quinta-feira, 17 de setembro de 2020

 

Acréscimos e decréscimos das exportações
por produtos e mercados  
- Evolução mensal -
(Julho de 2020)  
(disponível para "download" >> aqui )

1 - Nota introdutória

Neste trabalho pretende-se analisar onde incidiram os maiores acréscimos e decréscimos nas exportações portuguesas de mercadorias, por produtos e por mercados, ao longo dos sete primeiros meses de 2020, acumulados e não acumulados, face ao período homólogo de 2019. São para este fim utilizados dados de base divulgados no portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão já definitiva para 2019 e preliminar para 2020, com última actualização em 9 de Setembro de 2020.

2 – Exportações no período acumulado de Janeiro-Julho              de 2019 e 2020

Em 2020, no período acumulado de Janeiro a Julho, as exportações de mercadorias decresceram em valor -15,5% face a igual período do ano anterior (-5,5 mil milhões de Euros), abrangendo todos os grupos de produtos à excepção do grupo “Agro-alimentares”, que aumentou 54 milhões de Euros (definição do conteúdo dos grupos em Anexo).

O maior decréscimo, em Euros, incidiu no grupo “Material de transporte terrestre e partes” (‑1,6 mil milhões de Euros).

Seguiram-se os grupos “Energéticos” (-681 milhões), “Máquinas., aparelhos e partes” (-551 milhões), “Químicos” (-526 milhões), “Minérios e metais” (-512 milhões), “Produtos acabados diversos” (‑507 milhões), “Têxteis e vestuário” (-494 milhões), “Madeira, cortiça e papel” (-324 milhões), “Calçado, peles e couros” (-260 milhões), e “Aeronaves, embarcações e partes” (-158 milhões de Euros). 

Considerando a partição entre espaço Intra-UE27 (Reino Unido excluído) e Extra-UE, verifica-se que no período em análise, no seio da Comunidade, as exportações, que representaram 71,6% do Total, decresceram -15,5% face ao mesmo período do ano anterior (‑3,8 mil milhões de Euros). Por sua vez, para fora da Comunidade as exportações registaram uma quebra de ‑15,1% (-1,7 mil milhões).

O Total do espaço Intracomunitário foi aqui calculado, para ambos os anos, por somatório dos valores dos actuais parceiros de Portugal (Reino Unido excluído), acrescido das provisões de bordo, países não determinados e confidencialidade, quando atribuídos à União Europeia.

Em termos globais, os maiores decréscimos couberam a Espanha (-1,2 mil milhões de Euros), Alemanha (-721 milhões), França (-593 milhões), Reino Unido (-470 milhões), Itália (-365 milhões), EUA (-282 milhões),  Países Baixos (-257 milhões), Angola (-209 milhões), Provisões de Bordo para Países Terceiros (-169 milhões), Canadá (-164 milhões), Provisões de Bordo para a UE (-133 milhões), Marrocos (‑125 milhões), Áustria (‑109 milhões) e Bélgica (‑99 milhões de Euros).

Os acréscimos mais significativos pertenceram à Irlanda e ao Japão (+58 e +52 milhões de Euros respectivamente), seguidos de Taiwan (+26 milhões), Coreia do Sul (+23 milhões) e Ceuta (+20 milhões).

3 – Exportações no mês de Julho de 2020 (não acumulado)          face a 2019, por Grupos de Produtos

Os grupos de produtos com maior peso nas exportações portuguesas no mês de Julho de 2020, não acumulado, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (14,4%), “Químicos” (13,6%), “Agro-alimentares”  e “Material de transporte terrestre e partes” (13,2% cada), e “Produtos acabados diversos” (10,8%). Seguiram-se os grupos “Têxteis e vestuário” (9,9%), “Minérios e metais” (9,7%), “Madeira, cortiça e papel” (6,8%), “Calçado, peles e couros” (4,6%), “Energéticos” (2,7%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,1%).

