domingo, 1 de dezembro de 2019

Comércio internacional da Pesca - Jan-Set 2018-2019


Comércio Internacional da pesca,
preparações, conservas e
outros produtos do mar
(Janeiro-Setembro 2018-2019)
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1 – Nota introdutória
Apesar da enorme extensão da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal já hoje disponível (mais de 1,7 milhões de Km2), a balança comercial da pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar é deficitária, representando as importações (Fob) um valor duplo do das exportações (Fob).
No presente trabalho pretende-se analisar a evolução destas trocas comerciais com o exterior, a partir de dados de base divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística para o os primeiros nove meses de 2018, em versão provisória, e para igual período de 2019, em versão preliminar, com última actualização em 8 de Novembro de 2019.
2- Peso do sector no comércio internacional global
De acordo com os dados disponíveis, as importações de produtos da pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar representaram 2,8% das importações globais no período de Janeiro a Setembro de 2019 (3,0% em 2018) e 1,8% das exportações nos dois anos.


3 – Balança Comercial
A balança comercial destes produtos do mar foi deficitária nos primeiros nove meses dos anos em análise, com défices (Fob-Cif) de -867,5 milhões de Euros em 2018 e -869,0 milhões em 2019.
Em 2019, face ao ano anterior, as importações e as exportações praticamente que estabilizaram, com taxas de ‘crescimento’ respectivamente de +0,02% e -0,14% e o mesmo reduzido grau de cobertura das primeiras pelas segundas nos dois anos (47,8%). 


Entre os agregados de produtos considerados destacam-se, nas duas vertentes comerciais, o “Peixe”, os “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos” e as “Conservas de peixe, de crustáceos e moluscos”, que representaram no seu conjunto, em cada um dos anos, cerca de 98% das importações e das exportações totais.

O único agregado, entre os sete considerados neste trabalho, em que a Balança Comercial foi favorável a Portugal foi o de “Conservas de peixe, crustáceos e moluscos”.

Em Anexo apresentam-se quadros e gráficos com a balança comercial das diversas componentes desagregadas por produtos a quatro ou seis dígitos da Nomenclatura Combinada (NC), com indicação das respectivas quantidades transaccionadas.
4 – Importação
As importações do conjunto destes produtos praticamente que estabilizaram nos primeiros nove meses de 2019, face ao mesmo período do ano anterior (+392 mil Euros).
A um aumento de +45,6 milhões de Euros nas importações de “Peixe” correspondeu uma quebra de -56,3 milhões nas de “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos”, principalmente moluscos, excluindo conservas. 

Nas importações de “Peixe” assumem particular relevância, entre outras, as de bacalhau nos seus diversos estados, que serão adiante objecto de uma análise mais pormenorizada.
4.1 – Mercados de origem
No período de Janeiro a Setembro de 2019 os principais fornecedores deste conjunto de produtos foram a Espanha (38,4%), a Suécia (11,2%), os Países Baixos (8,5%), a Rússia (5,0%), a China (4,5%), a Dinamarca (3,4%) e a Índia (2,6%).  
Os maiores acréscimos, em Euros, couberam a Espanha (+23,4 milhões de Euros) e à Rússia (+16,1 milhões), tendo os maiores decréscimos incidido na Alemanha (‑12,8 milhões) e na Grécia (-9,6 milhões de Euros).

5 – Exportação
As exportações decresceram -0,1% em termos homólogos (-1,1 milhões de Euros). A principal quebra incidiu em “Crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos“ (com um peso de 25,1% no total e uma quebra de ‑44,4 milhões de Euros), principalmente moluscos, excluindo conservas (-40,0 milhões de Euros), a que se seguiram descidas nas de “Conservas de peixe, crustáceos e moluscos” (21,4% do total e -7,7 milhões) e de “Sal, águas mãe de salina s e algas” (0,7% do total e -4,9 milhões de Euros).
A estas descidas contrapôs-se um aumento das exportações de “Peixe” (51,8% e +56,8 milhões de Euros), principalmente peixe congelado (+30,4 milhões) e peixe fresco ou refrigerado (+22,7 milhões), excluindo filetes.

