quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Série mensal - Janeiro-Dezembro 2020 - Comércio Internacional

 

Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Janeiro a Dezembro de 2020 

( disponível para download  >> aqui )

1 - Balança comercial

De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Fevereiro de 2021, para o ano de 2020, e definitivos para 2019, as exportações de mercadorias, face ao ano anterior, decresceram em valor ‑10,2% (‑6,1 mil milhões de Euros), a par de uma quebra nas importações de -15,2% (-12,2 mil milhões).

Estas descidas reflectem quebras mensais significativas, em termos homólogos, verificadas de Março a Julho, principalmente nos meses de Abril e Maio (-39,2% e ‑39,4% nas importações e -41,3% e -38,8% nas exportações). A partir de então, e até Setembro, o volume destas quebras, face ao mês homólogo do ano anterior, reduziu-se sucessivamente, situando-se a taxa de variação, em Setembro, em -8,3% nas importações, tornando-se mesmo ligeiramente positiva nas exportações, +0,3%. No mês de Dezembro, de acordo com os dados preliminares disponíveis, face ao ano anterior, as importações decresceram -6,9% e as exportações -7,8%.

As exportações para o espaço comunitário (expedições), cujo total corresponde aqui aos actuais 27 membros (Reino Unido excluído), registaram em 2020 uma quebra de ‑9,4% (‑4,0 mil milhões de Euros), tendo as exportações para os países terceiros decaído -12,3% (‑2,1 mil milhões). Por sua vez, as importações com origem na UE (chegadas) diminuíram –14,2% (-8,4 mil milhões de Euros), com as originárias dos países terceiros a decrescerem -18,0% (-3,8 mil milhões). 

O défice comercial externo (Fob-Cif) decresceu -30,0% ao situar-se em -14,1 mil milhões de Euros (menos 6,0 mil milhões do que no ano anterior), a que correspondeu uma redução de -4,4 mil milhões no comércio intracomunitário e de -1,6 mil milhões no extracomunitário. Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações subiu de 74,9%, em 2019, para 79,3%, em 2020.

A variação do preço de importação do petróleo repercute-se no valor das exportações de produtos energéticos, com reflexo na Balança Comercial. Em 2020 o valor médio unitário de importação do petróleo desceu, face a 2019, de 433 para 295 Euros/Ton.

Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (Capº 27 da NC), que pesou 8,7% no total das importações em 2020 e 4,6% do lado das exportações, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações no comércio global sobe de 79,3% para 82,8%.


2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem

3.1 - Exportações

Em 2020, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 71,4% do total (70,7% em 2019), decresceram em valor -94%, contribuindo com -6,6 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de ‘crescimento’ global negativa de -9,4%.

As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram os restantes 28,6% do total em 2020 (29,3% em 2019), decaíram -12,3%, contribuindo com -3,6 p.p. para a taxa de ‘crescimento’ global.


Os principais destinos em 2020 foram a Espanha (25,4%), a França (13,5%), a Alemanha (11,8%), o Reino Unido (5,7%), os EUA (5,0 %), a Itália (4,4%), os Países Baixos (3,7%), a Bélgica (2,3%), Angola (1,6%) e a Polónia (1,4%), destinos que representaram 74,8% do total das exportações.

Angola, o terceiro principal mercado entre os países terceiros, depois do Reino Unido e dos EUA, registou uma quebra em valor nas exportações de –30,4% em 2020 (-317 milhões de Euros), envolvendo a otalidade dos onze grupos de produtos.

As maiores descidas incidiram nos grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (-85,9 milhões de Euros), “Agro-alimentares” (-67,0 milhões), “Químicos” (‑47,2 milhões), “Minérios e metais” (-42,8 milhões), “Produtos acabados diversos” (‑29,6 milhões), “Madeira, cortiça e papel” (-20,9 milhões), e “Têxteis e vestuário” (-13,3 milhões de Euros).

Entre os principais destinos, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ (negativo) das exportações neste período (-10,2%), pertenceram à Irlanda (+0,13 p.p.), à Suíça (+0,06 p.p.) e à Roménia (+0,05 p.p.).

O maior contributo negativo coube a Espanha (‑1,9 p.p.), seguida da Alemanha (-1,4 p.p.), do Reino Unido (-1,0 p.p.), da França (-0,8 p.p.), das Provisões de Bordo para Países Terceiros, Angola, EUA, Países Baixos e Itália (todos com -0,6 p.p.) e Provisões de Bordo para Países Comunitários (-0,5 p.p.). 