O maior decréscimo, face ao mês de Julho de 2019, ocorreu no grupo “Energéticos” (-197 milhões de Euros).

Seguiram-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (-76 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-57 milhões), “Têxteis e vestuário” (-42 milhões), “Calçado, peles e couros” (-40 milhões), “Químicos” (‑35 milhões), “Minérios e metais” (-12 milhões) e “Máquinas, aparelhos e partes” (-3 milhões).

Registaram-se acréscimos nos restantes três grupos de produtos: “Agro-alimentares” (+42 milhões de Euros), “Produtos acabados diversos” (+19 milhões)  e ”Aeronaves, embarcações e partes” (+6 milhões).

No quadro seguinte encontram-se relacionados, por grupos de produtos, os acréscimos e decréscimos verificados nas exportações dos principais produtos definidos a dois dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-2).

O grupo “Máquinas, aparelhos e partes”, o grupo com maior peso entre os onze grupos considerados (14,4% do Total), engloba máquinas e aparelhos mecânicos e eléctricos muito diversificados, encontrando-se no quadro seguinte os principais produtos desagregados a um nível mais fino da Nomenclatura (NC-4).

4 – Evolução comparada das exportações mensais                        por grupos de produtos

Numa análise das exportações de mercadorias por meses não acumulados ao longo de 2020, face a 2019, por grupos de produtos, verifica-se que após uma quebra acentuada das exportações da generalidade dos grupos, em particular nos meses de Abril e Maio, se está a assistir em Junho e Julho a uma aproximação sucessiva aos níveis do ano anterior, que foram já mesmo ultrapassados no caso dos grupos “Agro-alimentares”, “Aeronaves, embarcações e partes” e “Produtos acabadoas diversos”, como se pode observar nos gráficos que se seguem.


Alcochete, 12 de Setembro de 2020.

ANEXO


domingo, 13 de setembro de 2020

Série mensal - Janeiro-Julho 2020 - Comércio Internacional

 

Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Janeiro a Julho de 2020 

( disponível para download  > aqui )

1 - Balança comercial

De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Setembro de 2020, para o período acumulado de Janeiro a Julho de 2020, e dados agora já definitivos para o ano de 2019, as exportações de mercadorias, face ao período homólogo do ano anterior, decresceram em valor ‑15,5% (‑5,5 mil milhões de Euros), a par de uma quebra nas importações de -19,4% (-9,2 mil milhões).


Estas descidas reflectem quebras significativas, em termos homólogos, verificadas de Março a Julho, principalmente nos meses de Abril e Maio, respectivamente -39,5% e ‑39,7% nas importações e -41,3% e -38,7% nas exportações. No mês de Julho as importações decresceram -21,2% face ao ano anterior, tendo as exportações registado uma quebra de -7,3%, a mais baixa destes cinco meses.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo Total corresponde aqui ao somatório dos valores dos actuais 27 membros, incluindo provisões de bordo, países não determinados e confidencialidade (Reino Unido excluído), registaram uma quebra de ‑15,1% (‑3,8 mil milhões de Euros), tendo as exportações para os países terceiros decaído -16,5% (‑1,7 mil milhões). Por sua vez, as importações vindas da UE (chegadas) diminuiram –19,5% (-6,8 mil milhões), com as originárias dos países terceiros a decrescerem -19,0% (-2,4 mil milhões).

O défice comercial externo (Fob-Cif) decresceu -30,9% ao situar-se em -8,2 mil milhões de Euros (menos 3,7 mil milhões do que no ano anterior), a que correspondeu uma redução de 3,0 mil milhões no comércio intracomunitário e de 700 milhões no extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações subiu de 75,0%, em 2019, para 78,6%, em 2020.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. Em 2020, neste período, o valor médio unitário de importação do petróleo desceu, face a 2019, de 438 para 309 Euros/Ton., com prática estagnação no mês de Julho.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.


Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos”, Capº 27 da NC (11,7% e 9,4% do total das importações em 2019 e 2020 no período em análise, e 5,9% e 4,8% na vertente das exportações), o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações sobe, em 2020, de 78,6% para 82,6%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

Em 2020, no período em análise, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 71,6% do total (71,2% em 2019), decresceram em valor -15,1%, contribuindo com -10,7 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de ‘crescimento’ global negativa de -15,5%.

As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram os restantes 28,4% do total em 2020 (28,8% em 2019), decaíram -16,5%, contribuindo com -4,8 p.p. para o ‘crescimento’ global.

Os principais destinos nos primeiros sete meses de 2020 foram a Espanha (25,1%), a França (13,7%), a Alemanha (12,0%), o Reino Unido (5,5%), os EUA (5,2%), a Itália (4,4%), os Países Baixos (3,8%), a Bélgica (2,4%), Angola (1,7%), a Polónia e o Brasil (1,3% cada), a Suíça e a Suécia (1,2% cada) e a Turquia (1,0%), destinos que  representaram 79,8% do total das exportações.

Angola, o terceiro maior mercado entre os países terceiros depois do Reino Unido e dos EUA, registou uma quebra em valor nas exportações de –29,0% em 2020 (-209,2 milhões de Euros), envolvendo a totalidade dos onze grupos de produtos. As maiores descidas incidiram nos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (-58,6 milhões de Euros), “Minérios e metais” (-36,8 milhões), “Químicos” (‑33,9 milhões), “Agro-alimentares” (-25,8 milhões), “Produtos acabados diversos” (‑21,9 milhões), e “Têxteis e vestuário” (-12,2 milhões) e “Madeira, cortiça e papel” (-11,0 milhões de Euros). 

Entre os trinta principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ negativo das exportações neste período (-15,5%), pertenceram à Irlanda (+0,16 p.p.) e a Cabo Verde (+0,03 p.p.).

O maior contributo negativo coube a Espanha (‑3,5 p.p.), seguida da Alemanha (-2,0 p.p.), da França (-1,7 p.p.), do Reino Unido (-1,3 p.p.), da Itália (-1,0 p.p.), dos EUA (‑0,8 p.p.), dos Países Baixos (-0,7 p.p.), de Angola (-0,6 p.p.), das Provisões de Bordo para Países Terceiros e Canadá (-0,5 p.p. cada). 

Os maiores acréscimos, em Euros, nas expedições para o espaço comunitário, em termos homólogos, incidiram na Irlanda e na Suécia. Os maiores decréscimos couberam a Espanha, Alemanha, França, Itália e Países Baixos, seguidos das Provisões de Bordo, Áustria, Bélgica, Polónia, Grécia e Eslováquia.


No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se os do Japão, Taiwan, Coreia do Sul, Ceuta e Gibraltar.

Entre os maiores decréscimos evidenciou-se o Reino Unido, seguido dos EUA, Angola, Provisões de Bordo, Canadá, Marrocos, China, México e Egipto.

3.2 - Importações

De Janeiro a Julho de 2020, as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 73,3% do total (73,5% em 2019), registaram um decréscimo de -19,5% e contribuíram com -14,3 p.p. para uma taxa de variação homóloga global de -19,4%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um decréscimo de ‑19,0%, representando 26,7% do total em 2020 (26,5% em 2019), com um contributo para o ‘crescimento’ global de -5,0 p.p..

Os principais mercados de origem das importações em 2020, foram a Espanha (31,8% do Total), a Alemanha (13,3%) e a França (7,2%).

Seguiram-se os Países Baixos (5,5%), a Itália (5,1%), a China (4,6%), a Bélgica (3,0%), o Reino Unido (2,8%), o Brasil (2,7%), a Nigéria e os EUA (1,7% cada).

Estes países representaram, no seu conjunto, 79,0% das importações totais.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações em 2020 (‑19,4%) destacou-se o do Brasil (+1,0 p.p.), seguido da Nigéria (+0,4 p.p.), e de Taiwan e Suécia (+0,1 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam a França (-4,6 p.p.), Espanha (-4,2 p.p.), e Alemanha (-2,6 p.p.).