5.1 – Mercados de destino
Nos primeiros nove meses de 2019 as expedições portuguesas de mercadorias para o espaço intracomunitário representaram 84,0% do Total, com predomínio da mercado espanhol. Entre os países terceiros o destino dominante foi o Brasil.
Em termos globais, a Espanha averbou mais de metade do Total das exportações destes produtos em 2019 (52,7%), a que correspondeu um aumento de +1,5% face a 2018.
Seguiram-se a Itália (12,5%), a França (10,2%) e o Brasil (6,4%), representando juntamente com a Espanha  mais de 80% das exportações efectuadas no período em análise.
Os maiores acréscimos verificaram-se nas exportações para Espanha (+6,1 milhões de Euros), França (+5,5 milhões), Polónia (+3,1 milhões), China (+2,3 milhões), Reino Unido (+2,0 milhões), Croácia (+1,8 milhões), Coreia do Sul, (+1,3 milhões) e Canadá (+1,1 milhões de Euros).
Os maiores decréscimos couberam às exportações para os EUA (-10,2 milhões de Euros), para  Angola (-8,1 milhões), para Itália (-5,0 milhões), para o Brasil (-2,0 milhões) e para a Alemanha (-1,4 milhões de Euros).

6 – Importação e exportação de sardinha
São conhecidas as limitações impostas ultimamente à pesca da sardinha em zonas em que habitualmente operam os pescadores portugueses e espanhóis, face à acentuada redução do “stock” de sardinha verificada ao longo da última década, tendo havido mesmo um parecer científico do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) que aconselhava a sua proibição em 2019.

Nos primeiros nove meses de 2019 assistiu-se a uma quebra na importação de sardinha fresca, refrigerada ou congelada, em termos homólogos, de -21,4% em valor e -31,0% em quantidade, e a um aumento significativo na exportação respectivamente de +48,7% e +45,1%, tendo o grau de cobertura da importação pela exportação aumentado de 52,7% para 99,7%.
Neste período, o principal mercado de origem das importações de sardinha fresca, refrigerada ou congelada foi a Espanha (85,2%), seguida à distância pelo Reino Unido (4,6%) e pela Croácia (3,7%). As importações com origem em Marrocos, que no ano anterior fora o 2º fornecedor, cifraram-se em 2019 em apenas 96 mil Euros.

Por sua vez, o principal mercado de destino das exportações foi ainda a Espanha (68,5%), seguida dos EUA (7,3%), do Canadá (6,4%) e da França (4,5%).

As principais exportações portuguesas no contexto da sardinha incidem nas tradicionais conservas (com um elevadíssimo grau de cobertura das importações pelas exportações), que registaram uma descida em valor de -2,6% e de -3,6% em quantidade.

Em 2019, os principais fornecedores de conservas de sardinha foram a Espanha (68,1%), a Alemanha (16,4%) e Marrocos (10,7%), que em 2018 fora o primeiro mercado de origem. Por sua vez, o principal mercado de destino foi a França (40,6%), seguida do Reino Unido (11,2%), da Áustria (8,0%), da Bélgica (7,4%), dos EUA (4,8%) e da Alemanha (3,4%).

7 – Importação e exportação de bacalhau
Cerca de 30% das importações do conjunto dos produtos da pesca, preparações, conservas e outros produtos do mar reportam-se a bacalhau, nos seus variados estados. Entre os vários tipos de bacalhau destaca-se o ‘Seco, salgado, em salmoura ou fumado’ (60,8% no 1º semestre de 2019), seguido do ‘Congelado, excluindo filetes’ (31,8%).

A principal origem da importação de bacalhau no período em análise foi a Suécia (35,9% do Total em 2019 e 37,1% em 2018), seguida dos Países Baixos (22,3% e 23,1%) da Rússia (17,8% e 15,9%), da Espanha (8,4% e 6,1%), da Dinamarca (4,9% e 6,2%), da China (4,1% e 2,4%) e dos EUA (3,5% e 2,3%).