Os maiores acréscimos nas expedições para o espaço comunitário, em termos homólogos, incidiram na Irlanda, seguida da Roménia e da Suécia. Os maiores decréscimos couberam a Espanha, Alemanha, França, Países Baixos, Itália e Provisões de Bordo, seguidos da Áustria, Bélgica, Grécia, Finlândia, Eslováquia, Polónia, Eslovénia, Malta e Bulgária.


No conjunto dos Países Terceiros, entre os maiores acréscimos nas exportações destacaram-se os de Gibraltar, do Japão, da Coreia do Sul, de Israel e da Suíça.

Entre os maiores decréscimos evidenciou-se o Reino Unido, seguido das Provisões de Bordo, Angola, EUA, Canadá, Marrocos, México, Egipto, Argélia, África do Sul, China, Noruega e Emiratos.

3.2 - Importações


Em 2020, as chegadas de mercadorias com origem na UE, que representaram 74,6% do total (73,8% em 2019), registaram um decréscimo de -14,2% e contribuíram com -10,5 p.p. para uma taxa de variação homóloga global de ‑15,2%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um decréscimo de ‑18,0%, representando 25,4% do total em 2020 (26,2% em 2019), com um contributo para o ‘crescimento’ global de -4,7 p.p..

Os principais mercados de origem das importações em 2020 foram a Espanha (32,6% do Total), a Alemanha (13,3%) e a França (7,3%).

Seguiram-se os Países Baixos (5,5%), a Itália (5,2%), a China (4,5%), a Bélgica (2,9%), o Reino Unido (2,7%), o Brasil (2,4%) e os EUA (1,8%).

Estes países representaram, no seu conjunto, 78,4% das importações totais.

Entre os contributos positivos para a taxa de variação homóloga das importações em 2020 (‑15,2%) destacou-se o do Brasil (+0,8 p.p.), seguido da Nigéria (+0,2 p.p.), da China e da Polónia (+0,1 p.p. cada).

Os maiores contributos negativos couberam a França (-3,6 p.p.), Espanha (-2,9p.p.) e Alemanha (-2,0 p.p.).

Seguiram-se a Turquia (-1,2 p.p.), Angola (-0,9 p.p.), a Rússia (-0,7 p.p.), a Itália (-0,7 p.p.), a Bélgica (0,6 p.p.), o Azerbaijão, a Arábia Saudita e o Azerbaijão (-0,5 p.p. cada).

Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.


4 – Saldos da Balança Comercial

Em 2020, os maiores saldos positivos da balança comercial (Fob-Cif) couberam à França (+2288 milhões de Euros), aos EUA (+1423 milhões) e ao Reino Unido (+1224 milhões). Seguiram-se a Turquia (+549 milhões) e Angola (+482 milhões). O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-8452 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (-2670 milhões), da China (‑2499 milhões), dos Países Baixos (-1720 milhões) e da Itália (-1186 milhões).

5 – Evolução por grupos de produtos

5.1 – Exportações

Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2), foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver ANEXO). Os grupos com maior peso nas exportações em 2020, representando 65,7% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (14,7% do total e ‑5,1% de TVH), “Material de transporte terrestre e partes” (13,9% e -16,9%), “Agro-alimentares” (13,9% e +2,2%), “Químicos” (13,2% e ‑6,2%) e “Produtos acabados diversos” (10,0% e -8,4%).

À excepção do grupo “Agro-alimentares” (+157 milhões de Euros), em todos os restantes dez grupos se registaram decréscimos nas exportações face a 2019. Os maiores contributos para o decréscimo global (-6,1 mil milhões de Euros), couberam aos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (-1,5 mil milhões de Euros), “Energéticos” (‑1,2 mil milhões) e “Têxteis e vestuário” (-583 milhões de Euros).

5.2 – Importações

Em 2020, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 81,5% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (19,1% e TVH -9,4%), “Químicos” (18,5% do total e TVH -2,3%), “Agro-alimentares” (15,9% e TVH -4,5%), “Material de transporte terrestre e partes” (10,9% e TVH -24,4%), “Energéticos” (8,7% e TVH -35,4%) e “Minérios e metais” (8,4% e TVH -10,6%).

