. cada). Os maiores contributos negativos pertenceram a Angola (-0,4 p.p.), ao Brasil (-0,3 p.p.), à Bélgica (‑0,2 p.p.) e à Argélia e aos Países Baixos (-0,1 p.p. cada).

Os maiores acréscimos, em Euros, nas expedições para o espaço comunitário no período Janeiro-Abril de 2019, em termos homólogos, verificaram-se na Itália, Alemanha e Espanha, seguidos dos de França, Finlândia e Países Baixos. Com menor expressão alinharam-se depois a Eslovénia, a Polónia, a Grécia, a Eslováquia, as Provisões de Bordo,  o Reino Unido e a Dinamarca. Os maiores decréscimos couberam à Bulgária, Hungria, Bélgica e Suécia.

Entre os Países Terceiros, os maiores acréscimos nas exportações ocorreram na Turquia, Canadá, Egipto, EUA e Suíça, seguidos das Provisões de Bordo Extracomunitárias, Noruega, México, Emiratos, Singapura e Índia. Os maiores decréscimos couberam à Tunísia, Angola e Brasil, seguidos de Gibraltar, Argentina, Argélia, Taiwan e Chile.

3.2 - Importações
De Janeiro a Abril de 2019 as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 76,2% do total (76,6% em 2018), registaram um acréscimo de +11,6% e contribuíram com +8,9 p.p. para uma taxa de crescimento global de +12,2%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +14,2%, representando 23,8% do total em Janeiro-Abril de 2019 (23,4% em igual período de 2018), com um contributo para o crescimento global de +3,3 p.p.. Os principais mercados de origem das importações em Janeiro-Abril de 2019 foram a Espanha (29,9%), a Alemanha (14,0%) e a França (9,9%). Seguiram-se os Países Baixos (4,9%), a Itália (4,8%), a China (3,5%), a Bélgica (3,0%), o Reino Unido (2,3%), os EUA (2,2%), a Rússia (1,6%) e Angola (1,3%), países que representaram no seu conjunto 77,5% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações nos primeiros quatro meses de 2019 (+11,3%) destacam-se a França (+2,9 p.p.), a Espanha (+2,2 p.p.), a Alemanha (+1,7 p.p.), a China (+1,0 p.p.) e os EUA (+0,9 p.p.), seguidos da Bélgica e Angola (+0,5 p.p. cada), da Arábia Saudita e Rússia (+0,4 p.p. cada) e dos Países Baixos, Turquia e Polónia (+0,2 p.p. cada). 

Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam ao Cazaquistão (-0,5 p.p.), ao Brasil (-0,4 p.p.), à Guiné Equatorial e Azerbaijão (-0,2 p.p. cada) e à Suécia (-0,1 p.p.).
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial
No período em análise, os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam ao Reino Unido (+621 milhões de Euros), aos EUA (+365 milhões), a Marrocos (+173 milhões), ao Canadá (+150 milhões) e à Suíça (+128 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-3065 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑1330 milhões), da China (-741 milhões), dos Países Baixos (-542 milhões) e da Rússia (‑364 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO). Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias em Janeiro-Abril de 2019, representando 82,5% do total, foram “Material de transporte terrestre e partes” (16,1% e TVH +18,9%), “Máquinas, aparelhos e partes” (13,6% do total e TVH -2,2%),  “Químicos” (12,5% e TVH +8,4%), “Agro-alimentares” (11,8% e TVH +5,3%), “Produtos acabados diversos” (9,7% e TVH +7,4%), “Minérios e metais” (9,7% e TVH +3,6%) e “Têxteis e vestuário” (9,1% e TVH +0,4%).
O maior contributo para o acréscimo global de +837 milhões de Euros, face ao ano anterior, coube ao grupo “Material de transporte terrestre e partes”, com +512 milhões de Euros.
As exportações registaram decréscimos em três dos onze grupos, com destaque para o grupo “Energéticos” (-242 milhões de Euros).

5.2 – Importações
Em Janeiro-Abril de 2019, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 71,8% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (17,9%, com uma taxa de variação homóloga em valor de +17,5%), “Químicos” (16,5% do total e TVH +11,6%), “Agro-alimentares” (13,4% e TVH +6,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,7% e TVH +6,1%) e “Energéticos” (11,3% e TVH +8,5%).
À excepção do grupo “Calçado, peles e couros”, em que se registou uma quebra (-19 milhões de Euros), em todos restantes se verificaram acréscimos nas importações, tendo ocorrido os mais significativos, em Euros, nos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+721 milhões de Euros), “Aeronaves, embarcações e partes” (+710 milhões) e “Químicos” (+460 milhões). 