Seguiram-se a Federação Russa e a Itália (-1,1 p.p. cada), o Azerbaijão (-0,8 p.p.) e a Argélia, Arábia Saudita, Bélgica e EUA (-0,6 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial

Em 2020, os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam à França (+1378 milhões de Euros), aos EUA (+920 milhões) e ao Reino Unido (+594 milhões). Seguiram-se a Turquia (+308 milhões) e Angola (+206 milhões). O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-4614 milhões de Euros), seguido dos da China (‑1478 milhões), da Alemanha (-1448 milhões), dos Países Baixos (-946 milhões) e do Brasil (-626 milhões).

5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO). Os grupos com maior peso nas exportações em 2020, representando cerca de 55% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (14,3% do total e ‑11,3% de TVH), “Agro-alimentares” (14,0% e TVH +1,3%), “Químicos” (13,4% e ‑11,5%) e “Material de transporte terrestre e partes” (13,1% e -28,5%).

À excepção do grupo “Agro-alimentares”, (+54 milhões de Euros), em todos os restantes dez grupos se registaram decréscimos nas exportações face a 2019. Os maiores contributos para o decréscimo global (-5,5 mil milhões de Euros), couberam aos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (-1,6 mil milhões de Euros), “Energéticos” (‑681 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (-551 milhões), “Quimicos” (-526 milhões), “Minérios e metais” (-512 milhões), “Produtos acabados diversos” (‑507 milhões) e “Têxteis e vestuário” (-494 milhões de Euros).

5.2 – Importações

Em 2020, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 73,0% do total, foram “Químicos” (18,8% do total e TVH -7,3%), “Máquinas, aparelhos e partes” (18,2% e TVH -16,1%), “Agro-alimentares” (16,1% e TVH -4,9%), “Material de transporte terrestre e partes” (10,5% e TVH -30,8%) e “Energéticos” (9,4% e TVH -35,2%).

Verificaram-se decréscimos em todos os 11 grupos de produtos, num total de -9,2 mil milhões de Euros, cabendo os mais significativos aos grupos “Energéticos” (-2,0 mil milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-1,8 mil milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (‑1,4 mil milhões). “Máquinas, aparelhos e partes” (-1,3 mil milhões), “Minérios e metais” (-680 milhões de Euros) e “Químicos” (-566 milhões).

6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em 2020 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,1% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição, depois da França, Alemanha e Países Baixos), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (5ª posição, precedida do Brasil, dos EUA, da França e da Roménia).

Seguiram-se no “ranking” a França (13,7%), a Alemanha (12,0%), o Reino Unido (5,5%), os EUA (5,2%), a Itália (4,4%), os Países Baixos (3,8%), a Bélgica (2,4%), Angola (1,7%) e Polónia (1,3%). Estes dez países representaram 75,1% das exportações totais.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 31,8% do total, sendo as excepções os grupos “Energéticos” (2ª posição, precedida da Nigéria) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4º lugar, depois da França, Alemanha e EUA).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (13,2%), a França (7,2%), os Países Baixos (5,5%), a Itália (5,1%), a China (4,6%), a Bélgica (3,0%), o Reino Unido (2,8%), Brasil (2,7% cada) e Nigéria (1,7%). Estes dez países cobriram 77,4% das importações totais.

 Alcochete, 12 de Setembro de 2020.

ANEXO



sábado, 22 de agosto de 2020

Índices do Comérciio Internacional - Janeiro a Junho 2020/2019

 

Comércio Internacional de mercadorias
Taxas de variação homóloga em
Valor, Volume e Preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro-Junho 2020/2019)

" Disponível para download > aqui "

1 - Nota introdutória

No presente trabalho apresentam-se indicadores de evolução em valor, volume e preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias no período de Janeiro a Junho de 2020, face ao período homólogo de 2019.

Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e às exportações de mercadorias com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período de Janeiro a Junho de 2020, em versão preliminar, e dados disponíveis para 2019 também ainda em versão preliminar, com última actualização em 7 de Agosto de 2020.

2 – Nota metodológica

O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche globais aqui apresentados assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos, construída com base em metodologia definida, ensaiada e testada na antiga Direcção-Geral do Comércio Externo e utilizada ao longo dos anos nas que lhe sucederam, índices posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total, em cada uma das vertentes comerciais.

Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise, dentro de um intervalo definido por métodos estatísticos.

Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra.

Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo, incluindo-se na amostra do subgrupo a informação do conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.

Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes.

3 – Balança Comercial

De acordo com os dados preliminares disponíveis, no período de Janeiro a Junho de 2020 o défice da balança comercial de mercadorias decresceu -27,6% face ao período homólogo do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a aumentar de 74,7% para 77,1%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ de mercadorias provenientes do espaço comunitário com as importações originárias dos países terceiros), com um decréscimo em valor de -19,7%, terão registado uma quebra em volume de -16,5% e um decréscimo em preço de ‑3,8%.

Por sua vez, a descida em valor de -17,1% verificada nas exportações terá resultado de uma descida em volume de -14,8%, com o preço a decair –2,7%.

Excluindo os produtos “Energéticos” do Total das importações e das exportações, o défice da balança comercial em 2020 situa-se em -5,6 mil milhões de Euros, contra -7,5 mil milhões em termos globais. Por sua vez o grau de cobertura das importações pelas exportações sobe de 79,4% em 2019 para 81,1% em 2020. De acordo com os dados disponíveis as importações terão registado taxas de variação em valor, volume e preço respectivamente de –18,2%, -16,8% e -1,7%. Por sua vez, as exportações terão averbado uma quebra em valor de -16,4%, em resultado de descidas de -15,2% em volume e -1,4% em preço.

Em 2020, o saldo da balança comercial foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, que representaram 29,8% das exportações e 16,7% das importações totais, designadamente “Madeira, cortiça e papel”, “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Produtos acabados diversos”.

4 – Importações

No período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram: “Químicos” (18,8% em 2020 e 16,2% em 2019), “Máquinas, aparelhos e partes” (18,0% e 17,7%), “Agro-alimentares” (16,0% e 13,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (10,6% e 12,6%). Seguiram-se os grupos de produtos “Energéticos” (9,8% e 11,5%), ”Minérios e metais” (8,4% nos dois anos), “Produtos acabados diversos” (6,0% e 5,7%), “Têxteis e vestuário” (5,6% e 5,4%), “Madeira, cortiça e papel” (3,3% e 2,9%), “Calçado, peles e couros” (1,8% e 2,0%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,5% e 4,1%).


Em todos os onze grupos de produtos considerados se registaram, no primeiro semestre de 2020, taxas de variação homóloga em Valor negativas, incidindo as mais acentuadas nos grupos "Aeronaves, embarcações e partes", não constante dos gráficos por não serem calculados índices de volume e preço para este grupo (-69,9%), “Material de transporte terrestre” (-32,6%), “Energéticos” (-31,8%) e “Calçado, peles e couros” (-27,8%). 

Foram também negativas as taxas de variação em Volume, ocorrendo os maiores decréscimos no “Material de transporte terrestre e partes” (-34,1%) e no “Calçado, peles e couros” (‑27,9%).

Na óptica do preço verificou-se algum crescimento nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (+2,2%), “Têxteis e vestuário” (+0,7%), “Produtos acabados diversos” (+0,4%) e “Calçado, peles e couros” (+0,2%). A principal quebra coube ao grupo “Energéticos” (-20,0%),

5 – Exportações

Em 2020, no período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Máquinas aparelhos e partes” (14,3% em 2020 e 13,7% em 2019), “Agro-alimentares” (14,2% e 11,7%), “Químicos” (13,4% e 12,5%) e “Material de transporte terrestre e partes” (13,1% e 15,8%). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,6% e 9,7%), “Minérios e metais” (9,5% e 9,6%), “Têxteis e vestuário” (8,9% nos dois anos), “Madeira, cortiça e papel” (8,0% e 7,5%), “Energéticos” (5,2% e 5,9%), “Calçado, peles e couros” (3,3% e 3,4%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7% e 1,2%).


