sábado, 14 de outubro de 2017

Comércio Portugal-Brasil (2012-2016 e 1º Sem 2017)

Comércio internacional de mercadorias
de Portugal com o Brasil
-2012 a 2016 e 1º Semestre de 2017 -

(disponível para download > aqui )

1 – Nota introdutória
O Brasil ocupou em 2016 e 1º Semestre de 2017 a 10ª posição entre os mercados de origem das importações portuguesas de mercadorias e o 13º lugar entre os mercados de destino das nossas exportações. Em 2016 pesou 1,7% nas importações globais e 1,1% nas exportações, quotas que subiram respectivamente para 1,8% e 1,3% no 1º Semestre de 2017.
A par de Portugal, o Brasil foi um dos fundadores, em 1996, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços entre os seus actuais nove membros.
Vai-se neste trabalho analisar a evolução das importações e exportações de mercadorias entre Portugal e o Brasil ao longo dos últimos cinco anos (2012 a 2016) e no 1º Semestre de 2017, face ao homólogo do ano anterior, com base em dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Outubro de 2017.
2 – Alguns dados sobre o comércio internacional do Brasil
De acordo com dados veiculados pelo International Trade Centre, medidos em Euros, o saldo (fob) da Balança Comercial de mercadorias do Brasil decresceu entre 2012 e 2014, ano em que se tornou negativo, para crescer a partir de então, atingindo +43,1 mil milhões de Euros em 2016, com um grau de cobertura (fob) das importações pelas exportações de 134,7%.

Os principais parceiros do Brasil, em ambas as vertentes comerciais, são os EUA e a China, respectivamente com 17,5% e 17,0% no total das importações em 2016 e 12,6% e 19,0% do lado das exportações.
Na vertente da exportação registou-se um decréscimo de -2,8%, tendo-se verificado aumentos em apenas três dos onze grupos de produtos considerados: “Material de transporte terrestre e partes” (+15,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (+33,6%) e “Produtos acabados diversos” (+44,3%). O principal decréscimo incidiu no grupo “Energéticos” (-29,8%).

Os grupos de produtos em que Portugal registou as maiores quotas foram “Têxteis e vestuário” (0,9% das exportações brasileiras deste grupo), “Energéticos” e “Calçado, peles e couros” (0,7% cada), “Produtos acabados diversos” (0,6%), “Químicos” e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,5% cada). 
3 – Comércio de Portugal com o Brasil
3.1 – Evolução do peso do Brasil nas importações
         e nas exportações globais (2000-2016)
O peso das importações portuguesas com origem no Brasil no contexto global aumentou sustentadamente entre 2000 e 2007 (de 1,0% para 2,3%). 
A partir de 2007 o seu comportamento foi algo irregular, decrescendo nos dois anos seguintes (1,7% em 2009) para aumentar depois até 2011, ano em que atingiu o valor máximo dos últimos 17 anos (2,5%), voltando a decrescer significativamente até 2013 (1,5%). Estabilizou então até 2015, para voltar a aumentar em 2016 (1,7%). 

Por sua vez, o peso das exportações portuguesas para o Brasil, que em 2003 havia atingido o seu nível mais baixo (0,4%), aumentou até 2013 (1.6%), para decrescer a partir de então até 2016 (1,1%).  
3.2 – Posição do Brasil nas trocas de Portugal no âmbito da CPLP
Em 2016 o Brasil foi a origem de 52,7% das importações de Portugal a partir do conjunto dos seus parceiros na CPLP, seguido de Angola com 40,5%, e o destino de 20,1% das exportações, precedido de Angola com 55,9%.