Verificaram-se decréscimos em todos os 11 grupos de produtos, num total de -12,2 mil milhões de Euros, cabendo os mais significativos aos grupos “Energéticos” (-3,2 mil milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (-2,4 mil milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (‑2,1 mil milhões). e “Máquinas, aparelhos e partes” (-1,3 mil milhões.

6 – Mercados por grupos de produtos

6.1 – Exportações

Entre os mercados de destino, a Espanha ocupou em 2020 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,4% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição, depois da França, Alemanha e Países Baixos), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição, depois da Alemanha) e “Aeronaves, embarcações e partes” (6ª posição, precedida do Brasil, da França, da Roménia, dos EUA e do Reino Unido).

Seguiram-se no “ranking” a França (13,5%), a Alemanha (11,8%), o Reino Unido (5,7%), os EUA (5,0%), a Itália (4,4%), os Países Baixos (3,7%), a Bélgica (2,3%), Angola (1,6%) e a Polónia (1,4%). Estes dez países representaram 74,8% das exportações totais.

6.2 – Importações

Na vertente das importações, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 32,6% do total, sendo as excepções os grupos “Energéticos” (2ª posição, precedida da Nigéria) e “Aeronaves, embarcações e partes” (5º lugar, depois da França, Alemanha, EUA e Ilhas Virgens Britânicas).

Seguiram-se, no “ranking”, a Alemanha (13,3%), a França (7,3%), os Países Baixos (5,5%), a Itália (5,2%), a China (4,5%), a Bélgica (2,9 %), o Reino Unido (2,7%), o Brasil (2,4%) e os EUA (1,8%). Estes dez países cobriram 78,4% das importações totais.

Alcochete, 10 de Fevereiro de 2021.

ANEXO



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Comércio Internacional do calçado - UE e Portugal (Jan-Nov 2020)

 

Comércio Internacional do Calçado
União Europeia
Portugal 
(Janeiro-Novembro 2019-2020)

"Disponível para download >> aqui "

1 - Nota introdutória

As exportações portuguesas de calçado, sustentadamente crescentes desde o início da década de 80 do século passado atingiram 1,7 mil milhões de Euros em 2001, decrescendo a partir de então. Mantiveram-se num patamar em torno dos 1,3 mil milhões de Euros entre 2005 e 2009, tendo-se assistido a partir de então a uma recuperação sustentada do crescimento destas exportações, que atingiram 2 mil milhões de Euros em 2017, para decrescerem nos dois anos seguintes, situando-se em 1,8 mil milhões de Euros em 2019.

O peso do calçado na exportação global, que em 2001 se situava em 6,3%, decresceu significativamente até 2007, mantendo-se em cerca de 4% até 2016, para voltar a decrescer a partir de então, representando 3,1% do Total em 2019.

Ao longo deste período cerca de 80% da exportação portuguesa de calçado teve por destino o espaço comunitário.

A desaceleração do crescimento da exportação de calçado de Portugal para os nossos parceiros comunitários não se ficou a dever apenas à concorrência de países asiáticos. Como se poderá observar nos quadros seguintes, ao longo dos últimos anos tem-se assistido também a um incremento significativo das exportações com origem nos próprios parceiros comunitários.

2 – Importação de calçado no espaço comunitário

No período de 2015 a 2019, cerca de 60% das importações de calçado no espaço comunitário (Reino Unido excluído) tiveram origem em países da própria Comunidade.

De acordo com dados do “International Trade Centre” (ITC), no período de 2014 a 2019 os principais exportadores mundiais de calçado foram dois países asiáticos, designadamente a China (incluindo Hong-Kong e Macau) e o Vietname, que terão representado em conjunto cerca de metade da exportação mundial.

Foram também estes dois países os principais fornecedores da UE-27 no período 2015-2019, seguidos do Reino Unido, da Indonésia e da Índia.

Do quadro seguinte consta o valor médio unitário do calçado exportado por Portugal para a UE-27 em 2019, por tipos de calçado (NC-4), obtido por ponderação dos valores dos produtos desagregados a oito dígitos da Nomenclatura Combinada, comparado com o praticado pelos principais países terceiros fornecedores.

Seguem-se quadros com os principais fornecedores Intra e Extracomunitários dos oito maiores importadores de calçado na UE-27 em 2019 (81,4% do Total): Alemanha, França, Itália, Bélgica, Países Baixos, Espanha, Polónia e Áustria.