6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em Janeiro-Abril de 2019 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 24,9% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (3ª posição, depois da França e da Alemanha), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (6ª posição, antecedida do Canadá, Brasil, Finlândia, França e Países Baixos).

Seguiram-se no “ranking” a França (13,1%), a Alemanha (12,2%), o Reino Unido (6,2%), os EUA (4,8%), a Itália (4,8%), os Países Baixos (3,9%), a Bélgica (2,4%), Angola (1,9%) e a Polónia (1,4%). Estes dez países cobriram 75,7% das exportações totais.
6.2 – Importações

Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 29,9% do total, sendo as excepções os grupos “Máquinas e aparelhos” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (5ª posição, precedida da França, da Alemanha, dos EUA e da Irlanda).
Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (14,0%), a França (9,9%), os Países Baixos (4,9%), a Itália (4,8%), a China (3,5%), a Bélgica (3,0%), o Reino Unido (2,3%), os EUA (2,2%) e a Rússia (1,6%).
Estes dez países cobriram 76,2% das importações totais.

Alcochete, 8 de Junho de 2019.




domingo, 2 de junho de 2019

Balança Comercial de Bens e Serviços (2016-2018 e Jan-Mar 2016-2019)


Balança Comercial de Bens e Serviços
Componentes dos Serviços
2016-2018
Janeiro-Março 2016-2019

(disponível para download  >> aqui )


1 – Balança Comercial de Bens e Serviços

Utilizam-se neste trabalho dados de base constantes do Portal do Banco de Portugal, disponíveis em 28 de Maio de 2019.

Em termos anuais, o peso dos Serviços no total das exportações de Bens e Serviços (crédito) aumentou sustentadamente entre 2016 e 2018, de 35,2% para 36,1%. Numa análise do seu comportamento ao longo do 1º trimestre dos anos 2016 a 2019 verifica-se um decréscimo em 2017, seguido de recuperações sucessivas nos anos seguintes.


Por sua vez, o peso dos Serviços no total das importações de Bens e Serviços (débito) desceu, em termos anuais, de 18,4% em 2016 para 17,8% em 2018. Ao longo do 1º trimestre dos anos 2016 a 2019, assistiu-se a um decréscimo de 18,1% em 2016 para 17,2% em 2018, mantendo-se o seu peso no ano seguinte.

Se agregarmos a balança comercial de Bens, tradicionalmente deficitária, com a de Serviços, verifica-se que o saldo da balança global anual de Bens e Serviços (fob-fob) foi positivo entre 2016 e 2018, com saldos sucessivamente decrescentes, descendo de 3,8 mil milhões de Euros para 2 mil milhões. 


O saldo da balança por trimestres manteve-se positivo em 2016 (+143 milhões de Euros), tendo-se tornado sucessivamente negativo no 1º trimestre dos anos seguintes, descendo a -1725 milhões de Euros em 2019.

Existe algum desfasamento entre os valores do comércio internacional de Bens (mercadorias) quando considerados pelo INE ou pelo Banco de Portugal, explicado por diferenças metodológicas pontuais na sua classificação, sendo utilizados neste trabalho os dados veiculados pelo Banco de Portugal.


Na figura seguinte encontra-se a balança comercial de Bens, de Serviços e do conjunto dos Bens e Serviços, segundo séries não ajustadas e também ajustadas de sazonalidade, para os anos de 2016 a 2018 e primeiro trimestre de 2016 a 2019.

Entre 2007 e 2018, o ritmo de crescimento anual do crédito de Serviços (exportação) foi mais vivo do que o do débito (importação). Após quebras verificadas em 2009, na sequência da crise que abalou o mundo, assistiu-se a uma recuperação nas duas vertentes. Mas enquanto que o crédito subiu sustentadamente até 2018, o débito registou uma nova descida em 2012, para recuperar a partir de então.



A componente dominante no Crédito de Serviços (exportação) foi a de Viagens e Turismo”, com 51,5% do total em 2018 e 41,9% no 1º trimestre de 2019.

Seguiram-se nos dois períodos em análise os Transportes(21,4% e 25,5%, respectivamente), em que predominaram os “Transportes aéreos” (66,6% do total em 2018 e 66,2% no 1º trimestre de 2019), seguidos dos “Outros transportes”, que não marítimos, como o rodoviário (21,1% e 21,5% respectivamente) e dos “Transportes marítimos” (9,9% e 10,4%). Nos Outros serviços fornecidos por empresas(14,3% e 17,9%) sobressaem os “Serviços técnicos relacionados com o comércio e outros” (76,7% e 79,6% do total), seguidos dos serviços de “Consultadoria em gestão e outras áreas” (19,7% e 17,4%). Por sua vez, nos serviços de Telecomunicações, informáticos e informação (5,0% e 5,5%) o destaque vai para os serviços “Informáticos” (74,6% e 82,8%), seguidos dos de “Telecomunicações” (24,1% e 15,5%).
No Débito de Serviços (importação) são as mesmas as principais quatro componentes: Viagens e Turismo(30,3% em 2018 e 28,3% no 1º trimestre de 2019), Transportes (25,1% e 24,8%), Outros serviços fornecidos por empresas(22,1%) e 24,3%) e Serviços de telecomunicações, informáticos e de informação (6,3% e 5,1%).