3.3 – Balança Comercial
A Balança Comercial de Portugal com o Brasil é desfavorável a Portugal, temdo-se situado o défice em -516 milhões de Euros em 2016.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), com última actualização em 9-10-2017, no 1º Semestre de 2017 as importações decresceram ‑3,7% em termos homólogos, com as exportações a aumentarem acentuadamente, +59,1%, dando origem a uma descida significativa do défice, de -408 milhões de Euros para -254 milhões, com um grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações de 58,2%.
No 1º Semestre de 2017 o contributo das importações com esta origem para a taxa de variação homóloga das importações globais portuguesas, +14,3%, foi de +0,3 pontos percentuais (p.p.).
Por sua vez, o contributo das nossas exportações no mesmo período foi de +0,1 p.p., para uma taxa de variação homóloga do total das exportações de +12,3%.

3.4 – Importações por grupos de produtos
As maiores importações portuguesas com origem no Brasil incidiram, nos últimos cinco anos e 1º Semestre de 2017, nos grupos de produtos “Agro-alimentares”, com destaque para a fruta, café e soja, e também milho em 2016, e “Energéticos”, designadamente petróleo bruto.
Em 2016 assistiu-se a um reforço substancial das importações do grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, essencialmente aeronaves e também as suas partes, com repercussão no 1º semestre de 2017. Neste 1º Semestre assistiu-se também a um aumento significativo do peso do grupo “Minérios e metais”, centrado no ferro e aço. Seguiram-se, com mais de 10 milhões de Euros, os grupos “Químicos”, “Máquinas, aparelhos e partes”, “Madeira, cortiça e papel” e “Calçado, peles e couros”.

3.5 – Exportações por grupos de produtos
As principais exportações para o Brasil no período em análise inserem-se no grupo de produtos “Agro-alimentares”, com destaque para o azeite, peixe congelado, bacalhau e vinho.
No 1º semestre de 2017 seguiram-se, por ordem decrescente de valor, os grupos “Energéticos”, essencialmente constituído por produtos refinados do petróleo, “Aeronaves, embarcações e partes”, designadamente partes de veículos aéreos, e “Máquinas, aparelhos e partes”, bastante diversificados.

Neste grupo de produtos, entre as máquinas e aparelhos mecânicos destacaram-se os moldes e caixas de fundição, aparelhos com função própria, aparelhos para tratamento de matérias que impliquem mudança de temperatura, refrigeradores, congeladores e partes de motores de pistão. Entre as máquinas e aparelhos eléctricos sobressairam as partes de aparelhos de rádio e televisão, os aparelhos fotográficos digitais e câmaras de vídeo, os aparelhos de interrupção, seccionamento e protecção, as partes de motores e geradores eléctricos, os grupos electrogéneos e conversores, os fornos eléctricos industriais ou de laboratório, telefones, aparelhos de sinalização, transformadores, conversores eléctricos e bobinas de reactância e autoindução, entre outros.
Ainda com mais de 10 milhões de Euros seguiram-se as exportações dos grupos “Minérios e metais”, principalmente artefactos de joalharia com metais preciosos e ferramentas intercambiáveis para ferramentas manuais, mecânicas ou máquinas-ferramentas, de “Químicos”, com destaque para o plástico, borracha e suas obras, e de “Produtos acabados diversos”, como obras de pedra (mós e artefactos semelhantes, abrasivos naturais ou artificiais, pedras de cantaria ou construção trabalhadas), móveis, produtos cerâmicos, aparelhos de óptica e médicos, aparelhos de controlo e precisão, artigos de relojoaria, vidro e suas obras.

14 de Outubro de 2017





























































quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Série mensal - Ago 2017 - Comércio Internacional

Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Período acumulado Janeiro-Agosto 2017 

" Publicação disponível para download > aqui "