Sabe-se que a maior parte do bacalhau consumido em Portugal tem a sua origem na Noruega, país extracomunitário limítrofe da Suécia, mas os dados estatísticos disponíveis apontam para um fornecimento de apenas 494 toneladas nos primeiros 9 meses de 2019 (115 tons no período homólogo do ano anterior), contra 22,5 mil toneladas provenientes da Suécia em 2019 (24,5 mil em 2018).
Tudo indica que a prevalência da Suécia entre os principais fornecedores de Portugal contabilizados pelo INE reside no facto de ser este um país de “introdução em livre prática” na União Europeia do bacalhau norueguês destinado a Portugal, após cumpridas as formalidades aduaneiras.
No período de Janeiro a Setembro de 2019, Portugal exportou 14,7 mil toneladas de bacalhau (13,9 mil no ano anterior), principalmente ‘Congelado (excluindo filetes)’ e ‘Seco, salgado, em salmoura ou fumado’ e “Carne de bacalhau congelada (excluindo filetes)”.

Os principais países destinatários em 2019 foram o Brasil (39,5%), a Espanha (19,4%) e a França (15,7%).

8 – Taxas de variação homóloga em valor, volume e preço
      das importações e exportações dos produtos do mar
Para este conjunto de produtos do mar foram calculados, para as suas importações e exportações nos primeiros nove meses do ano, face ao período homólogo do ano anterior, índices de preço do tipo Paasche, utilizados como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume.
O cálculo dos índices de preço foi efectuado a partir de uma amostra automática construída com base nos produtos a oito dígitos da NC com movimento nos dois anos, dentro de um intervalo definido por métodos estatísticos.
As importações terão registado um acréscimo em preço de +0,8%, a que correspondeu um decréscimo em volume de -0,8%, com o de valor praticamenmte estabilizado.
Por sua vez, as exportações terão registado um quebra em preço de -1,7%, um aumento em preço de +1,5%, com uma descida em valor de -0,1%.

Seguem-se, em anexo, quadros e gráficos com a balança comercial das componentes consideradas neste trabalho, desagregadas por produtos da NC e quantidades transacionadas.

Alcochete, 1 de Dezembro de 2019. 

ANEXO
Balança Comercial das componentes
(Janeiro-Setembro 2018-2019)
















domingo, 24 de novembro de 2019

Comércio Portugal-Brasil (2014-2018 e Jan-Set 2019)


Comércio internacional de mercadorias
de Portugal com o Brasil
2014-2018 e Janeiro-Setembro 2018-2019

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1 – Nota introdutória
O Brasil ocupou em 2018 e no período de Janeiro a Setembro de 2019 a 11ª posição entre os mercados de origem das importações portuguesas de mercadorias, com respectivamente 1,3% e 1,2% do total  (5,5% e 5,1% do total dos países terceiros).
Na vertente das exportações ocupou o 10º lugar em 2018, com 1,4% do total e o 11º no período em análise de 2019, com 1,2% (5,9% e 5,2% no âmbito dos países extracomunitários).
A par de Portugal, o Brasil foi um dos fundadores, em 1996, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços entre os seus actuais nove membros.
Após um breve relance sobre a evolução do ‘Comércio Exterior do Brasil’, com base em dados de fonte International Trade Centre (ITC), vai-se analisar a evolução das importações e exportações de mercadorias entre Portugal e o Brasil ao longo dos últimos cinco anos (2014-2018) e período de Janeiro a Setembro de 2018 e 2019, com base em dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), definitivos para os anos de 2014 a 2017, provisórios para 2018 e preliminares para 2019, com última actualização em 8 de Novembro de 2019.
2 – Alguns dados sobre o ‘Comércio Exterior’ do Brasil
De acordo com os dados disponíveis, quando medidos em Euros, o saldo (Fob-Cif) da Balança Comercial de mercadorias do Brasil, que em 2014 foi deficitário (-3,1 mil milhões de Euros), tornou-se positivo em 2015, cresceu até 2017 (+59,3 mil milhões), tendo decrescido em 2018 (+49,7 mil milhões).

Ao longo dos cinco anos em análise, o ritmo de evolução das importações manteve-se sempre abaixo do nível de 2014. Por sua vez, as exportações, praticamente estáveis nos dois anos seguintes, viram o seu ritmo aumentar até 2018, atingindo 120,0% face a 2014.

Os principais parceiros do Brasil em 2018, em ambas as vertentes comerciais, foram a China e os EUA, com 19,2% e 16,2% nas importações e 26,8% e 12,1% nas exportações, seguidos da Argentina, com 6,1% e 6,2%, respectivamente. 