Entre os Transportes sobressaem igualmente os “Transportes aéreos” (52,6% e 49,8%), mas assumem aqui alguma relevância os “Transportes marítimos” (34,6% e 37,8%), seguidos dos “Outros transportes” (9,0% e 8,9%), onde se inclui o rodoviário. Nos Outros serviços fornecidos por empresas sobressaem os “Serviços técnicos relacionados com o comércio e outros” (70,4% e 74,8% do total), seguidos dos serviços de “Consultadoria em gestão e outras áreas” (23,2% e 19,5%). Por último, no âmbito dos serviços deTelecomunicações, informáticos e de informação”, predominam os “Informáticos” (66,5% em 2018 e 71,0% no 1º trimestre de 2019), seguidos dos de “Telecomunicações” (29,91% e 25,0%).
Seguem-se quadros e gráficos relativos à evolução das componentes dos Serviços em valor, estrutura, taxas de variação homóloga, contributos para o crescimento em cada uma das vertentes, e respectiva balança comercial.

2 – Evolução das componentes dos Serviços

2.1 - Crédito



2.2 - Débito




2.3 – Balança Comercial





Alcochete, 1 de Junho de 2019.


terça-feira, 28 de maio de 2019

Índices do Comércio Internacional - Jan-Mar 2019


Comércio Internacional de mercadorias
Taxas de variação homóloga em
Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro a Março de 2019/2018)

" Disponível para download > aqui"


1 - Nota introdutória
O presente trabalho visou o cálculo de indicadores de evolução em valor, volume e preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias no período de Janeiro a Março de 2019, face ao período homólogo do ano anterior.
Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados depois como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Março de 2019, em versão preliminar, sendo também ainda preliminar a versão dos correspondentes dados utilizados para 2018.
Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e às exportações com movimento no período em análise, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

2 – Nota metodológica
O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche deste trabalho assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, que integra produtos com relativa homogeneidade, posteriormente ponderados para o cálculo do índice dos respectivos grupos, e estes por sua vez depois ponderados para o cálculo do índice do total.
Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, construída com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise, dentro de um intervalo definido por métodos estatísticos.
Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.
Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo, incluindo-se na amostra do subgrupo aquelas que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.
Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes.

3 – Balança Comercial
De acordo com os dados preliminares utilizados, o défice da balança comercial de mercadorias no período de Janeiro a Março de 2019 aumentou +51,9% face ao mesmo período do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 80,3% para 73,6%.

As importações (somatório das chegadas de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as importações originárias dos países terceiros), com um acréscimo em valor de +13,4%, terão registado um aumento em volume de +17,2% e uma quebra em preço de -3,2%. Por sua vez, o acréscimo em valor de +4,0% verificado nas exportações terá resultado de um incremento em volume de +6,7%, com o preço a decrescer -2,5%.
Na presente conjuntura, dada a evolução do preço do petróleo, torna-se conveniente atentarmos na evolução do nosso comércio internacional quando excluído dos produtos que integram o grupo “Energéticos”

De acordo com os dados disponíveis, as importações, com exclusão dos produtos “Energéticos”, terão registado taxas de variação em valor, volume e preço respectivamente de +14,6%, +19,3% e -4,0%. Por sua vez, as exportações terão averbado um aumento em valor de +5,7%, em resultado de num incremento em volume de +8,7% e de um decréscimo em preço de -2,8%.
Sem “Energéticos”, o défice da balança comercial cresceu +65,1%, contra +51,9% em termos globais, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer, entre 2018 e 2019, de 85,1% para 78,5% (em lugar de 80,3% para 73,6%).

A evolução em volume das exportações constitui uma medida da capacidade produtiva da indústria, tendo-se verificado no período em análise uma taxa de crescimento global de +6,7%, e de +8,7% se excluirmos os produtos “Energéticos”. 

Em 2019, o saldo da balança comercial foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, que representaram 30,2% das exportações e 16,5% das importações totais: “Madeira, cortiça e papel”, “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Produtos acabados diversos”.