1 - Balança comercial
De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Outubro de 2017, nos primeiros oito meses de 2017 as exportações de mercadorias cresceram em valor +11,5% face ao mesmo período do ano anterior (+3739 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +14,1% (+5567 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +8,2% (+2038 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros cresciam +21,9% (+1701 milhões de Euros). Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +11,0% (+3384 milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +24,7% (+2183 milhões de Euros).
Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +26,1%, ao situar-se em -8841 milhões de Euros (um acréscimo de 1827 milhões, cabendo 1345 milhões ao comércio intracomunitário e 483 milhões ao extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações nos oito primeiros meses do ano desceu de 82,3%, em 2016, para 80,4%, em 2017.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se também, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos, e logo na balança comercial. O valor médio unitário de importação do petróleo, que nos oito primeiros meses de 2016 se situou em 265 Euros/Ton, subiu para 345 Euros/Ton no mesmo período de 2017.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,5% e 7,3% do total no período de Janeiro-Agosto de 2017), o grau de cobertura (Fob-Cif) das importações pelas exportações dos restantes produtos desce de 85,6% para 84,2%, com o aumento do défice, em termos homólogos, a descer de +26,1% para +22,1%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações
No período acumulado de Janeiro a Agosto de 2017, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 74,0% do total (76,2% em 2016), cresceram em valor +8,2%, contribuindo com +6,3 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +11,5%.
As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 26,0% do total em 2017 (23,8% em 2016), registaram um crescimento em valor de +21,9%, contribuindo com +5,2 p.p. para a taxa de crescimento global. 

Os principais mercados de destino das nossas mercadorias em 2017 foram a Espanha (25,3%), a França (12,5%), a Alemanha (11,4%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,3%), os Países Baixos (4,1%), a Itália (3,5%), Angola (3,3%), a Bélgica (2,4%), a China (1,5%) e o Brasil (1,4%), países que absorveram no seu conjunto 77,3% das nossas exportações.
Angola, o segundo mercado de destino das exportações para os países terceiros depois dos EUA, que vinha apresentando no passado recente sucessivos decréscimos em termos homólogos nas exportações na quase totalidade dos 11 grupos de produtos considerados, registou nos oito primeiros meses do ano um aumento global de +44,4%, com decréscimos em apenas dois dos grupos, designadamente “Energéticos” (-8,6%), e “Aeronaves, embarcações e partes” (-73,7%), principalmente barcos de pesca.

Entre os trinta principais países de destino, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações no período em análise (+11,5%), couberam a Espanha (+1,9 p.p.), Angola e EUA (+1,1 p.p. cada), França (0,9 p.p.), Países Baixos e Alemanha (+0,7 p.p. cada), Brasil e Itália (0,5 p.p. cada), e China (+0,4 p.p.). O maior contributo negativo coube à Argélia (-0,5 p.p.), seguida de Moçambique (-0,1 p.p.).

O maior acréscimo no valor das exportações para o espaço comunitário (expedições), em termos homólogos, verificou-se em Espanha, seguindo-se a França, os Países Baixos, a Alemanha, a Itália, as Provisões de Bordo e o Reino Unido. Com menor expressão alinharam-se depois a Polónia, a Roménia, a Bélgica, o Luxemburgo, a Eslováquia e a Dinamarca. O maior decréscimo coube à Irlanda.

Entre os Países Terceiros, os maiores acréscimos ocorreram nas exportações para Angola e EUA, seguidos do Brasil, China, Taiwan, Gibraltar, Tajiquistão, Marrocos, Líbano e México.

3.2 - Importações
No período de Janeiro a Agosto de 2017, as importações com origem na UE (chegadas), que representaram 75,6% do total (77,7% em 2016), contribuíram com +8,5 p.p., para uma taxa de crescimento global de +14,1%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +24,7%, representando 24,4% do total (22,3% no período homólogo de 2016), com um contributo para o crescimento de +5,5 p.p..
Os principais mercados de origem das importações nos sete primeiros meses do ano foram a Espanha (31,6%), a Alemanha (13,7%) e a França (7,3%). Seguiram-se a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,7%), a Federação Russa (2,5%), o Brasil (1,8%) e os EUA (1,5%), conjunto de países que representou 77,6% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações (+14,1%) destacam-se a Espanha (+3,1 p.p.), a Alemanha (+2,2%) e a Federação Russa (+1,2 p.p.). Seguiram-se os Países Baixos (+0,9 p.p.), a Itália (+0,8 p.p.), a França e o Azerbaijão (0,6 p.p. cada), a China e a Bélgica (0,4 p.p. cada).

Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam a Angola (-1,1 p.p.), à Argélia (‑0,2 p.p.) e, com cerca de -0,1 p.p. cada, à Irlanda, Brasil e Rep. Checa.
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores decréscimos e acréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial
No período em análise, o maior saldo positivo da balança comercial (Fob-Cif) coube aos EUA (+1252 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido (+1223 milhões), da França (+1219 milhões), de Angola (+1071 milhões) e de Marrocos (+399 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-5081 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑2040 milhões), da Itália (‑1189 milhões), da Rússia (‑1021 milhões) e dos Países Baixos (-914 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2) em uso na União Europeia, foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver Anexo).
Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias, representando 79,8% do total no período em análise de 2017, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (15,4% do total, com uma taxa de variação homóloga de +13,3%), “Químicos” (12,9% e TVH +10,1%), “Agro-alimentares” (12,1% e TVH +11,6%) “Material de transporte terrestre e partes” (10,5% e TVH +7,7%), “Têxteis e vestuário” (9,9% e TVH +4,4%), “Minérios e metais” (9,6% e TVH +14,9%) e “Produtos acabados diversos” (9,4% e TVH +10,6%).
Registaram-se acréscimos em valor, em termos homólogos, em todos os grupos de produtos. Os maiores aumentos, em Euros, ocorreram nos grupos “Energéticos” (+766 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+658 milhões), “Agro-alimentares” (+458 milhões), “Minérios e metais” (+452 milhões de Euros) e “Químicos” (+430 milhões).


5.2 – Importações
No mesmo período, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 72,3% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (16,7%, com uma taxa de variação homóloga em valor de +16,2%) “Químicos” (16,4% do total e TVH de +8,8%), “Agro-alimentares” (15,4% e TVH de +9,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,3% e TVH de +11,9%) e “Energéticos” (11,5% e TVH de +38,9%).
Também nas importações se verificaram acréscimos em todos os grupos de produtos, sendo os mais significativos, medidos em Euros, nos grupos “Energéticos” (+1449 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+1051 milhões), “Minérios e metais” (+747 milhões), “Agro-alimentares” (+614 milhões), “Químicos” (+597 milhões) e “Material de transporte terrestre e partes” (+587 milhões de Euros). 


6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os mercados de destino das exportações de mercadorias, a Espanha ocupou nos primeiros oito meses de 2017 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,3% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição) e “Aeronaves, embarcações e partes” (4ª posição).
Seguiram-se no “ranking” a França (12,5%), a Alemanha (11,4%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,3%), os Países Baixos (4,1%), a Itália (3,5%), Angola (3,3%), a Bélgica (2,4%) e China (1,5%). Estes dez países cobriram 75,8% das exportações totais.
6.2 – Importações

Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou também o primeiro lugar em oito dos onze grupos de produtos, com 31,6% do total, sendo as excepções os grupos “Energéticos” (2ª posição), a seguir à Rússia, “Material de transporte terrestre e partes”, (2ª posição), depois da Alemanha, e “Aeronaves, embarcações e partes”, em que ocupou o 4º lugar, antecedida de Singapura, EUA e Brasil.
Seguiram-se a Alemanha (13,7%), a França (7,3%), a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,7%), a Rússia (2,5%) e o Brasil (1,8%). Estes dez países cobriram 76,1% das importações totais.












































































































domingo, 8 de outubro de 2017

Comércio Internacional Portugal-Espanha - 2012-2016 e 1º Semestre 2017


Comércio Internacional de mercadorias
de  Portugal com Espanha
- 2012 a 2016 e 1º Semestre de 2017 -
(disponível para download > aqui )