Por Grupos de Produtos (ver conteúdo na tabela em Anexo), em 2018 verificou-se um acréscimo em valor nas importações de +15,0% face ao ano anterior, sendo o grupo de produtos “Agro-alimentares”, com um peso de 6,1% na estrutura, o que registou, entre três, o maior decréscimo, -5,7% (-561 milhões de Euros).
Os maiores acréscimos, em Euros, ocorreram nos grupos “Aeronaves, embarcações e partes” (+8,2 mil milhões), “Químicos” (+3,6 mil milhões), “Energéticos” (+3,1 mil milhões), “Minérios e metais” (+2,1 mil milhões) e “Material de transporte terrestre e partes (+1,8 mil milhões de Euros).
Em 2018 Portugal pesou 0,5% no Total das importações brasileiras (37ª posição). Entre os onze grupos, aqueles em que se registaram as maiores quotas foram “Agro-alimentares” (4,3%), “Madeira, cortiça e papel” (1,5%) e “Têxteis e vestuário” (0,6%).

Na vertente das exportações registou-se um acréscimo de +5,4% em 2018 face ao ano anterior (+10,4 mil milhões de Euros), tendo-se verificado os principais aumentos, em Euros, nos grupos “Energéticos” (+6,3 mil milhões), “Aeronaves, embarcações e partes” (+3,8 mil milhões), “Madeira, cortiça e papel” (+1,8 mil milhões) e “Produtos acabados diversos” (+1,7 mil milhões).
O principal decréscimo incidiu no grupo “Material de transporte terrestre e partes” (-2,4 mil milhões de Euros).

Em 2018 Portugal pesou 0,6% nas exportações brasileiras (35ª posição).
Os grupos de produtos em que Portugal registou as maiores quotas foram “Energéticos”  (1,3% do grupo), “Minérios e metais” (1,0%), “Têxteis e vestuário” e “Produtos acabados diversos” (0,8% cada), “Calçado, peles e couros” (0,7%), “Agro-alimentares” (0,5%), “Químicos” e “Madeira, cortiça e papel” (0,3% cada).
No quadro seguinte encontram-se relacionadas, por Capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2) desagregados a quatro dígitos (NC-4), as importações dos produtos que registaram um valor superior a mil milhões de Euros em 2018.

3 – Comércio de Portugal com o Brasil
3.1 – Evolução do peso do Brasil nas importações
             e exportações globais
O peso das importações portuguesas com origem no Brasil no contexto global, que em 2015 descera de 1,5%, no ano anterior, para 1,4%, aumentou nos dois anos seguintes para 1,7%, decaindo para 1,3% em 2018. No período de Janeiro a Setembro desceu de 1,4%, em 2018, para 1,2%, em 2019.
Por sua vez o peso das exportações nacionais para o Brasil no total, que entre 2014 e 2016 havia descido de 1,3% para 1,1%, subiu para 1,7% em 2017, para descer no ano seguinte para 1,4%. Nos primeiros nove meses do ano assistiu-se a uma decida de 1,4%, em 2018, para 1,2%.

No período de Janeiro a Setembro de 2019, como já foi referido, as importações representaram 5,1% do total dos Países Terceiros e as exportações 5,2%.

3.2 – Posição do Brasil nas trocas de Portugal no âmbito da CPLP
Em 2016 o Brasil foi a origem de 40,6% das importações de Portugal do conjunto dos seus parceiros na CPLP, seguido de Angola com 37,5%, e o destino de 27,6% das exportações, precedido de Angola com 51,6%.

3.3 – Balança Comercial

A Balança Comercial de Portugal com o Brasil é desfavorável. Ao longo dos últimos cinco anos o maior défice ocorreu em 2016, com -516 milhões de Euros, tendo-se situado em ‑197 milhões em 2018, o menor do quinquénio, com um grau de cobertura das importações pelas exportações de 80,4%, contra 51,1% em 2016.
Nos primeiros nove meses de 2019 as importações decresceram ‑6,0% em termos homólogos, com as exportações a caírem -9,7%, o défice a aumentar +5,5% e o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações a descer, em termos homólogos, de 75,5% para 72,5%.
3.4 – Importações por grupos de produtos
As maiores importações portuguesas com origem no Brasil incidiram, nos últimos cinco anos e período em análise de 2019, no grupo de produtos “Agro-alimentares”, com destaque em 2019 para a soja e bagaço de soja, milho, goma-laca, frutas como goiaba, manga e papaia, para o café e açúcar. À excepção de 2016, em que foi ultrapassado  pelo grupo “Aeronaves, embarcações e partes”, seguiu-se o grupo “Energéticos”, principalmente constituído por petróleo bruto.