Verificaram-se decréscimos em valor, face ao ano anterior, em dez dos grupos de produtos, sendo a excepção o grupo “Agro-alimentares”, em que se registou uma taxa de variação nula.

 Os maiores decréscimos incidiram nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (‑31,7%) e “Energéticos” (-27,2%). Seguiram-se os grupos “Calçado, peles e couros” (‑20,8%), “Produtos acabados diversos” (-18,2%), “Minérios e metais" (‑17,9%), “Têxteis e vestuário”” (‑17,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-13,5%), “Químicos” (-11,6%) e “Madeira, cortiça e papel” (‑11,3%).

No grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, não constante dos gráficos seguintes por não ser, à semelhança das importações, objecto de cálculo dos índices de volume e preço, verificou-se uma quebra em valor de -46,9%.

Em volume, verificaram-se descidas das exportações em todos os grupos è excepção do grupo “Agro-alimentares” (+3,0%).

O maior descréscimo ocotrreu no grupo “Material de transporte terrestre e partes” (-33,3%), seguido dos grupos “Calçado, peles e couros” (-21,2%), “Têxteis e vestuário” (‑20,3%), “Produtos acabados diversos” (--15,9%), “Minérios e metais” (-13,8%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-13,2%), “Químicos” (-9,1%), “Energéticos” (-8,0%) e “Madeira, cortiça e papel” (‑7,1%)

No âmbito do preço verificaram-se acréscimos nas exportações dos grupos “Têxteis e vestuário” (+3,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (+2,5%) e “Calçado, peles e couros” (+0,5%).

O maior decréscimo incidiu no grupo “Energéticos” (‑20,9%). Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (‑4,8%), “Madeira, cortiça e papel” (‑4,5%), “Agro-alimentares” (-3,0%), “Produtos acabados diversos” e “Químicos” (-2,7% nos dois anos) e “Máquinas, aparelhos e partes” (‑0,4%).

6 – Representatividade das amostras

Como se pode observar no quadro, a representatividade da amostra global de cada uma das vertentes comerciais, que serviu de base ao cálculo dos respectivos índices de preço de Paasche, foi da ordem dos 90%, o que também aconteceu em granmde parte nos grupos de produtos.


.Alcochete, 19 de Agosto de 2020.

ANEXO



sábado, 15 de agosto de 2020

Acréscimos e decréscimos das exportações - Junho de 2020

 

Acréscimos e decréscimos 
das exportações
por produtos e mercados
Evolução mensal
- Junho de 2020 -
 ( disponível para download >> aqui )

1 - Nota introdutória

Neste trabalho pretende-se analisar onde incidiram os maiores acréscimos e decréscimos nas exportações portuguesas de mercadorias, por produtos e por mercados, nos cinco primeiros meses de 2020, acumulados e não acumulados, face ao período homólogo de 2019. São para este fim utilizados dados de base divulgados no portal do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão preliminar para estes dois anos, com última actualização em 7 de Agosto de 2020.

2 – Exportações no período acumulado de Janeiro a Junho de 2019 e 2020

Em 2020, no período acumulado de Janeiro a Junho, as exportações de mercadorias decresceram em valor -17,1% face a igual período do ano anterior (-5,2 mil milhões de Euros), abrangendo todos os grupos de produtos.

O maior decréscimo, em Euros, incidiu no grupo “Material de transporte terrestre e partes” (‑1,5 mil milhões de Euros).