1 – Nota introdutória
A Espanha é o principal parceiro comercial de Portugal, tendo sido em 2016 o mercado de origem de cerca de 1/3 das importações globais (32,9%) e o destino de mais de 1/4 das exportações (25,9%).
Em 1985, ano anterior à adesão dos dois países à então Comunidade Económica Europeia (CEE), o peso de Espanha era, nas importações e nas exportações globais, respectivamente de 7,4% e 4,1%, para no ano da adesão subir já para 10,9% e 6,6%. A partir de então esse crescimento foi-se intensificando, estabilizando as importações em torno dos 32% a partir de 2009. Por sua vez decresceu o peso das exportações a partir de 2007, para voltar a aumentar sustentadamente após 2012.



Pretende-se aqui avaliar, com algum detalhe, a evolução das chegadas e das expedições de mercadorias de e para Espanha (que designaremos respectivamente por importações e exportações) nos últimos cinco anos (2012-2016) e no primeiro semestre de 2016-2017. Para o efeito, os produtos transaccionados foram agregados em 11 grupos de produtos, cujo conteúdo, em termos de Nomenclatura Combinada, se encontra definido em quadro anexo.
De acordo com dados disponíveis para 2015, as Comunidades Autónomas de Espanha que registaram as maiores quotas de importação das mercadorias portuguesas foram a Galiza (17,4%), Madrid (16,9%) e Catalunha (16,5%). Seguiram-se a Comunidade Valenciana (9,8%), Andaluzia (9,6%) e Castela e Leão (6,0%). 
Com quotas inferiores a 4,0% as restante Comunidades: País Basco, Castela-La Mancha, Aragão, Extremadura, Astúrias, Navarra, Múrcia, I.Canárias, La Rioja, Cantábria e I.Baleares.

2 – Balança Comercial
A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Espanha é deficitária, tendo o défice oscilado entre -7,2 e -7,9 mil milhões de Euros ao longo dos últimos cinco anos, com um grau de cobertura médio das importações pelas exportações da ordem dos 60%.
No 1º Semestre de 2017 o défice registou um crescimento de +12,3% face ao semestre homólogo do ano anterior, ao situar-se em -3,7 mil milhões de Euros, com um grau de cobertura de cerca de 66%.

Segue-se um conjunto de quadros e gráficos com a balança comercial por Grupos de Produtos no período 2012-2016 e 1º Semestre 2016-2017, e quota detida por Espanha em cada um dos grupos.
Como se pode observar, o único grupo de produtos em que o saldo da balança é positivo foi “Têxteis e vestuário”.



3 – Importações
O grupo de produtos com maior peso nas importações é “Agro-alimentares”, sempre acima de 20% na estrutura ao longo dos últimos cinco anos e no 1º Semestre do ano em curso (21,4%). Neste semestre alinharam-se depois os grupos “Químicos” (16,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (11,9%), “Minérios e metais” (11,4%) e “Material de transporte terrestre e partes” (10,3%). Com peso inferior a 10% seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (7,1%), “Têxteis e vestuário” (7,0%), “Energéticos” (6,8%), “Madeira, cortiça e papel” (5,3%), “Calçado, peles e couros” (2,3%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,4%).

Nos gráficos seguintes encontra-se representada, por grupos de produtos, a variação em valor das importações originárias de Espanha ao longo do último quinquénio (2012=100).