3.5 – Exportações por grupos de produtos
As principais exportações para o Brasil nos períodos em análise inserem-se também no grupo de produtos “Agro-alimentares”, que representou 58,9% do total nos nove primeiros meses do ano, destacando-se aqui o azeite, o peixe congelado e seco, principalmente bacalhau, os vinhos de uvas, fruta fresca, como peras, maçãs e ameixas, e tripas, bexigas e buchos.
Seguiram-se, por ordem decrescente de valor, os grupos “Aeronaves, embarcações e partes” (16,7%), principalmente partes de veículos aéreos, “Máquinas, aparelhos e partes” (8,3%), “Químicos” (4,0%), “Minérios e metais” (3,6%), “Produtos acabados diversos” (3.4%), “Têxteis e vestuário” (2,1%) e “Madeira, cortiça e papel” (2,0%).
Por fim, os grupos “Material de transporte terrestre e partes” (0,9% do total) e “Calçado, peles e couros” (0,1%), tendo sido nula a exportação de “Energéticos”.

Alcochete, 23 de Novembro de 2019.

ANEXO


domingo, 17 de novembro de 2019

Índices do Comércio Internacional - Jan-Set 2019


Comércio Internacional de mercadorias
- Taxas de variação homóloga em
valor, volume e preço
por grupos e subgrupos de produtos
(Janeiro a Setembro de 2019/2018)

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1 - Nota introdutória
O presente trabalho visou o cálculo de indicadores de evolução em valor, volume e preço das importações e das exportações portuguesas de mercadorias no período acumulado de Janeiro a Setembro de 2019, face ao período homólogo do ano anterior.
Os índices de preço, do tipo Paasche, utilizados depois como deflatores dos índices de valor para o cálculo dos correspondentes índices de volume, foram calculados a partir de dados de base elementares recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o período em análise, em versão preliminar com última actualização em 9 de Novembro de 2019, sendo ainda provisória a versão dos correspondentes dados utilizados para 2018.
Para o cálculo dos índices de preço, as posições pautais a oito dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-8), relativas às importações e às exportações com movimento nos dois anos, foram agregadas em 11 grupos e 38 subgrupos de produtos (ver Anexo).

2 – Nota metodológica
O método utilizado para o cálculo dos índices de preço de Paasche divulgados neste trabalho assenta na selecção de uma amostra representativa do comportamento dos preços de cada subgrupo de produtos (construída com base em metodologia definida na antiga Direcção-Geral do Comércio Externo, ensaiada e aperfeiçoada ao longo de muitos anos), posteriormente ponderados para o cálculo dos índices dos respectivos grupos, e estes por sua vez ponderados para o cálculo do índice do total de cada uma das vertentes comerciais.
Os índices de preço de cada subgrupo são obtidos a partir de uma primeira amostra automática, com base nos produtos com movimento nos dois períodos em análise, dentro de um intervalo definido por métodos estatísticos. Segue-se uma análise crítica, que pode incluir, entre outros, o recurso à evolução do preço das matérias-primas que entram na manufactura de um dado produto, como indicador de consistência de um determinado índice que, apesar de um comportamento aparentemente anormal, pode vir a ser incluído na amostra. Mais frequentemente procede-se à desagregação por mercados de origem e de destino de posições pautais com peso relevante que se encontram fora do intervalo, incluindo-se na amostra do subgrupo o conjunto dos países que apresentam um comportamento coerente na proximidade do intervalo previamente encontrado.
Também produtos dominantes incluídos no intervalo e decisivos para o índice do subgrupo podem ser desagregados e considerados por mercados se, através de uma análise crítica, forem encontrados desvios sensíveis face aos restantes.
3 – Balança Comercial
De acordo com os dados preliminares utilizados, o défice da balança comercial de mercadorias no período de Janeiro a Setembro de 2019 aumentou +27,2% face ao mesmo período do ano anterior, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer de 78,0% para 74,1%.