3 – Importação e exportação portuguesa de calçado                                    (2018-2019 e Janeiro-Novembro 2019-2020)

3.1 – Balança Comercial

A Balança Comercial portuguesa do calçado é fortemente favorável a Portugal.

Em 2019, as importações cresceram +3,6% face ao ano anterior, tendo decrescido -21,6% no período de Janeiro a Novembro de 2020, em termos homólogos. Por sua vez as exportações registaram decréscimos de -5,7% em 2019 e -16,4% nos primeiros onze meses de 2020.

O saldo da Balança reduziu-se em -12,3% em 2019 e -12,0% no período em análise de 2020.

3.2 – Importação por tipos de calçado

No período de Janeiro a Novembro de 2020 predominaram as importações de calçado com a parte superior em couro e em têxteis, respectivamente 28,0% e 27,9% do Total.

Seguiram-se as partes de calçado, com 21,8% e o calçado com a parte superior em borracha ou plástico, 19,0%.

3.3 – Exportação por tipos de calçado

As exportações portuguesas incidem em sua grande parte no calçado com a parte superior em couro, o de maior valor, tendo representado 84,7% do Total nos primeiros onze meses de 2020.

3.4 – Mercados de origem das importações

No ano de 2019 tiveram origem no espaço comunitário 73,2% das importações de calçado (72,4% em Jan-Nov 2020), tendo sido os principais fornecedores a Espanha, com 33,0% do Total (30,3% em 2020) e a China (10,3% e 10,6% respectivamente).

Seguiram-se a Alemanha, a Itália, a França, os Países Baixos, a Índia, a Indonésia e o Reino Unido.

Estes dez países representaram 92,6% das importações totais em 2019 (93,2% em Jan-Nov 2020).


3.5 – Mercados de destino das exportações

Em 2019 destinaram-se ao espaço comunitário 73,2% das exportações de calçado (72,4% em Jan-Nov 2020). Os principais destinos foram a França (21,7% e 20,7% respectivamente), a Alemanha (18,1% e 18,5%) e os Países Baixos (13,5% e 13,8%).

Seguiram-se a Espanha, o Reino Unido, a Dinamarca, EUA, a Itália, a Bélgica, a Suécia, o Canadá, a China, a Polónia e a Rússia.

Este conjunto de países representou 90,2% do Total das exportações de calçado em 2019 e também nos primeiros onze meses de 2020.

3.6 – Índices de variação homóloga

Foram calculados Índices de variação homóloga em Valor, Volume e Preço (Paasche), por tipos de calçado, para o período de Janeiro a Setembro de 2020, a preços de 2019: 



Alcochete, 1 de Fevereiro de 2021.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Comércio Internacional com Moçambique (2018-2019 e Jan-Nov 2019-2020)

 

Comércio Internacional de mercadorias
com Moçambique
2018-2019
Janeiro-Novembro 2019-2020

                                                    "Disponível para download >>> aqui "

1 – Nota introdutória

Entre outras organizações, Moçambique é um dos quinze países-membros da “Southern Africa Development Community – Comunidade de Desenvolvimento da África Austral” (SADC).

Organização criada em 1992, tem entre os seus principais objectivos aprofundar a cooperação económica entre os seus membros e estimular o comércio de produtos e serviços entre os seus actuais quinze países-membros: África do Sul, Angola, Botswana, Eswatini (Suazilândia), Lesotho, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Rep.D.Congo, Seychelles, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

Moçambique foi também, em 1996, um dos fundadores da “Comunidade dos Países de Língua Portuguesa” (CPLP), a par de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal e São Tomé e Príncipe, actualmente com nove membros, após a integração de Timor-Leste e da Guiné Equatorial.

São objectivos desta organização, no âmbito da cooperação em todos os domínios, o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços entre os seus membros.

Neste trabalho encontra-se reunido um conjunto de dados sobre o comércio externo de Moçambique em 2018 e 2019, com base em estatísticas constantes da publicação “Estatísticas do Comércio Externo de Bens”, do Instituto Nacional de Estatística de Moçambique.

No tratamento das importações e das exportações por tipos de produtos, foram calculadas também as correspondentes quotas de Portugal, estas a partir de estatísticas do Instituto Nacional de Estatística de Portugal, com aplicação das necessárias conversões de valores Cif/Fob para cada um dos fluxos comerciais.