3.1 – Principais acréscimos e decréscimos das importações
          no 1º Semestre de 2017, por grupos de produtos
No 1º Semestre de 2017 verificou-se um acréscimo de +985,0 milhões de Euros (M€) nas importações portuguesas de mercadorias provenientes de Espanha, face ao 1º semestre do ano anterior. Em todos os grupos de produtos se verificaram acréscimos nas importações, à excepção do grupo “Calçado, peles e couros”.
O maior aumento ocorreu no grupo de produtos “Agro-alimentares” (+258,2 M€), o grupo com maior peso no total, 21,4% e t.v.h. +12,6%, envolvendo, entre outras, importações de gorduras e óleos (+79,1 M€), principalmente azeite (+51,6 M€), carnes e miudezas comestíveis (+28,4 M€), em sua grande parte de suíno, peixe, crustáceos e moluscos (+25,5 M€), principalmente peixe congelado excepto filetes e moluscos, frutas (+21,3 M€), animais vivos (+15,8M€), principalmente suínos, produtos hortícolas (+15,6 M€) e vinho (+16,0 M€). O maior decréscimo incidiu nas importações de tabaco e seus sucedâneos manufacturados, como cigarros, cigarrilhas e charutos (-5,8 M€).
Seguiu-se o grupo “Energéticos” (+179,3 M€), com um peso de 6,8% na estrutura e t.v.h. +32,3%, com acréscimos principalmente nos produtos refinados do petróleo (+67,9 M€), energia eléctrica (+59,0 M€) e gás (+25,0 M€).
No grupo “Minérios e metais” (+160,9 M€), com um peso de 11,4% e t.v.h. +15,2%, destacam-se os aumentos verificados nas importações de ferro fundido, ferro e aço (+57,9 M€), como perfis, fio-máquina, barras e laminados, e de suas obras (+25,0 M€), de alumínio e suas obras (+43,2 M€), e de zinco e suas obras (+15,8 M€). Verificou-se um decréscimo nas importações de pedras preciosas e semipreciosas, metais preciosos e bijutarias à base destes materiais (-14,1 M€).
Seguiu-se o grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+148,7 M€), 10,3% na estrutura e t.v.h. +15,5%, incidindo os acréscimos essencialmente nos automóveis de passageiros (+65,9 M€) e partes e acessórios de automóveis (+62,0 M€).
No grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+113,6 M€), com um peso no total das importações de 11,9% e t.v.h. +9,7%, destacam-se, entre os aparelhos mecânicos, os acréscimos nas importações de caixas de fundição e moldes (+30,0 M€), de máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades (+13,6 M€) e de torneiras e válvulas (+8,5 M€). Entre os aparelhos eléctricos (+26,6 M€) sobressaíram as de fios e cabos (+18,8 M€), de telefones e aparelhos de telecomunicação (+13,5 M€) e de partes de leitores, gravadores de som e vídeos (+10,4 M€).
Nos restantes grupos de produtos verificaram-se acréscimos de menor amplitude:
No grupo “Químicos” (+35,4 M€), com um peso na estrutura de 16,1% e t.v.h. +2,1%, os acréscimos incidiram principalmente na área dos plásticos e da borracha, designadamente pneus novos. Verificou-se um decréscimo significativo nas importações de produtos químicos inorgânicos (-49,9 M€), na sua quase totalidade compostos e amálgamas de ouro e também carbonatos, seguido de quebras nos produtos químicos orgânicos (-19,5 M€), principalmente compostos heterocíclicos de azoto, e nos sabões e ceras (-10,5 M€), com destaque para os primeiros;
No grupo “Produtos acabados diversos” (+34,3 M€), com peso de 7,1% no total e t.v.h. +4,7%, destacam-se os acréscimos nas importações o vidro e suas obras (+9,1 M€), de brinquedos e jogos (+8,7 M€), de aparelhos ópticos, de fotografia, de medida e precisão (+7,2 M€), de produtos cerâmicos (+6,0 M€) e de mobiliário, colchões, almofadas e candeeiros (+5,9M€);
No grupo “Madeira. Cortiça e papel” (+30,0 M€), com um peso de 5,3% na estrutura e t.v.h. +5,6%, sobressai um aumento no papel, cartão e suas obras (+22,1 M€), seguido da cortiça (+5,9 M€), tendo-se registado um decréscimo nas importações de livros e jornais (-6,9 M€);
No grupo “Aeronaves, embarcações e partes” (+25,6 M€), com um peso de apenas 0,4% na estrutura e t.v.h.+162,1%, o acréscimo verificado incidiu na sua quase totalidade em aeronaves;
O grupo “Têxteis e vestuário” (+14,2 M€), com um peso de 7,2% na estrutura e t.v.h. +1,9%, registou um acréscimo nas importações de vestuário de tecido (+14,9 M€) e um decréscimo nas aquisições de algodão, de lã e de filamentos sintéticos ou artificiais (-12,7 M€).
O único grupo de produtos em que se registou um decréscimo nas importações foi “Calçado, peles e couros” (-15,3 M€), 2,3% na estrutura e t.v.h. +4,7%, sendo superiores as quebras verificadas nas peles (-9,3 M€) às do calçado e suas partes (-7,1 M€).
4 – Exportações
O grupo com maior peso nas exportações é também aqui o dos produtos “Agro-alimentares”, com uma quota que oscilou entre 17,6% e 18,9% ao longo dos últimos cinco anos. 