As importações (somatório das ‘chegadas’ provenientes do espaço comunitário com as importações originárias dos países terceiros), com um acréscimo em valor de +7,9%, terão registado um aumento em volume de +8,9% e um decréscimo em preço de -0,9%. Por sua vez, o aumento em valor de +2,5% verificado nas exportações terá resultado de um incremento em volume de +2,9%, com o preço a decrescer -0,4%. Na presente conjuntura, dada a evolução do preço do petróleo, torna-se conveniente atentarmos também no andamento do nosso comércio internacional quando excluído dos produtos que integram o grupo “Energéticos”

De acordo com os dados disponíveis, as importações, com exclusão dos produtos “Energéticos”, terão registado taxas de variação em valor, volume e preço respectivamente de +9,0%, +10,0% e -0,9%. Por sua vez, as exportações terão averbado um aumento em valor de +4,3%, em resultado de um incremento em volume de +4,5% e de um decréscimo em preço de -0,2%.
 Sem “Energéticos”, o défice da balança comercial cresceu +30,9%, contra +27,2% em termos globais, com o grau de cobertura das importações pelas exportações a descer, entre 2018 e 2019, de 82,4% para 78,9% (em lugar de 78,0% para 74,1%).
A evolução em volume das exportações constitui uma medida da capacidade produtiva da indústria, tendo-se verificado no período em análise uma taxa de crescimento global de +2,9%, ou de +4,5% se excluirmos os produtos “Energéticos”. 


No período em análise de 2019, o saldo da balança comercial foi positivo em quatro dos onze grupos de produtos considerados, que representaram 30,1% das exportações e 16,5% das importações totais: “Madeira, cortiça e papel”, “Têxteis e vestuário”, “Calçado, peles e couros” e “Produtos acabados diversos”.


4 – Importações
No período em análise, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas importações de mercadorias foram: “Máquinas, aparelhos e partes” (17,6% do total em 2019 e 17,3% em 2018), “Químicos” (16,1% e 16,3%, respectivamente), “Agro-alimentares” (14,1% e 14,8%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,2% e 12,4%) e “Energéticos” (11,6% e 12,4%).
Seguiram-se os grupos de produtos ”Minérios e metais” (8,2% em 2019 e 8,7% em 2018), “Produtos acabados diversos” (5,8% e 5,9%), “Têxteis e vestuário” (5,6% e 5,8%), “Aeronaves, embarcações e partes” (3,9% e 1,0%), “Madeira, cortiça e papel” (3,0% e 3,2%) e “Calçado, peles e couros” (2,1% em 2019 e 2,2% em 2018).


À excepção do grupo “Calçado, peles e couros” (-0,9%), em todos os grupos se registaram taxas de crescimento em valor positivas. O maior acréscimo ocorreu no grupo “Aeronaves, embarcações e partes” (+300,6%), não constante do gráfico seguinte por não serem aqui calculados índices de volume e preço. Entre os restantes destacaram-se os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+9,7%), “Químicos” (+6,9%), “Produtos acabados diversos” (+6,6%) e “Material de transporte terrestre e partes” (+6,5%), seguidos dos grupos “Têxteis e vestuário”  (+3,2%) e “Agro-alimentares” (+2,9%).
Em todos os grupos, excepto em “Calçado, peles e couros” (-1,0%), se verificaram crescimento em volume, com destaque para os grupos “Máquinas, aparelhos e partes” (+12,1%), “Químicos” (+9,5%), “Produtos acabados diversos” (+5,6%), “Têxteis e vestuário” (+5,0%), “Minérios e metais” (+4,4%), “Material de transporte terrestre e partes” (+3,5%) e “Agro-alimentares” (+3,4%).
Na óptica da evolução em preço verificaram-se acréscimos nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (+2,9%) e “Produtos acabados diversos” (+0,9%), estagnação nos grupos “Madeira, cortiça e papel” e “Calçado, peles e couros”, e decréscimos nos restantes, principalmente “Minérios e metais” (‑3,1%), “Químicos” (-2,4%), “Máquinas, aparelhos e partes” (-2,2%) e “Têxteis e vestuário” (-1,6%). 