Analisa-se depois a evolução das importações e das exportações de mercadorias entre Portugal e Moçambique em 2018 e 2019 e no período acumulado de Janeiro a Novembro de 2019 e 2020.

2 – Comércio Externo de Moçambique

As importações de mercadorias em Moçambique decresceram acentuadamente entre 2015 e 2016. Cresceram a partir de então, mas mantendo-se sempre abaixo do nível que detinham em 2015.

Por sua vez, as exportações, que haviam decrescido ligeiramente de 2015 para 2016, aumentaram significativamente no ano seguinte (+36% face ao valor que detinham em 2015), para se manterem praticamente ao mesmo nível até 2019.

2.1 - Balança Comercial

Os dados de base, de fonte moçambicana, publicados em dólares, foram neste trabalho convertidos a Euros. De acordo com os dados disponíveis, a Balança Comercial de mercadorias (fob-cif) do país foi deficitária entre 2015 e 2019, com um défice neste último ano de -2,5 mil milhões de Euros.

2.2 – Importações por grupos de produtos

A importações e exportações de produtos estão aqui agregadas em onze grupos de produtos (ver conteúdo definido em Anexo).

As principais importações moçambicanas em 2019 incidiram no grupo “Màquinas, aparelhos e partes” (19,4% do Total), principalmente máquinas eléctricas, muito diversificadas, como telefones, circuitos electónicos integrados, díodos, fios e cabos eléctricos, receptores de TV e suas partes, interruptores e aparelhos de protecção eléctrica, aquecedores eléctricos, motores e transformadores eléctricos e circuitos impressos, entre muitos outros.

A quota de Portugal neste grupo de produtos, calculada com base em dados de exportação de fonte INE de Portugal, convertidos a valores Cif, terá sido de 5,3% (6,3% no ano anterior).

Seguiram-se os grupos “Energéticos”, 18,3% do Total, com destaque para os combustíveis e óleos (quota de 0,3%), “Agro-alimentares”, 16,8%, principalmente cereais, gorduras e óleos, peixe e bebidas alcoólicas (quota de 2,7%), e “Químicos”, 16,3%, como sais de fúor, produtos farmacêuticos, plásticos, borracha e adubos (quota de 3,8%).

2.3 – Exportações por grupos de produtos

Em 2019, os grupos de produtos dominantes nas exportações de Moçambique foram “Energéticos”, 41,8% do Total (46,0% em 2018), principalmente carvão, energia eléctrica e gás de petróleo, “Minérios e metais”, 34,9% (35,9% no ano anterior), essencialmente alumínio e suas obras, e “Agro-alimentares” 16,6% (12,4% em 2018), como tabaco, castanha de cajú, bananas e outras frutas, sementes de oleaginosas, açúcar de cana, legumes secos e crustáceos.

As quotas de Portugal foram praticamente nulas nos dois primeiros grupos e de 5,2%, em 2019, no grupo “Agro-alimentares” (6,5% em 2018).

2.4 – Mercados de origem

Os cinco principais mercados de origem das importações moçambicanas em 2019 foram a África do Sul (28,7%), a China (11,4%), os Emiratos Árabes Unidos (8,0%), Singapura (6,8%) e a Índia (6,1%). Portugal terá ocupado a 6ª posição com 3,6% do Total (7º lugar no ano anterior, com 3,3%).

As importações com origem no espaço da SADC representaram 32,0% do Total em 2019 (30,8% em 2018), cabendo à África do Sul uma quota de cerca de 90% nos dois anos.

2.5 – Mercados de destino

Os principais destinos das exportações moçambicanas em 2019 foram a África do Sul, com 18,2% do Total, seguida da Índia, 16,8%, da China, 6,9%, da Itália, 6,5% e dos Países Baixos, 6,3%, que no ano anterior haviam ocupado a 3ª posição no ‘ranking’ com 12,2% do Total.

De acordo com dados de fonte ITC, Portugal terá ocupado em 2018 a 16ª posição, com 0,8% do total e a 21ª em 2019, com 0,7%.

No âmbito da SADC, coube ainda à África do Sul a primeira posição como receptor das exportações moçambicanas, com 81,4%, seguida do Zimbabwe, com 6,7%.