No 1º Semestre de 2017 este grupo representou 15,9% do total (16,3% no Semestre homólogo). Alinharam-se depois, por ordem decrescente, os grupos “Químicos” (13,6%), “Têxteis e vestuário” (12,9%), “Minérios e metais” (12,4%)  e “Material de transporte terrestre e partes” (11,5%).
Com um peso inferior a 10% seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (8,6%), “Madeira, cortiça e papel” e “Energéticos” (6,9% cada), “Calçado, peles e couros” (1,9%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (0,2%).
Nos gráficos que se seguem encontra-se representada, por grupos de produtos, a variação em valor das exportações com destino a Espanha ao longo do último quinquénio (2012=100).

4.1 – Principais acréscimos e decréscimos das exportações
          no 1º Semestre de 2017, por grupos de produtos
No 1º Semestre de 2017 verificou-se um acréscimo de +584,4 milhões de Euros (M€) nas exportações de mercadorias com destino a Espanha, face ao 1º Semestre do ano anterior.
O maior aumento ocorreu no grupo de produtos “Minérios e metais” (+152,7 M€), com um peso no total de 12,4% e t.v.h. +21,0%, envolvendo, entre outras, as exportações de ferro fundido, ferro ou aço e suas obras (+101,3 M€), principalmente desperdícios e sucata, laminados planos, fio-máquina e outros fios, construções, reservatórios, fios e cabos para uso não eléctrico, as de alumínio e suas obras (+32,9 M€), as de minérios, escórias e cinzas (+14,1 M€), com destaque para o minério de cobre, de cobre e suas obras (+8,5 M€), principalmente desperdícios, residuos e sucata, e as de chumbo e suas obras (+5,0 M€).
Os maiores decréscimos incidiram na platina em formas brutas (-14,8 M€), nos minérios de zinco (-8,6 M€) e no ferro fundido em formas primárias (-5,9 M€).
Seguiu-se o grupo “Energéticos” (+137,3 M€), com um peso de 6,9% e t.v.h. +39,3%, com acréscimos nos refinados de petróleo (+101,6 M€) e na energia eléctrica (+28,1 M€).
No grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (+73,7 M€), com 8,6% na estrutura e t.v.h. +13,9%, destacam-se acréscimos nas exportações de máquinas e aparelhos mecânicos (+65,8 M€), como moldes e caixas de fundição, máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades, motores e máquinas motrizes, elevadores, escadas rolantes, transportadores e “robots” industriais, entre outros, e nas máquinas e aparelhos eléctricos (+7,8 M€), como receptores de rádio, partes de motores e geradores, quadros eléctricos e transformadores.
Os maiores decréscimos ocorreram nas exportações de partes de emissores, radares, receptores rádio e TV (-6,7 M€), de bombas de ar ou vácuo, compressores, ventiladores e exaustores (-5,6 M€) e de fios e cabos eléctricos ou de fibra óptica (-5,2 M€).
Seguiu-se o grupo dos produtos “Agro-alimentares” (+71,9 M€), com um peso de 15,9% no total e t.v.h. +6,8%. Os acréscimos mais significativos couberam às frutas (+33,3 M€), peixe, crustáceos e moluscos (+31,7 M€), produtos hortícolas (+10,4 M€), carnes e miudezas (+7,1 M€), preparações de carne, peixe, crustáceos e moluscos (+6,2 M€) e gorduras e óleos animais ou vegetais (+6,2 M€).