4 – Importações
No período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram: “Máquinas, aparelhos e partes” (18,0% do total em 2019 e 17,2% em 2018), “Químicos” (16,5% e 16,4% respectivamente), “Agro-alimentares” (13,2% e 14,0%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,8% e 13,3%) e “Energéticos” (11,1% e 12,0%).
Seguiram-se os grupos de produtos ”Minérios e metais” (8,5% em 2019 e 8,8% em 2018), “Produtos acabados diversos” (5,8% nos dois anos), “Têxteis e vestuário” (5,6% e 5,7%), “Aeronaves, embarcações e partes” (3,5% e 1,2%) “Madeira, cortiça e papel” (3,0% e 3,2%) e “Calçado, peles e couros” (2,1% em 2019 e 2,4% em 2018).



À excepção do grupo “Calçadp, peles e couros”, em todos os grupos se registaram taxas de crescimento em valor positivas, com destaque para os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+18,6%), “Químicos” (+13,9%), “Produtos acabados doversos” (+13,0%) e “Têxteis e vestuário” (+10,4%).
Em todos os grupos se verificaram taxas de crescimento em volume positivas, com destaque para os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+24,0%), “Têxteis e vestuário” (+20,1%), “Químicos” (+19,2%), “Produtos acabados diversos” (+19,1%) e “Minérios e metais” (+16,7%).
Na óptica da evolução em preço apenas no grupo “Energéticos” se verificou em 2019 um acréscimo face ao mesmo período do ano anterior (+3,3%).
Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Têxteis e vestuário” (-8,1%), “Minérios e metais” (-6,1%), “Calçado, peles e couros” (-5,9%), “Produtos acabados diversos” (‑5,1%), “Químicos” e “Máquinas, aparelhos e partes” (-4,4% cada).

5 – Exportações
Nos primeiros três meses de 2019, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Material de transporte terrestre e partes” (16,4% do total em 2019 e 14,0% em 2018), “Máquinas aparelhos e partes” (13,8% e 14,5% respectivamente), “Químicos” (12,5% e 12,2%) e “Agro-alimentares” (11,6% e 11,7%).
Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,8% e 9,4%), “Minérios e metais” (9,6% nos dois anos), “Têxteis e vestuário” (9,2% e 9,6%), “Madeira, cortiça e papel” (7,6% e 7,3%), “Energéticos” (5,2% e 6,7%), “Calçado, peles e couros” (3,6% e 4,1%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e 0,9%).


Verificaram-se decréscimos em valor, face ao período homólogo do ano anterior, em cinco dos grupos de produtos: “Energéticos” (-19,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (-10,1%), não constante do gráfico seguinte por, à semelhança das importações, não serem aqui calculados índices de preço, “Calçado, peles e couros” (‑8,8%), “Máquinas, aparelhos e partes” (‑0,8%) e “Têxteis e vestuário” (-0,7%). O maior acréscimo ocorreu no grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+21,6%), a que se seguiram os grupos “Madeira, cortiça e papel” (+8,1%),  “Produtos acabados diversos” (+8,0%), “Químicos” (+6,5%), “Minérios e metais” (+3,9%) e Agro-alimentares” (+3,6%).
Em volume, verificaram-se descidas nos grupos “Energéticos” (-22,3%) e “Calçado, peles e couros” (-2,1%). O maior acréscimo ocorreu no grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+17,1%), seguido dos grupos “Químicos” (+10,1%), “Produtos acabados diversos” (+9,7%), “Minérios e metais” (+9,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+8,6%), “Agro-alimentares” (+7,8%), “Madeira, cortiça e papel” (+6,2%) e “Têxteis e vestuário” (+2,4%).
No âmbito do preço verificaram-se quebras em sete dos grupos de produtos, designadamente “Máquinas, aparelhos e partes” (‑8,7%), “Calçado, peles e couros” (-6,9%), “Minérios e metais” (-5,2%), “Agro-alimentares” (-4,0%), “Químicos” (‑3,3%), “Têxteis e vestuário” (-3,0%) e “Produtos acabados diversos” (-1,6%).
O maior acréscimo em preço verificou-se no grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+3,8%), seguido dos grupos “Energéticos” (+3,1%) e “Madeira, cortiça e papel” (+1,8%).


6 – Representatividade da amostra
A representatividade da amostra global de cada uma das vertentes comerciais, que serviu de base ao cálculo dos respectivos índices de preço de Paasche foi, respectivamente em 2018 e 2019, de 90,8% e 89,6% nas importações e de 92,9% e 91,4% nas exportações.

No quadro em anexo encontra-se definido o conteúdo dos grupos e subgrupos de produtos aqui considerados, com base na Nomenclatura Combinada em uso na União Europeia.

27 de Maio de 2019.