3 – Comércio Internacional de Portugal com Moçambique

As importações portuguesas de mercadorias com origem em Moçambique têm-se mantido, ao longo dos últimos três anos, moderadamente acima do nível de 2015. Por sua vez as exportações com este destino decresceram significativamente entre 2015 e 2017, invertendo este comportamento nos últimos dois anos, mas mantendo-se ainda muito abaixo do nível que detinham em 2015.

3.1 – Balança Comercial

A Balança Comercial de mercadorias de Portugal com Moçambique é amplamente favorável a Portugal. Dado o significativo desfasamento entre o valor das importações e das exportações, o grau de cobertura das primeiras pelas segundas é muito elevado.

Ao longo dos últimos cinco anos o maior saldo positivo ocorreu em 2015, com +317 milhões de Euros, seguido de uma acentuada quebra no ano seguinte (-43,6%, com 179 milhões de Euros), descida que prosseguiu em 2017 (-22,3%), situando-se então em +139 milhões de Euros. Nos últimos dois anos inverteu-se este comportamento, atingindo o saldo +162 milhões de Euros em 2019.

No período de Janeiro a Novembro de 2020, face ao homólogo do ano anterior, o saldo manteve-se em torno de +150 milhões de Euros.

3.2 – Importações por grupos de produtos                                                       2018-2019 e Janeiro-Novembro 2019-2020

As importações de mercadorias com origem em Moçambique centram-se no grupo de produtos “Agro-alimentares”, tendo representado nos dois últimos anos e primeiros onze meses de 2020 mais de 90% do Total, com destaque para as importações de crustáceos, de açúcar de cana, de tabaco e de moluscos.

Segue-se o grupo “Têxteis e vestuário”, com um peso de 6,4% nos primeiros onze meses de 2020, essencialmente composto por fios de algodão, algodão não cardado nem penteado, fios de outras fibras têxteis vegetais, cordéis, cordas e cabos revestidos a borracha ou plástico, e outros artefactos não especificados, incluindo moldes para vestuário.

O grupo “Máquinas, aparelhos e partes”, com produtos muito diversificados e de fluxo irregular ao longo do período em análise, representou 2,3% do Total em 2020.

Os restantes grupos tiveram um mais reduzido significado.

3.3 – Exportações por grupos de produtos                                                       2018-2019 e Janeiro-Novembro 2019-2020

As principais exportações portuguesas para Moçambique incidem no grupo “Máquinas, aparelhos e partes”, tendo representado 31,1% do Total no período em análise de 2020. Muito diversificadas, estas exportações incidem predominantemente em máquinas eléctricas, como se pode observar em quadro com a desagregação dos grupos por produtos definidos a quatro dígitos da Nomenclatura.

Seguiu-se o grupo “Químicos” (22,6% do total em 2020), com destaque para os reagentes de diagnóstico e laboratório, medicamentos, tubos, embalagens e outros artefactos de plástico, e matérias corantes, entre muitos outros produtos. 

O Grupo de produtos “Agro-alimentares” pesou 13,6% no Total em 2020, constituído principalmente por conservas de peixe, vinhos, azeite, preparados de farinhas, enchidos de carne, preparações alimentícias diversas, margarina, café, peixe congelado, queijo, produtos de padaria e pastelaria, sumos, massas e frutas.

No grupo “Minérios e metais” (11,9% em 2020), destacam-se as construções e outras obras de ferro ou aço, as barras e perfis de alumínio, os cimentos hidráulicos, as ferragens e guarnições metálicas, e as construções em alumínio, entre outros produtos.

No grupo “Produtos acabados diversos” (8,6% em 2020), predominam o mobiliário, os candeeiros e outros aparelhos de iluminação, os aparelhos para análises físicas ou químicas, os ladrilhos e mosaicos cerâmicos, os assentos mesmo transformáveis em cama, os instrumentos médicos, o vidro de segurança e o material sanitário, como lavatórios e banheiras de cerâmica.

Seguiu-se o grupo “Madeira, cortiça e papel” (6,4% em 2020), com destaque para os livros e diverso material impresso, caixas, sacos e embalagens de papel e cartão, papel higiénico, lenços e fraldas, e obras de carpintaria para construção.

Os restantes grupos tiveram menor expressão: “Têxteis e vestuário” (2,5% em 2020), “Material de transporte terrestre e partes” (1,4%), “Energéticos” (1,1%), “Calçado, peles e partes” (0,8%), tendo sido praticamente nulas as exportações do grupo “Aeronaves, embarcações e partes”.