Os maiores decréscimos verificaram-se nas exportações de bebidas (-12,6 M€), com destaque para as águas minerais, de preparações à base de cereais e de leite (-5,7 M€), de plantas vivas e floricultura (-3,4 M€), de animais vivos (-3,2 M€), principalmente bovinos, e de cereais (-3,1 M€), principalmente milho mas também arroz.
No grupo “Químicos” (+44,2 M€), 13,6% na estrutura e t.v.h. +4,8%, sobressaem os plásticos e suas obras (+43,2 M€). Seguiram-se os produtos químicos orgânicos (+19,5 M€), como etileno, propileno e outros, e a borracha e suas obras (+9,7 M€), principalmente pneus novos.
O decréscimo mais significativo coube aos metais preciosos no estado coloidal, compostos e amálgamas (-48,4 M€), designadamente compostos de ouro.
Seguiu-se o grupo “Material de transporte terrestre e partes” (+42,2 M€), com 11,5% na estrutura e t.v.h. +5,4%, incidindo o acréscimo quase exclusivamente nos automóveis, tractores, ciclos e outros veículos terrestres , suas partes e acessórios (+42,2 M€). Destacam-se aqui as partes e acessórios de automóveis e tractores (+31,5 M€), veículos automóveis de passageiros, incluindo para 10 ou mais passageiros (+10,1 M€) e bicicletas e triciclos sem motor (+6,0 M€).
Neste 1º Semestre verificou-se uma quebra na exportação de veículos automóveis para o transporte de mercadorias (-6,7 M€).
Nos restantes grupos verificaram-se acréscimos de menor amplitude:
“Produtos acabados diversos” (+22,1 M€), com um peso de 9,1% e t.v.h. +3,5% inclui produtos muito diversificados, destacando-se entre os acréscimos os de mobiliário não médico (+8,9 M€) e entre os decréscimos os de assentos mesmo transformáveis em cama (-7,4 M€);
“Têxteis e vestuário” (+18,6 M€), com 12,9% na estrutura e t.v.h. +2,1%, com destaque para os aumentos no vestuário de tecido (+23,3 M€) nas e fibras sintéticas ou artificiais (+5,5 M€), incidindo o maior decréscimo no vestuário de malha (-14,2 M€);
“Madeira, cortiça e papel” (+10,8 M€), com um peso de 6,9% no total e t.v.h. +2,3%, registou acréscimos principalmente na cortiça e suas obras (+8,3 M€), no papel, cartão e suas obras (+5,3 M€), como caixas, sacos e embalagens, guardanapos, papel higiénico, lenços, fraldas e pensos, e na madeira e suas obras (+5,1 M€), principalmente obras de carpintaria para construção e ‘pellets’ de madeira. Entre os decréscimos detaca-se o das pastas de papel (-9,4 M€);
“Aeronaves, embarcações e partes” (+10,1 M€), com apenas 0,2% na estrutura e t.v.h. +138,2%, distribuindo-se os acréscimos por aeronaves, outros aparelhos aéreos e suas partes (+8,2 M€), essencialmente partes, e por embarcações (+1,8 M€), principalmente barcos para desporto ou recreio;
“Calçado, peles e couros” (+0,8 M€), com um peso de 1,9% e t.v.h. +0,6%, onde se registou um aumento nas exportações das obras de couro, bolsas e artigos de viagem (+1,7 M€) e um decréscimo no calçado (-0,6 M€) e também nas peles (-0,3 M€).

19 de Setembro de 2017