5 – Exportações
No período de Janeiro a Setembro de 2019, os grupos de produtos com peso a dois dígitos nas exportações de mercadorias foram “Material de transporte terrestre e partes” (15,1% do total em 2019 e 13,7% em 2018), “Máquinas aparelhos e partes” (13,8% e 14,3% respectivamente), “Químicos” (12,7% e 12,1%) e “Agro-alimentares” (11,9% em cada um dos anos). Seguiram-se os grupos “Produtos acabados diversos” (9,8% e 9,3%), “Minérios e metais” (9,5% e 9,8%), “Têxteis e vestuário” (9,0 e 9,3%), “Madeira, cortiça e papel” (7,6% em cada um dos anos), “Energéticos” (5,8% e 7,4%), “Calçado, peles e couros” (3,7% e 4,0%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (1,2% e 0,6%).


Verificaram-se decréscimos em valor, face ao período homólogo do ano anterior, em cinco dos grupos de produtos: “Energéticos” (-20,4%), “Calçado, peles e couros” (‑4,4%), “Minérios e metais” e “Máquinas, aparelhos e partes” (‑1,0% em cada) e “Têxteis e vestuário” (‑0,7%). O maior acréscimo ocorreu no grupo “Aeronaves, embarcações e partes” (+91,6%), não constante do gráfico seguinte à semelhança do verificado nas importações, a que se seguiram os grupos “Material de transporte terrestre e partes” (+13,4%), “Químicos” (+7,7%), “Produtos acabados diversos” (+7,0%), “Madeira, cortiça e papel” (+2,5%) e Agro-alimentares” (+2,4%).
 Em volume, verificaram-se descidas nos grupos “Energéticos” (-17,4%),  “Calçado, peles e couros” (-4,3%) e “Têxteis e vestuário” (-0,9%).
Os maiores acréscimos ocorreram nos grupos “Químicos” (+10,8%) e “Material de transporte terrestre e partes” (+8,4%), seguidos dos grupos “Produtos acabados diversos” (+3,7%), “Agro-alimentares” (+3,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (+2,7%), “Madeira, cortiça e papel” (+1,8%) e “Minérios e metais” (+0,8%).
No âmbito do preço verificaram-se quebras nos grupos “Energéticos” (-3,6%), “Máquinas, aparelhos e partes” (‑3,5%), “Químicos” (‑2,8%), “Minérios e metais” (-1,8%), “Agro-alimentares” (-1,2%) e “Calçado, peles e couros” (-0,1%).
Os maiores acréscimos em preço verificaram-se nos grupos “Material de transporte terrestre e partes” (+4,7%) e “Produtos acabados diversos” (+3,1%), seguidos da “Madeira, cortiça e papel” (+0,6%) e dos “Têxteis e vestuário” (+0,2%).

6 – Representatividade das amostras
A representatividade da amostra global de cada uma das vertentes comerciais, que serviu de base ao cálculo dos respectivos índices de preço de Paasche foi, respectivamente em 2018 e 2019, de 92,6% e 92,4% nas importações e de 93,8% em cada um dos anos,  nas exportações. No quadro seguinte pode observar-se a representatividade das amostras em cada um dos grupos de produtos.

7 – Evolução por trimestres acumulados
Para além de os dados de base não serem ainda definitivos, qualquer análise comparativa que se pretenda fazer sobre o comportamento das importações e das exportações ao longo destes períodos acumulados, deverá ter em consideração que as posições pautais que constituem as amostras utilizadas no cálculos dos índices de preço em cada um dos períodos não serão exactamente as mesmas.
A experiência mostra que não há normalmente diferenças sensíveis entre os índices de preço de Paasche quando calculados a partir das primeiras versões dos dados ou sobre versões já definitivas. Para uma maior aproximação à realidade, os índices de volume constantes do quadro que se segue foram calculados a partir dos índices de valor implícitos na última versão disponível dos dados de base (8 de Novembro de 2019).  


No quadro em Anexo encontra-se definido o conteúdo dos grupos e subgrupos de produtos aqui considerados, com base na Nomenclatura Combinada em uso na União Europeia.

Alcochete, 17 de Novembro de 2019.