Alcochete, 22 de Janeiro de 2021.

ANEXO



quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Comércio internacional com a Índia - 2015-2019 e Janeiro-Novembro 2019-2020

 

Comércio Internacional de mercadorias
com a Índia
- A Índia face ao Mundo
- Comércio de Portugal com  a Índia
  (2015-2019 e Janeiro-Novembro 2019-2020)

                                                       (disponível para download >> aqui )

1 – Nota introdutória

A Índia, o maior país do subcontinente indiano e o 7º em área geográfica no mundo, faz fronteira com o Paquistão, China, Nepal, Butão, Bangladesh e Myanmar (antiga Birmânia). Com uma superfície de 3 287 mil Km2, compreende vinte e oito “Estados” (um dos quais Goa) e sete “Territórios da União” (um deles Damão e Diu). De acordo com estimativas do Banco Mundial para 2019 a sua população era então de 1 353 milhões de habitantes, o 2º país mais populoso do mundo, sendo de 2 100 US$ o seu PIB per capita (PPP).

Neste trabalho encontra-se reunido um breve conjunto de dados sobre o comércio externo da Índia face ao mundo entre 2015 e 2019, a partir de dados de base do “International Trade Centre” (ITC), e é analisada, com algum detalhe, a evolução das importações e das exportações de mercadorias entre Portugal e a Índia ao longo desses anos e período acumulado de Janeiro a Novembro de 2019 e 2020, com base em dados estatísticos do Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 8 de Janeiro de 2021.

2 – A Índia face ao mundo

2.1 - Balança Comercial

De acordo com dados de fonte ITC disponíveis para o período de 2015 a 2019, a Balança Comercial do comércio externo de mercadorias da Índia foi deficitária entre 2015 e 2019, com um saldo de -139,0 mil milhões de Euros no último ano, tendo o défice atingido o seu valor máximo em 2018 (-156,9 mil milhões de Euros).

O grau de cobertura das importações pelas exportações oscilou, neste quinquénio, entre 63,6%, em 2018 e 73,2%, em 2016.

2.2 – Principais mercados do Comércio Externo da Índia em 2019
         Saldos positivos e negativos acima de mil milhões de Euros

Os principais países fornecedores das importações da Índia em 2019 foram a China (14,3% do Total), seguida dos EUA (7,3%), dos Emiratos Árabes Unidos (6,3%), da Arábia Saudita (5,6%) e do Iraque (4,6%). O primeiro país comunitário no ‘ranking’ foi a Alemanha (12ª posição com 2,6%), seguida da Bélgica (17ª e 2,0%), da Itália (26ª e 1,0%), da França (29ª e 0,8%) e dos Países Baixos (31ª e 0,8%), tendo Portugal ocupado o 95º lugar, com 0,03% do Total.

Entre os países de destino das exportações indianas destacaram-se, a grande distância dos restantes, os EUA (16,8%), seguidos dos Emiratos Árabes Unidos (9,1%) e da China (5,3%).

O maior saldo positivo da Balança Comercial da Índia em 2019 ocorreu com os EUA (+17,3 mil milhões de Euros) e o maior saldo negativo coube às trocas com a China (-45,7 mil milhões de Euros).

2.3 Importações e exportações na Índia por grupos de produtos

Os capítulos da Nomenclatura (SH-2) foram aqui agregados em 11 grupos de produtos em cada uma das vertentes comerciais (ver Anexo).

Nos quadros seguintes, a par do valor das importações e das exportações em cada grupo de produtos de 2015 a 2019 consta, para cada um deles, o contributo de Portugal em 2019, de acordo com os dados constantes na base de dados o ITC.


Nas importações, o grupo de produtos dominante em 2019 e no ano anterior foi “Energéticos” (respectivamente 31,9% e 33,3%), seguido de “Minérios e metais” (20,0% e 20,9%), “Máquinas aparelhos e partes” (19,9% e 18,8%) e “Químicos” (13,8% e 13,3%).

Do lado das exportações destacou-se o grupo “Minérios e metais” (20,9% do Total em 2019 e 21,8% em 2018), seguido de “Químicos” (18,3% e 17,3%), “Energéticos” (13,8% e 15,0%), “Máquinas, aparelhos e partes” (11,2% e 10,0%), “Têxteis e vestuário” (11,1% e 11,5%) e “Agro-alimentares” (10,8% e 10,9%).