Seguiram-se os grupos “Máquinas., aparelhos e partes” (-562 milhões), “Produtos acabados diversos” (‑535 milhões), “Minérios e metais” (-521 milhões), “Energéticos” (-487 milhões), “Têxteis e vestuário” (-477 milhões), “Químicos” (-441 milhões), “Madeira, cortiça e papel” (-256 milhões), “Calçado, peles e couros” (-215 milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (-164 milhões) e “Agro-alimentares”  (-1 milhão de Euros). 

Considerando a partição entre espaço Intra-UE27 (Reino Unido excluído) e Extra-UE, verifica-se que no período em análise, no seio da Comunidade, as exportações, que representaram 71,4% do Total, decresceram -17,0% face ao mesmo período do ano anterior (‑3,7mil milhões de Euros). Por sua vez, para fora da Comunidade as exportações registaram uma quebra também de ‑17,0% (-1,5 mil milhões).

O Total do espaço Intracomunitário foi aqui calculado, para ambos os anos, por somatório dos valores dos actuais parceiros de Portugal (Reino Unido excluído), acrescido das provisões de bordo, países não determinados e confidencialidade, quando atribuídos à União Europeia.

Em termos globais, os maiores decréscimos couberam a Espanha (-1,2 mil milhões de Euros), Alemanha (-693 milhões), França (-621 milhões), Reino Unido (-438 milhões), Itália (-338 milhões), Países Baixos (-226 milhões), EUA (-220 milhões), Angola (-173 milhões), Canadá (-156 milhões), Marrocos (-116 milhões), Provisões de Bordo para Países Terceiros (-111 milhões), Áustria (‑108 milhões) e Bélgica (‑95 milhões de Euros).

O acréscimo mais significativo pertenceu à Irlanda (+44 milhões de Euros), seguida de Taiwan (+32 milhões), Japão (+25 milhões), Dinamarca e Gibraltar (+23 milhões cada) e Ceuta (+20 milhões).

3 – Exportações no mês de Junho de 2020 (não acumulado) face a 2019, por Grupos de Produtos

Os grupos de produtos com maior peso nas exportações portuguesas no mês de Junho de 2020 (ver definição do conteúdo dos grupos em Anexo), foram “Material de transporte terrestre e partes” (15,2% do Total), “Máquinas, aparelhos e partes” (14,9%), “Agro-alimentares” (14,0%), “Químicos” (13,6%), e “Produtos acabados diversos” (10,7%)..

Seguiram-se os grupos “Minérios e metais” (9,5%), “Têxteis e vestuário” (8,4%), “Madeira, cortiça e papel” (6,7%), “Calçado, peles e couros” (3,4%), “Energéticos” (2,9%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,7%).

O maior decréscimo, face ao mês de Junho de 2019, ocorreu no grupo “Energéticos” (-140 milhões de Euros).

Seguiram-se os grupos “Material de transporte terrestre e partes” (-87 milhões de Euros), “Madeira, cortiça e papel” (-71 milhões), “Têxteis e vestuário” (-59 milhões), “Minérios e metais” (-50 milhões), “Calçado, peles e couros” (-36 milhões), “Químicos” (‑35 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (-25 milhões) e “Produtos acabados diversos” (-6 milhões).

Registaram-se acréscimos nos restantes dois grupos de produtos: “Agro-alimentares” (+26 milhões de Euros) e ”Aeronaves, embarcações e partes” (+5 milhões).

No quadro seguinte encontram-se relacionados, por grupos de produtos, os acréscimos e decréscimos verificados nas exportações dos principais produtos definidos a dois dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-2).

O grupo “Máquinas, aparelhos e partes”, o segundo grupo com maior peso entre os onze grupos considerados (14,9% do Total no mês de Junhp de 2020), engloba máquinas e aparelhos mecânicos e eléctricos muito diversificados, encontrando-se no quadro seguinte os principais produtos desagregados a um nível mais fino da Nomenclatura (NC-4).

4 – Evolução comparada das exportações mensais por grupos de produtos


Alcochete, 11 de Agosto de 2020

ANEXO