3 – Comércio de Portugal com a Índia

Em 2019 a Índia ocupou a 9ª posição nas importações de Portugal com origem nos Países Terceiros (3,9% do Total) e a 7ª no período de Janeiro a Novembro de 2020 (3,6%).

Na vertente das exportações ocupou a 26ª posição em 2019 (0,7% do Total) e a 30ª nos primeiros onze meses de 2020 (0,6%).

Em 2019, no contexto do comércio da UE-27 com a Índia (Reino Unido excluído), Portugal ocupou a 8ª posição na importação, com 2,1% do Total, e a 17ª na exportação, com 0,3%.

Ao longo dos últimos cinco anos as importações portuguesas com origem na Índia cresceram a um ritmo sustentado, atingindo em 2019 um aumento de +80,4% face do valor que detinham em 2015.

Por sua vez as exportações cresceram +49,8% entre 2015 e 2017, decaíram no ano seguinte, tendo regressado em 2019 praticamente ao valor de 2017, representando um acréscimo de +50,1% face a 2015.

3.1 – Balança Comercial

A Balança Comercial de Portugal com a Índia, sustentadamente deficitária em termos anuais desde 2015, registou em 2019 um saldo de -710 milhões de Euros, com um grau de cobertura das importações pelas exportações de apenas 14,3%.

Nos primeiros onze meses de 2020 o défice baixou de -668 milhões de Euros, em igual período do ano anterior, para -487 milhões, com um grau de cobertura das importações pelas exportações de 15,7%.

3.2 – Importações por grupos de produtos

No período de Janeiro a Novembro de 2020 o grupo de produtos dominante nas importações foi “Têxteis e vestuário” (33,8% do Total em 2020 e 27,6% em 2019), seguido do grupo “Químicos” (27,7% e 21,4%, respectivamente).

No quadro seguinte relacionam-se, por grupos de produtos, os principais produtos importados, desagregados a quatro dígitos da Nomenclatura Combinada.


3.3 – Exportações por grupos de produtos

No período de Janeiro a Novembro de 2020 as maiores exportações incidiram no grupo de produtos “Químicos” (24,9% do Total e 23,3% no período homólogo do ano anterior), destacando-se entre outros produtos, os antibióticos, os polímeros de etileno, cloreto de vinilo e outras olefinas em formas primárias, e as essências de terebintina, pinheiro ou do fabrico de pasta de papel.

Seguiu-se o grupo “Máquinas, aparelhos e partes” (19,2% em 2020 e 24,0% em 2019), muito diversificadas, como máquinas de impressão, acumuladores eléctricos, motores e geradores eléctricos, partes de motores de explosão ou a diesel, fios e cabos eléctricos e fibra óptica, receptores de TV, bombas de ar ou vácuo, compressores, ventiladores, exaustores, caixas de fundição e moldes, entre muitos outros.

 Entre os “Minérios e metais” (17,7% em 2020 e 17,9% no ano anterior), destacaram-se os desperdícios, resíduos e sucata de alumínio e de cobre, os mármores e pedras calcárias em blocos ou placas, ferramentas e máquinas-ferramenta e laminados planos de ferro ou aço.

Seguiu-se o grupo “Madeira, cortiça e papel” (12,1% e 9,3%), com destaque para o papel e cartão para reciclagem, papel e cartão em rolos ou folhas, cortiça natural em bruto, simplesmente preparada ou aglomerada e suas obras.

As exportações de “Material de transporte terrestre e partes”, muito reduzidas em 2019, representaram 9,5% do Total em 2020, centradas nos automóveis de passageiros.

O grupo de produtos “Têxteis e vestuário”, que no período de Janeiro a Novembro de 2019 havia representado 11,0% das nossas exportações para a Índia, viu o seu peso descer para cerca de metade em 2020, incidindo principalmente em produtos e artefactos têxteis para usos técnicos, fitas de fios ou fibras e tecidos de vários tipos.

Cada um dos restantes grupos de produtos representou menos de 7,5% do total das exportações nos dois anos.

No quadro seguinte encontram-se relacionados, por grupos, os principais produtos exportados nos primeiros onze meses de 2019 e 2020, desagregados a quatro dígitos da Nomenclatura Combinada.


Alcochete, 14 de Janeiro de 2021.

                                                                                     ANEXO